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Holding da Vale afunda 3%, Petrobras "ignora" petróleo e sobe e small cap salta 20% com rumor

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Após chegar a subir 0,6% na máxima do dia, o Ibovespa chegou a operar no negativo nesta tarde, mas voltou a ganhar força na reta final do pregão desta segunda-feira (3). Contribuiu para o movimento as ações da Petrobras, que se afastou do dia negativo do petróleo e subiu, assim como os bancos, que fecharam com ganhos superior a 1%. 

Do lado positivo, destaque também para as ações do setor de papel e celulose, que figuraram entre as maiores altas do Ibovespa apesar do dia de queda do dólar. No radar, um relatório do BTG Pactual reiterou Suzano e Fibria com recomendação equivalente a compra, após uma avalanche de notícias positivas para o setor. 

Por outro lado, as ações da Vale e siderúrgicas apareceram entre as maiores quedas do índice, acompanhando a cotação do minério de ferro nesta sessão. A Embraer também caiu forte hoje, penalizada pelo dólar. Vale menção também que o analista técnico André Moraes, da Clear Corretora, recomendou no domingo a venda da ação da fabricante de aeronaves, com alvo nos R$ 14,65. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa:

JBS (JBSS3, R$ 10,17, -0,39%)
A Justiça Federal de Brasília determinou na sexta-feira o afastamento de Joesley Batista do conselho de administração da produtora de celulose Eldorado Brasil, e o bloqueio das ações da empresa em poder da holding de investimentos J&F, do empresário. A decisão, que também determinou o afastamento do empresário da presidência do conselho da J&F, aconteceu após o juiz Vallisney de Souza Oliveira concordar com pedido do Ministério Público Federal, que acusou Joesley de ter descumprido termo de acordo no âmbito da operação Greenfield.

A operação investiga suspeitas de irregularidades em fundos de pensão de estatais envolvendo a holding J&F, que além da Eldorado Brasil, controla empresas como a processadora de carnes JBS. A operação foi deflagrada em setembro para investigar suspeita de fraude nos fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Petros (da Petrobras), Postalis (dos Correios) e Funcef (da Caixa Econômica Federal), tendo como base dez casos revelados a partir do exame das causas de déficits bilionários apresentados pelos fundos.

O magistrado determinou também que a Eldorado Brasil deve escolher um novo presidente para o conselho e deu prazo de cinco dias para que José Carlos Grubisich Filho, presidente-executivo da Eldorado, se defenda de pedido do MPF para seu afastamento do cargo e escolha pela companhia de um novo presidente. Além disso, o juiz bloqueou todas as ações da Eldorado em poder da J&F e que a produtora de celulose abra seus arquivos para que os fundos de pensão Petros e Funcef possam fazer "uma ampla auditoria (...) independentemente de qualquer sigilo que venha ser alegado pela Eldorado". 

Neste sentido, a Eldorado terá que contratar nova investigação independente sobre "fatos ocorridos na Eldorado", com a formação de comitê que incluirá um membro indicado por cada um dos fundos de pensão. O prazo para esta investigação é de quatro meses. A J&F e suas controladas afirmaram em nota na noite de sexta-feira que Joesley Batista irá cumprir as medidas cautelares requeridas pelo MPF e deferidas pelo juiz.

Embraer (EMBR3, R$ 17,01, -2,19%)
As ações da Embraer figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sessão, em dia de queda do dólar frente ao real. O dólar comercial caiu 0,51%, a R$ 3,1150 na venda. 

No programa "Estudo de Domingo", que é exibido semanalmente na InfoMoneyTV, o analista técnico André Moraes, da Clear Corretora, recomendou a venda do papel no rompimento dos R$ 17,17, com alvo nos R$ 14,65. O "stop loss" da operação está nos R$ 18,01. Além de Embraer, ele apontou mais 11 ações para ficar de olho nesta semana (veja aqui). 

Petrobras (PETR3, R$ 15,32, +1,12%; PETR4, R$ 14,67, +1,24%)
As ações da Petrobras se descolaram dos preços do petróleo e subiram mais de 1% nesta sessão. Lá fora, os contratos futuros do Brent caíam 0,80%, a US$ 53,10 o barril, enquanto os de WTI recuavam 0,75%, a US$ 50,22 o barril. 

No radar, a Petrobras informou na sexta-feira, 31, que o Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP), após avaliação, decidiu manter os preços do diesel e da gasolina nas refinarias, seguindo a política de preços anunciada em outubro de 2016. Em nota, a estatal explica que, ao longo do mês de março, o mercado internacional de derivados registrou níveis de volatilidade elevados, notadamente a gasolina, em razão das mudanças de especificação do produto no hemisfério norte, necessária em função do fim do inverno.

Segundo a empresa, houve na primeira metade do mês uma queda expressiva nos mercados europeus, revertida por altas seguidas nas semanas finais. "Em decorrência, quando considerada somente nas posições de início e fim de mês, essa componente teve variação inexpressiva", afirma. A estatal informa ainda que a decisão também reflete o efeito combinado de desvalorização do real e aumento no valor dos fretes marítimos, além de ajustes na competitividade da Petrobras no mercado interno.

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 29,51, -0,94%; VALE5, R$ 27,98, -0,82%) caíram nesta sessão, acompanhando o movimento do minério de ferro, que encerrou em queda. Hoje, a commodity negociada com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao fechou em baixa de 1,28%, a US$ 79,36 a tonelada.

Acompanharam o movimento negativo as ações da Bradespar  (BRAP4, R$ 21,20, -3,15%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 10,75, -1,29%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,84, -2,22%), CSN (CSNA3, R$ 8,96, -1,65%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,36, -1,80%). 

No radar, o Credit Suisse publicou relatório sobre o setor de mineração e siderurgia e reiniciou a cobertura para Usiminas com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 4,50.

"De maneira geral, as perspectivas para as siderúrgicas continuam positivas, mas o cenário de curto prazo ainda deve ser pressionado com demanda fraca e aumento de competição, o que pode impactar negativamente o resultado (primeiro semestre) da maioria das empresas", afirmam os analistas.

Para a Vale, a recomendação é neutra com preço-alvo de US$ 9 por ADR, enquanto o preço-alvo para a Gerdau foi reduzido para R$ 14 com recomendação outperform.  

Small caps
O BTG Pactual anunciou hoje suas mudanças no portfólio de ações small caps. O banco decidiu retirar as ações da Light (LIGT3, R$ 19,19, -2,88%) e Sanepar (SAPR4, R$ 11,18, +1,64%) para dar espaço para SulAmérica (SULA3, R$ 16,93, +1,44%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 182,99, +3,33%).

Os analistas mantiveram na carteira CVC Brasil (CVCB3), Iguatemi (IGTA3) e Linx (LINX3).

Eletrobras (ELET3, R$ 17,20, +0,58%; ELET6, R$ 21,85, -1,00%) 
As ações PNs da Eletrobras viraram para queda, apesar da "boa notícia", embora já esperada pelos analistas de mercado. A ação ELET6 entrou na primeira prévia do Ibovespa, cuja carteira é válida para maio a agosto de 2017. 

A primeira prévia da nova carteira do Ibovespa, que vai vigorar no período de maio a agosto deste ano, traz também a saída das ações da Cetip, que deixaram de ser negociadas devido ao processo de fusão com BM&FBovespa, que criou a B3, segundo informações da Agência Bovespa. O último dia de negociação das ações da Cetip foi 29 de março, quando foi implementada a relação de troca por papéis da BM&FBovespa, devido ao processo de fusão entre as duas empresas. 

Papel e celulose
Os analistas do BTG Pactual escreveram um relatório atualizando os últimos acontecimentos no setor de papel e celulose que poderiam ajudar a melhorar sentimento. São eles: 1) a APP informou que não deve vender celulose de mercado em 2017 (menos volatilidade de preço) e ainda não estão confortáveis com qualidade de celulose (o que pode indicar potenciais atrasos com a linha 2); 2) algumas paradas de manutenção que devem acontecer ao longo de abril/maio na Ásia (o que pode ajudar a manter mercado equilibrado).

Diante dos recentes acontecimentos, os analistas escreveram que "as coisas não parecem tão ruins e não descartamos aumentos de preços ao longo dos próximos meses". Com isso, eles seguem otimistas com o momento de preço no curto prazo para celulose, destacando que não devem ter grandes projetos entrando após 2018, o que ajuda na dinâmica de preço de longo prazo.

Eles reiteraram a recomendação de compra em Suzano (SUZB5, R$ 13,67, +3,09%), que é sua top pick no setor, e Fibria (FIBR3, R$ 29,51, +2,22%). Os analistas apontaram também que estão ficando mais positivos em Klabin (KLBN11, R$ 15,02, -0,86%), após performance recente e considerando que o mercado atribui valor 0 ao projeto Puma, o que parece exagerado, comentaram. 

Minerva (BEEF3, R$ 9,78, +0,20%)
A crise da carne ainda afeta empresas e Minerva dá férias coletivas e paralisa frigorífico em Mato Grosso por 20 dias em meio ao acúmulo de estoques decorrentes da Operação Carne Fraca, afirma o Valor. Em entrevista à Folha, o embaixador da União Europeia no Brasil João Cravinho afirmou que a credibilidade da fiscalização do país está em xeque.

Por outro lado, informa o Estadão, duas semanas depois da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, o governo deu sinal verde para que três dos 21 frigoríficos investigados voltassem a operar normalmente, depois da conclusão de um trabalho de auditoria que não encontrou problemas. São eles: Argus, de São José dos Pinhais (PR), Breyer, de União da Vitória (PR) e Frigosantos, de Campo Magro (PR). 

Marcopolo (POMO4, R$ 2,70, +3,05%)
As ações da Marcopolo ganharam força a partir das 16h20, após a notícia de que a empresa comprou uma fatia na Volgren por 8,5 milhões de dólares australianos. 

Segundo comunicado enviado ao mercado, a Marcopolo exerceu hoje a opção de compra da participação remanescente, equivalente a 25%, de sua controlada
australiana Pologren Australia Holdings Pty Ltd., detentora da totalidade do capital social da empresa Volgren Australia Pty Ltd..

Em 2016, a Volgren vendeu 471 unidades e obteve receita líquida de R$ 367,3 milhões, crescimento de 11,8% na comparação anual. 

Cemig (CMIG4, R$ 10,25, -0,68%)
O governo federal poderá relicitar hidrelétricas que pertenceram à estatal mineira a Cemig, cujos contratos de concessão venceram, mesmo com questionamentos da companhia na Justiça, disse nesta segunda-feira secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

A Cemig tem sinalizado que pretende manter as concessões, seja por meio de negociações com a União ou com ações judiciais, mas o governo federal trabalha com a expectativa de arrecadar recursos para o Tesouro com o leilão dessas concessões, mediante a cobrança de bônus de outorga.

Pedrosa estimou que a venda de concessões de usinas pode render cerca de 12 bilhões de reais ao Tesouro, o que já consta da estimativa de arrecadação do governo para 2017.

"A idéia é que isso (recursos) esteja no caixa do governo ainda em novembro", disse Pedrosa a jornalistas em evento no Rio de Janeiro.

Pedrosa ressaltou que há um recurso da Cemig no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar evitar a relicitação das usinas, mas disse que governo já manifestou à corte que não há negociação em curso ou intenção da União de voltar atrás na decisão de vender as concessões.

Oi (OIBR3, R$ 4,07, -1,69%; OIBR4, R$ 3,91, -0,26%)
A Oi e um de seus maiores acionistas reagiram à pressão por uma intervenção do governo para tirar a empresa brasileira de telefonia da recuperação judicial.

Grupos insatisfeitos com o plano de reestruturação da empresa estão pressionando o governo a intervir, embora o processo de recuperação judicial esteja seguindo seu curso e as operações não tenham sido afetadas, afirma Nelson Tanure, o segundo maior acionista da empresa. Ele não disse quem ele suspeita que venha pressionando o governo, que está lançando as bases legais para substituir a equipe executiva da Oi se o serviço começar a se deteriorar.

“Tem um jogo intelectualmente desonesto acontecendo”, disse Tanure em entrevista no Rio de Janeiro. “A Oi melhorou todos os índices de satisfação de seus clientes desde que entrou com pedido de recuperação judicial, mas há um grande lobby em Brasília” para a intervenção, disse ele.

Grupos que representam a maioria dos detentores de títulos da Oi rejeitaram a proposta mais recente da empresa para reestruturar US$ 19 bilhões em dívidas, afirmando que a oferta ainda favorece fortemente os acionistas. O plano permitiria que os detentores de títulos trocassem suas dívidas por uma participação que poderia chegar a 38 por cento, muito menos que os 95 por cento propostos por um grupo de detentores de dívidas. A Oi precisa de aprovação dos credores e de outras partes interessadas para sair da recuperação judicial e a companhia afirmou estar atenta às opiniões sobre o novo plano.

Uma tomada de controle pelo governo ocorreria em caso de uma deterioração iminente dos serviços de telecomunicações da Oi, disse o secretário de Telecomunicações, André Borges, em entrevista na semana passada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) escolheria um executivo com a experiência apropriada para administrar a Oi, disse ele. “A única preocupação que se tem é a preservação dos serviços”, disse Borges.

Uma medida provisória que dá ao governo a opção de assumir as operações da Oi provavelmente será publicada nos próximos dias, afirmou o jornal Valor Econômico na sexta-feira. O governo não vai intervir imediatamente na companhia após a publicação da MP, o que dá aos acionistas uma última chance de pressionar por um acordo com os credores, afirmou o Valor.

Durante a entrevista da Bloomberg com Tanure, na sexta-feira, a Oi divulgou um comunicado afirmando que a administração está “comprometida em garantir a sustentabilidade da companhia e os resultados positivos que tem obtido demonstram a viabilidade da empresa e sua robustez operacional”. A Oi divulgou um lucro operacional para o quarto trimestre na semana passada que superou as estimativas dos analistas e encerrou 2016 com R$ 7,85 bilhões (US$ 2,5 bilhões) em caixa.

Beneficiários com queda da TJLP
Em relatório, o Santander destacou quem são os beneficiários com a queda da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que passou de 7,5% para 7% na semana passada. Segundo o relatório, a queda tem impacto sobre as empresas que têm exposição da dívida à taxa de juros de longo prazo e juros sobre capital próprio pagos com base na TJLP. 

Os setores com maior exposição da dívida à TJLP são: telecomunicações (31%), energia e saneamento (21%), mineração (21%), transporte (16%), alimentação e bebidas (9,8%), As empresas com maior exposição são: Totvs (90%), Renova Energia (64%), Engie Brasil (56%), Mahle Metal Leve (51%), Linx (50%). Com relação ao impacto consolidado no lucro líquido em 2017, os setores com maior impacto positivo: transporte (2%), celulose e papel (1,6%), siderurgia (0,6%) e telecomunicações (0,3%), As empresas com maior impacto positivo: Rumo Logistica (15,4%), Renova (7,4%), Klabin (4,1%), Randon (2,3%), Tim (0,9%). Os setores com maior impacto negativo: bancos (0,9%), saúde (0,9%), mineração (0,6%), outras instituições financeiras (0,4%), alimentos e bebidas (0,3%) * Empresas afetadas negativamente: EcoRodovias (1,1%), JBS (1,1%), Banco do Brasil (1%), Fleury (1%). 

A notícia mais importante no anúncio foi a criação de uma nova taxa, a TLP , “que será definida por uma lógica mais baseada no mercado”, de acordo com os analistas, citando a economista do banco, Adriana Dupita.

B3 (BVMF3, R$ 19,45, +0,83%)
A B3, resultado da fusão entre BM&FBovespa e Cetip, teve a recomendação elevada de neutra para compra com preço-alvo de R$ 23,50 pelo Goldman Sachs.

Renova (RNEW3, R$ 2,17, +16,67%; RNEW4, R$ 2,13, +24,56%; RNEW11, R$ 6,32, +20,15%)
Apesar da baixa liquidez, as ações da Renova novamente ganharam destaque na Bolsa nesta sessão, com forte valorização. No radar, a companhia brasileira de geração limpa irá finalizar até segunda-feira a venda do complexo eólico Alto Sertão II para a unidade brasileira da norte-americana AES por cerca de 700 milhões de reais (223 milhões de dólares), disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.

Nos últimos cinco pregões, as units (RNEW11), que são as mais líquidas no mercado, acumulam ganhos de 63% em 5 pregões, enquanto as ações PNs sobem 960% em 4 pregões. Já os papéis ONs registram perdas de quase 60% nos últimos 5 dias. 

A venda do projeto é uma condição para o plano da Brookfield de entrar no bloco controlador da Renova em um acordo avaliado em cerca de 1 bilhão de reais, disseram as fontes, que pediram anonimato porque o assunto é sigiloso. Sob os termos do acordo, que pode ser anunciado nos próximos dias, a canadense Brookfield compraria a participação de 15,7 por cento que a Light Energia possui na Renova e injetaria dinheiro novo na companhia, disseram as pessoas. Atualmente, a Light integra o bloco controlador que possui cerca de 64 por cento da Renova.

 

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