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Vale, Petrobras e siderúrgicas caem até 9% e só 2 ações do Ibovespa sobem; imobiliária afunda 10% após balanço

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

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(Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa acentuou as perdas na tarde desta terça-feira (21) em uma sessão de grande aversão ao risco, com queda também no exterior, onde os índices de Wall Street caíram mais de 1%. Por aqui, a Bolsa marcou seu pior pregão do ano, com queda de 2,94%, a 62.974 pontos, pressionada pelas commodities, com Petrobras, Vale e siderúrgicas desabando entre 4% e 9%. 

Graficamente falando, o índice confirmou hoje a formação de uma forte figura de reversão: um OCO (Ombro-Cabeça-Ombro) no gráfico diário do Ibovespa, que pode levá-lo até os 59.400 pontos, disse o analista Igor Graminhani, da XP Investimentos (veja aqui a análise).

Em meio ao dia de "sell off" na Bolsa, apenas duas das 59 ações do Ibovespa encerraram em alta: as ações da Marfrig, que sentiram ontem os efeitos da Operação "Carne Fraca", embora não tenha sido citada na investigação; e Suzano, que subiu com a alta dos preços da celulose no mercado internacional. Seus pares, contudo, Fibria e Klabin caíram hoje. 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta terça-feira:

Vale (VALE3, R$ 29,04, -8,19%; VALE5, R$ 27,64, -8,48%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 20,86, -8,51%) - holding que detém participação na mineradora - aceleraram perdas nesta tarde, em dia de forte queda dos preços do minério de ferro e "sell off" no mercado doméstico. 

O minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao caiu 4,26% neste pregão, a US$ 87,59 a tonelada, enquanto os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian recuaram 5,31%, a 606 iuanes. 

As siderúrgicas também caíram forte hoje: Gerdau (GGBR4, R$ 11,74, -7,12%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,22, -9,22%), Usiminas (USIM5, R$ 4,14, -7,38%) e CSN (CSNA3, R$ 9,97, -8,95%).

No radar, a Bradespar, holding de investimentos que possui participação na Vale e CPFL, reverteu prejuízo de R$ 1,98 bilhão no quarto trimestre de 2015 para um lucro líquido de R$ 53,13 milhões nos últimos três meses do ano passado. No ano passado, o lucro foi de R$ 629,3 milhões, ante prejuízo de R$ 2,59 bilhões em 2015. Os valores são atribuíveis aos acionistas controladores, base para distribuição de dividendos. O resultado de equivalência patrimonial saiu de negativo em R$ 1,94 bilhão no quarto trimestre de 2015 para positivo em R$ 89,3 milhões no mesmo período do ano passado. Em 2016, a equivalência patrimonial foi positiva em R$ 783,5 milhões, também revertendo um desempenho negativo no ano anterior — de R$ 2,47 bilhões.

Além disso, a agência de classificação de riscos Moody's elevou na segunda-feira o rating da mineradora Vale para Ba2, ante Ba3 anteriormente, com perspectiva positiva, citando o aumento da resiliência operacional e da liquidez geral da empresa. Segundo a Moody's, a empresa teve uma "recuperação substancial das métricas de crédito" em 2016, apoiada por melhorias no perfil de produção da companhia e por sua estrutura de baixo custo, além de disciplina financeira em relação aos investimentos e dividendos.

Petrobras (PETR3, R$ 13,66, -3,67%; PETR4, R$ 13,12, -3,46%)
As ações da Petrobras também intensificaram perdas nesta tarde, em meio à queda dos preços do petróleo. Os contratos do petróleo Brent caíam 1,01% hoje, a US$ 51,10 o barril, enquanto o WTI recuava 1,49%, a US$ 47,50 o barril. 

Além da commodity, os olhares dos investidores estão atentos também ao resultado do 4° trimestre da estatal, que está previsto para ser divulgado às 18h (horário de Brasília). De acordo com estimativas da Bloomberg, o lucro líquido da companhia será de R$ 2,8 bilhões, mas não o suficiente para que a estatal feche o ano com lucro (veja aqui a análise completa). 

VEJA MAIS: Corram para as colinas: o mercado azedou de vez?; e a ação que abriu oportunidade de compra com essa queda

Vale menção que ontem as ações subiram apesar do dia negativo do petróleo, com a notícia de que o TST (Tribunal Superior do Trabalho) suspendeu na tarde de ontem o julgamento de ação que pode causar prejuízo bilionário à estatal. 

A Corte decidiria ontem se a Petrobras calcula da forma adequada uma remuneração acertada com os funcionários em 2007 – julgamento que poderia ter um impacto bilionário nos cofres da estatal. Segundo informações constantes em um balanço da Petrobras, a estimativa de perda da empresa seria de R$ 13,62 bilhões em caso de decisão favorável.

Papel e celulose 
As ações da Suzano (SUZB5, R$ 13,43, +0,83%) se salvaram de dia de "sell off" no mercado brasileiro, após dados da consultoria Foex mostrarem que os preços da celulose na China e Europa aumentaram na última semana. Com isso, apenas SUZB3 e mais uma das 59 ações do Ibovespa registraram alta nesta sessão. Os pares da Suzano na Bolsa - Fibria (FIBR3, R$ 28,59, -1,07%) e Klabin (KLBN11, R$ 14,69, -2,78%) - fecharam em queda. 

Segundo dados da Foex, os preços da celulose subiram 1,95% na China na comparação semanal, indo para US$ 602,70 a tonelada, enquanto avançaram 0,68% na Europa, para US$ 716,30 a tonelada.  Após a divulgação dos números, o Credit Suisse disse que segue com preferência pelas ações da Suzano.

Frigoríficos
As ações dos frigoríficos ensaiaram recuperação na Bolsa, mas fecharam entre poucas e ganhos, com JBS (JBSS3, R$ 10,76, -0,37%), BRF (BRFS3, R$ 35,85, -1,24%), Marfrig (MRFG3, R$ 5,42, +1,12%) e Minerva (BEEF3, R$ 9,40, +0,64%).  

Após ver as ações desabarem 7,4%, a Minerva anunciou segunda-feira um programa de recompra de até 10% das ações em circulação da companhia, ou 9.247.149 papéis, com o prazo de 18 meses.

Já a Marfrig informou ontem que a China e o Chile, que estão na lista dos países que anunciaram suspensão das importações de carne brasileira, representaram juntos em 2016 apenas 8,8% da operação da Divisão Beef Brasil e em torno de 3% do faturamento total do grupo. Em nota à imprensa, a empresa destaca que caso a suspensão das exportações para esses mercados continue, a Marfrig tem condições de atendê-los por meio de suas unidades do Uruguai e Argentina.

Vale menção que hoje o Hong Kong engrossou a lista dos países que suspenderam a importação de carne brasileira, após a operação "Carne Fraca" da Polícia Federal levantar questões sobre a segurança da indústria de carne do País. Segundo informações do Valor Econômico, o Egito - - o 3° maior importador brasileiro - também anunciou suspensão até que o Brasil envie informações oficiais e esclareça as irregularidades investigadas pela operação, afirmou uma fonte da indústria ao jornal. A Coreia do Sul, por sua vez, voltou atrás e retomou hoje as compras de carne de frango.

Vale lembrar que Hong Kong corresponde a cerca de 16% da exportação de carne bovina e 6% da exportação de carne de frango do Brasil.

Direcional (DIRR3, R$ 5,25, -10,26%)
As ações da Direcional desabaram até 12,99%, a R$ 5,09, após decepção com balanço do 4° trimestre.

As análises: Em relatório, o Itaú BBA disse que esperava que a empresa divulgasse um dos piores resultados do setor no 4° trimestre, mas o prejuízo líquido se mostrou ainda mais pesado devido a itens extraordinários (de R$ 56 milhões), relacionados a revisões de orçamento em projetos do nível 1 do MCMV e maiores provisões.  

O Bradesco BBI cortou a recomendação para as ações para neutra. 

Já o BTG Pactual disse que o resultado veio pior do que o esperado, com margem bruta negativa de 3%, impactada por custos maiores envolvendo “faixa 1” do MCMV e provisões adicionais. No entanto, os analistas comentaram que, apesar do resultado ruim, seguem com recomendação de compra devido ao "valuation" atrativo. 

Leitura semelhante traz o Credit Suisse, que ressalta que os números foram fracos, mas segue com recomendação "outperform" (desempenho acima da média), acreditando que nos próximos meses o fluxo de caixa livre deve ser forte e que o corte no capital de giro pode liberar um número equivalente a 40% de valor da empresa. Eles comentam, contudo, "o investidor de Direcional tem que estar disposto a navegar por um 2017 com números ainda não muito animadores". 

O balanço: A Direcional encerrou o quatro trimestre de 2016 com prejuízo líquido de R$ 64,81 milhões, revertendo um lucro de R$ 30,82 milhões um ano antes. No acumulado do ano, por sua vez, a companhia também reverteu o lucro, que foi de R$ 123,64 milhões em 2015, para prejuízo de R$ 11,86 milhões. 

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 31,97, -2,38%)
O Banco do Brasil teve a recomendação elevada para overweight (exposição acima da média do mercado) pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 39,00 por ação.

EzTec (EZTC3, R$ 19,51, -1,01%)
As ações da Eztec viraram para queda, após subirem até 2,49%, a R$ 20,20, em reação à divulgação do balanço do 4° trimestre. Segundo o BTG Pactual, o resultado veio bem forte e acima das expectativas em todas as linhas: receita mais alta, margem maior e também um ganho extraordinário na venda de terreno por R$ 29 milhões. O único ponto negativo foi a pequena queima de caixa, por conta de aquisição mais forte de terrenos no trimestre, comentaram os analistas do banco, que seguem com recomendação de compra para os ativos. 

No período, a construtora e incorporadora apresentou lucro líquido de R$ 69,038 milhões, queda de 34% em relação ao mesmo período de 2015. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 57,521 milhões, retração de 37% na comparação entre os mesmos períodos. A margem Ebitda diminuiu 2,9 pontos porcentuais, para 38,0%. A receita operacional líquida ficou em R$ 151,437 milhões, queda de 33% na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Metal Leve (LEVE3, R$ 21,70, -3,56%)  
O lucro líquido da Metal Leve caiu 94% na comparação anual, para R$ 2,8 milhões na base ajustada. Já a receita líquida de vendas foi para R$ 518,6 milhões, queda
de 7,5% na base anual, disse a empresa em comunicado ao mercado. O Ebitda ajustado foi de R$ 43,5 milhões, queda de 34,5% na base anual. A margem Ebitda ajustada foi de 8,4%, queda de 3,4 pontos percentuais ante os 11,8% do mesmo período de 2015. 

O Bradesco BBI aponta que os resultados “fracos” devido a “volumes mais fracos, maiores provisões para contingências trabalhistas e impacto da apreciação do real nas margens”.

Qualicorp (QUAL3, R$ 18,60, -0,80%) 
A Qualicorp encerrou o quatro trimestre de 2016 com lucro líquido de R$ 78,4 milhões, uma alta de 27,6% ante os R$ 61,4 milhões de um ano antes. No acumulado do ano, por sua vez, o lucro avançou 74,6%, passando de R$ 240,9 milhões para R$ 420,6 milhões.

A receita líquida da companhia subiu 10,8% no quarto trimestre, fechando em R$ 515,5 milhões, enquanto no anualizado o resultado ficou em R$ 1,96 bilhão, um avanço de R$ 13,5%. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 200,6 milhões - alta de 27,5% em um ano - e em R$ 789,1 milhões em 2016 - 16,7% maior que no ano anterior.

O Itaú BBA espera reação neutra a resultados “sólidos e em linha”; “embora a empresa tenha mantido a tendência de adições líquidas orgânicas negativas, apresentou um forte crescimento no Ebitda e linhas de lucro líquido, impulsionado principalmente por uma redução significativa nas despesas comerciais”. O  Santander, por sua vez, espera reação ligeiramente positiva a resultados com níveis relativamente controlados de taxas de churn e inadimplência’’. 

Natura (NATU3, R$ 27,83, -2,52%)
A Natura anunciou nova estrutura para agilizar implementação de estratégia.  “A companhia passará a ter uma nova estrutura organizacional, para buscar agilizar a implementação da sua estratégia”. informou a companhia.  “No Brasil teremos unidades de negócios distintas para cada canal de vendas, com o objetivo de colocar foco na venda direta e, ao mesmo tempo, dar autonomia e agilidade aos demais canais”. 

Erasmo Toledo vai liderar a Venda Direta do Brasil, “responsável pela revitalização do nosso principal modelo de negócio”.  Agenor Leão será responsável pelos Negócios Online, “que reúne as Consultoras Digitais e o Rede Natura, além de
continuar como líder da área de Tecnologia Digital”.  Caroline Vlerick é a nova Diretora de Varejo “e terá como desafios a expansão das lojas próprias, farmácias e B2B”. 

Sanepar (SAPR4, R$ 10,68, +3,09%)
Na última segunda-feira, a entrevista do CEO da Sanepar Mounir Chaowiche ao jornal Valor Econômico estressou o setor de saneamento e fez com que as ações da companhia paranaense despencassem 7,5% em uma semana-chave para a companhia. No próximo dia 24, ocorrerá a audiência pública de revisão tarifária.  

Chaowiche afirmou que, após a decisão surpreendente da Agepar de parcelar em oito anos o reajuste de 25,6% de tarifa da estatal de saneamento, a empresa decidiu que não vai se manifestar contra a determinação nos períodos de audiência e consulta públicas para discutir o processo de revisão tarifária. Apesar da recepção ruim, Chaowiche disse que a companhia está satisfeita "pelo fato de a agência ter reconhecido o índice" e ainda ponderou que não há comprometimento da capacidade de investimentos da empresa uma vez que o reajuste a ser aplicado nos próximos anos será corrigido pela Selic.  Os analistas apontaram que a entrevista do CEO foi negativo, dado que era esperado uma postura mais vocal da companhia a fim de melhorar o resultado de seu primeiro ciclo de reajuste tarifário. 

Contudo, em fato relevante, a empresa praticamente "contrariou o CEO", apontando que propòs para a Agepar alterações que entende ser pertinentes no tratamento regulatório para a determinação de tarifas que garantam o equilíbrio entre a universalização dos serviços, a sustentabilidade econômico-financeiro da concessão e a modicidade tarifária e para tanto, solicita providências. A companhia pediu que seja apontada a futura inclusão dos valores referentes aos custos Adicionais, da base de ativos regulatória e para as bases incrementais e que o diferimento proposto seja linear e não superior a 04 anos.

Com isso, as ações da Sanepar subiram na sessão de hoje, registrando avanço de 6,7% na máxima do dia. 

Além disso, o Itaú BBA se encontrou com o secretário do Tesouro do Estado do Paraná, Mauro Ricardo, que também é presidente do Conselho da Sanepar. De acordo com os analistas, a impressão é de que Mauro Ricardo estava ligeiramente frustrado com o aumento proposto no primeiro ano ( de 5,7% neste ano em uma proposta total de reajuste de 25,7% diferido em 8 anos), visão esta bem diferente do CEO da empresa em entrevista ao Valor.

"A fala de Mauro Ricardo expressou alguma frustração com a estrutura do aumento tarifário proposto pelo AGEPAR embora isso, em nossa opinião, não seja suficiente para desencadear uma grande mudança no processo final. No entanto, observamos que, após a recente queda das ações, o papel está em precificando um cenário pior do que apenas a correção das tarifas pela inflação, o que significa que qualquer leve melhoria poderia levar a uma recuperação da ação para níveis de avaliação mais razoáveis", destacam os analistas do Itaú BBA.  

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 184,00, -5,89%)
Os analistas do Itaú BBA revisaram o modelo para as ações do Magazine Luiza, de modo a incorporar os resultados melhores do que o esperado do quarto trimestre e as novas previsões macroeconômicas. "Com base em nossas premissas revisadas, estamos elevando nosso preço-justo de R$ 115,00 para R$ 200, com recomendação de manutenção devido ao upside limitado ( de cerca de 3%). As perspectivas de vendas para 2017 parecem cada vez mais construtivas, ainda lideradas pelo comércio eletrônico, mas vemos um crescimento limitado da margem operacional em virtude das acentuadas melhorias em 2016", afirmam os analistas. 

 

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