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Ambev perde R$ 11 bilhões e CEO fica sem bônus após balanço; small cap dispara 13% e Renova salta 21%

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta quinta-feira (2)

Ambev - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O aumento nas apostas de alta de juros pelo Federal Reserve já no próximo dia 15 de março pesou nos mercados na sessão desta quinta-feira (2), fazendo com que o dólar se fortalecesse enquanto o Ibovespa registrou forte queda de quase 2%. Das 59 ações que fazem parte do índice, apenas 9 tiveram alta hoje.

O destaque negativo ficou para a Ambev, que caiu cerca de 4% após a divulgação do balanço decepcionante. Ainda pesando fortemente no índice, ficou a queda de mais de 4% das ações da Vale - mesmo com a alta do minério -, a baixa de 3% da Petrobras e a queda de cerca de 1% dos bancos. Por outro lado, fora do índice, as units da Renova saltaram 35%. Confira os principais destaques da Bovespa nesta quinta:

Vale (VALE3, R$ 31,46, -5,16%;VALE5, R$ 30,33, -4,83%)
As ações da Vale abriram em alta, mas logo viraram para queda contrariando o dia de ganhos para o minério de ferro e acompanhando o dia negativo no exterior; a holding da companhia, a Bradespar (BRAP4, R$ 22,73, -5,72%). Com isso, a Vale perdeu R$ 8,623 bilhões de valor de mercado hoje. O minério de ferro negociado em Qingdao registrou ganhos de 1,21%, a US$ 92,36 a tonelada. Já o minério de ferro na bolsa de Dalian encerrou estável a 694,50 iuanes por tonelada. 

Entre outras commodities, os contratos futuros do vergalhão de aço subiram 1,1% nesta quinta-feira na China após duas sessões consecutivas de perdas, com a recuperação da demanda e cortes de produção no país sustentando os preços. A demanda por aço na China melhorou em março, com atividades de construção acelerando em um período de temperaturas mais elevadas, enquanto as usinas de aço em algumas regiões do norte foram obrigadas a cortar produção para reduzir a poluição do ar. As ações de siderúrgicas, como CSN (CSNA3, R$ 11,74, -3,14%), Usiminas (USIM5, R$ 4,97, -0,80%) e Gerdau (GGBR4, R$ 13,07, -1,73%) também viraram para baixo. 

Ambev (ABEV3, R$ 17,21,  -3,91% )
A Ambev
caiu forte após o balanço do quarto trimestre, chegando a queda máxima de 4,24% e perdendo R$ 11,002 bilhões de valor de mercado. A companhia de bebidas teve lucro líquido de cerca de R$ 4,834 bilhões no quarto trimestre, alta de 13,5% em relação ao mesmo período de 2015. O lucro líquido ajustado, contudo, recuou 15,9% na comparação anual, para R$ 3,656 bilhões.

A Ambev ainda apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 6,015 bilhões de outubro a dezembro, uma queda de 25% ante o último trimestre de 2015. A receita líquida do grupo, que integra a maior cervejaria do mundo AB InBev, caiu 13,9% na mesma base, para R$ 13,18 bilhões.

Com isso, a Ambev encerrou o período com lucro abaixo do esperado, de acordo com estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, e confirmando queda na receita em 2016, que levou a companhia a dizer no terceiro trimestre que projeção de estabilidade para o ano não seria cumprida. Após 2016 ser “um dos anos mais desafiadores de nossa história”, a Ambev espera 2017 com melhora dos indicadores macroeconômicos e se mostra
“cautelosamente otimista” com a indústria de cerveja brasileira neste ano.

A dona da Ambev, Anheuser-Busch (AB) InBev,  anunciou nesta quinta-feira uma queda de 43% no lucro líquido em 2016, a US$ 4,85 bilhões. "Quando não alcançamos nossos objetivos assumimos a responsabilidade. Os resultados do exercício 2016 foram decepcionantes, de modo que a maioria dos membros do comitê executivo não receberá nenhum bônus este ano", afirmou a empresa. Assim, em meio aos resultados, Carlos Brito, CEO da Anheuser-Busch InBev, vai ficar sem bônus pela primeira vez desde 2008. 

"Em nossa visão, já era esperado que a empresa reportasse números fracos no quarto trimestre. Embora levemente abaixo do consenso, as operações brasileiras ainda possuem 66% de participação de mercado, e podem ganhar um fôlego no curto-prazo com a recém-anunciada aquisição da Kirin pela Heineken. Além disso, a empresa continua sendo uma forte geradora de caixa, e segue aderindo às estratégias comerciais já anunciadas, além de ter aumentado investimentos em marketing. Com a retomada da atividade econômica, acreditamos que a empresa esteja bem posicionada para retomar rentabilidade", aponta a XP Investimentos.  

Petrobras (PETR3, R$ 15,85, -3,53%; PETR4, R$ 15,11, -2,64%)
Após "ignorar" a queda do preço do petróleo na véspera de olho no acordo bilionário feito com a Total, as ações da Petrobras caíram forte nesta quinta-feira seguindo a cotação da commodity, que tem novo dia de baixa com os estoques de petróleo acima do esperado nos EUA. Além disso, dados oficiais mostraram que a produção de petróleo russa permaneceu inalterada em fevereiro, sem mais cortes para drenar o excesso de oferta global. O WTI registrou baixa de 2,23%, a US$ 52,63, enquanto o brent caiu 2,27%, a US$ 55,08 o barril. 

Ainda no radar da estatal, um helicóptero que prestava serviços para a Petrobras tombou lateralmente na tarde de quarta-feira  após um pouso brusco na plataforma P-37, instalada no campo de Marlim, na Bacia de Campos.O  pouso brusco na P-37 foi feito por volta das 14 horas de ontem. 

A aeronave havia decolado do heliponto de Farol de São Tomé para troca de turma na unidade, informou a Petrobras em comunicado. O helicóptero transportava dois  tripulantes e oito passageiros. Quatro profissionais sofreram ferimentos leves e receberam atendimento médico.

A P-37 segue operando normalmente, informou a companhia. A empresa informou que  instalará comissão para investigar as causas do acidente.

CSU Cardsystem (CARD3, R$ 11,97, +13,46%)
As ações da CSU Cardsystem seguiram a alta e já avançam 70% em dez sessões e 145% no ano, uma semana antes da divulgação do balanço do quarto trimestre, a ser revelado no próximo dia 9 de março após o fechamento do mercado.

Em 21 de fevereiro, quando as ações já registravam fortes ganhos, a companhia informou à CVM desconhecer o motivo para alta tão expressiva. "Todavia, com o intuito de auxiliarmos, informamos que a Sul América, acionista que detinha 17,2% de participação sobre o capital social da CSU em março de 2016, alienou sua participação acionária para menos de 5% de participação, conforme último 'comunicado ao mercado' enviado à CVM em 14 de fevereiro de 2017.

A relevante redução de participação da Sul América sobre o Capital Social da CSU ampliou consideravelmente a liquidez das ações de emissão da Companhia em Bolsa de Valores. Não é do conhecimento da companhia qualquer outro fato que possa ter gerado a oscilação no número de negociações", apontou na época. Atualmente, a companhia está em período de silêncio. 

Braskem (BRKM5, R$ 32,37, -0,95%)
A Braskem abriu com  ganhos, mas virou para a queda. No radar da petroquímica, a Justiça dos Estados Unidos homologou acordo firmado em dezembro entre a empresa e a Securities and Exchange Commission (SEC). A companhia brasileira se comprometeu a pagar a quantia de US$ 957 milhões para autoridades no Brasil e no exterior dentro de um acordo global de leniência também firmado com o Departamento de Justiça dos EUA e a Procuradoria Geral da Suíça. A multa decorre de processos movidos a partir de investigações de suspeitas de atos de corrupção praticados pela empresa, no âmbito da Operação Lava Jato.

A sentença proferida pelo juiz John D. Bates, do Distrito de Columbia, aponta que os pagamentos da Braskem à SEC devem ser feitos da seguinte forma: US$ 65 milhões até 60 dias após a homologação, assinada em dia 28 de fevereiro, e US$ 260 milhões até o dia 30 de janeiro de 2018 - em um total de US$ 325 milhões destinados ao órgão de controle do sistema financeiro dos Estados Unidos.

No dia 21 de dezembro, o Departamento de Justiça informou que a Braskem e a sua controladora, a Odebrecht, declararam-se culpados de ter participado de esquemas que pagaram "centenas de milhões de dólares em propinas para autoridades de governos pelo mundo".

"Odebrecht e Braskem empregaram uma unidade escondida, mas totalmente operacional, da Odebrecht - 'Departamento de Propinas' por assim dizer - que sistematicamente pagou centenas de milhões de dólares para autoridades governamentais corruptas em países de três continentes", afirmou na ocasião Sung-Hee Suh, procuradora-geral assistente da Divisão Criminal do Departamento de Justiça.

Através de um fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em dezembro, a Braskem destacou que pagará a autoridades competentes, no Brasil e no exterior, o valor total aproximado de US$ 957 milhões, que naquela época estavam próximos a R$ 3,1 bilhões.

Renova (RNEW11, R$ 6,01, +21,17%)
As units da Renova dispararam até 36% . No radar estava a notícia publicada pela Reuters de que o fundo canadense Brookfield Asset Management está próximo de um acordo para comprar uma fatia de 30% na empresa de energias renováveis, que incluiria injeção de R$ 800 milhões na companhia.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 197,00, -8,37%)
Após um forte rali de 44% em nove sessões na expectativa e após a divulgação do balanço, que agradou o mercado, as ações do Magazine Luiza registraram um movimento de correção. Nesta sessão, as ações caíram forte na Bovespa, chegando a perda máxima de 9,77%. Contudo, no ano, a valorização dos papéis supera os 85%. 

CVC (CVCB3, R$ 28,60, +1,17%)
A ação da CVC registrou ganhos de mais de 4% na máxima do dia com um volume negociado mais de 3 vezes acima da média. Hoje, o Itaú BBA e o Morgan Stanley fizeram operações de venda casada, o que explica o alto volume negociado dos papéis. No ano passado, o papel subiu 83% e já avança 20% neste ano. 

(Com Reuters)

 

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