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Holding da Vale despenca 6%; ações caem até 5% após balanços e "kit privatização" tem dia de extremos

Confira os destaques da Bovespa nesta quarta-feira (22)

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa registrou uma sessão de expressiva queda nesta quarta-feira (22), em correção seguindo commodities e também em meio aos balanços abaixo do esperado pela temporada de demonstrativos trimestrais. Confira os destaques acionários deste pregão: 

Vale (VALE3, R$ 34,69, -2,39%; VALE5, R$ 33,02, -2,10%)
As ações da mineradora seguiram a baixa da véspera e acomparam o desempenho do minério de ferro, após a forte alta no início da semana em meio ao acordo de acionistas. Os contratos futuros  da commodity do porto de Qingdao caiu 0,6%, a US$ 94,30. Os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 24,47, -6,03%), que havia subido 16% na segunda, registrou a maior queda do índice. 

Além disso, no noticiário da Vale, a diretoria da mineradora se movimenta para reverter decisão do governo de alterar o comando da empresa, mas tem um "plano B", caso Murilo Ferreira de fato deixa a presidência. A informação é da coluna de Mônica Bergamo

Tupy (TUPY3, R$ 13,61, +4,29%)
As ações da Tupy chegaram a subir 5,8%, a R$ 13,80, preço intradiário mais alto desde 4 de outubro, com volume 3,9 vezes acima da média de trinta dias. O conselho de administração da Marcopolo (POMO4, R$ 2,96, -2,63%),  par na indústria automobilística, aprovou nesta terça-feira o não pagamento do dividendo adicional de 2016, citando condições econômicas e instabilidade política.

"Parece haver uma arbitragem entre Tupy e concorrentes", disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, para a Bloomberg. "Isso parece um trade de curto prazo", disse ele.

Petrobras (PETR3, R$ 16,60, -3,26%; PETR4, R$ 15,70, -2,42%)
As ações da Petrobras seguiram a cotação do petróleo, que caiu mais de 1%. Segundo o  ministro do Petróleo do Catar, Mohammed al-Sada, os grandes produtores de petróleo não-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não estão cortando a produção tanto quanto prometeram, aprofundando o pessimismo sobre o efeito de um acordo de cortes na produção feito no ano passado.

A Rússia, o México e outros nove países produtores de petróleo acordaram em dezembro reduzir sua produção em 558 mil barris por dia. A promessa foi parte de um acordo para aumentar os preços do petróleo com os 13 países da Opep, que concordaram em cortar 1,2 milhão de barris por dia.

Braskem (BRKM5, R$ 34,10, -0,37%)
A Braskem chegou a cair 4% após divulgar balanço não auditado, mas diminuiu fortemente as perdas até o fechamento. A  companhia teve prejuízo líquido consolidado de 2,637 bilhões de reais no quarto trimestre do ano passado, em função da provisão da multa referente ao acordo de leniência com as autoridades no âmbito da operação Lava Jato. Em igual período do ano anterior, a empresa havia tido resultado líquido positivo de 35 milhões de reais.

Os números divulgados pela petroquímica são prévia não auditada do balanço. Em fato relevante, a Braskem informa que decidiu postergar para 29 de março de 2017 o arquivamento das demonstrações financeiras auditadas. O cronograma foi alterado em função do acordo global com as autoridades anunciado em 21 de dezembro para encerrar acusações envolvendo denúncias levantadas pela operação Lava Jato. Na época, a Braskem se comprometeu a pagar 957 milhões de dólares (3,1 bilhões de reais), submetendo-se ainda a monitoramento externo por até três anos.

Em teleconferência, o CEO da Braskem, Fernando Musa, afirmou que a divulgação de resultado auditado foi adiada porque processo de auditoria foi atrasado por restrições de confidencialidade impostas por acordo com autoridades. Ele ainda afirmou que a petroquímica decidiu divulgar resultados não auditados para aumentar fluxo de informação e transparência junto a agentes de mercado e que os resultados operacionais estão muito próximos daqueles que serão divulgados em balanço auditado.

Sobre as projeções, a Braskem espera aumento da demanda interna por resinas e produtos petroquímicos em meio à retomada da economia e o mercado de resinas deve crescer em torno de 2%, recuperação ainda tímida perto da queda acumulada nos últimos dois anos, afirmou. 

 Gerdau (GGBR4, R$ 13,11, -4,09%)
As ações do grupo siderúrgico Gerdau caíram após o balanço do quarto trimestre. A companhia teve prejuízo líquido consolidado ajustado de 205 milhões reais no quarto trimestre, ante resultado negativo de 41 milhões de reais no mesmo período de 2015. A maior produtora de aços longos das Américas apurou geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de 716 milhões de reais, recuo de 21,4 por cento em relação aos últimos três meses de 2015.

De acordo com o Bradesco BBI, a siderúrgica apresentou número abaixo do esperado, com o Ebitda ficando 7,5% abaixo das estimativas da instituição. O motivo-chave para os números piores foram os preços de exportação abaixo do esperado e os preços realizados nos EUA também abaixo. As ações de outras siderúrgicas também registraram baixa, caso de CSN (CSNA3, R$ 12,41, -1,90%), também refletindo a queda das commodities. 

Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 47,08, +1,79%)
 A operadora de telecomunicações Telefônica Brasil subiu após o abalanço, considerado positivo pelo mercado. A dona da marca Vivo, teve lucro líquido de R$ 1,21 bilhão no quarto trimestre, alta de 9% ante mesma etapa de 2015. Segundo o Credit Suisse, a Vivo reportou resultado melhor do que o esperado, tendo como grande destaque positivo a margem Ebitda de 33,8%, se beneficiando da redução do custo de serviço como resultado da conclusão da renegociação com a Globo. "Essa renegociação era chave para o plano de sinergia da companhia, fazendo com que as sinergias de opex somassem R$ 251 milhões no quarto trimestre, mais forte do que esperávamos", afirmam os analistas.

OdontoPrev (ODPV3, R$ 11,70, -2,01%)
As ações da OdontoPrev registraram volatilidade após a companhia divulgar o balanço, considerado fraco, mas que mostrou evolução nos números. A companhia reportou lucro líquido de R$ 216 milhões em 2106, o que representa uma queda de 2,2% sobre o ano anterior. O Credit Suisse afirmou que a Odontoprev entregou um trimestre fraco, mas no qual a empresa conseguiu reportar alguns dados positivos depois de três trimestres de base declinante. No lado negativo, o time destaca que o segmento corporativo ainda continua em uma tendência de queda com uma redução na receita de 1,4% na comparação anual.

Já o Itaú BBA destacou esperar reação neutra a resultados “suaves, sem intercorrência”, “em linha com nossas estimativas”. O Santander, por sua vez, aponta que os resultados foram “suaves e ligeiramente acima das estimativas do banco e em linha com o consenso”; “no entanto, permanecemos cautelosos com a ação, particularmente devido ao crescimento moderado de clientes que prevemos para 2017 e à baixa visibilidade sobre a evolução das provisões de inadimplência e DLR”.

SulAmérica (SULA11, R$ 19,95, -4,04%)
A seguradora SulAmérica viu suas ações caírem após a companhia registrar lucro líquido de R$ 315,7 milhões no quarto trimestre de 2016, o que representa uma alta de 5,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, porém, o lucro recuou 5,3%, para R$ 698,4 milhões. 

De acordo com o BTG Pactual, os resultados vieram um pouco fracos o que, somado com o recente rali, pressiona as ações. Contudo, a companhia segue com uma forte posição no setor e a recomendação segue de compra para os ativos. 

Minerva (BEEF3, R$ 11,00, -4,76%)
A Minerva viu suas ações fecharem em desvalorização após o resultado e depois a companhia ser rebaixada de outperform (desempenho acima da média) para neutra pelo Bradesco BBI. 

A companhia teve lucro líquido de R$ 12,3 milhões no quarto trimestre, 81,5% inferior em relação ao mesmo período de 2015. O Ebitda caiu 25,8%  na mesma base de comparação, para R$ 249,9 milhões. O BTG Pactual apontou que os números foram abaixo do esperado, principalmente por conta das margens baixas. Contudo, os analistas apontam que a perspectiva para o setor continua positiva e a recomendação segue de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 16,00.  O conselho de administração da companhia aprovou ainda a proposta de distribuir R$ 60,162 milhões em dividendos aos acionistas. O valor corresponde a R$ 0,257818 por ação, o que corresponde a um "yield" (razão do dividendo pago sobre o preço atual da ação) de 2,23%. 

As ações de outras empresas do setor registraram baixa, caso da Marfrig (MRFG3, R$ 6,37, -7,14%) e JBS (JBSS3, R$ 11,80, -0,84%). 

Iguatemi (IGTA3, R$ 31,88, -0,80%)
A Iguatemi viu suas ações encerrarem o pregão em queda após abrirem com alta após a companhia divulgar o balanço do quarto trimestre. A companhia viu seu lucro líquido subir 18% no quarto trimestre, para R$ 49,7 milhões, enquanto a receita líquida avançou 6,9%, fechando os três último meses do ano em R$ 183,7 milhões. No acumulado do ano passado, porém, o lucro líquido atingiu R$ 164 milhões, queda de 15,2% ante 2015. A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 668,1 milhões, alta de 5%. O Credit Suisse aponta que a Iguatemi conseguiu entregar um trimestre forte e reiterar o guidance mesmo dentro de um ambiente bastante difícil para o varejo. O resultado veio em linha com as estimativas do banco, com destaque para o crescimento de Ebitda de 13% em função do forte crescimento de receita líquida e esforços de corte de custo. "Continuamos a gostar do case de Iguatemi e enxergamos a empresa como um bom play para queda de juros", apontam os analistas.

Weg (WEGE3, R$ 17,10, -2,28%)
As ações da fabricante de motores elétricos e tintas industriais caíram, mesmo após o resultado forte da companhia. A empresa teve lucro líquido de R$ 323,2 milhões no quarto trimestre de 2016, uma queda de 15,8% sobre o resultado obtido no mesmo período do ano anterior. O Ebitda subiu 4,9%, para R$ 400,6 milhões. A margem no período ficou em 16,9% ante 14% no último trimestre de 2015. Segundo o Itaú BBA, a companhia apresentou fortes resultados, com uma expressiva margem Ebitda e um sólido fluxo de caixa.  Além disso, o conselho de administração da WEG aprovou ainda a distribuição de R$ 102,7 milhões em dividendos complementares, equivalente a R$ 0,064 por ação. O pagamento será feito em 15 de março, com base na posição acionária em 24 de fevereiro. Também em 15 de março, serão pagos os juros sobre o capital próprio declarados em setembro e dezembro do ano passado.

Usiminas (USIM3, R$ 9,71, +0,41%; USIM5, R$ 5,28, -2,40%)
A siderúrgica Ternium, uma das donas da Usiminas, informou na noite de terça-feira que assinou acordo para comprar 100% de participação da Thyssenkrupp na CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), numa operação avaliada em 1,5 bilhão de euros. De acordo com o comunicado, a CSA vai ceder para a Ternium um acordo de fornecimento de 2 milhões de toneladas de placas por ano para a antiga planta de laminação da Thyssenkrupp em Calvert, no Alabama, EUA. A Ternium afirmou que o valor da operação tomou como base dados de setembro do ano passado, que inclui dívida de 300 milhões de euros da CSA com o BNDES. A Ternium espera desembolsar 1,26 bilhão de euros na transação, tomando para isso empréstimo bancário. O Credit Suisse destaca que a transação veio no momento em que o mercado tem discutido se a Ternium e a Nippon Steel resolveriam as disputas no bloco de controle da Usiminas.

"Apesar do resultado final ainda não estar claro, acreditamos que depois do anúncio a possibilidade de uma divisão de ativos aumentou. Para eles, o resultado mais natural seria a Ternium controlar pelo menos a planta de Cubatão. Falando ainda do setor no Brasil, acreditamos que a mudança de controle na CSA deve aumentar a competição no mercado doméstico de aço brasileiro, pressionando as margens das companhias", afirmam os analistas.  

Banrisul (BRSR6, R$ 17,80, -6,41%)
As ações do Banrisul mergulharam nesta sessão após dispararem 10% na véspera, na esteira do anúncio de que  o ministro da Fazenda Henrique Meirelles mandou ao gabinete de Michel Temer uma atualização do projeto de recuperação fiscal dos estados. Pela proposta, o estado que firmar um acordo de recuperação fiscal com o governo federal será beneficiado com a suspensão por 36 meses do pagamento das dívidas com a União, mas terá que assumir o compromisso de adotar rigorosas medidas de saneamento das finanças estaduais, entre as quais a privatização de bancos e empresas estaduais de água, saneamento, eletricidade.

O BTG destacou em relatório que a atualização desse plano aumenta a probabilidade de privatização do Banrisul caso o Rio Grande do Sul e o governo federal alcancem um acordo. Segundo os analistas, a relação risco-retorno de ter papéis do banco é assimétrico para alta, ressaltando a visão positiva para a ação. O call para o papel segue, mesmo após o encontro dos analistas do banco na véspera com o ex-secretário de finanças do Rio Grande do Sul, e ex-chairman do Banrisul Aod Cunha, que afirmou que a privatização é muito improvável por conta do alto custo político. Os analistas do BTG apontam que sempre estiveram céticos sobre a privatização do Banrisul, dado os fortes laços que a instituição tem com o estado, mas mudaram a sua visão em meio à gravidade da situação do estado. Confira a análise completa clicando aqui. 

Por outro lado, as ações do Banestes (BEES3, R$ 3,87, +10,57%), que também estão no radar para privatizações, deram continuidade aos fortes ganhos de 6% da véspera. No último dia 8, o banco já havia disparado 20% em meio à crise do estado, que pode levar o governo local a vender a instituição para conseguir ajuda. Na máxima do dia dessa sessão, os papéis chegaram a subir 21%. 

Na ocasião, o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos, explicou que mesmo sem nenhuma sinalização ainda da privatização, o mercado acaba fazendo uma ligação com o cenário do Bnarisul. "Podemos fazer um paralelo com o que aconteceu com o Banrisul, e que pode acontecer com outras empresas listadas. Como alguns estados estão passando por situação financeira delicada, a venda ou privatização pode ser a solução de curto prazo", afirma.

Em contrapartida, as ações de Cemig (CMIG4, R$ 11,00, -2,22%) e Copasa (CSMG3, R$ 49,73, -3,04%)  caíram neste pregão. Na véspera, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) disse que não pretende vendê-las, aproveitando para criticar as exigências do governo para ajudar os estados. 

"Cemig, Copasa (saneamento), Codemig (de participações variadas) e outras. Iríamos privatizar para quê? Qual é o objetivo dessa pressão para que o Estado venda suas empresas mais eficientes, mais poderosas, para resolver um problema que eu tenho certeza que nós podemos resolver ao longo do tempo se houver alguma boa vontade do setor financeiro do governo federal?", afirmou.

Cosan (CSAN3, R$ 41,24, -4,99%) e São Martinho (SMTO3, R$ 18,95, -0,26%)
As ações da Cosan caíram forte após a companhia ter a recomendação rebaixada pelo JPMorgan, enquanto a São Martinho fechou praticamente estável após ser colocada como a nova top pick do setor de açúcar e álcool pelo banco. 

PDG Realty (PDGR3, R$ 2,88, -10,83%)
As ações da PDG foram suspensas após a companhia confirmar que entrará com processo de recuperação judicial, conforme antecipado pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo. A construtora passou os últimos meses negociando suas dívidas com os bancos, sob o comando de Ricardo K, contratado em novembro para tocar a reestruturação da empresa. As dívidas somam cerca de R$ 7,7 bilhões. 

Educacionais
As ações das educacionais também registraram queda nesta sessão, com destaque para Kroton (KROT3, R$ 13,78, -2,95%) e Estácio (ESTC3, R$ 15,20, -2,68%) . No radar das companhias, a relatora do caso Kroton-Estácio Cristiane Alkmin afirmou que o Cade deverá julgar o caso em abril, Contudo, o prazo pode ser prorrogado a pedido das empresas. 

A última sessão de abril também deve ter o julgamento da fusão entre BM&FBovespa e Cetip. Os casos são complexos e estão demandando reuniões semanais com advogados e empresas, ela ainda afirmou.

 

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