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Joesley diz que não sairá do comando da dona da JBS; curto prazo bom para Vale, balanços e mais 9 notícias

Confira os destaques do noticiário corporativo desta quarta-feira (15)

Joesley Batista
(Divulgação)

SÃO PAULO - A quarta-feira tem como destaque a entrevista de Joesley Batista, da J&F, para a Folha de S. Paulo e O Globo, o pedido da subsidiária da MRV Log Commercial de IPO, além da temporada de resultados. Confira mais destaques desta quarta-feira (15):

JBS (JBSS3)
Em entrevista à Folha de S. Paulo, Joesley Batista, presidente da J&F (dona da JBS), afirmou que não sairá do comando da companhia e que irá provar que não houve qualquer irregularidade na relação da J&F com a Caixa Econômica Federal e com os fundos de pensão estatais que investiram na Eldorado Celulose.

Joesley nega ter interferido no trabalho de auditoria, que foi aprovado pelo conselho e disse ter certeza que ninguém de sua empresa cometeu irregularidades e nega ter relações ou negócios com o governo. Vale ressaltar que, em 6 de fevereiro, o  Ministério Público Federal pediu que a Justiça reconheça que Joesley e o diretor presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich Filho, descumpriram o termo de ciência e compromisso firmado em setembro do ano passado com o MPF. Joesley disse à Folha que ainda não existe um acordo para depósito de fiança cujo valor, segundo ele, é de R$ 1,75 bi, e o prazo de seis meses para depósito do seguro-garantia termina em março. O prazo de seis meses foi pedido porque Batista poderia comprar a parte dos fundos de pensão, não sendo necessário o seguro-garantia, diz Joesley à Folha. Em setembro de 2016, J&F firmou acordo com o MPF no âmbito da Operação Greenfield, que apura suspeitas de crimes contra os principais fundos de pensão. O acordo prevê que J&F tinha até 21/outubro para depositar em juízo ou oferecer garantias no valor de R$ 1,5 bi, segundo comunicado do MP. Joesley disse ainda ao jornal que acontecimentos recentes não mudam os planos da cia, nem o IPO da JBS nos EUA.

Já ao jornal O Globo, Joesley disse que as denúncias adiaram em 6 meses a construção de uma nova planta da Eldorado inicialmente prevista para 2019 e que agora está para meados de 2020, num investimento de R$ 10 bilhões. 
O empresário afirmou que esse seria o grande investimento de 2017, mas será necessário resolver esses sobressaltos antes. Ele citou ainda as recentes aquisições da JBS e J&F em 2015 e diz que 2016, 2017 e 2018 serão anos de consolidação desses negócios.

Ainda no setor de frigoríficos e alimentos, o Itaú BBA rebaixou a recomendação para a Marfrig de outperform para underperform, mantendo os ratings  outperform para a JBS e a Minerva, mas com menor upside e dinamismo,  além de manter recomendação  market perform em BRF, Ambev e M.Dias Branco. "Atualizamos nossas estimativas para todas as empresas de alimentos e bebidas que cobrimos para incorporar nossas novas estimativas macroeconômicas. Estamos revisando todos os preços-alvo para baixa, porque a previsão de dólar mais fraco reduz a perspectiva para a maior parte do setor. O dólar mais fraco e decepcionante resultados são apenas parcialmente compensados por um menor custo de capital. O crescimento da receita líquida será um desafio para todas as empresas de alimentos e bebidas em 2017", afirmam os analistas. 

Vale (VALE3;VALE5)
A Vale retomou nos últimos dias procura por comprador de quatro plantas de fertilizantes em Cubatão após
desistência da Yara International, disse a Reuters, citando três pessoas não identificadas com conhecimento direto do assunto. Os ativos não estão incluídos no acordo de US$ 2,5 bilhões com a Mosaic em dezembro. Uma porta-voz não identificada da divisão de fertilizantes da Vale disse à Reuters que a companhia permanece em negociações
para vender os ativos de Cubatão. 

Ainda em destaque, o Bradesco BBI soltou relatório destacando ver o minério insustentável a esses patamares, mas que o curto prazo é bom para a Vale. "A cada dia, mês ou semana que o minério de ferro permanece acima das previsões, valor patrimonial implícito da Vale aumenta, com o excesso de fluxo de caixa acelerando a  desalavancagem", diz o banco. Os analistas veem como altamente improvável que os preços do minério
de ferro permaneçam nos níveis atuais; porém, "enquanto o processo de normalização não ocorrer, ações
da Vale devem permanecer bem sustentadas”. 

Os catalisadores positivos no curto prazo para Vale são: forte “momentum” de resultados, com o  banco estimando Ebitda no quarto trimestre a US$ 4,55 bilhões e entre US$ 4,3 bilhões e US$ 5,3 bilhões no primeiro trimestre de 2017, considerando preço médio do minério em US$ 75-US$ 85a tonelada. Além disso, a renovação do acordo de acionistas a caminho de estrutura acionária mais simples (dissolução da Valepar, possível fusão de ações ON/PN), Além disso, a conclusão do negócio Nacala/Moatize, liberando mais de US$ 3 bilhões para Vale, a retomada das operações da Samarco, provavelmente no segundo semestre, eliminando enorme pendência para a mineradora também são catalisadores. O Bradesco BBI espera que minério se normalize próximo de US$ 60 a tonelada, o  “que pode provocar queda das ações”. O banco mantém recomendação neutra para Vale; o preço alvo por ADR é de 
US$ 10 (implica queda potencial de 12%), preço alvo por /ação é R$ 33

Log Commercial Properties
A subsidiária de propriedades comerciais da MRV Engenharia (MRVE3), Log Commercial Properties, entrou com pedido de conversão de registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e realização de IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) de suas ações na bolsa brasileira. No segundo semestre do ano passado, a companhia chegou a falar em lançar ações no mercado, mas não levou a ideia adiante.

A oferta será coordenada por Bradesco, Bank of America Merrill Lynch, Itaú e Banco Brasil Plural. Parte dos recursos será utilizada para investimentos da Log, e 50% para redução da dívida da companhia, que no fim do ano passado era de R$ 842,143 milhões.

BM&FBovespa (BVMF3)
 A BM&FBovespa informou nesta quarta-feira que foi concedida liminar determinando ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a suspensão do julgamento sobre uso de critério fiscal equivocado na fusão que deu origem à empresa. O comunicado ao mercado é um esclarecimento a notícia veiculada na mídia sobre o assunto.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico nesta quarta-feira, a BM&FBovespa obteve nova liminar na 6ª Vara Cível do Distrito Federal para suspender o julgamento. A suspensão trata do julgamento do auto de infração da Receita Federal que questiona a amortização, para fins fiscais, em 2010 e 2011, do ágio gerado quando da incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela BM&FBovespa em 2008. A BMF&Bovespa foi multada em cerca de 1,1 bilhão de reais e Carf está julgando um recurso contra a multa.

BTG Pactual (BBTG11)
O lucro líquido do BTG Pactual no quarto trimestre do ano passado atingiu R$ 652 milhões, praticamente a metade do visto no mesmo período do ano anterior (R$ 1,229 bilhão). Ante o trimestre imediatamente anterior, o lucro registrou queda de 1%. Em 2016 o lucro do banco ficou em R$ 3,325 bilhões, recuo de 28% ante o visto em 2015. No fim de 2015 o banco encolheu seus ativos na esteira na prisão de seu ex-controlador André Esteves no contexto da Operação Lava Jato. Esteves já retornou ao dia a dia da instituição.

"Fechamos 2016 com um balanço bastante sólido, que inclui um dos maiores índices de capitalização do setor, baixa alavancagem e forte liquidez. Estamos focados na nossa atividade bancária e de gestão de recursos na América Latina", destaca, em nota enviada à imprensa, Marcelo Kalim, presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual. O retorno atualizado (ROAE) encerrou o trimestre em 12,7%, ante 22% um ano antes, mas apresentando melhora em relação ao terceiro trimestre do ano passado, quando ficou em 11,2%. No ano ficou em 15,5%, ante 22,4% em 2015.

A receita total do BTG foi para R$ 997 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 71,6% na relação anual e de 35% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Refletindo a liquidez do banco, que vendeu ativos desde o fim de 2015, o índice de Basileia foi a 21,5% nos últimos três meses do ano passado, ante 15,5% no quarto trimestre de 2015 e de 16,4% no terceiro trimestre do ano passado. Os ativos totais do banco foram a R$ 120,9 bilhões, queda de 54,5% em relação ao último trimestre de 2015 e recuo de 6% ante o trimestre imediatamente anterior.

Os Conselhos do Banco BTG Pactual e BTG Pactual Participations também aprovaram dois novos programas de units que poderão ser negociados na BM&FBovespa a partir de 16/fevereiro, segundo comunicado. BPAC11 será composta por 1 ação ON e 2 ações PN classe A de emissão do banco e BBTG12 será composta por 1 BDR representativo de uma ação classe A e 2 BDR representativos, cada, de uma ação classe B de emissão da Participations. Os titulares das atuais units, BBTG11, poderão escolher migrar parte ou todas units para as novas BPAC11 e BBTG12 . Assim, os titulares que optarem pela nova possibilidade alternativa de negociação através dos novos programas de units receberão 1 BPAC11 e 1 BBTG12 simultaneamente ao cancelamento de cada BBTG11 que detenha Acionistas terão prazo para optar pela migração de 15/fevereiro até 28 de dezembro. “Novos Programas de Units representam uma nova alternativa de negociação dos valores mobiliários de emissão das companhias, de forma segregada”.

Segundo o comunicado, "os conselhos de administração das companhias entendem que a estrutura de negociação dos Novos Programas de Units melhor atende a atual realidade das companhias e está em linha com o reposicionamento estratégico destas”. As respectivas estruturas societárias atuais do Banco e da BTGP não serão alteradas e não haverá qualquer alteração patrimonial decorrente dos Novos Programas de Units, nem qualquer tipo de diluição nas participações societárias detidas por cada acionista, independentemente de qual alternativa deseje optar. Segundo o comunicado, a separação das units permite “uma maior transparência aos ativos de cada companhia (dentre a própria Companhia e a BTGP), com diferenciação mais clara entre a atividade bancária e de gestão de recursos exercidos pela companhia, e o veículo de investimentos em private equity exercido primordialmente pelo BTGP". 

BR Properties (BRPR3)
A BR Properties reverteu o prejuízo de R$ 769,64 milhões registrado em 2015 e fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 28,85 milhões. Enquanto isso, a receita líquida caiu 35%, para R$ 465,68 milhões no mesmo período. Segundo a companhia, a alta da vacância e a queda de aluguel de alguns contratos foram os responsáveis pela redução da receita.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) virou de negativo em R$ 68,12 milhões para positivo em R$ 138,16 milhões. A dívida bruta ficou em R$ 3,362 bilhões, enquanto o endividamento líquido encerrou o ano em R$ 2,396 bilhões.

O Itaú BBA espera reação “ligeiramente positiva”; FFO permaneceu acima da projeção e taxa de vacância
melhorou significativamente. Já o Santander espera que resultados permaneçam pressionados no curto prazo, ainda refletindo a dinâmica desafiadora do setor’’; “no entanto, mantemos nossa visão construtiva no longo prazo sobre a ação e vemos a queda na vacância (pela primeira vez em três anos) como um sinal de que o setor pode estar se aproximando do fundo (especialmente para SP), e que o mercado de escritórios pode começar a melhorar a partir do final de 2017 e início de 2018”. 

Ultrapar (UGPA3)
O Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil pública contra três das maiores empresas de combustíveis: Ipiranga - do grupo Ultrapar (UGPA3) -, Shell e BR Distribuidora. No processo, o órgão pede a cassação do registro destas empresas em todo o estado do Rio por adulteração de combustíveis.

No documento, o procurador Alberto Flores Camargo afirma que as empresas vendiam álcool adulterado com metanol, produto proibido no Brasil. No documento, ele diz que houve perigo de dano para a ordem econômica e social. O metanol é altamente tóxico, e pode causar danos à saúde. Camargo também pede ainda que o estado "não mais conceda ou renove benefícios fiscais ou financeiros" às empresas.

As ações com pedido liminar têm por base o fato de postos de combustíveis dessas redes terem sido flagrados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) vendendo etanol adulterado com metanol em novembro do ano passado.

"Pode-se dizer que, com essa operação, a Agência Nacional de Petróleo realizou a maior interdição de combustível adulterado de sua história. Nos tanques das distribuidoras Shell, Ipiranga e BR Distribuidora, foi encontrado o volume de 16.000.000 litros de etanol adulterado por metanol", diz um trecho da decisão do procurador.

A Ipiranga informou que aguarda citação da demanda para que, de conhecimento dos fatos que lhe são imputados, "possa tomar todas as medidas cabíveis à sua defesa e ao pleno funcionamento de suas atividades na região afetada. A Companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral informados caso surja algum desdobramento sobre o assunto". 

Lojas Americanas (LAME4)
Após a Bloomberg informar, citando fontes, que a Lojas Americanas  contratou Itaú, Santander, JPMorgan e Banco do Brasil para uma oferta de ações e que o Credit Suisse, que foi contratado pela rede neste mês, vai liderar a oferta, a companhia informou em nota que “engajou outras instituições financeiras para dar seguimento à análise de operações relativas à sua estrutura de capital, que, como dito anteriormente, pode envolver um aumento de capital”.

A Lojas Americanas deve usar os recursos para fazer aquisições, tendo como potenciais alvos a BR Distribuidora da Petrobras ou a rede de varejo de eletrônicos Via Varejo, segundo relatório do Brasil Plural de 31 de janeiro. 

Oi (OIBR4)
Segundo informações do jornal O Globo, o presidente da Oi, Marco Schroeder, disse ontem esperar que a votação de sua proposta com credores e acionistas aconteça ainda no segundo trimestre deste ano. Ele afirmou prever um acordo para as dívidas de R$ 32 bilhões, com um desconto ao redor de 70%. Dos R$ 10 bilhões restantes, uma parte seria paga com um novo empréstimo e outra com ações da companhia. Em relação à dívida de R$ 15 bilhões com bancos, o executivo disse que negocia um novo parcelamento por 17 anos, com juros abaixo do mercado. O prazo médio dessas dívidas é de cerca de cinco anos. 

Com isso, conforme eesse calendário, a recuperação judicial não precisaria ser prorrogada. O presidente da Oi defendeu ainda que essa negociação seja feita sem os eventuais novos investidores, como os fundos Elliott e Cerberus e o empresário egípcio Naguib Sawiris.

 Gol (GOLL4)
A Gol anunciou na terça-feira um contrato de arrendamento de cinco aeronaves Boeing 737 MAX 8 com a companhia irlandesa Awas, num contrato de 550 milhões de dólares. Em comunicado, a Gol disse que os jatos serão entregues entre junho e novembro de 2018, sendo arrendadas por 12 anos.

A Gol afirmou esperar que os novos jatos permitam redução do consumo de combustível em até 15 por cento em comparação às aeronaves 737-800 Next Generation e de até 8 por cento menos combustível por assento em relação ao A32neo. As aeronaves 737 MAX 8 terão autonomia de voo de até 6,5 mil quilômetros (ante 5,5 mil atuais). Com isso, a Gol quer fazer voos sem escalas para Miami, Ft. Lauderdale, Orlando e Cancún. Em comparação ao A320neo, a previsão da Gol é que o 737 MAX 8 tenha alcance de mais de 500 quilômetros, além de ter nove assentos adicionais.

OGPar (OGXP3)
A OGPar, antiga OGX, informou que a produção de óleo do mês de janeiro de 2017 alcançou um total de 249.505 barris, refletindo a produção do Campo de Tubarão Martelo. 

(Com Reuters, Bloomberg e Agência Estado)

 

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