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Imobiliárias e autopeças disparam até 9% com Selic e expectativas por estímulos no radar; Gerdau salta 7%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa destoou das bolsas americanas e subiu nesta quinta-feira (5), superando a marca de 62.000 pontos, puxado por apostas de que o Banco Central pode cortar a Selic na reunião do Copom (Comitê Política Monetária) da próxima semana.

Com isso, as ações do chamado "kit Selic" - isto é, empresas que ganham com o cenário de juros menores - seguiram em disparada na Bolsa, como foi o caso das imobiliárias e do setor de autopeças. Esses ativos também reagiram às expectativas do mercado de uma nova rodada de medidas de estímulo à economia. Por conta do otimismo, alguns desses papéis acumulam nesses 4 pregões de 2017 ganhos acima de 15%. São eles: Helbor, Eztec, Cyrela e Eztec (no setor de construção civil); Randon e Marcopolo (no setor de autopeças). 

Além delas, chamaram atenção hoje também os papéis ligados a commodities, que lideraram a valorização do Ibovespa nesta sessão. Os maiores ganhos ficaram com as ações da Gerdau e Metalúrgica Gerdau, diante de rumores de que a siderúrgica irá aumentar os preços do aço, seguindo suas concorrentes CSN e Usiminas, que também seguiram em alta nesta sessão. Ontem, esses papéis dispararam na Bovespa por conta da notícia de reajuste. Também no top 5 do Ibovespa figuraram os papéis da Vale e Bradespar - holding que detém participação na Vale -, em meio à alta do minério de ferro nesta quinta-feira. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa: 

Petrobras (PETR3, R$ 17,83, +2,65%; PETR4, R$ 15,86, +2,32%)
As ações da Petrobras subiram forte, entre alta do petróleo e venda de ativos. No mercado internacional, o contrato tipo Brent subia 0,66%, a US$ 56,83 o barril, enquanto o WTI avançava 0,90%, a US$ 53,74 o barril. 

No radar, a Petrobras informou que concluiu a operação de venda de 100% da Petrobras Chile Distribuición (PCD) para a Southern Cross Group. Com o negócio, aprovado em 22 de julho de 2016, a Petrobras terá entrada de caixa de US$ 470 milhões, dos quais US$ 90 milhões oriundos da distribuição de dividendos líquidos de impostos da PCD. 

Os US$ 380 milhões restantes foram pagos nesta quarta-feira pela Southern Cross, segundo a companhia, que disse ainda que valor está sujeito a ajustes finais. A PCD é a companhia de distribuição de combustíveis da Petrobras no Chile e possui 279 postos de serviços, uma planta de lubrificantes, oito terminais de distribuição, operações em 11 aeroportos e participação em duas empresas de logística. 

A operação é parte integrante do plano de parcerias e desinvestimentos 2015-2016 da Petrobras, que atingiu US$ 13,6 bilhões no biênio, em programa que visa reduzir o endividamento da companhia.

Além disso, a coluna Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, afirma que o presidente da estatal Pedro Parente teria sinalizado a interlocutores que seu plano seria permanecer na estatal por cerca de dois anos, prazo esperado para o início da ‘virada’ (turnaround) da petroleira. Se isso ocorrer, ele poderia sair antes mesmo do fim do mandato de Temer. 

Por fim, de acordo com o jornal Valor Econômico, Parente criticou em carta aos funcionários a proposta de greve. O executivo destacou que 2017 será o “ano da virada” da companhia e pediu foco dos trabalhadores no cumprimento das metas do plano de negócios.

"Kit Selic"
As ações do setor de construção civil e autopeças seguiram em forte alta na Bolsa nesta sessão, em meio às expectativas por juros mais baixos e rumores de uma nova rodada de medidas de estimulo à economia no início deste ano. A colunista da GloboNews, Andréia Sadi, citou hoje duas medidas no radar do governo: novas propostas de concessão de ferrovias em fevereiro e um estudo para regulamentar os processos de distrato de imóveis.  

Sobre os juros, as imobiliárias ganham com a Selic menor, dado que torna mais atrativo o crédito imobiliário; já as empresas de autopeças, que têm suas dívidas atreladas ao CDI, se beneficiam por verem uma drástica redução em seus gastos com o pagamento de seus financiamentos (veja mais: As 5 maneiras como a queda da Selic impacta a Bovespa). 

No setor de construção civil, destaque para Rossi (RSID3, R$ 3,23, +8,75%) e Helbor (HBOR3, R$ 1,97, +4,23%), que subiram mais de 4%; já entre o setor de autopeças, chamou atenção as ações da Randon (RAPT4, R$ 4,13, +8,12%) e Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 13,68, +7,80%), que dispararam cerca de 8%. 

BRF (BRFS3, R$ 48,53, -0,78%)
A BRF comunicou que a One Foods Holdings, empresa com sede em Dubai, Emirados Árabes Unidos, está em processo final de criação. "A OneFoods, até o momento referida como 'Sadia Halal', concentrará os ativos da companhia relacionados à produção e distribuição de produtos destinados a mercados muçulmanos", disse a empresa de alimentos em comunicado.

Na prática, isso significa que eles estão terminando o "spin-off" (separação) da Sadia Halal para em algum momento fazer o IPO (Initial Public Offering) na empresa. "Quando isso acontecer, será uma notícia positiva, pois vai destravar bastante valor", comentaram os analistas. Vale destacar, por sua vez, que o Deutsche Bank cortou a recomendação dos papéis de compra para neutra, com o preço-alvo sendo revisado de R$ 18,00 para R$ 15,50. 

Segundo a nota da BRF, o processo de reestruturação envolve a transferência de determinados ativos relacionados à produção e distribuição de produtos halal, incluindo: (i) unidades de armazenamento de grãos, fábricas de ração, contratos de integração, incubatórios e oito unidades produtivas, todos localizados no Brasil; (ii) uma unidade produtiva nos Emirados Árabes; (iii) a participação da Companhia na FFM Further Processing SDN BHD; e (iv) a participação da Companhia em empresas de distribuição localizadas na Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Sultanato do Omã e Kuwait.

A BRF comunicou também que licenciará ou transferirá definitivamente à OneFoods certas marcas em determinados mercados halal. Por fim, a companhia disse que celebrará com a OneFoods contratos prevendo o rateio de custos relacionados a determinadas atividades operacionais e corporativas e o fornecimento de matérias primas e produtos acabados. A Reuters informou, citando fontes, que a BRF tentará levantar US$ 1,5 bilhão com IPO de unidade Halal, oferta essa que deve ser precificada entre o final de março e o começo de abril. 

Vale (VALE3, R$ 26,68, +3,81%; VALE5, R$ 24,77, +4,74%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 15,52, +5,01%) - holding que detém participação na Vale - aceleraram os ganhos nesta tarde, em dia de forte alta do minério de ferro nesta sessão. A commodity foi puxada pela notícia da agência de notícias estatal "Xinhua" de que o governo chinês pretende investir cerca de 800 bilhões de yuans (US$ 115 bilhões) para expandir a rede ferroviária do país neste ano. Até 2020, a perspectiva é de destinar 3,5 bilhões de yuans no setor. Com isso, o minério de ferro negociado no Porto de Qingdao, na China, subiu 2,17% nesta quinta-feira, a US$ 78,93 a tonelada.

Apesar do bom humor do mercado, uma má notícia abalou o noticiário da mineradora nesta tarde. Uma explosão que ocorreu hoje, por volta das 15h, no Polo Industrial de Cubatão, na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, e deu início a um incêndio, segundo informações do Corpo de Bombeiros. 

O fogo atinge a unidade 2 da Vale Fertilizantes. De acordo com a empresa, o incêndio começou em uma correia transportadora e todos os funcionários já conseguiram sair do local. Não há informação de feridos. Por volta das 16h30, a corporação informou que um dos tanques da empresa explodiu, provocando um grande vazamento de nitrato de amônia.

Siderúrgicas 
As
 ações das siderúrgicas também tiveram forte alta, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,80, +7,08%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,19, +4,85%), CSN (CSNA3, R$ 11,70, +3,45%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,60, +1,10%). 

A expectativa dos investidores é de que a Gerdau conclua aumentos dos preços de aço nos próximos dias, seguindo suas concorrentes CSN e Usiminas, disse o Valor Econômico.

Em relatório divulgado nesta manhã, o BTG Pactual comentou que os reajustes dos preços do aço anunciados pela Usiminas e CSN ficaram acima do esperado. As empresas elevaram os preços em 25% para a indústria automotiva em 2017 (contra 15% estimado pelo banco). Outro aumento entre 8% e 10% também será estabelecido nos próximos dias para os distribuidores. 

"Apesar das poucas razões para acreditar em uma recuperação dos volumes no curto prazo, os aumentos dos preços no Brasil foram impulsionados por expectativas de pressões significativas nos custos (carvão)", comentaram os analistas. Eles esperam ainda que as pressões de importação no Brasil permaneçam baixas, por volta de 8% a 10%, o que eles consideram saudáveis. Com isso, o BTG elevou o preço-alvo de Usiminas de R$ 5,00 para R$ 5,50, mas manteve a recomendação neutra, enquanto elevou CSN de R$ 5,00 para R$ 6,00, reiterando a recomendação de venda.   

Odontoprev (ODPV3, R$ 12,01, -2,36%)
As ações da Odontoprev recuaram nesta sessão, atingindo na mínima do dia queda de 4,63%, a R$ 11,73, após o BTG Pactual alertar sobre pressão de competidores. 

"Continuamos a ver grandes players (principalmente os que também operam no segmento de saúde), causando deterioração do cenário competitivo, pressionando o crescimento da companhia, especialmente no segmento corporativo", comentaram os analistas do BTG Rodrigo Gastim e Gustavo Cambauva em relatório citando dados da ANS. 

A ação tem uma recomendação de compra, três de manutenção e seis de venda, segundo compilado dados compilados do Terminal Bloomberg. 

BR Malls (BRML3, R$ 13,01, +2,28%)
O BTG Pactual elevou a recomendação para as ações da BR Malls de neutro para compra, com um preço-alvo de R$ 16,00, destacando que a ação da companhia é um ótimo veículo para operar a redução dos juros no Brasil. A melhora nos resultados e o cenário macroeconômico mais positivo também são fatores que levam ao maior otimismo com a companhia. 

Minerva (BEEF3, R$ 11,80, -1,01%)
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, um ano após firmar sociedade com o fundo da Arábia Saudita, o Saudi Agricultural and Livestock Investment (Salic), que fez um aporte de R$ 746 milhões por 20% do capital do grupo, o frigorífico Minerva planeja expandir seus negócios para a América do Sul. Com unidades no Paraguai, Uruguai e Colômbia, o próximo passo dos controladores da companhia será entrar no mercado argentino - considerado estratégico para expansão do grupo na região.

CCR (CCRO3, R$ 16,47, -0,18%)
A CCR Autoban teve aval para emitir debênture incentivada. O projeto de investimento em infraestrutura da Concessionária do Sistema Anhanguera - Bandeirantes é aprovado para fins de emissão de debênture incentivada pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. O projeto envolve melhorias para maior fluidez de tráfego na Rodovia Anhangüera - SP-330; faixas adicionais nas Rodovias SP-348, SP-330 e SP-300, intervenções na ligação Campinas-Sumaré-Nova Odessa-Americana, entre outras obras. O aval está publicado no Diário Oficial.

Oi (OIBR4, R$ 2,26, 0,0%)
Segundo o jornal Valor Econômico, a Oi tenta na Justiça reduzir pagamentos previstos num contrato de prestação de serviços que consumiu US$ 242 milhões do caixa da operadora, só no ano passado. Segundo a petição encaminhada no mês passado por advogados da empresa, o contrato foi assinado em 2013 com a empresa de cabos submarinos GlobeNet. A Oi havia vendido a GlobeNet ao fundo de investimentos e participações BTG Pactual Infraestrutura II, gerido pelo BTG Pactual, e firmou acordo do tipo "take-or-pay" (compra obrigatória) em que se comprometia a pagar por uma capacidade mínima de transmissão independentemente de utilizá-la ou não. 

Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 43,60, -1,69%)
A Telefônica Brasil informou que Amos Genish, que deixou o comando da empresa em outubro, renunciou ao cargo de membro do conselho de administração da companhia. Para substituí-lo foi eleito José María Del Rey Osorio, que deve cumprir mandato até a assembleia geral ordinária de acionistas de 2019, afirmou a companhia.

Genish renunciou ao cargo de presidente-executivo da operadora de telecomunicações em outubro, sendo substituído por Eduardo Carvalho no mês seguinte.

Triunfo (TPIS3, R$ 3,13, -3,99%)
A Triunfo informou na quarta-feira ter sido notificada que o BNDES pediu a execução de fianças bancárias de empréstimo-ponte tomado por sua subsidiária Concebra, cujo valor era de 796,4 milhões no final de setembro.

Segundo a Triunfo, empréstimo-ponte cujo valor original era de cerca de 690 milhões de reais, foi liberado pelo BNDES a partir de junho de 2014 e venceu em 15 de dezembro de 2016. Ainda segundo a companhia de concessões de infraestrutura, os juros mensais dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2016 foram pagos pela Concebra.

O empréstimo-ponte é garantido por fiança bancária do Banco do Brasil  no valor principal de 100 milhões de reais e pelo BDMG, de 60 milhões de reais, além de fiança da Triunfo.

As fianças bancárias prestadas por BB e BDMG são garantidas por recebíveis e ações da Concebra e fiança da Triunfo.

De acordo com a Triunfo, a quitação do empréstimo-ponte seria feita com parte dos recursos do empréstimo de longo prazo de 3,6 bilhões já aprovado pela diretoria do BNDES em fevereiro passado, mas ainda não assinado.

Cosan (CSAN3, R$ 11,68, +3,27%)
De acordo com fonte ouvida pela Bloomberg, a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, contratou bancos para possível emissão no exterior. Segundo a fonte, a Raízen Fuels Finance deu mandato a BofAML, Citi, JPM, Santander e Bradesco BBI para organizar série de reuniões com investidores de renda fixa nos EUA e na Europa a partir de 9 de janeiro. A emissão deve ser de notas sêniores benchmark em dólar pela 144A/Reg S com prazo intermediário.  

 

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