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Embraer decide não pagar dividendos e ação desaba; Vale afunda 4% e Qualicorp salta 5% "sem motivo"

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta manhã

Embraer Legacy 600
(Divulgação/Embraer)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelerou as perdas na tarde desta quinta-feira (8), com a virada das ações de commodities e os bancos. Enquanto a Petrobras demonstrou forte instabilidade, apesar da forte alta do petróleo lá fora, as ações da Vale e siderúrgicas mergulharam na Bolsa após às 12h30 (horário de Brasília), coincidindo com a abertura das bolsas dos Estados Unidos. Esses papéis, que subiram mais de 2% nesta manhã, fecharam entre as maiores perdas do Ibovespa. 

Outras ações voltadas para exportação, como Embraer e as empresas de papel e celulose Fibria e Suzano, também registraram fortes perdas nesta tarde, refletindo a queda do dólar frente ao real. Em relação à Embraer, as ações reagiram também ao comunicado enviado pela empresa na reta final do pregão: seu conselho de administração decidiu pelo não pagamento de juros sobre capital próprio relativos ao 4° trimestre de 2016. 

Na ponta oposta, os papéis da Qualicorp dispararam 5%, destoando do movimento negativo do mercado, apesar da falta de notícias no radar da empresa. Na máxima do dia, essas ações subiram 5,63%, a R$ 18,58. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Embraer (EMBR3, R$ 16,20, -4,48%)
As ações da Embraer lideraram as perdas do Ibovespa, entre queda do dólar e um comunicado divulgado pela empresa na reta final do pregão. Em reunião realizada hoje, o conselho de administração da empresa decidiu pelo não pagamento dos juros sobre capital próprio relativos ao 4° trimestre de 2016. Na mínima do dia, os papéis recuaram 5,07%, a R$ 16,10.  

Vale (VALE3, R$ 30,13, -2,90%; VALE5, R$ 26,73, -3,99%)
As ações da Vale sofreram forte reviravolta nesta sessão. Os papéis deixaram para trás o bom humor visto nesta manhã após dados positivos na China e fecharam entre as maiores quedas do Ibovespa. A Bradespar - holding que detém participação na mineradora - também acompanhou o movimento. Com a virada de mão, esses papéis passaram a andar do mesmo lado do minério de ferro, que fechou em queda de 0,57% no Porto de Qingdao, na China, a US$ 81,78 a tonelada. 

No radar da Vale, um relatório do Itaú BBA que coloca uma luz amarela sobre as projeções dos preços das commodities. "Alguns fatores que conduziram o rali vão se dissipar em 2017", aponta a equipe de análise do banco. 

Mais cedo, os papéis refletiram os dados positivos da balança comercial. As importações cresceram no ritmo mais rápido em mais de dois anos em novembro, impulsionadas pela forte procura por commodities, inclusive do minério de ferro. As importações cresceram 6,7%, muito acima das expectativas de queda de 1,3%, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira. 

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 13,58, -1,02%), Usiminas (USIM5, R$ 4,12, -0,96%) e CSN (CSNA3, R$ 11,65, -3,16%) seguiram o mesmo caminho da Vale e afundaram nesta sessão. 

Mais cedo, essas ações reagiam positivamente à queda de 16% nas exportações de aço da China em novembro, na comparação anual. Em relatório desta manhã, os analistas do BTG destacavam que isso era bom porque uma exportação elevada (lembrando que a China exporta hoje praticamente um Estados Unidos, em termos de consumo por ano) infla a demanda de minério no País (aumentando o nível de importação de minério) e deprime os preços de aço no mercado global. "A tendência de queda de exportações de aço chinês é, portanto, positiva para as siderúrgicas", comentaram. 

Qualicorp (QUAL3, R$ 18,46, +4,95%)
As ações da Qualicorp destoaram do dia negativo do mercado e dispararam 5,63%, a R$ 18,58, na máxima do dia. Procurados pelo InfoMoney, operadores de mercado não souberam justificar o movimento. A ação encerrou o dia como a maior alta do Ibovespa, bem distante do segundo lugar conquistado pela Multiplan (MULT3), que marcou alta de 2,65% hoje.

Apesar da euforia, o volume financeiro movimentado com o papel seguiu praticamente em linha com sua média diária dos últimos 21 pregões: R$ 35 milhões versus R$ 32 milhões. 

Educacionais
As ações das educacionais Kroton (KROT3, R$ 13,66, -2,78%), Estácio (ESTC3, R$ 15,71, -2,42%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 18,40, -4,66%) viraram para fortes perdas, após manhã de ganhos. A exceção do setor foi a Anima (ANIM3, R$ 12,90, +2,71%), que seguiu no campo positivo.

No radar do setor, o Tesouro autorizou a emissão de R$ 2,26 bilhões em favor do Fies, segundo portaria no Diário Oficial. A Caixa Econômica Federal ficará responsável pela custódia de R$ 782,1 milhões dos títulos e o Banco do Brasil, por R$ 1,47 bilhão. Os certificados têm prazo de vencimento em 1º de janeiro de 2046. 

Petrobras (PETR3, R$ 18,42, +0,55%; PETR4, R$ 15,93, +0,44%)
As ações da Petrobras tiveram sessão extremamente volátil hoje: enquanto as ações ONs registraram ligeira alta, os papéis preferenciais caíram cerca de 1%. Apesar disso, os contratos futuros do petróleo Brent registravam alta de 1,62%, a US$ 53,86 o barril, enquanto o WTI subia 2,09%, a US$ 50,81 o barril.  

No radar, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem uma medida cautelar que proíbe a Petrobras de assinar novos contratos de venda de ativos e de iniciar novos processos de alienação, mas libera a estatal para concluir aqueles desinvestimentos que estão em fase final. Se tiver sucesso nos processos mais avançados, a Petrobras pode chegar perto da meta de desinvestimentos de US$ 15,1 bilhões estabelecida para o biênio 2015-2016. 

Após a notícia, a Petrobras informou estar revisando sua sistemática de desinvestimentos e se comprometeu com aperfeiçoamentos recomendados pelo TCU e demais órgãos de controle. A petrolífera também reafirmou a meta de seu programa de parcerias e desinvestimentos de US$ 15,1 bilhões para o biênio 2015/16 e de US$ 19,5 bilhões para 2017/18.

Cosan (CSAN3, R$ 38,30, -1,54%)
A Cosan anunciou a distribuição de dividendos intercalares referente ao exercício social de 2016, no valor total de R$ 300 milhões, o que corresponde a R$ 0,736621455 por ação, sem retenção de Imposto de Renda na Fonte. Segundo comunicado, a distribuição ocorrerá com base na posição acionária de 12 de dezembro, sendo que, a partir de 13 de dezembro, as ações da companhia passam a ser negociadas na forma "ex".

Tecnisa (TCSA3, R$ 2,19, +2,34%)
O InfoMoney Fora da Curva - um projeto de entrevistas do InfoMoney - entrevistou Meyer Joseph Nigri, fundador da Tecnisa e atuante no setor imobiliário há mais de 40 anos. Ao InfoMoney, Nigri disse que "está há 40 anos no setor e nunca viu uma crise como essa" (para conferir a entrevista na íntegra, clique aqui). 

Atom (ATOM3, R$ 3,28, -16,54%)
As ações da Atom, uma proprietária trading firm ou "prop trading", tiveram forte correção hoje, após alta de mais de 40% ontem depois de informações que a empresa saiu do processo de recuperação judicial, que ocorreu na quarta-feira. Novamente, as ações registraram um forte volume financeiro: de R$ 7,7 milhões, contra média diária de R$ 333,2 mil dos últimos 21 pregões. 

A empresa chegou ao mercado por meio da compra de 69,24% da antiga Inepar Telecomunicações, que estava em recuperação judicial. Com isso, a companhia "herdou" os problemas da antiga empresa e, mesmo conseguindo diversos pareceres favoráveis, o Santander (um dos credores da Inepar) travou o processo após um juiz em segunda instância acatar o pedido do banco e evitar a evolução do processo para saída da recuperação judicial. 

Fleury (FLRY3, R$ 38,60, +4,75%)
As ações da Fleury dispararam até 5,73%, a R$ 38,96, após seu conselho de administração aprovar o pagamento de R$ 220,8 milhões em dividendos, ou R$ 1,40 por ação, e R$ 110,4 milhões em juros sobre capital próprio, ou R$ 0,70 por ação. Ou seja, no total, os acionistas receberão R$ 2,10 em proventos.     

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 105,39, +2,97%)
As ações da Magazine Luiza voltaram a subir forte, atingindo na máxima do pregão alta de 5,26%, a R$ 107,73. Essa foi a terceira sessão seguida de ganhos, quando os papéis renovaram o maior patamar na Bolsa desde setembro de 2011.

 

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