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Petrobras dispara 9% com petróleo e Fibria desaba 7% após corte de recomendação; Vale ON salta 27% no mês

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Enquanto a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos trouxe muitas incertezas aos mercados emergentes em novembro, alguns setores tiveram motivos para comemorar, como o caso das mineradoras e siderúrgicas, diante das expectativas por cortes de impostos e investimentos em infraestrutura no país.

Por conta disso, as ações da Vale, Gerdau e Metalúrgica Gerdau lideraram os ganhos do Ibovespa no mês, com alta de até 27%, enquanto o benchmark da Bolsa brasileira encerrou o período em queda de 4,65%, a 61.1906 pontos. As ações da Fibria, Suzano e Klabin também foram beneficiadas neste mês, com a forte valorização do dólar frente ao real. Do lado negativo do Ibovespa, as ações de Lojas Americanas, Copel e Cemig afundaram mais de 19% em novembro. 

Já a Petrobras, embora tenha registrado ganho expressivo de mais de 9% hoje, encerrou o mês no negativo. Enquanto as ações ordinárias caíram 0,91%, as preferenciais recuaram 9,55% em novembro. Hoje, o principal motivo da alta dos papéis foi o acordo entre os membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para corte da produção do petróleo. Lá fora, os contratos do petróleo WTI fecharam em alta de 9,3%, a US$ 49,44 o barril.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira: 

Petrobras (PETR3, R$ 18,47, +10,60%; PETR4, R$ 16,00, +9,14%)
As ações da Petrobras dispararam, após os países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fecharem um acordo para corte de 1,2 milhão de barris por dia de petróleo em reunião que ocorreu hoje em Viena. O movimento acompanhou os preços do petróleo, com o contrato do WTI encerrando esta sessão em alta de 9,3%, a 49,44 o barril.

Vale (VALE3, R$ 28,06, -3,84%; VALE5, R$ 25,55, -3,04%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 14,95, -2,29%) - holding que detém participação na Vale - caíram forte, em meio à forte desvalorização do minério de ferro. A commodity spot (à vista), negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou com perdas de 6,75% neste pregão, a US$ 72,08 a tonelada. 

As ações das siderúrgicas, que figuraram em alta mais cedo, também fecharam em queda, com Gerdau (GGBR4, R$ 13,55, -2,24%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,84, -3,47%), CSN (CSNA3, R$ 12,43, -2,36%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,15, -3,49%). 

Ambev (ABEV3, R$ 17,15, +0,53%)
As ações da Ambev subiram até 4% nesta sessão, após o Bradesco BBI ter elevado a recomendação da ação para outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 21,00. Nas estimativas do time de análise do banco, o papel negocia a cerca de 18 vezes o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) estimado para 2017 versus a média de 21 vezes nos últimos 3 anos, o que representa uma oportunidade de compra. 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 16,61, +0,73%) e Cetip (CTIP3, R$ 44,36, +1,53%) 
A Superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou ontem a impugnação da fusão pretendida entre BM&FBovespa e Cetip e sugeriu ao tribunal do órgão que avalie "remédios" para solucionar problemas concorrenciais. Segundo analistas de mercado, a decisão não quer dizer que a operação foi vetada, mas que a aprovação final da fusão pode se prolongar mais que o previamente esperado.

O BTG Pactual lembra que outros acordos tiveram o mesmo procedimento, como Kroton e Anhanguera e Rumo e ALL. Com isso, os analistas seguem otimistas quanto à aprovação da fusão, com algum tipo de restrição sem grande impacto. Eles reiteraram recomendação de compra para as ações da BM&FBovespa e Cetip.  

Segundo o documento, a superintendência entendeu que a BM&FBovespa tem capacidade para impedir acesso de concorrentes à sua central depositária, e que há indícios de que a empresa continua se valendo de seu poder para fazê-lo.

A BM&FBovespa anunciou em abril a compra da Cetip, maior central depositária de títulos privados da América Latina, em um negócio de quase 12 bilhões de reais, criando a 14a maior empresa listada no mercado acionário brasileiro, com valor de mercado de cerca de 42 bilhões de reais. O Cade declarou ser necessária uma análise "mais aprofundada" das condicões de concorrência no setor. Segundo a Bloomberg, a Cetip afirmou que as companhias buscarão obter a aprovação do Cade no prazo legal.

O Santander considera que a recomendação do Cade por "remédios amargos" já era esperada e que a "única mudança material" no parecer está no prazo do julgamento final, agora estipulado em outubro de 2017. Já o Bradesco BBI diz que segue otimista sobre a fusão das duas empresas.

Telecomunicações
O projeto de lei 3.453/2015, que propõe acabar com as concessões de telefonia fixa, avança para o Senado após ter sido aprovado ontem pela C
omissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Segundo o BTG Pactual, a expectativa é que as discussões já iniciem este ano e que seja aprovado no início de 2017. Os analistas do banco lembram que as grandes beneficiadas das medidas propostas seriam as ações da Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 45,16, +2,73%) e Oi (OIBR4, R$ 2,21, -1,78%).  

Eletrobras (ELET3, R$ 25,65, -0,43%; ELET6, R$ 28,33, -1,19%)
As ações ONs e PNs da Eletrobras caíram nesta sessão, após alta de 3% na máxima do dia, apesar de duas boas notícias. As ações ONs da elétrica passarão a serem negociadas na nova carteira do MSCI Emergentes - um dos principais índices de referência do mundo e acompanhado por diversos fundos de investimentos - a partir de amanhã.

Além disso, a Enel ofereceu um valor maior do que o previsto pela Celg D, da Eletrobras, em leilão que ocorreu nesta quarta-feira às 9h (horário de Brasília). O valor ofertado foi de R$ 2,187 bilhões por 94,84% da companhia, um ágio de cerca de 28% em relação ao preço mínimo de R$ 1,79 bilhão. Segundo o Itaú BBA, a Enel pagou caro por uma empresa com muitas dificuldades operacionais e financeiras. O preço é alto mesmo considerando o fato de que dificuldades da Celg parecerem mais fáceis de serem resolvidas do que no caso de outras empresas, como Celpa, Ceron, Amazonas, comentaram os analistas.

Em tentativa anterior, marcado para agosto, o leilão foi cancelado por falta de interessados, o que levou a uma redução de cerca de R$ 1 bilhão no preço, para o valor de R$ 1,8 bilhão.   

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 31,01, -7,07%), Suzano (SUZB5, R$ 12,85, -3,75%), Klabin (KLBN11, R$ 16,97, -3,14%) afundaram na Bovespa nesta sessão, após cortes de recomendações pelo Santander e leve queda do dólar frente ao real. Esses papéis são beneficiados pelo câmbio dado que suas receitas são atreladas à moeda americana. Hoje, o dólar comercial fechou em desvalorização de 0,25%, a R$ 3,3873 na venda. Enquanto isso, o Santander rebaixou a recomendação para os papéis de Fibria e Suzano de compra para manutenção. 

Ainda no radar, o diretor comercial da Fibria, Henri  Philippe Van Keer, disse que a companhia deve reajustar preços de celulose para clientes de Estados Unidos e Europa em 2017, após ter elevado seus preços em 20 dólares a tonelada a partir de dezembro. Ele participou hoje de evento com analistas e investidores. 

"Haverá aumento de preço no próximo ano com certeza. Espero que seja mais de um (reajuste). No próximo ano, na Europa e EUA, com certeza", disse o executivo. "O potencial aumento de preço será global ou nos EUA e Europa", acrescentou.

Cyrela (CYRE3, R$ 9,33, +4,60%)
As ações da Cyrela apareceram como a terceira maior alta do Ibovespa nesta sessão, atrás apenas das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras. Ontem, o Santander elevou a recomendação das ações da companhia de manutenção para compra, introduzindo um preço-alvo de R$ 11,20 para 2017. "Nós acreditamos que a oferta de crédito para os segmentos de média e alta renda vão iniciar um novo capítulo em 2017. Estamos vendo que alguns bancos já iniciarem a redução de juros e esperamos que a oferta por hipotecas aumente no ano que vem, principalmente devido a melhores condições de empréstimos", comentaram os analistas. 

Ultrapar (UGPA3, R$ 69,10, -0,65%)
As ações da Ultrapar viraram para queda, após o Ministério Público de São Paulo estipular que a Ultracargo, controlada pela Ultrapar, pague cerca de R$ 3,6 bilhões em reparação por danos ambientais por um incêndio em seu terminal no porto de Santos em 2015 que durou nove dias, informa o Valor Econômico. Anteriormente, a Ultracargo havia oferecido o equivalente a 1% do valor proposto pelo MP do Estado. Se a empresa discordar do montante, poderá propor uma ação civil pública para que o Judiciário determine o valor da indenização. Segundo o jornal, uma ação desse tipo pode levar cerca de 10 anos.

Para o Itaú BBA, essa multa não é realista e o impacto final sobre a Ultrapar será muito menor do que os R$ 3,6 bilhões exigidos pelo Ministério Público. Os analistas apontam dois motivos para acreditarem nisso: I) a multa representa 10 vezes a receita líquida da empresa nos doze meses anteriores ao acidente; e II) com base em multas anteriores aplicadas pelo Ministério Público, o desembolso final foi significativamente menor. Com isso, eles acreditam que a multa aplicada em Ultracargo provavelmente também será revisado significativamente para baixo.

 

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