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BB dispara 5%, Vale e mais 6 empresas reagiram a balanços e Magazine Luiza salta 30% após comunicado surpresa

Confira os destaques da Bovespa nesta quinta-feira (27)

Valeminério

SÃO PAULO - O dia foi de ganhos para o mercado brasileiro. O Ibovespa renovou sua máxima do ano nesta quinta-feira (27) ao fechar com alta de 0,66%, a 64.249 pontos, impulsionado principalmente pelo setor de bancos, com destaque para o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,74, +5,12%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,80, +2,14%) e Bradesco (BBDC4, R$ 32,30, +1,67%). Na véspera, o Deutsche Bank reiterou compra para as ações do BB, elevando o preço-alvo de R$ 26 para R$ 33.

Por sua vez, os papéis de peso da Petrobras e Vale, que ganharam fôlego mais cedo, fecharam entre perdas e ganhos, enquanto a JBS foi um dos destaques de queda, assim como Natura.

Fora do índice, chamou a atenção as ações da Magazine Luiza, que dispararam até 31,8% após a varejista antecipar em 7 dias a divulgação do seu balanço depois de ver suas ações caírem "sem motivo" 30% na Bolsa nos dois pregões anteriores.

Confira abaixo os destaques de ações da Bovespa desta quinta-feira (27):

Vale (VALE3, R$ 22,00, +1,06%;VALE5, R$ 20,72, -0,38%)
A ação da Vale, que chegou a subir 2,3% no início da sessão na esteira da alta do minério de ferro e do balanço positivo do terceiro trimestre, fechou entre perdas e ganhos. minério de ferro para entrega em janeiro no Dalian Commodity Exchange fechou com alta de 0,7%, a 478,50 iuanes (US$ 71) a tonelada, rondando uma máxima em 26 meses; já o minério no mercado à vista registrou baixa de US$ 0,40 por tonelada nesta quinta-feira, para US$ 62,30 a tonelada, após máxima desde 29 de abril, na véspera, de acordo com o índice TSI.  

Sobre o resultado, a mineradora relatou lucro líquido de R$ 1,842 bilhão no terceiro trimestre, ante prejuízo de R$ 6,663 bilhões o mesmo período do ano passado, quando a variação cambial havia afetado os resultados da companhia. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia brasileira somou R$ 9,829 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 6,816 bilhões no mesmo período do ano passado.

Segundo o Bradesco BBI, a Vale registrou cifras sólidas e Ebitda em linha com a estimativa. De acordo com os analistas, os resultados foram fortes em todos os negócios com custos de minério de ferro como destaque. Já o lucro ficou abaixo da estimativa do Bradesco BBI, principalmente, em consequência das despesas financeiras acima das expectativas e da variação monetária. O BTG Pactual também destaca que os números foram fortes, apontando que a desalavancagem começou a tomar forma. Veja mais sobre o balanço da Vale clicando aqui. 

Em teleconferência, o presidente da mineradora Murilo Ferreira falou sobre a Samarco. Segundo ele,  a atual estrutura de depósito de rejeitos da mineradora Samarco é inviável, após a companhia, uma parceria da empresa com a BHP, ter visto uma barragem em Minas Gerais se romper em novembro do ano passado, resultando em mortes e em um desastre ambiental. O executivo disse ainda que a retomada das operações da Samarco deveria exigir a utilização de infraestrutura da Vale. Ele também afirmou que atualmente existem divergências entre a companhia e a BHP sobre o futuro da Samarco.

Ainda no noticiário da companhia, o Valor informa que o conselho de administração da mineradora, reunido ontem no Rio, autorizou duas operações de venda de ativos: a divisão de fertilizantes e a mina de carvão de Carborough Downs, na Austrália. A venda dos fertilizantes deve totalizar cerca de US$ 3,5 bilhões. A expectativa é que a maior parte dos ativos seja comprada pela americana Mosaic, que deve fazer o pagamento em dinheiro e em ações. No carvão, a venda de Carborough Downs não terá valor relevante, mas é simbólica pois representa a última mina da Vale em operação no mercado australiano. A Vale deixa o carvão na Austrália para se concentrar no projeto que desenvolve em Moçambique.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 90,99, +30,92%)
As ações da Magazine Luiza dispararam após a queda de 30% em duas sessões; na máxima do dia, os papéis atingiram alta de 31,80%, a R$ 91,60. O volume financeiro movimentado com a ação atingiu R$ 42,2 milhões nesta sessão, contra média diária de R$ 14,1 milhões nos últimos 21 pregões. Na véspera, a varejista informou que decidiu antecipar em 7 dias a divulgação de seu balanço, após forte queda "sem motivo" de suas ações na Bolsa.

"Tendo em vista as oscilações atípicas verificadas nas cotações de ações ordinárias de emissão da Companhia, e baseado no entendimento de que tais negociações decorrem de movimentos especulativos que não guardam qualquer relação com os fundamentos econômicos e à evolução dos resultados da companhia, a empresa decidiu antecipar a divulgação dos balanços", informou a Magazine Luiza em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).  A divulgação do balanço do 3° trimestre ocorrerá em 31 de outubro, antes da abertura do pregão, frente previsão anterior do dia 7 de novembro. A teleconferência será realizada no mesmo dia (31) às 11 (horário de Brasília). Os analistas mostram confiança de que o resultado será bom, com as vendas nas mesmas lojas físicas, com crescimento de 5% na comparação anual. Confira a análise sobre a companhia clicando aqui. 

Analistas do BTG Pactual disseram que a queda dos dois pregões anteriores abriu boa oportunidade de compra da ação da Magazine Luiza, principalmente para capturar o resultado do 3° trimestre, que promete vir acima das expectativas do mercado, além dos potenciais benefícios de um cenário econômico mais positivo, sobretudo com menor taxa de juro. 

JBS  (JBSS3, R$ 10,00, -4,21%)
A ação da JBS teve novo dia de queda após despencar 11,45% na véspera com o veto do BNDES para a reorganização societária da companhia. Segundo nota enviada à imprensa ontem à noite, a BNDESPAR informou que vetou a operação porque não a considerou como a alternativa que melhor atende aos interesses da companhia e de seus acionistas. Para o banco, a reorganização da JBSimplicaria na desnacionalização da empresa e alteraria substancialmente os direitos e deveres conferidos a todos os acionistas, com repercussões de diversas naturezas. 

Além disso, outra notícia negativa para a empresa. o resultado do terceiro trimestre da Pilgrim's - subsidiária da companhia nos EUA e uma das maiores produtoras de frango do país - veio fraco, com Ebitda e margem abaixo do esperado pelo BTG, enquanto o número de vendas veio acima. 

Natura (NATU3, R$ 30,69, -4,09%)
A Natura teve sua segunda sessão seguida de forte queda na Bolsa. Contudo, a perda foi amenizada durante a tarde; na mínima do dia, os papéis caíram 7,0%, indo a R$ 29,76. Se ontem o motivo para a baixa foi a renúncia do CEO Roberto Lima, que estava guiando o processo de reestruturação da empresa, hoje o balanço do terceiro trimestre que guiou as baixas. 

A empresa de cosméticos registrou lucro líquido de R$ 73,1 milhões no 3° trimestre, queda de 44,5% na comparação com o mesmo período de 2015. A estimativa dos analistas consultados pela Bloomberg era de R$ 144,3 milhões. A receita líquida ficou em R$ 1,9 bilhão, recuo de 4,7% utilizando a mesma base de comparação. Analistas esperavam receita de R$ 2,06 bilhões. O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado atingiu R$ 319,8 milhões no período, queda de 20%, enquanto a margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) ficou em 16,8%, frente 20% no 3° trimestre de 2015. 

O Itaú BBA destaca resultados “muito fracos”, que “trouxeram evidências determinantes sobre os desafios futuros para Natura no Brasil”. Em teleconferência, a companhia afirmou que  seguirá ajustando seu mix de produtos nos próximos meses, bem como a alocação de seus investimentos, conforme busca estabilizar e retomar o crescimento na operação brasileira o quanto antes, afirmaram executivos da fabricante de cosméticos em teleconferência com analistas nesta quinta-feira.

"Nós estamos fazendo escolhas ainda mais precisas, para que aqueles itens que neste momento têm melhor condição de competir sejam mais apoiados", afirmou o novo diretor-presidente da companhia, João Paulo Ferreira. Ele disse que seguirá havendo mudanças no mix no curtíssimo prazo e em 2017. De acordo com a vice-presidente de Marketing da companhia, Andrea Álvares, há "bons sinais' de que as iniciativas como investimentos em marcas icônicas da Natura e o relançamento de linhas como a EKOS, estão na direção correta.

Petrobras (PETR3, R$ 19,25, +0,21%;  PETR4, R$ 18,09, -0,06%)
A Petrobras também amenizou os ganhos registrados durante a manhã, apesar da disparada do preço do petróleo. O contrato do petróleo Brent avançou 0,9%, a US$ 50,45 o barril, enquanto o WTI subiu 1,1%, a US$ 49,72 o barril.  

No radar da empresa, ela informou na noite da véspera que divulgará seu balanço dia 10 de novembro, após o fechamento do mercado. Além disso, a estatal poderá rever lista de 32 empresas bloqueadas por conta da Operação Lava Jato até dezembro, disse o diretor de compliance da estatal, João Elek, durante evento no Rio de Janeiro. O bloqueio cautelar foi estabelecido em 29 de dezembro de 2014. “Estamos buscando uma solução, era para ser um bloqueio temporário que já vai completar dois anos”, disse Elek. Segundo ele, a empresa gostaria de anunciar uma revisão até 29 de dezembro.  

Nesta manhã, a estatal ainda convocou os acionistas para uma assembleia geral extraordinária em 30 de novembro na qual deverá ser aprovada a proposta de venda de 90 por cento da participação da companhia na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a Brookfield, segundo comunicado nesta quinta-feira. A assembleia também decidirá sobre uma proposta para que a Petrobras renuncie ao direito de preferência na subscrição de debêntures conversíveis em ações que serão emitidas pela NTS e sobre a eleição de um conselheiro representante dos acionistas minoritários.

Odontoprev (ODPV3, R$ 11,77, -4,70%)
A Odontoprev registrou queda após o balanço do terceiro trimestre. A empresa reportou lucro líquido de R$ 44,2 milhões no 3° trimestre, alta de 1,6% em relação a igual período de 2015. Analistas consultados pela Bloomberg estimavam lucro de R$ 50,7 milhões. A receita líquida avançou 8,5% em igual período de comparação, indo para R$ 44,6 milhões. O Ebitda caiu 15% na comparação anual, para R$ 64,4 milhões, contra estimativas de R$ 75,1 milhões. A margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) ficou em 18,7% no período, contra 23,8% no mesmo trimestre de 2015. 

O BTG aponta que o resultado foi muito fraco, destacando a forte queda do Ebitda; o banco mantém recomendação de venda para o ativo. O Santander destacou os custos substancialmente mais elevados da OdontoPrev, enquanto o Safra reforça que o forte crescimento dos planos individuais continuou impactando provisão para créditos de liquidação duvidosa.

O Itaú BBA aponta “combinação desagradável” de desempenho fraco do volume, aumento razoável na comparação anual no ticket médio e fraca rentabilidade. "Os desafios macro (especialmente o desemprego) estão, do nosso ponto de vista, colocando pressão sobre os resultados da empresa, principalmente com a maior frequência dos beneficiários”.

SulAmérica (SULA11, R$ 18,48, +2,44%)
A seguradora SulAmérica subiu após a companhia registrar lucro líquido de R$ 148,3 milhões no 3° trimestre, queda de 28,3% na comparação com o mesmo período de 2015. No período, eventos não recorrentes afetaram a base de comparação, como a mudança da alíquota de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) em setembro do ano passado, venda de imóveis, e o efeito positivo em consequência da distribuição de juros sobre capital próprio. Excluindo esses efeitos, o lucro líquido teria subido 6,7% na comparação anual. A receita líquida da empresa avançou 6,8% no mesmo período de comparação, passada para R$ 4,44 bilhões.  

O BTG apontou que o resultado foi melhor do que o esperado, com o lucro líquido acima do consenso, reiterando recomendação de compra para os ativos. “A melhora da rentabilidade na área de seguro saúde, em meio a um cenário macro fraco, reforça o nossa visão ‘bullish’ (sem consenso) para a ação e deve desencadear uma resposta positiva no preço das ações”, aponta o Bradesco BBI. 

Klabin (KLBN11, R$ 16,60, +2,15%)
A Klabin teve leve alta após divulgar o balanço. A fabricante de papel e celulose teve lucro líquido de 31 milhões de reais no terceiro trimestre, revertendo prejuízo sofrido um ano antes, mas um desempenho que marcou forte queda na comparação com o resultado positivo do segundo trimestre deste ano.

A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de 585 milhões de reais de julho a setembro, avanço de 13 por cento sobre o mesmo período do ano passado e alta de 9 por cento na comparação trimestral.

Locamérica (LCAM3, R$ 5,75, +6,48%)
A locadora de veículos Locamérica registrou lucro líquido de R$ 8 milhões no 3° trimestre, alta de 84% na comparação com o mesmo período de 2015. Segundo a empresa, a forte expansão da última linha do balanço deve-se à criação de iniciativas para melhoria do resultado de seminovos; a desalavancagem da empresa; a eficiência operacional; e o controle das despesas gerais e administrativas. A receita líquida da companhia cresceu 13% no período, para R$ 201,7 milhões.

Segundo o BB Investimentos, o resultado da locadora foi positivo, em função do aumento da rentabilidade e do crescimento da receita líquida, em razão do foco na análise de crédito mais criteriosa, qualificando assim a sua carteira de clientes. "Além disso, destaca-se redução de despesas totais, como resultado do controle de custos e projetos voltados a eficiência da companhia, que fortalece o comprometimento do management com disciplina de capital e foco no crescimento qualificado e sustentável para próximos trimestres", afirmam os analistas. O banco destaca permanecer com uma perspectiva positiva a longo e médio prazo, ressaltando que a estratégia da companhia vem apresentando resultados positivos no sentido de manter e/ou aumentar a rentabilidade frente ao cenário macroeconômico.

Via Varejo (VVAR11, R$ 9,10, +8,46%)
Apesar do resultado fraco e de abrir em queda, a Via Varejo viu suas units virarem para alta na primeira hora do pregão e intensificarem os ganhos durante a tarde. O braço do Grupo Pão de Açúcar que reúne as operações de Casas Bahia e Ponto Frio, viu seu prejuízo líquido subir 91,4% no terceiro trimestre na comparação anual, passando de R$ 47 milhões para R$ 90 milhões. O resultado é o atribuído aos sócios da empresa controladora.

Já a receita líquida subiu 0,4%, para R$ 4,112 bilhões ante os R$ 4,095 bilhões do mesmo período de 2015. O Ebitda no período totalizou R$ 105 milhões, 138% superior ante o Ebitda de R$ 44 milhões de um ano antes. De acordo com o BTG Pactual, o balanço foi pouco inspirador, apontando que a tendência de fraqueza continua. "Apesar do Ebitda bater nossas expectativas, o prejuízo foi de R$ 90 milhões, versus nossa estimativa de R$ 73 milhões". Os analistas apontam ainda que, apesar do crescimento nas vendas e expansão da margem bruta, ainda levará um tempo para uma recuperação expressiva do balanço.

Cemig (CMIG4, R$ 9,48, +2,82%)
A ação da Cemig subiu apesar de uma notícia negativa para a companhia. O  ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, não acatou o pedido de prorrogação do prazo de concessão da Hidrelétrica de Miranda feito pela elétrica. O despacho de Coelho Filho com a decisão está publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, 27, e atende a recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Cemig protocolou em junho requerimento na Aneel visando à prorrogação da concessão da usina, por 20 anos. O contrato da hidrelétrica termina em 23 de dezembro deste ano e a empresa pleiteava a prorrogação nos mesmos termos em vigor, sem redução de receitas. A Aneel, no entanto, negou o pedido inicial e depois o rejeitou novamente em resposta a recurso da Cemig contra a decisão.

A Aneel argumenta que a renovação da concessão só poderia ser feita de acordo com a legislação atual, que tem origem na polêmica Medida Provisória 579/2012. Pela lei, em troca de um contrato de mais 30 anos, a Cemig teria que ter aceitado, em 2012, diminuir os ganhos com a energia produzida pela usina. Porém, na avaliação da empresa, o contrato da usina e uma lei de 1997 asseguram uma renovação nos moldes do contrato em vigor. Com o fim da discussão na esfera administrativa, a Cemig deve levar o caso para a Justiça. Nesse tipo de assunto, a instrução do processo é feita pela Aneel e a decisão final é do MME. Antes, o Ministério já havia acatado a recomendação da Aneel para extinguir a concessão das usinas de Jaguara e de São Simão, também da Cemig.

 

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