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Estatal dispara 165% hoje e quadruplica de valor em 3 sessões; Petrobras 'ignora' petróleo e sobe

Confira os destaques da Bovespa nesta segunda-feira (24)

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa tentou dar continuidade ao rali nesta segunda-feira, mas uma pressão exercida pelos bancos puxou o índice para o terreno negativo. O benchmark encerrou o pregão em leve queda de 0,06%, a 64.071 pontos. 

Do lado positivo, as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas seguiram em forte alta. Os papéis da Vale subiram pelo 3° pregão seguido, sustentados pela alta do minério de ferro na China. 

Fora do índice, o destaque ficou com a Eletrobras, que disparou 165% somente nesta sessão. Na quinta-feira passada, o governo federal editou decreto que autorizou um aumento de capital da companhia. No mesmo dia, as ações PNs da estatal encerraram em alta de 22,9%, a R$ 16,00. 

Confira abaixo os principais destaques corporativos desta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 19,38, +0,31%;PETR4, R$ 18,20, +1,39%)
As ações da Petrobras subiram apesar do dia negativo para os preços do petróleo no mercado internacional. O contrato do Brent encerrou em queda de 0,6%, a US$ 51,48 o barril, enquanto o WTI recuou 0,7%, a US$ 50,52 o barril, em meio às resistências do Iraque para aderir ao corte de produção do petróleo. 

Em destaque no noticiário da Petrobras, a estatal informou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou acordos para encerrar quatro ações individuais propostas à Corte Federal de Nova York, em processos em que investidores buscam reparações pelo escândalo bilionário de corrupção envolvendo a petroleira. A Petrobras ressaltou acordos fechados com a Pimco Total Return Fund, uma das maiores detentoras de títulos da Petrobras, e com a Dodge & Cox, um dos maiores acionistas da companhia após o governo brasileiro.

A Petrobras, que se considera vítima no processo de corrupção, disse prever, atualmente, provisão de 353 milhões de dólares em função desses processos nos EUA. A empresa disse ainda que reconhecerá a provisão no balanço do terceiro trimestre, como resultado dos acordos e do estágio de negociações em andamento com outros autores de ações.

"Esses acordos, cujos termos são confidenciais, não constituem qualquer reconhecimento de responsabilidade por parte da Petrobras, que continuará se defendendo firmemente nas demais ações em andamento...", afirmou a estatal em fato relevante.

A empresa, que também fechou acordos com outros líderes de processos, como Janus Overseas Fund e Al Shams Investments, explicou ainda que os acertos têm como objetivo eliminar incertezas, ônus e custos ligados à continuidade das disputas. Investidores no exterior alegam que a Petrobras não os informou corretamente sobre as perdas relacionadas à corrupção, que ampliaram a pressão sobre os preços das ações. Essas ações individuais, informou a empresa, tramitam em conjunto com 23 outras ações similares e uma ação coletiva (class action) movidas contra a companhia perante a Corte Federal de Nova York. "No momento, não é possível fazer estimativa confiável sobre o desfecho da class action", afirmou a empresa. Segundo a XP Investimentos, ao fechar acordos para encerrar quatro ações individuais movidas contra a companhia por investidores nos Estados Unidos, a Petrobras demonstrou, oficialmente, que está disposta a fazer desembolsos para se livrar da ameaça imposta por esses processos. Após o acordo, o Bradesco BBI cortou a estimativa de custo previsto para o acordo final da ação coletiva movida contra a Petrobras de US$ 5 bilhões para uma cifra mais aproximada a US$ 1 bilhão em 2017, segundo relatório. 

 Além disso, a elevação do rating da estatal pela agência de classificação de risco Moody's na sexta de B3 para B2 e a mudança de perspectiva de negativa para estável foi comemorada pelo diretor de Estratégia da petroleira estatal, Nelson Silva. "É muito positivo ver que já existe uma percepção mais positiva com relação à qualidade de crédito da Petrobras", disse o executivo a jornalistas, após participar de evento do setor de infraestrutura em São Paulo. Silva, entretanto, ponderou que a petroleira estatal tem ainda muito trabalho pela frente. "Temos ainda que executar o plano, entregar os resultados e esperamos que a percepção vá melhorando ao longo do tempo." Apesar da melhora, o rating da Petrobras ainda continua sendo grau especulativo --o que significa que a companhia potencialmente enfrenta condições mais difíceis para fazer captações de títulos--, uma situação vivenciada há algum tempo, desde que a petroleira viu suas finanças se deteriorarem em meio a um escândalo de corrupção, elevado endividamento e queda nos preços do petróleo. 

A estatal ainda informou que seu Conselho de Administração aprovou a criação de um Comitê de Minoritários para acompanhar o processo de Revisão do Contrato de Cessão Onerosa. O Comitê será composto pelos dois conselheiros eleitos pelos acionistas minoritários, Guilherme Affonso Ferreira e Marcelo Mesquita de Siqueira Filho, e por um membro externo independente com notório conhecimento na área de análise técnico-financeira de projetos de investimento.

"A Petrobras entende que, devido à relevância do tema para a companhia, a criação de um comitê independente para acompanhar o processo de revisão está alinhada às melhores práticas de governança corporativa, garantindo a transparência e imparcialidade da operação para os acionistas não-controladores. O processo de revisão está em andamento desde as declarações de comercialidade, efetuadas entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, envolvendo representantes da Petrobras e, por parte da União, dos Ministérios de Minas e Energia e da Fazenda, além da ANP", ressalta a empresa no comunicado.

Ainda no radar da empresa, a Liquigás, que está à venda pela Petrobras, colocou em leilão imóvel em Osasco por preço mínimo de R$ 76,1 milhões. 

Por fim, a Petrobras e petroleira francesa Total informaram nesta segunda-feira que os seus respectivos presidentes, Pedro Parente e Patrick Pouyanné, assinam no Rio de Janeiro um memorando de entendimento para consolidação de uma aliança estratégica nos segmentos de Exploração e Produção (E&P) e Gás e Energia (G&E). No acordo a ser assinado nesta segunda-feira, as empresas se comprometem a avaliar conjuntamente oportunidades no Brasil e no exterior em áreas chaves de interesse mútuo, "beneficiando-se de suas reconhecidas experiências em todos os segmentos da cadeia de óleo e gás". 

Vale (VALE3, R$ 20,30, +1,96%;VALE5, R$ 19,17, +2,84%)
As ações da Vale registraram mais um dia de forte, a terceira seguida. O minério de ferro negociado em Qingdao registrou alta de 0,95%, a US$ 59,28 a tonelada métrica. No noticiário internacional, notícias de que o governo da China pode aumentar investimentos em infraestrutura e acelerar reformas em empresas estatais impulsionaram as mineradoras.

Já no noticiário da companhia, o CEO Murilo Ferreira afirmou que os preços do minério de ferro devem permanecer estáveis neste ano e no próximo. O executivo, que acaba de retornar de uma viagem ao Japão, disse estar otimista em relação ao cenário econômico da Ásia, grande consumidora do minério de ferro, principal commodity da Vale. Ele pontuou que sua viagem à China neste ano também já havia sido "proveitosa".

"Quando apresentamos o resultado do primeiro trimestre do ano, eu disse que eu tinha notado um mercado muito melhor... e realmente tivemos essa confirmação ao longo do ano... Acho que o cenário para o fim deste ano de 2016, de 2017, é de estabilidade dos preços", disse Ferreira. 

Siderúrgicas também tiveram uma sessão de forte alta, com Usiminas (USIM5, R$ 4,08, +3,03%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,661, +4,06%) e CSN (CSNA3, R$ 10,42, +2,16%). A exceção foi Gerdau (GGBR4, R$ 10,59, -0,47%), que virou para queda durante essa sessão.  

Vale destacar que a Fitch Ratings elevou na sexta-feira a nota de crédito da Usiminas para "CCC" ante "RD" (sigla em inglês para calote restrito), citando melhora na flexibilidade financeira da empresa após a finalização da reestruturação de dívida e injeção de capital. "Devido ao alongamento das datas de vencimento de 92 por cento da dívida da empresa, ela está agora em melhor posição para resistir à desaceleração severa na demanda por aço no Brasil", disse a agência de classificação de risco.

De acordo com a Fitch, os novos ratings assumem que a companhia vai cumprir todas as exigências do acordo de dívida e terá acesso a pelo menos 700 milhões de reais do caixa mantido na Mineração Usiminas (Musa) até junho de 2017.

Gol (GOLL4, R$ 8,34, +3,47%)
As ações da Gol voltaram a registrar fortes ganhos nesta sessão. Na sexta, os papéis subiram 3,33%, após a companhia ter recomendação elevada de manutenção para compra pelo Santander. Já o Deutsche Bank, que possui recomendação de manutenção para os papéis, elevou o preço-alvo dos ADRs de US$ 17,00 para US$ 24,00.

Telebras (TELB4, R$ 53,01, +165,05%)
As ações da estatal Telebras tiveram mais um dia de disparada na Bolsa, acumulando ganhos de 307% em três pregões. O volume financeiro movimentado nesta sessão com os papéis foi de R$ 25,4 milhões, contra média diária de R$ 568 mil nos últimos 21 pregões. Na quinta, os papéis subiram 23% após o então presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia, autorizar por meio de decreto aumento de R$ 854,4 milhões no capital social da companhia. O capital social atual da empresa é de R$ 263,1 milhões. Com o aumento, passará para R$ 1,1 bilhão. O decreto está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O aumento ocorrerá mediante a incorporação de adiantamento para futuro aumento de capital, transferido pela União nos exercícios de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, no valor de R$ 846,7 milhões; saldo residual de capitalizações anteriores no valor de R$ 7,7 milhões; e atualização desses dois montantes pela taxa Selic. O decreto também autoriza a União a subscrever ações, mediante a utilização de créditos relativos aos seus investimentos na Telebras , na proporção de sua participação no capital social da companhia, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas. Além disso, a União poderá subscrever ações, na proporção da participação dos acionistas minoritários, caso eles não exerçam seu direito de preferência dentro do prazo legal, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas.

Eletrobras (ELET3, R$ 22,93, +1,69%;ELET6, R$ 26,26, -0,30%)
Os acionistas da Eletrobras aprovaram a venda da Celg-D em assembleia realizada hoje, disse a estatal em comunicado. A Alienação deve acontecer em leilão na BM&FBovespa, conforme condições estabelecidas pelo conselho do Programa de Parceria de Investimentos. O Leilão da Celg-D tem vários interessados, disse Paulo Pedrosa, ministro interino das Minas e Energia, em evento realizado na semana passada.

Embraer (EMBR3, R$ 15,56, -0,64%)
As ações da Embraer viraram para queda, apesar da notícia do jornal Valor Econômico de que a companhia negocia com a americana Surf Air uma encomenda que pode chegar a 50 aeronaves Phenom 300, negócio que, pelo preço de tabela, é avaliado em US$ 495 milhões. Contudo, a ação da empresa passou a amenizar os ganhos durante a sessão e agora opera em leve alta. 

Vale ressaltar ainda que a companhia  chegou nesta segunda-feira a um acordo com autoridades de Brasil e Estados Unidos para encerrar uma investigação de corrupção, pagando US$ 206 milhões para virar a página sobre evidências de subornos em quatro contratos no exterior. A investigação interna da fabricante de aeronaves, iniciada em 2010 após o recebimento de uma intimação nos EUA, encontrou evidências de problemas em vendas na Arábia Saudita, Índia, Moçambique e República Dominicana no período de cinco anos até 2011. A multa está em linha com a provisão da Embraer feita em julho de 200 milhões de dólares.

Oi (OIBR3, R$ 3,51, +1,15%, OIBR4, R$ 2,81, +1,44%)
Os papéis da Oi registram leve alta, em meio à notícia de que o 
bilionário egípcio Naguib Sawiris e alguns credores da companhia estão considerando injetar 1,5 bilhão de dólares na operadora de telecomunicações em recuperação judicial, conforme disseram duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela Reuters.

De acordo com os termos do plano, que segue preliminar, o aporte de capital na Oi buscaria reduzir a dívida de 65,4 bilhões de reais da companhia e dar a Sawiris e seus parceiros uma fatia ao redor de 85 por cento da companhia brasileira, disseram as fontes. Os parceiros incluem cerca de 70 por cento das empresas detentoras de bônus da Oi assessoradas pela Moelis & Co. O propósito do plano de Sawiris e detentores de bônus para a Oi é combater o controle dos atuais acionistas da operadora, incluindo a portuguesa Pharol e o fundo de investimentos Société Mondiale, bem como preparar uma potencial venda da companhia dentro de três anos, disse uma das fontes.

Raia Drogasil (RADL3, R$ 70,00, +1,49%)
A Raia Drogasil viu suas ações em alta superior a 1% na Bovespa; vale destacar que o BTG Pactual atualizou as estimativas para a companhia, rolando o preço-alvo de R$ 40,00 para R$ 74,00 em 2017, em resposta à 
forte execução e o resultado mais forte que o esperado. A recomendação para os papéis segue neutra.

"Continuamos vendo a Raia Drogasil como uma ganhadora nesse segmento e com várias oportunidades de ganhar participação organicamente. (...) Olhando para o resultado do terceiro trimestre, mais uma vez ele será forte sendo o grande destaque do setor (SSS deve crescer 12,5% na comparação anual", apontam os analistas.

Lojas Renner (LREN3, R$ 26,90, 0,0%)
A ação da Lojas Renner fechou estável, no dia da divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2016. A expectativa do mercado é de um balanço negativo, que vem impactando os papéis nos últimos pregões. O destaque negativo ficará para as vendas nas mesmas lojas, que deverá ter o primeiro desempenho negativo desde o primeiro trimestre de 2009. Veja a análise clicando aqui. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 8,10, -1,34%)
As units da Via Varejo, que chegaram a subir 2% durante a manhã, fecharam no negativo. 
Em relatório, o Deutsche Bank afirmou que a venda da Via Varejo poderia fazer sentido para a francesa Casino, uma vez que geraria valor ao lucro por ação e reduziria ainda mais a complexidade e a alavancagem.

Dada a baixa participação do Casino na Via Varejo, de 14% por meio do GPA, a venda desse negócio mesmo com um prêmio significativo teria um impacto limitado nos múltiplos SOTP. O impacto positivo deste negócio reside na maior simplificação da estrutura, reduzindo a alavancagem e levando a um acréscimo de 8% no lucro/ação esperado para 2017 e de 6% em 2018. No longo prazo, Casino poderia comprar a fatia do GPA na Cnova ou vender sua participação remanescente no GPA à Exito, ou Exito e GPA poderiam se fundir deixando o Casino com apenas uma subsidiária listada em bolsa. Em 19 de outubro, Bryan Garnier disse que o Casino poderia estar preparado para vender Via Varejo.

Prumo (PRML3, R$ 7,35, -2,65%)
A Prumo Logística chegou a subir quase 4%, mas encerrou o pregão em queda. A companhia divulgou nesta segunda-feira que, por meio da sua subsidiária Porto do Açu Operações, assinou contrato com a GranEnergia Navegação Ltda para a formação de uma parceria comercial.

De acordo com fato relevante, a parceria busca oferecer soluções integradas de serviços para as indústrias offshore e de logística, tais como reparo e manutenção naval; construção, manutenção e montagem de equipamentos diversos; e suporte logístico às operações de petróleo e gás, entre outros. A parceria será inicialmente instalada no Terminal 2 do Porto do Açu. A GranEnergia foi criada em 2011 e é uma empresa 100 por cento brasileira, controlada pela GranInvestimentos, holding da família Gradin, com investimentos nos setores de serviços de óleo e gás e logística integrada.

 

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