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Vale, Petrobras e siderúrgicas disparam até 17% na semana e só 8 das 58 ações do Ibovespa caem

Confira os destaques da Bovespa nesta sexta-feira (21)

Valeminério

SÃO PAULO - O Ibovespa ameaçou um pregão de correção durante a manhã, mas a força das ações ligadas a commodities puxou o índice para mais um dia de alta nesta sexta-feira (21). As ações da Usiminas lideraram os ganhos, com valorização de 7% em meio a rumor de reajuste do preço do aço. O destaque negativo ficou com a Localiza, que afundou 4% após balanço do terceiro trimestre. 

Na semana, o benchmark encerrou em alta de 3,79%, puxado também pelas ações de commodities. Os maiores ganhos ficaram por conta de Metalúrgica Gerdau, Vale e Gerdau, com altas entre 13% e 17%. A Petrobras, embora não tenha figurado no "top 5" do índice, também teve um forte desempenho: suas ações preferenciais subiram 10%. Já do lado negativo, as maiores baixas foram dos papéis da JBS, Cemig e Marfrig, mas diante da semana extremamente positiva apenas 8 das 58 ações do índice encerraram no vermelho.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira: 

Vale e siderúrgicas
As ações de Vale (VALE3, R$ 19,91, +4,24%; VALE5, R$ 18,64, +4,02%) e siderúrgicas dispararam nesta sessão, dando sequência à semana extremamente positiva. A Metalúrgica Gerdau encerrou como a melhor ação do Ibovespa no período, com ganhos de 17%, enquanto a Vale acumulou alta de 13%. Apesar da euforia desta sessão, o minério de ferro fechou hoje em queda de 0,22% no Porto de Qingdao, na China, a US$ 58,72 a tonelada.  

Usiminas (USIM5, R$ 3,96, +6,45%) figurou como a segunda maior alta do Ibovespa nesta sessão, após rumores de que a empresa vai reajustar os preços de produtos laminados planos em 5%, segundo o Valor Econômico. A linha de produtos laminados planos será reajustada a partir do dia 28. A CSN (CSNA3, R$ 10,20, +0,10%) também vai elevar preços em 5%, porém a partir de 1 de novembro. Já a Gerdau (GGBR4, R$ 10,64, +10,64%) ainda não definiu a data para o reajuste. "Sem dúvida, esse tipo de notícia ajuda o setor que está num momento bastante favorável. A Gerdau segue como nossa top pick", afirma o BTG Pactual.

Petrobras (PETR3, R$ 19,32, +1,90%;PETR4, R$ 17,95, +1,18%)
As ações da Petrobras atingiram alta de 2% na máxima do dia, após a estatal ter seu rating revisado pela Moody's. O rating da estatal subiu um degrau, de "B3" para "B2", enquanto a perspectiva foi elevada de negativa para estável. Contribuiu para o movimento positivo também o dia de alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato do Brent fechou em alta de 0,54%, a US$ 51,66 o barril. Na semana, as ações ONs da Petrobras dispararam 8%, enquanto as PNs avançaram 11%. 

Apesar da sessão de ganhos, o mercado ficou de olho durante a manhã em uma notícia negativa para a Petrobras. Na mínima desta sessão, os papéis da petrolífera caíram 1,4%. O Estadão de hoje ressaltou que um detalhe da MP das elétricas pode custar R$ 7,5 bilhões para a Petrobras. 

A MP 735, que foi aprovada nesta semana pelo Senado com o propósito de abrir o caminho para novas privatizações no setor elétrico, traz entre seus artigos que todas as empresas que são autoprodutoras de gás e que possuem suas próprias estruturas para transportar a matéria-prima - como é o caso da Petrobras - terão de pagar às distribuidoras estaduais de gás a mesma taxa de transporte que hoje é cobrada de qualquer consumidor. Na prática, a nova lei deixa de diferenciar os grandes consumidores de gás e passa a dar o mesmo tratamento a todos, ignorando quem investiu em grandes estruturas, os chamados gasodutos, como é o caso da Petrobras. De acordo com apurações do Estado, a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia têm atuado para tentar vetar o artigo 15, que trata da cobrança de tarifa do gás para os autoprodutores. Já havia uma pressão no Congresso para tentar retirar o trecho da MP, mas a mudança não ocorreu.

Segundo uma fonte do setor, essa medida pode gerar um passivo de R$ 7,5 bilhões à Petrobras, devido à retroatividade da regra. Pelo texto, a empresa teria de pagar a fatura à concessionária estadual “desde o início da utilização do gás”. Além disso, a estatal também teria de arcar com mais R$ 400 milhões por ano. "A notícia é negativa para Petrobras. A empresa vinha anunciando a intenção de reduzir os preços de gás, o que pode não acontecer mais", afirma a XP Investimentos.

Além disso, a estatal confirmou em comunicado que iniciou negociações com a Tereos para a venda de fatia da Guarani e que está em processo de contratação com o Itaú BBA. Nesta semana, a Bloomberg informou, citando fontes, que a petroleira estaria em busca de um comprador para 45,9% da empresa de cana-de-açúcar. A principal candidata é a Tereos International, companhia brasileira que já possui 54,1% da Guarani, disseram as pessoas. 

Em segundo lugar, na virada do mês, o governo espera entregar ao setor privado uma primeira versão do que deve ser a nova política de conteúdo nacional para a indústria de óleo e gás, ressalta o jornal O Estado de S. Paulo. A ideia é concluir a nova regulamentação até o início de dezembro, para ser aprovada em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). As regras serão aplicadas aos leilões programados para 2017: a 4ª rodada de campos marginais terrestres, estimada para março, a 14.ª rodada de concessões de blocos exploratórios e a 2.ª rodada do pré-sal, as duas últimas esperadas para o terceiro trimestre. 

Gol (GOLL4, R$ 8,06, +3,33%)
As ações da Gol tiveram fortes ganhos hoje, registrando o maior patamar em 17 meses. 
A Gol teve recomendação elevada de manutenção para compra pelo Santander. A mudança de recomendação se deve à esperada expansão da margem em 2017, “o que deve implicar um forte impulso”, segundo relatório de analistas. "Estamos revisando nossas estimativas para incorporar a melhora do cenário macro no Brasil", segundo o relatório, que cita a apreciação de 24% do real ante o dólar no acumulado do ano.

A recente valorização do real é um "divisor de águas para Gol, já que a dívida líquida ajustada está diminuindo 12% em 2016 e a margem Ebit está crescendo 7 pontos percentuais", segundo o relatório, que menciona que cerca de 90% da dívida ajustada e cerca de 50% dos custos são em dólares americanos. O banco prevê alta de 8,6% de margem Ebit em 2017 (alta de 3,4 p.p. na comparação anual), o que implica a Gol ser negociada no final de 2017 a um EV/Ebitdar de 7,6 vezes. O banco também elevou recomendação da Latam Airlines de manutenção para compra.

Já o Deutsche Bank, que possui recomendação de manutenção para os papéis, elevou o preço-alvo dos ADRs de US$ 17,00 para US$ 24,00.

Telebras (TELB4, R$ 20,00, +25,00%)
As ações da Telebras tiveram mais um dia de disparada na Bolsa, acumulando ganhos de mais de 50% em dois pregões. O volume financeiro movimentado com a ação hoje ficou em R$ 5,56 milhões, contra média diária de R$ 208 mil dos últimos 21 pregões. Ontem, os papéis subiram 23% após o então presidente da República em exercício, deputado Rodrigo Maia, autorizar por meio de decreto aumento de R$ 854,4 milhões no capital social da companhia. O capital social atual da empresa é de R$ 263,1 milhões. Com o aumento, passará para R$ 1,1 bilhão. O decreto está publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O aumento ocorrerá mediante a incorporação de adiantamento para futuro aumento de capital, transferido pela União nos exercícios de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, no valor de R$ 846,7 milhões; saldo residual de capitalizações anteriores no valor de R$ 7,7 milhões; e atualização desses dois montantes pela taxa Selic. O decreto também autoriza a União a subscrever ações, mediante a utilização de créditos relativos aos seus investimentos na Telebras , na proporção de sua participação no capital social da companhia, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas. Além disso, a União poderá subscrever ações, na proporção da participação dos acionistas minoritários, caso eles não exerçam seu direito de preferência dentro do prazo legal, depois da aprovação do aumento de capital pela assembleia geral de acionistas.

Localiza (RENT3, R$ 40,80, -4,23%)
As ações da Localiza registraram forte queda na sessão de hoje. 
Inaugurando a temporada de resultados, a empresa de locação de veículos e gestão de frotas anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido de 103,9 milhões de reais no terceiro trimestre, 1 por cento superior ao resultado de igual etapa de 2015. A companhia atribuiu o resultado a um aumento do Ebitda, redução de despesas financeiras e menores pagamentos de impostos.

O resultado operacional da companhia, medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização), foi de 252,1 milhões de reais, aumento de 5,6 por cento sobre um ano antes. A margem Ebitda, porém, caiu 2 pontos percentuais, para 22,4 por cento, refletindo parcialmente a queda das tarifas praticadas pela companhia no aluguel de veículos.

O número de diárias de aluguel de carros cresceu 25,2 por cento ano a ano, para 4,846 milhões. Com isso, as receitas do setor avançaram 14,3 por cento, mesmo com a tarifa média caindo 9,6 por cento no período. "A redução na tarifa média deveu-se principalmente ao forte crescimento em segmentos com menor tarifa", explicou a companhia no relatório.

Já em gestão de frotas, a receita líquida subiu 6,1 por cento, com crescimento no número de diárias e da diária média, devido a eficiência operacional e queda na taxa futura de juros repassada para os preços, disse a empresa. A receita líquida consolidada do período somou 1,123 bilhão de reais, aumento de 14,8 por cento no comparativo anual.

O BTG Pactual destacou que os números operacionais foram em linha, enquanto o lucro por ação foi uma surpresa positiva, 7% acima do esperado pelo mercado. Os analistas seguem com recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 47,00 em doze meses.

O Bradesco BBI também aponta resultados em linha. Contudo, a precificação agressiva de preços e aumento nas despesas de depreciação resultaram em uma nova contração do ROIC. “É muito cedo para dizer se a Localiza está favorecendo o crescimento ante a rentabilidade. Se esta mudança de mentalidade se confirmar, nosso preço-alvo poderia cair 7%”, apontam os analistas.

 Grendene (GRND3, R$ 18,90, -0,37%)
A Grendene registrou leve queda após o balanço do terceiro trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 150,9 milhões no terceiro trimestre de 2016, o que representa uma crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Em nove meses o lucro líquido da empresa somou R$ 387,5 milhões, alta de 6,8% ante o mesmo intervalo de 2015.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 14,8% entre julho e setembro ante igual trimestre do ano passado, para R$ 121,6 milhões. No acumulado de nove meses, o Ebitda chegou a R$ 287,6 milhões, com queda de 11,1% ante igual etapa do ano anterior.

A receita líquida da Grendene totalizou R$ 536,4 milhões no terceiro trimestre, um recuo de 12,7% ante o apurado um ano antes. No acumulado de nove meses, a receita líquida da companhia somou R$ 1,419 bilhão, uma queda de 7% ante igual etapa de 2015. 

São Martinho (SMTO3, R$ 63,70, +1,11%)
As ações da São Martinho teve leve alta nesta sexta. Em relatório, o Santander rolou o preço-alvo de R$ 57,00 em 2016 para R$ 74,40 em 2017, apontando a empresa como top pick do setor, com recomendação de compra.  O banco aponta a eficiência da companhia e a expectativa positiva para o setor de açúcar e álcool. 

 

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