Em mercados / acoes-e-indices

Os gatilhos que ativarão a "fase 2" do rali da Bolsa, segundo a bilionária AZ Quest

Responsável por gerir R$ 1,18 bilhão em renda variável, Alexandre Silvério explicou durante evento da XP Investimentos por que está tão otimista com o mercado e apontou suas principais teses de investimentos neste cenário

Alexandre Silverio
(Divulgação)

SÃO PAULO - A primeira fase do rali da Bovespa acabou no dia 31 de agosto, quando foi concluído o processo de impeachment que afastou a até então presidente Dilma Rousseff. Para que a "fase 2" desse jogo seja tão emocionante (e lucrativa) quanto a "fase 1", o mercado brasileiro está diante de alguns gatilhos que, se forem acionados, deverão trazer ainda mais altas para as ações. A avaliação é de Alexandre Silvério, sócio-gestor responsável pelo R$ 1,18 bilhão sob gestão na estratégia de renda variável da AZ Quest - a gestora como um todo possui R$ 3,02 bilhões em ativos.

Silvério foi um dos palestrantes do XP Investor Day, evento promovido pela XP Investimentos que reuniu uma série de gestores e assessores de investimentos na última quinta-feira (5) em São Paulo. Bastante otimista, o gestor bilionário acredita que muitos eventos próximos de acontecer ainda não estão precificados no mercado - seja pela incerteza ainda existente ou seja por que os estrangeiros ainda não "compraram a ideia".

Enquanto explicava cada um desses pontos, ele "deixou escapar" quais as teses de investimentos atuais da gestora diante deste cenário. Confira abaixo os principais momentos da apresentação do gestor da AZ Quest durante o XP Investor Day:

Alexandre Silverio

Alexandre Silvério, sócio-gestor da AZ Quest

Aprovação de reformas: Para o gestor da AZ Quest, o último domingo de eleições só reforçou a tese de que o novo governo vai pensar de forma mais homogênea e que mais medidas poderão ser aprovadas - embora todas as reformas ainda não são a solução política. O ciclo político ainda é muito importante para o mercado, por isso a aprovação da PEC do teto dos gastos deve renovar otimismo na Bolsa [se de fato ocorrer], acredita Silvério, que espera uma sociedade mais convencida de que precisamos de ajustes. "Teremos menos resistência para aprovação da reforma da previdência. Não será a reforma perfeita, mas será uma reforma possível". 

Queda de juros + queda do risco-País: toda essa percepção pode auxiliar na queda do risco-País, o que, combinado com o esperado início do ciclo de cortes da Selic, naturalmente deixará o "valuation" das empresas brasileiras muito mais leve. Isso beneficia (e já tem beneficiado, diga-se de passagem) companhias mais alavancadas e com a TIR (Taxa Interna de Retorno) mais alta, explica o gestor.

Para explicar como esse efeito ocorre na prática em empresas alavancadas, Silvério contou um caso real com as ações da Eletropaulo (ELPL4), que saltou 120% em apenas 30 dias, indo de R$ 6,50 para R$ 14,50 entre 21 de julho e 22 de julho deste ano. "Temos uma analista de setor elétrico que nos recomendou a compra de Eletropaulo quando estava perto da mínima do ano. Em pouco tempo, ela disparou até R$ 13. A analista disse pra mim 'é hora de vender ELPL4 porque a ação bateu no meu target price'. Então, pedi a ela para retirar uns 200 pontos-base da taxa de desconto do valuation da Eletropaulo, que é mais ou menos o custo de oportunidade que eu enxergo caso a taxa de juros e o risco-País venha a cair. E só esse exercício fez o preço-alvo saltar de R$ 13 para R$ 20".

Neste cenário, o setor elétrico naturalmente é um ganhador, explica o gestor, que fez questão de destacar a Energisa (ENGI11): "ela é um case similar à Equatorial (EQTL3), que também está na carteira, mas a ENGI11 tem um desconto de 15% em Bolsa". Outra citada como beneficiada pela queda de juros é a Localiza (RENT3): "ela tem exposição direta ao cenário de taxa de juros, mas não é alavancada como a Eletropaulo".

Gringos ainda não entraram no Brasil: um outro ponto defendido pelo gestor é o fato dos estrangeiros ainda não terem aportado seu capital no mercado brasileiro. E essa impressão ele tem não apenas olhando o fluxo, mas conversando com clientes estrangeiros. "Conversamos recentemente com family offices chilenos e a pergunta que eles sempre fazem é sobre os ciclos políticos do Brasil. Eles costumam investir aqui, mas ainda não colocaram nada com a gente", comenta.

Para Silvério, essa impressão deve mudar gradualmente, sobretudo agora após a primeira reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) que o Brasil levará sua nova equipe econômica. "Será a 1ª vez que o nosso 'dream team' brasileiro ficará diante da comunidade internacional", afirma o gestor, referindo-se ao carinhoso apelido dado à equipe formada por Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn e companhia.

Revisão de expectativa de lucro: "Tem muita coisa não precificada em Bolsa, acredito que teremos revisões de perspectivas de lucro nos próximos trimestres, o que pode trazer ainda mais altas para o mercado", afirma o gestor. Como exemplo, ele citou o Itaú (ITUB4), empresa que não está na lista de preferidas para investir neste momento, mas que é uma das candidatas a "earnings surprises" em 2017.

"As nossas projeções lá na AZ Quest apontam um crescimento de 'earnings' de 20% para Itaú em 2017, mesmo com a queda dos juros. Só que o Itaú fez uma gestão muito mais cautelosa de provisões do que o Bradesco neste ano. Então, se as coisas melhorarem muito no Brasil, o banco pode revisar essas provisões em 2017, e tudo isso seria embutido em nosso 'bottom line'. Por isso, essa expectativa de crescimento de 20% nos lucros pode ser até superada, dependendo do cenário", explica.

 

Contato