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Veja como o Deutsche Bank fez o Ibovespa cair 1,7% e os DIs fecharem na máxima

Hedge funds globais começam a tirar dinheiro do banco alemão preocupados com a saúde do sistema financeiro europeu

Trader
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa desabou nesta quinta-feira (29), pressionado principalmente por bancos e seguindo as bolsas norte-americanas. Os índices Dow Jones e S&P 500 recuaram 1% após começarem um movimento de queda livre por causda da notícia da Bloomberg reportando que 10 hedge funds internacionais estavam reduzindo as exposições deles ao Deutsche Bank. Seguindo o exterior, o benchmark da Bolsa brasileira fechou em queda de 1,69% a 58.351 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,286 bilhões. 

De acordo com a reportagem, embora a maioria dos clientes do Deutsche não tenha feito qualquer mudança, alguns fundos que usam o serviço de corretagem prime do banco transferiram parte de suas particiações em derivativos listados para outras empresas esta semana. A Bloomberg diz que obteve essa informação combase em um documento interno do banco. 

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, a queda não foi apenas pela dificuldade do Deutsche em si, mas parece ter relação com as preocupações do mundo todo com a saúde financeira dos bancos alemães. Depois do Deutsche Bank, o Commerzbank, segundo maior banco alemão, anunciou hoje corte de 9.600 empregos e suspensão do pagamento de dividendos. O anúncio elevou as preocupações com o sistema bancário na Europa.

Mais cedo, o Ministério das Finanças alemão negou reportagem publicada pelo semanário "Die Zeit" que afirmava que o governo alemão e autoridades financeiras estavam trabalhando em possíveis medidas para permitir que o Deutsche Bank venda ativos para outros bancos, o que reforçaria as finanças do banco em dificuldade. 

As ações do Deutsche despencam 7% no after-market da Europa. 

Além do impacto nas ações, o dólar comercial avançou 1,05% a R$ 3,2544 na compra e a R$ 3,2555 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro tem alta de 1,23% a R$ 3,226 no after-market. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 opera em alta de 4 pontos-base a 12,22%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 8 pontos-base a 11,64%.

Antes das preocupações com o banco alemão, uma série de eventos trazia volatilidade para o mercado brasileiro. Confira: 

Acordo da Opep
Ontem, a organização informou que vai reduzir a produção de 33,2 milhões de barris por dia para um intervalo entre 32,5 milhões e 33 milhões diários. Após a notícia, os contratos dispararam mais de 5%, atingindo a maior valorização diária desde abril. De acordo com o Goldman Sachs, o corte na produção poderá elevar o preço do petróleo em até $10, mas o banco, assim como outros analistas, está cético quanto a implementação da medida. Este foi o primeiro corte anunciado de produção em 8 anos. A decisão da OPEP ao menos indica um piso no preço do petróleo. Para alguns especialistas, sem um acordo da Opep, a tendência era de os preços atingirem US$ 40,00 ou até furarem esse patamar.

Hoje, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) soubiu 1,30% a US$ 47,66 o barril, enquanto o contrato futuro para dezembro do barril do Brent avançou 0,73% a US$ 49,60. 

PIB dos EUA
No segundo trimestre de 2016, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 1,4% na comparação anual, de acordo com o dado final divulgado nesta quinta-feira. O número veio acima da mediana das expectativas do mercado, que eram de que o crescimento fosse de 1,3% segundo o consenso da Bloomberg. A segunda prévia havia apontado que o crescimento anualizado tinha sido de 1,1%, enquanto a primeira tinha mostrado um avanço de 1,2%.

Discurso do BoJ
O presidente do banco central japonês, Haruhiko Kuroda, disse hoje que poderá cortar novamente o juro básico, atualmente em -0,1%, se avaliar que é preciso mais relaxamento monetário. Também comentou que poderia elevar o programa de compra de ativos.

Arrecadação
A arrecadação de impostos teve uma queda de 10%, para R$ 91,8 bilhões em agosto, fazendo seu pior mês em sete anos. O recuo é é quase o dobro da redução de 5,8% verificada em julho deste ano. Na comparação com igual mês do ano anterior, a queda é a maior desde fevereiro de 2016 - quando foi de 11,53%.   

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caíram. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,59, -2,55%), Bradesco (BBDC3, R$ 28,31, -1,84%; BBDC4, R$ 29,65, -1,66%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,63, -2,92%) recuaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 ESTC3 ESTACIO PARTON 18,19 -4,01 +34,67
 QUAL3 QUALICORP ON 18,64 -3,67 +39,36
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 14,23 -3,33 -52,61
 LREN3 LOJAS RENNERON EJ 24,69 -3,18 +46,95
 PETR4 PETROBRAS PN 13,43 -3,03 +100,45

 

Também fecharam em baixa os papéis da Vale (VALE3, R$ 17,99, -1,10%; VALE5, R$ 15,55, -1,58%), apesar do desempenho positivo do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve leve alta de 0,35% a US$ 56,68 a tonelada métrica.  

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 15,07, -1,70%; PETR4, R$ 13,43, -3,03%) caíram depois de subirem forte ontem. No radar, a Petrobras informou que seu Conselho de Administração aprovou, em reunião realizada na quarta, a Política de Dividendos e a Política de Indicação de membros da Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal, do Conselho de Administração da Petrobras e dos participantes externos que integram seus comitês de assessoramento.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,61 +2,51 -42,00
 FIBR3 FIBRIA ON 22,83 +1,97 -55,22
 BRKM5 BRASKEM PNA 25,54 +0,51 -2,23
 MRFG3 MARFRIG ON 5,20 +0,19 -18,11

 

 

Por outro lado, as ações da Braskem (BRKM5, R$ 25,54, +0,51%) seguiram em alta após seu Conselho de Administração aprovar o pagamento de dividendos no valor de R$ 1 bilhão aos seus acionistas, o que corresponde a R$ 1,25715870797455 por ação (seja ela ordinária ou preferencial classe "A") e R$ 2,5143174159491 por ADR (American Depositary Receipt). Só vai ter direito ao provento o investidor que detiver ações da Braskem em carteira no fechamento do pregão da segunda-feira, 3 de outubro. O pagamento dos dividendos será realizado a partir do dia 11 de outubro. 

Ontem, durante o programa "Tendências", da InfoMoneyTV, o analista técnico Bo Williams, da Clear Corretora, recomendou a compra das ações da petroquímica nos R$ 25,33 - um pouco abaixo do fechamento de ontem. O alvo da operação é nos R$ 32,30, dando um potencial de valorização de 27%. O stop loss está nos R$ 22,30 (confira a análise clicando aqui). 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 13,43 -3,03 720,78M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 35,59 -2,55 464,47M
 BBDC4 BRADESCO PN 29,65 -1,66 326,95M
 VALE5 VALE PNA 15,55 -1,58 290,56M
 ITSA4 ITAUSA PN 8,37 -2,90 236,00M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,72 -0,65 186,40M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 16,62 -2,18 181,31M
 BBAS3 BRASIL ON 22,63 -2,92 163,82M
 GGBR4 GERDAU PN 9,02 -0,22 144,33M
 PETR3 PETROBRAS ON 15,07 -1,70 138,31M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Bancos centrais
No dia dos dados do PIB dos EUA, os mercados também se voltam para a fala da chaiwoman do Federal Reserve - o banco central dos EUA - Janet Yellen, às 17h. Ao longo do dia, dirigentes do Fed como Dennis Lockhart (Atlanta), Jerome Powell e Neel Kashkari discursam. Já o presidente do Bank of Japan, Haruhiko Kuroda, falará hoje às 21h. 

Agenda doméstica
A agenda doméstica também é movimentada, com destaque para o resultado do governo central que, segundo estimativa mediana da pesquisa Bloomberg, deve ter tido déficit primário de R$ 18,8 bilhões em agosto. Dado será divulgado às 14h30. A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, comenta o resultado em coletiva de imprensa às 15h00 em Brasília. Já o Conselho Monetário Nacional, CMN, se reúne e pode decidir a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para o quarto trimestre; a estimativa mediana em pesquisa Bloomberg é que ela seja mantida em 7,50%.

 

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