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Ibovespa fecha em alta com mercado alterando projeções para Copom e Fed; dólar sobe

Investidores digerem comunicado do Copom, que aumentou chances de corte de juros, e retornam apostas sobre a alta de juros nos EUA em setembro para níveis pré-Jackson Hole

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - Após iniciar o dia sem muita variação, o Ibovespa acentuou os ganhos durante a tarde desta quinta-feira (1), acompanhando o movimento das bolsas americanas, com os investidores atentos ao cenário político pós-impeachment e ao ambiente, com o mercado de olho nas ações do Federal Reserve. Sem nenhum destaque no radar, a recuperação dos mercados coincide com as apostas dos investidores sobre a alta de juros nos EUA em setembro voltando para níveis pré-Jackson Hole, isto um dia antes da divulgação do relatório de emprego.

Com isso, o benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,58%, aos 58.236 pontos, com as ações das blue chips em sua maioria no positivo, com destaque para a Vale, que subiu cerca de 3%. O volume financeiro nesta sessão ficou em R$ 7,747 bilhões. Já o dólar comercial chegou a perder força, mas acabou encerrando com alta de 0,63%, cotado a R$ 3,2482 na compra e R$ 3,2495 na venda.

Enquanto isso, as taxas dos contratos futuros tiveram queda repercutindo o Copom, que manteve os juros, mas indicou possibilidade de queda nas próximas reuniões. O DI de janeiro de 2018 teve queda de 0,18 ponto percentual, a 12,60%, enquanto o com vencimento para janeiro de 2020 recuou 0,15 ponto percentual, a 11,95%. 

Em sua segunda reunião em novo formato e liderada por Ilan Goldfajn, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve a taxa básica de juros em 14,25%; porém, a análise dos mercados é que o Comitê abandonou a sentença de que não há espaço para corte de juros, levando o mercado a ver porta aberta para redução em caso de progresso na área fiscal.  "Ao mesmo tempo em que reconhecemos que há outras mudanças (hawkish) no documento e que não identificamos na nova linguagem um sinal claro de início do ciclo de corte em outubro, acreditamos que a probabilidade de redução aumentou”, afirma a Nomura. 

Entre os dados do exterior, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da indústria chinesa subiu para 50,4 em agosto de 49,9 em julho, acima da marca de 50 que separa crescimento de contração. Analistas esperavam leitura de 49,9 pelo segundo mês seguido. Por outro lado, o minério de ferro negociado em Qingdao, na China, teve leve queda de 0,19%, a US$ 58,86 a tonelada métrica. 

Já o PMI do setor industrial do Reino Unido subiu para 53,3 em agosto, de 48,3 em julho, atingindo o maior nível em dez meses, segundo pesquisa divulgada hoje pela Markit Economics em parceria com a CIPS. “O Brexit não foi uma catástrofe de forma alguma, o Fed finalmente reconheceu que a economia americana está indo melhor que o previsto e a China não entrou numa espécie de espiral de caos”, disse Teis Knuthsen, CIO do Saxo Bank. 

O mercado fica de olho ainda na repercussão após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a efetivação de Michel Temer como presidente da República. A grande atenção no curto prazo se volta para a manutenção da base aliada do governo Temer, após conflito do PMDB com o PSDB e o DEM após serem mantidos os direitos políticos de Dilma. No final da tarde da quarta-feira, o líder do DEM no Senado Ronaldo Caiado (DEM-GO) anunciou saída da base aliada do governo e posição de independência. Confira a análise completa clicando aqui. 

Destaques corporativos
A Petrobras (PETR3;PETR4) subiu cerca de 1% após ter sua recomendação elevada de neutra para compra pelo BTG Pactual, que elevou o preço-alvo do ADR (American Depositary Receipt) da companhia para US$ 9,50, em relatório chamado "O poder do desconhecido". Já a Vale teve forte alta de 3% com os dados da China, mesmo após a leve queda do minério de ferro em Qingdao, que teve baixa de 0,19%, a US$ 58,86 a tonelada. 

Já a Cemig (CMIG4) informou ao final do pregão de ontem que seu conselho de administração deliberou autorizar a monetização, de até 40.702.230 units da Taesa (TAEE11), correspondentes a 40.702.230 ações ordinárias e 81.404.460 ações preferenciais de propriedade da Cemig. A companhia disse, em comunicado enviado ao mercado, que manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre atualizações relacionadas ao tema.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,91 +6,96 -40,36 96,49M
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 61,20 +4,96 +62,41 96,86M
 CCRO3 CCR SA ON 17,80 +4,34 +44,77 76,44M
 BRML3 BR MALLS PARON 12,87 +4,30 +50,73 67,93M
 CMIG4 CEMIG PN 9,12 +4,23 +60,83 72,13M



As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BVMF3 BMFBOVESPA ON EJ 17,36 -3,07 +61,43 248,16M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 72,20 -3,00 +22,23 214,23M
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,61 -2,70 +117,47 99,39M
 LREN3 LOJAS RENNERON 25,14 -1,91 +49,21 93,40M
 CIEL3 CIELO ON 33,02 -1,70 +18,98 237,46M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 13,00 +1,17 585,18M 601,65M 34.154 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,67 +2,50 546,30M 230,48M 44.860 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 36,19 +0,99 469,74M 399,86M 32.160 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,77 -1,00 353,40M 243,88M 26.004 
 VALE5 VALE PNA 14,90 +2,97 319,72M 322,15M 28.861 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON EJ 17,36 -3,07 248,16M 162,70M 23.733 
 CIEL3 CIELO ON 33,02 -1,70 237,46M 138,52M 14.408 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 8,66 +0,87 236,70M 151,09M 31.483 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 30,00 +2,92 219,25M 105,45M 18.962 
 UGPA3 ULTRAPAR ON 72,20 -3,00 214,23M 90,15M 10.126 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

 

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