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Ibovespa fecha no zero de olho no fim do processo de impeachment e dados dos EUA

Votação final do impeachment, que deve ocorrer na madrugada de terça para quarta, e fala de Fischer dão o tom do mercado

Dilma no Senado
(Agência PT)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve uma sessão instável nesta terça-feira (30), de olho na sessão do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que entra em seus momentos finais, e acompanhando o movimento do exterior. O dia também foi de leve queda em Wall Street, com os investidores analisando os fortes dados de consumo e a fala do vice-presidente do Federal Reserve Stanley Fischer. O Ibovespa, após chegar a subir 0,46%, chegou a uma mínima de 0,54%, e acabou fechando o pregão praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 58.575 pontos. O volume financeiro nesta sessão atingiu R$ 5,363 bilhões. Já o dólar comercial fechou com alta de 0,24%, cotado a R$ 3,2402 na venda.

Fischer afirmou que os EUA são afortunados por não terem taxas negativas e que o "Fed não está planejando fazer qualquer coisa neste sentido". Ele defendeu que a economia está crescendo como desejado, e que caminha para o pleno emprego, e que o dólar forte impactou a inflação e o lucro das empresas, mas a melhora no mercado de trabalho compensou.

"O tom foi bem mais leve do que visto na sexta-feira, enfraquecendo a tese de que poderiam ocorrer até duas altas de juros neste ano. O que na teoria enfraquece o dólar frente as principais moedas", ressalta a XP Investimentos. Entre os dados da economia, o índice de confiança do consumidor dos EUA medido pelo Conference Board subiu a 101,1 em agosto, após recuar a 96,7 em julho na leitura revisada e ante expectativa de 97. 

No Brasil, a expectativa de analistas de mercado e também da equipe do presidente interino Michel Temer é de que haja 60 votos pró-impeachment no Senado, sendo necessários 54 votos para que Dilma saia do poder. Antes de abrir a sessão, o ministro do STF Ricardo Lewandowski afirmou que a votação final deve ocorrer na quarta-feira. Ontem, em fala ao Senado, a presidente afastada rebateu as acusações e teve discurso bem avaliado até por quem não a apoia, mas a avaliação é de que ela tem poucas chances de reverter o resultado. A defesa de Dilma, contudo, prepara ação no STF caso o impeachment seja confirmado. 

A sessão do impeachment realizada hoje contou com os debates entre acusação e defesa no processo de Dilma. Os advogados Janaína Paschoal e José Eduardo Cardozo, respectivamente, tiveram uma hora e meia cada para fazer suas alegações. Na parte da tarde teve início a fase de discursos dos senadores e até o fechamento do mercado, 15 dos 66 inscritos já haviam falado.

Na agenda econômica local, destaque para o primeiro dia da reunião do Copom. Durante a tarde foi divulgado que o governo central registrou em julho um resultado deficitário de R$ 18,551 bilhões, o pior desempenho para meses de julho da série histórica, que teve início em 1997. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Com isso, o resultado primário nos primeiros sete meses do ano foi deficitário em R$ 51,073 bilhões, também o pior desempenho desde o início da série.

Destaques de ações
Entre os destaques de alta da Bolsa, ficaram as ações da Braskem (BRKM5) e da Petrobras (PETR3PETR4). Segundo o jornal Valor Econômico, com a proximidade de um acordo de leniência da Odebrecht na Operação Lava-Jato, alguns agentes financeiros começam a se movimentar para recolocar a Braskem na lista de ativos prioritários à venda da Petrobras. Procurada pela publicação, a Petrobras e a Braskem não comentaram a informação.

Ainda no noticiário da Petrobras, ela e a Statoil anunciaram ampliação da cooperação nas Bacias de Santos e Campos. O memorando assinado não tem cláusulas vinculantes, mas indica a intenção das duas empresas em trabalhar conjuntamente, em um horizonte de dois anos, para viabilizar esses projetos, informou a Petrobras em comunicado. Os valores envolvidos dependerão das negociações que serão feitas a partir da assinatura do documento.

Já entre os destaques de baixa, ficaram as ações da Estácio (ESTC3), que caíram forte após Gilberto de Castro apresentar sua renúncia da presidência e Pedro Thompson assumir o cargo interinamente. Entre as perdas do dia, destaque ainda para os papéis da Vale (VALE3; VALE5), que recuaram mais de 2%.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 16,61 -4,76 +22,97 44,82M
 KROT3 KROTON ON 13,85 -3,69 +47,00 80,95M
 CSNA3 SID NACIONALON 8,77 -3,09 +119,25 50,43M
 VALE3 VALE ON 17,65 -2,49 +35,46 62,19M
 CESP6 CESP PNB 13,59 -2,44 +2,03 16,84M



As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 23,21 +5,64 -11,15 53,44M
 CSAN3 COSAN ON 38,55 +5,33 +60,91 74,25M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,10 +2,43 -44,78 42,15M
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ 13,09 +1,71 +95,37 671,63M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,08 +1,37 -26,18 34,61M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ 13,09 +1,71 671,63M 589,57M 34.206 
 VALE5 VALE PNA 15,12 -2,01 287,04M 314,28M 19.515 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 23,73 -0,38 191,26M 180,52M 20.574 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,60 +0,66 159,35M 401,73M 13.721 
 LREN3 LOJAS RENNERON 25,50 -0,74 153,26M 64,17M 8.362 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,24 0,00 149,50M 229,26M 12.917 
 BBDC4 BRADESCO PN 29,25 +0,31 146,99M 241,44M 15.020 
 PETR3 PETROBRAS ON 15,18 -0,07 138,21M 135,10M 12.901 
 CIEL3 CIELO ON 33,52 0,00 132,06M 138,86M 14.310 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON EJ 18,10 +1,34 115,96M 163,14M 19.649 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

 

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