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Petrobras, Vale e siderúrgicas caem até 8%; CCX afunda 45% em 3 dias e só 3 ações se salvam no Ibovespa

Confira os destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (22)

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Os investidores aproveitaram a forte queda do petróleo e tom negativo dos mercados no exterior para embolsar os ganhos recentes nesta segunda-feira (22). O Ibovespa recuou 2,3% nesta sessão, pressionado por ações de commodities, com Vale, Petrobras e siderúrgicas. Em dia de forte correção, apenas três das 59 ações do índice se salvaram: Energias do Brasil e Qualicorp, com leves altas de 1,25% e 0,09%, respectivamente; e Cielo, que teve fechou o pregão estável. 

Fora do índice, chamou atenção o papel do Banco da Amazônia, que afundou até 30% nesta sessão, em seu primeiro dia pós-grupamento de 100 ações para 1, mas ganhou força e encerrou em alta de 14%.  

Durante o programa Na Mira do Trader, Wagner Caetano, diretor da Top Trader, disse que a frase de ordem da semana é venda de minicontratos para proteção, para fazer caixa para comprar ações mais baratas após a queda. "É hora de reduzir o portfólio de ações", comentou o trader, que tem uma operação de venda aberta com 250 minicontratos do Ibovespa (confira a íntegra do programa clicando aqui).

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bolsa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 14,47, -3,92%; PETR4, R$ 12,35, -3,44%)
As ações da Petrobras afundaram, em dia de correção da Bolsa e acompanhando a baixa dos preços do petróleo no mercado internacional. O WTI registrava queda de 2,23%, a US$ 47,44 o barril, enquanto o brent mostrava desvalorização de 2,67%, a US$ 49,52, em meio às preocupações sobre se os produtores poderão conter a oferta da commodity. As exportações de combustíveis da China tiveram forte alta em julho, segundo dados da Administração Geral de Alfândega do país. No mês passado, as exportações chinesas de gasolina mais do que dobraram, a 970 mil toneladas, enquanto as de diesel - que é utilizado principalmente em projetos industriais e de infraestrutura - quase triplicaram, a 1,53 milhão de toneladas. 

As exportações combinadas dos dois combustíveis, cerca de 2,5 milhões de toneladas em julho, são recorde, segundo o banco alemão Commerzbank. O salto nas exportações é causado principalmente por refinarias pequenas e independentes. Desde o fim do ano passado, essas refinarias têm autorização para comprar petróleo bruto de fontes externas.

Destaque ainda para a notícia do jornal Valor Econômico de que apenas três poços, todos restritos à área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, estão sendo perfurados pela estatal no mar brasileiro, neste momento, como retrato  das atividades exploratórias do país atualmente.

O setor de exploração praticamente parou este ano, impactado pelos cortes de investimentos da estatal e das demais petroleiras que operam no país, em meio ao cenário de intensificação da queda do barril depois de um já difícil 2015, e atingiu no primeiro semestre seus níveis mais baixos dos últimos 60 anos. De acordo com levantamento feito pelo jornal, foram feitas apenas 16 perfurações de poços exploratórios, em terra e mar, no Brasil, na primeira metade do ano - o número mais baixo para o período desde 1957. 

Vale (VALE3, R$ 18,38, -3,67%;VALE5, R$ 15,57, -3,71%)
As ações da Vale registraram queda, seguindo o mau humor do mercado doméstico, apesar da leve alta do minério de ferro spot (à vista). A commodity foi negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza,  em alta de 0,46%, a US$ 61,23 a tonelada. A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto.

As siderúrgicas também registram um dia de queda após o rali da semana passada, apesar do relatório do BTG Pactual em que destaque o cenário positivo para o setor. O BTG afirma que as expectativas futuras superam a fraqueza do passado e os investidores estão olhando muito além. A preferência é pela Gerdau (GGBR4, R$ 9,67, -5,93%). 

Os dados de alta frequência em aços ainda retratam um ambiente operacional desafiador, embora haja alguns sinais preliminares de estabilização. Porém, a alta dos preços ressaltam uma antecipação de um cenário de melhora que está por vir. "Mantemos nossa visão otimista sobre o potencial de recuperação no longo prazo e estamos otimistas sobre a temática das siderúrgicas latino-americanas". Enquanto a Gerdau é top pick, a Usiminas (USIM5, R$ 3,61, -5,99%) continua a ter o risco-retorno mais elevado dentro da cobertura do banco para o setor. 

A CSN  (CSNA3, R$ 9,25, -8,33%) também registra baixa. Segundo a coluna de Lauro Jardim do jornal O Globo, a CSN avisou na semana passada a todos os fornecedores que o prazo para o pagamento das faturas passou de 30 dias para 120 dias. 

Banco da Amazônia (BAZA3, R$ 39,87, +13,91%)
Após desabarem até 28,26%, a R$ 25,11, as ações do Banco da Amazônia viraram para forte alta, em seu primeiro dia pós-grupamento de 100 ações para 1. O volume financeiro movimentado com a ação atinge R$ 2,3 milhões nesta sessão, contra média diária de R$ 249,5 mil dos últimos 21 pregões. 

Com as alterações, os papéis da instituição financeira sofreram ajuste nos preços, que deixaram de valer centavos. A movimentação já havia sido comunicada ao mercado em 5 de julho, quando foi estabelecido um prazo de 45 dias para sua execução.

Gol (GOLL4, R$ 6,15, -4,95%)
No final de julho, a Gol  anunciou a eleição do executivo Richard Lark para comandar a vice-presidência de finanças no lugar de Edmar Lopes, que estava no posto desde 2012 e seguirá na empresa. Segundo o Estadão, a companhia aérea vai nomear Lopes para buscar oportunidades de consolidação no setor na América Latina.

Randon (RAPT4, R$ 4,61, -3,15%)
A Randon teve queda de 26,1% na receita líquida consolidada em julho deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano até julho, a receita líquida consolidada somou R$ 1,64 bilhão, recuo de 4,3% na base de comparação anual. 

A receita bruta tota foi de R$ 293,9 milhões no mês passado, queda de 23,1% ante julho de 2015.

Sanepar (SAPR4, R$ 7,50, +4,17%)
As ações da companhia seguiram a disparada da última sexta-feira na Bolsa, após a notícia de que o Governo do Paraná está se preparando para vender seu excedente de participação na companhia, empresa de água e esgoto do Estado. A ideia é realizar a venda ainda em 2016. Na terça-feira, o conselho da Sanepar aprovou a realização de uma oferta de ações e a contratação dos assessores. Em dois pregões, as ações da small cap acumulam valorização de 12,5% na Bovespa. 

O governador do estado, Beto Richa (PSDB), enviou na segunda-feira um projeto de lei pedindo autorização para alienar as ações de empresas públicas, no caso a Sanepar e a Copel, que excedem o controle. "Queremos [manter] o controle, mas não faz o menor sentido ficar com as ações que vão além disso 'estocadas'", disse o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni, para o site Brazil Journal.

 legislação prevê que o governo precisa manter pelo menos 60% das ações ordinárias, o que permite ao estado vender cerca de 15% desta classe de papéis da companhia, que precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa. Além disso, há uma fatia de 29% de ações preferenciais que também deve ser vendida.

CCX Carvão (CCXC3, R$ 1,61, -6,94%)
As ações da CCX Carvão - única empresa do finado "Grupo X" que ainda está nas mãos de Eike Batista - seguiram para sua terceira sessão de perdas, acumulando no período desvalorização de 45%, na esteira da venda de ativos para a turca Yildirim por US$ 45 milhões, frente os US$ 125 milhões em janeiro de 2014 ou 90% menor do que o preço proposto na primeira oferta, em outubro de 2013, de US$ 450 milhões. 

Pelo acordo, o valor da transação com a Yildirim foi acertado em US$ 45 milhões, montante que inclui os US$ 30 milhões que já foram pagos à CCX quando houve a assinatura do contrato de aquisição de ativos, em janeiro de 2014 (sendo US$ 5 milhões foram desembolsados na oferta não vinculante em 2013).  

Com isso, está previsto o pagamento do saldo de US$ 15 milhões, dos quais US$ 1 milhão já está disponibilizado para o pagamento de dívidas existentes na Colômbia, além de financiar as despesas operacionais da empresa até o fechamento da transação. Os outros US$ 14 milhões serão depositados em até 10 dias úteis em uma conta da Yildirim, com um mecanismo de liberação dos recursos por meio de assinatura conjunta dos representantes legais das duas empresas. 

O comunicado divulgado pela empresa informa também que o novo acordo substitui os termos do acordo de venda inicial, que previam uma série de condições para a conclusão da operação a um preço de US$ 125 milhões, incluindo o valor pago a título de exclusividade. 

 

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