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Bancos viram para queda e Ibovespa zera ganhos apesar de disparada da Vale

Mercado volta a mostrar desempenho próximo da estabilidade com perda de força do rali recente

Trader
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa zera ganhos nesta terça-feira (26), pressionado pelo exterior após as bolsas norte-americanas virarem para queda e puxarem os bancos. A temporada de resultados foi um vetor de instabilidade lá fora, com balanço da BP trazendo forte queda às ações do setor de Óleo e Gás. Por aqui, o mercado acompanhou a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que manteve o tom mais "hawkish" (agressivo, no sentido de um combate mais duro à inflação), ressaltando que não há espaço para uma flexibilização monetária.  

Às 15h38 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,07%, a 56.915 pontos.

Já o dólar comercial cai 0,50% a R$ 3,2774 na venda, enquanto o dólar futuro para agosto tem queda de 0,56% a R$ 3,279. O câmbio praticamente ignorou a intervenção do Banco Central, que colocou todo o lote de 10.000 contratos de swap cambial reverso ofertados entre as 9h30 e as 9h40. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 avança 3 pontos-base a 12,86%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 caía 6 pontos-base a 12,03%. A alta foi acelerada após a divulgação da ata do Copom. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 2,15% a US$ 58,08 a tonelada seca. Já o petróleo vira para alta de 0,36% a US$ 44,88 o barril do Brent. 

Ata do Copom
Em ata da última reunião do Copom, o comitê diz que há perspectiva de progresso no combate à inflação com queda nas expectativas. O documento, contudo, diz que a desinflação ocorre em velocidade aquém da almejada e que alguns membros esperavam uma queda maior nos números do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O texto ressaltou o que já havia dito na ata anterior, de que não há espaço para flexibilizar a política monetária.

"O Copom concluiu que, tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária", informa o Copom. Como destaque, todos os membros do comitê chamaram atenção para a presença de risco externo.

Ipsos
A convocação de novas eleições como alternativa ao impasse político brasileiro continua o cenário preferido dos brasileiros ouvidos pelo instituto de pesquisa Ipsos. Segundo levantamento feito entre os dias 1º e 12 de julho, para 38% o melhor para o Brasil seria que o presidente interino, Michel Temer, convocasse novas eleições, ao passo que para 14% o ideal seria que a presidente afastada Dilma Rousseff voltasse ao poder e convocasse o pleito. No entanto, apenas 20% querem que a petista volte e conclua seu mandato, contra 16% que apoiam a permanência do peemedebista até 2018. 12% dos 1.200 entrevistados em todo o país não souberam ou não quiseram responder. 

Ações em destaque
A Vale (VALE3, R$ 18,50, +6,20%; VALE5, R$ 14,62, +4,50%) registra ganhos beneficiada pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 2,15% a US$ 58,08.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 VALE3 VALE ON 18,49 +6,14
 USIM5 USIMINAS PNA 3,03 +5,57
 VALE5 VALE PNA 14,62 +4,50
 BRAP4 BRADESPAR PN 10,76 +4,36
 TIMP3 TIM PART S/AON 8,21 +3,27

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam entre perdas e ganhos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,49, -1,06%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,40, -0,34%; BBDC4, R$ 28,63, -0,97%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,54, +1,13%) mostram desempenho errático. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,33 -2,04
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,59 -1,94
 RADL3 RAIADROGASILON 62,75 -1,92
 SMLE3 SMILES ON 53,02 -1,81
 KROT3 KROTON ON 14,55 -1,76

 

Em meio à queda do petróleo, com o brent em baixa superior a 1%, e com os mercados mundiais repercutindo os resultados ruins da BP, a Petrobras (PETR3, R$ 13,72, -0,29%; PETR4, R$ 11,94, -0,75%) interrompe o rali recente e registra baixa.

Ainda no radar da empresa, ela planeja um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para a BR Distribuidora, que será estendido aos funcionários de todas as subsidiárias colocadas à venda. O plano já foi aprovado pela diretoria executiva, mas ainda depende de aval do conselho de administração. A medida reforça a estratégia da companhia de reduzir seu tamanho.

Transações correntes
O Brasil teve um déficit em conta corrente de US$ 2,479 bilhões em junho, bem mais do que a estimativa mediana dos economistas, que era de um déficit de US$ 1,39 bilhões no mês passado. As transações correntes do País incluem balança comercial, investimentos estrangeiros e remessas de moeda. O investimento direto no Brasil foi de US$ 3,917 bilhões, contra US$ 3,85 bilhões esperados. 

Dados dos EUA
Os Estados Unidos divulgaram uma série de dados a partir das 10h. Primeiro foi o S&P/Case-Shiller Home Price, que avalia a trajetória dos preços das casas. A média móvel trimestral ficou em 5,2%, contra 5,4% esperados. Também saíram as vendas de novas moradias, que ficaram em 592 mil, contra uma expectativa de 560 mil vendas. Por fim, os americanos também divulgaram a confiança do consumidor, que teve um recuo bem menor que o esperado para 97,3 pontos em julho, dos 97,4 pontos registrados em junho. A expectativa mediana dos economistas era de queda para 96 pontos. 

Painel de Small Caps
Às 11h15 (horário de Brasília), o InfoMoney mostrará a segunda empresa do "Painel de Small Caps". Durante a semana, apresentaremos 5 ações de baixo valor de mercado que, na opinião dos especialistas que farão o painel, oferecem uma grande oportunidade de valorização. A primeira entrevista do "Painel de Small Caps - InfoMoney" teve como convidado o gestor João Braga, que ajuda a administrar R$ 1,2 bilhão na XP Gestão, e trouxe uma análise detalhada de São Martinho (SMTO3), empresa do setor de açúcar e álcool. Confira clicando aqui.

Cenário externo
A sessão é mais uma vez de cautela para as bolsas europeias, com os mercados do continente repercutindo a temporada de resultados do segundo trimestre e na expectativa pela reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). As ações do setor de petróleo e gás lideram as perdas do continente após a BP revelar queda de 45% no lucro; os papéis da companhia caem mais de 2%. Entre as moedas, a libra caiu 0,11% ante o dólar após o Financial Times relatar que Martin Weale, membro independente do comitê de política monetária do BoE, mudou de ideia e agora defende estímulo imediato para economia britânica, porque Brexit a abalou mais do que previsto.

Na Ásia, o dia foi de queda para o japonês Nikkei, em meio a alta do iene e o recuo dos papéis de empresas exportadoras, que sobe frente a todos os seus 16 pares, com apostas de estímulos econômicos, antes da reunião do BOJ, no dia 29. O ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, disse que governo ainda tem de decidir sobre tamanho de um pacote de gastos fiscais e o jornal Nikkei relatou que plano incluiria 6 trilhões de ienes (US$ 58 bilhões) em novos gastos; apenas cerca de 2 trilhões de ienes estariam em orçamento suplementar para este ano. Já as ações em Hong Kong subiram ao maior patamar do ano, com empresas ligadas a jogos recuperando receitas, enquanto o índice Xangai Composto teve a maior alta em duas semanas.

 

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