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O relatório que fez Gol e Smiles dispararem até 8% hoje; Oi salta 13%, de olho em novos investidores

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Petrobras Macaé Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve sua primeira sessão no negativo após marcar a maior sequência de altas desde 2010. Foram 10 altas seguidas para o índice registrar sua primeira baixa de 0,21%, fechando nesta quarta-feira (20) a 56.579 pontos. 

Nos destaques, os papéis da Smiles, que encerraram com ganhos de 8% após ver sua recomendação ser elevada para compra pelo Deutsche Bank. As ações da sua controladora Gol, que não são negociadas no Ibovespa, também subiram forte (+6%) com revisão para cima pelo banco alemão. Do lado das quedas, as ações ligadas a commodities foram penalizadas. A Petrobras marcou sua primeira queda após 4 altas seguidas, enquanto a Vale seguiu para a segunda sessão de perdas, pressionada pelo minério de ferro. 

Fora do índice, as ações da Oi foram destaque de alta, com ganhos de 13%, após notícias sobre a união de investidores para assumir fatia da companhia. Na máxima do dia, os papéis preferenciais chegaram a subir 22%. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,51, -1,96%; VALE5, R$ 13,63, -0,37%) encerraram pelo segundo dia em queda, puxadas novamente pela queda dos preços do minério de ferro. Hoje, a commodity cotada no Porto de Qingdao, na China, encerrou em baixa de 0,5%, a US$ 55,75 a tonelada. 

Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,95, -0,90%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 6,83, -2,84%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,45, -2,39%), CSN (CSNA3, R$ 10,25, -1,54%). A exceção foi Usiminas (USIM5, R$ 2,49, +2,89%), que subiu após a empresa aprovar aumento de capital de R$ 1 bilhão. Em 15 de julho, a companhia anunciou reestruturação de dívidas com bancos e debenturistas por 10 anos. O acordo, no entanto, perderia a eficácia se o aumento de capital não ocorresse até 22 de julho, com liberação imediata de recursos. 

Braskem (BRKM5, R$ 18,35, -3,98%) 
As ações da Braskem registram expressiva queda nesta sessão. A Odebrecht Serviços e Participações celebrou ontem contratos com determinadas instituições financeiras e concedeu em garantia a totalidade das ações de emissão da Braskem de sua titularidade, disse a companhia em comunicado ao mercado. A empresa não informou o tipo de contrato celebrado nem os nomes dos bancos envolvidos. Segundo disse uma fonte à Reuters, a transação foi feita para lastrear uma capitalização total de R$ 6 bilhões que a Odebrecht está fazendo na sua companhia que atua na produção e comercialização de etanol, açúcar e energia elétrica produzida por unidades de cogeração, a Odebrecht Agroindustrial.

Petrobras (PETR3 R$ 13,65, -1,30%; PETR4, R$ 11,82, +0,34%)
As ações PN da Petrobras zeram as perdas após a divulgação dos estoques de petróleo nos EUA, que caíram mais do que o esperado, com baixa nos estoques de 2,3 milhões de barris, ante expectativa de 1,3 milhão. Lá fora, os preços do petróleo ganharam força durante esta tarde. O contrato Brent encerrou em ganhos de 1%, a US$ 47,17 o barril. 

No radar, a Petrobras está inclinada a reformular venda da BR Distribuidora, disse a Reuters citando duas fontes, após uma recente rodada de ofertas recebidas ter colocado um preço baixo pela unidade de distribuição de combustíveis. Discussões preliminares do Conselho de Administração e da direção da estatal têm convergido para um compartilhamento do controle da BR Distribuidora a fim de obter maior valor no negócios. O plano inicial de vender uma fatia minoritária possivelmente foi um dos principais motivos para as ofertas recebidas decepcionantes, disse a fonte.

Ainda no radar da companhia, a estatal pretende retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas (MS), mas ainda não tem um prazo definido. O tema foi discutido em reunião entre o presidente da estatal, Pedro Parente, e o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, na segunda-feira, no Rio. Em nota, o governador de Mato Grosso do Sul afirmou que Parente "garantiu que a fábrica será concluída".

Também merece destaque a notícia de que a Petrobras e a OP Energia pedem análise do Cade a negócio. A operação envolve cessão de participação, segundo edital do Cade publicado no Diário Oficial.

Por fim, chama atenção uma decisão tomada pela Agência Nacional de Petróleo, que pode culminar na flexibilização de regras de uso conteúdo nacional para as petroleiras. Conforme aponta o jornal O Estado de S. Paulo, o órgão regulador reconheceu não haver no Brasil embarcações de apoio que atendam às exigências aplicadas desde 2008, atendendo a 22 pedidos de isenção, e pode abrir margem a um "efeito cascata" sobre outros pontos da política vigente.

Oi (OIBR3, R$ 3,03, +8,60%; OIBR4, R$ 2,38, +13,33%)
O dia foi de forte alta para as ações da Oi após notícias sobre a união de investidores para assumir fatia da Oi. Na máxima deste pregão, os papéis PNs atingiram alta de 22,38%, a R$ 2,57, enquanto o volume financeiro atingiu hoje R$ 63,18 milhões, contra média diária de R$ 44,6 milhões dos últimos 21 pregões. 

O Estadão informou que um consórcio de investidores – formado por João Cox, ex-presidente da Claro; Mario Cesar de Araújo, ex-presidente da TIM (TIMP3); Renato Carvalho, fundador da Íntegra, consultoria de reestruturação em empresas; e o banco de investimentos americano ACGM, especializado em companhias em crise – entrou na disputa para se tornar acionista relevante da Oi. Cox disse ao jornal  que o time está conversando com vários investidores para se tornar um dos maiores acionistas da operadora de telefonia, a maior em linhas fixas no Brasil e a quarta em móveis. “Estamos discutindo esse negócio há alguns meses (antes do pedido de recuperação judicial) e entendemos que, se bem gerida, a empresa tem condições de voltar a ser competitiva”, disse. 

A notícia surge poucos dias após o fundo Société Mondiale ter atingido uma participação de 6,6% na Oi. O fundo, liderado por Nelson Tanure, lançou uma campanha para substituir a maioria do conselho da companhia - provocando especulações de que ele poderia realizar uma oferta pública de aquisição durante o processo de falência da Oi. De acordo com uma das fontes, o grupo Abadi está considerando uma negociação com Tanure como uma das alternativas para chegar a um acordo. De acordo com a Reuters, o grupo de investidores deve apresentar a proposta antes da votação do plano de reorganização da companhia.

Ontem a Reuters informou que um grupo de investidores - na maioria credores e acionistas - está em contato com a Abadi & Co. para estruturar uma potencial oferta pública de aquisição pela Oi. No mês, as ações preferenciais da companhia já subiram 60%, enquanto desde o fundo, logo após o pedido de recuperação judicial, os papéis subiram 150%.  

Vale ressaltar que o Conselho Diretor da Anatel recomendou a Alvarez & Marsal Consultoria Empresarial, o Consórcio BDOPRO, e Deloitte e a PwC como candidatos no procedimento seletivo para escolha de futuro administrador judicial da Oi. A Anatel também recomenda que autoridade judiciária avalie se relações contratuais entre Deloitte e PwC e empresas ligadas ao grupo Oi poderiam configurar impeditivo a eventual nomeação. A agência atende determinação judicial para indicação de até 5 pessoas jurídicas capazes de exercer a função de administrador judicial.

Gol (GOLL4, R$ 5,52, +6,55%) e Smiles (SMLE3, R$ 52,83, +7,77%)
As ações da Gol e Smiles dispararam nesta sessão, na onda de um relatório do Deutsche Bank, que elevou os papéis para manutenção e compra, respectivamente. Em meio à euforia, os papéis encerraram no seus maiores patamares na Bovespa desde agosto e julho de 2015. 

Para a Gol, o Deutsche revisou a recomendação de venda para manutenção, com o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) subindo de US$ 4,00 para US$ 17,00 - ou 325%. Já para a Smiles, a recomendação passou de manutenção para compra, com target das ações indo de R$ 39,00 para R$ 55,00 - ou 41%. Apesar da expressiva revisão, as novas projeções oferecem um potencial de alta de apenas 1% e 4%, respectivamente.  

Como motivos para a revisão da Gol, os analista Michel Linenberg, Richa Talwar e Catherine O'Brien, que assinam o relatório, apontavam 4, sendo eles: visão de que as economias da América Latina estão melhorando (com exceção da Venezuela); melhora econômica acompanhada por uma apreciação generalizada nas moedas da região, o que é positivo para as companhias de aviação; cortes de capacidade significativos que conduziriam uma elevação no RASM (receita por assento disponível por milha, na sigla em inglês)/PRASM (receita unitária consolidada por passageiro, na sigla em inglês), pelo menos em moeda local; e ações do setor de transportes, incluindo companhias aéreas, com tendência a iniciar um novo ciclo de alta.

Em relação à Smiles, eles comentam que a "compra" deve-se à visão de que um risco de ajuste negativo no acordo operacional com a Gol - sua controladora - está significativamente reduzido em meio aos esforços da companhia aérea para sua reestruturação. Além disso, dado o progresso da GOL em sua reestruturação, os analistas acreditam que o mercado atribui menor risco de a empresa pedir falência (evidenciado pela reversão material no preço das ações da GOL). Por conta desses fatores, eles acreditam que as ações da Smiles possam ser negociadas pelos seus próprios fundamentos ao invés de ser "refém" pela GOL.

Contax (CTAX3, R$ 10,55, -1,95%)
As ações da Contax viraram para queda, após subirem 11,43% e acumularem alta de 47% desde segunda-feira. O rali da companhia ocorria na esteira do comunicado ao mercado no início desta semana de que a companhia vai iniciar sua negociação no Novo Mercado, da BM&FBovespa, amanhã, dia 21 de julho. Ontem, a companhia informou também que o seu conselho de administração aumentou a 4ª emissão de debêntures a R$ 100,8 milhões e decidiu cancelar a 5ª emissão de debêntures. A emissão passará a ter 2 séries, com prazo em 16 de dezembro de 2021. 

Com a disparada, as ações da small cap atingem hoje sua máxima intradiária na Bolsa desde junho do ano passado. Nesta sessão, o volume financeiro negociado com o papel bate os R$ 312,4 mil, contra média diária de R$ 370,3 mil dos últimos 21 pregões. 

Papel e celulose
As ações da Fibria (FIBR3, R$ 20,26, -3,15%) e da Suzano (SUZB5, R$ 10,85, -1,36%) caem forte após terem a recomendação cortada para market perform (desempenho em linha com a média do mercado) e preços-alvo respectivos de R$ 24,00 e R$ 14,00. Os analistas incorporaram a expectativa de um câmbio mais baixo para 2016 e 2017. A Klabin (KLBN11, R$ 16,12, +2,68%) é agora a top pick do setor. 

Autopeças
O Santander manteve as ações da Mahle Metal Leve (LEVE3, R$ 24,86, +2,30%) como a top pick do setor de autopeças, em meio à combinação de geração de fluxo de caixa e retornos atrativos, além de colocar a Tupy (TUPY3, R$ 12,65, +5,59%) como a segunda preferida. Por outro lado, a corretora rebaixou a recomendação para as ações da Randon (RAPT4, R$ 4,59, -0,43%) de compra para manutenção dada a forte performance no ano, de 90%. O preço-alvo é de R$ 5,00 por ação.  

Já as ações da Fras-le (FRAS4, R$ 3,60, +4,35%) sobem forte. A Fras-le divulgou dados operacionais, registrando uma receita líquida consolidada de R$ 421,4 mi entre janeiro e junho, alta de 4,2% na comparação anual, segundo comunicado. A receita bruta total junho somou R$ 112,1 milhão, alta de 21,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Já a receita bruta total no primeiro semestre foi de R$ 622,3 milhões, alta de 13,1%.

Restoque (LLIS3, R$ 4,34, +0,93%)
Depois de subirem 14,65%, as ações da Restoque - dona das marcas Le Lis Blanc, John John e Bo.Bô - perderam força e fecharam praticamente estáveis, deixando para trás o rali visto na véspera. Na terça-feira, os ativos subiram 21,47% após o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) dar aval a possível fusão com a InBrands. Ontem, a superintendência-geral do Cade divulgou a aprovação, sem restrições, de um memorando de entendimento não vinculativo para uma possível fusão com a rival InBrands, que é dona das marcas Richards, Ellus, Alexandre Herchcovitch e VR. As duas empresas anunciaram em junho que avaliavam um fusão dos negócios, o que daria origem a uma companhia com mais de 720 lojas, entre próprias e franquias e receita de pouco mais de R$ 2 bilhões. A proposta de fusão ainda está em fase de negociação entre as empresas.

 

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