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Ibovespa sobe 2% e recupera maior parte da queda pós-"Brexit"; dólar cai a R$ 3,24

Mercado tem mais um dia de alta motivado pela melhora no cenário externo

trader na Bolsa de Frankfurt
(Lisi Niesner/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (29), dia de pouca volatilidade, com o índice terminando o pregão praticamente da mesma maneira como começou: com fortes ganhos. A alta dos últimos dois pregões foi o suficiente para o benchmark recuperar praticamente a maior parte das perdas posteriores ao "Brexit". Da quinta-feira para cá, a queda já é de apenas 564 pontos, sendo que 1.750 pontos foram ganhos nas últimas duas sessões. Hoje o benchmark da bolsa brasileira subiu 1,99%, a 51.002 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 7,643 bilhões.

Puxando essa recuperação da Bolsa está essa continuidade do chamado "rali de alívio" nas ações globais. As especulações que animam os investidores são de que os bancos centrais agirão para conter o efeito do "Brexit" como já sinalizaram as autoridades monetárias do Japão e da Coreia do Sul. O índice FTSE 100, principal índice acionário da Inglaterra, por exemplo já zerou as perdas pós-"Brexit". 

Já o dólar comercial fechou em queda de 2,09% a R$ 3,2365 na compra e a R$ 3,2370 na venda, enquanto o dólar futuro para julho cai 1,95% a R$ 3,241 no after-market. Com a queda de hoje, o câmbio opera na mínima do ano e no seu menor patamar desde março do ano passado. Muito disso se devendo ao discurso de ontem do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmando que deixará o câmbio flutuar de acordo com o mercado. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2018 sobe 14 pontos-base a 12,83%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para alta de 11 pontos-base a 12,20%, tudo isso no after-market. Os juros repercutiram a alta maior que a esperada no IGP-M, mostrando que a "profecia" do presidente do BC, Ilan Goldfajn, ontem estava acertada ao dizer que a inflação ainda está resiliente e deve ser enfrentada com uma política monetária mais dura. 

Adiamento da reforma da Previdência
Depois de uma reunião com líderes sindicais, sem consenso, por pressões destes, o governo decidiu adiar o envio ao Congresso Nacional da proposta de reforma da Previdência, um dos principais sustentáculos do plano de recuperação das contas públicas. O prazo inicial era o fim do mês próximo. Formou-se uma nova comissão para discutir a proposta.

Agora, o único compromisso é tentar aprovar as mudanças até o fim do ano, o que é praticamente impossível em função do calendário político do ano – a votação do processo de impeachment definitivamente no Senado, remarcado para depois do encerramento dos Jogos Olímpicos, em 21 de agosto, e das eleições municipais, que tomarão o tempo dos parlamentares por setembro e boa parte de outubro devido aos segundos turnos.

Senadores frustrados após reunião com Meirelles
Na noite da última terça-feira (28), o ministro da Fazenda Henrique Meirelles se reuniu com 45 senadores - além do anfitrião - na casa do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) na tentativa de estabelecer um diálogo para encaminhar a pauta econômica. Porém, segundo divulgado pelos jornais nesta manhã, o encontro não foi muito proveitoso.

O ministro acabou deixando alguns parlamentares insatisfeitos ao adotar um tom evasivo sobre a posição da equipe econômica frente a temas como o reajuste dos servidores federais. Segundo reportam os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, os senadores buscavam uma sinalização clara em relação ao aumento de salários, já que a previsão é de que eles terão um impacto de R$ 67,7 bilhões até 2019

Os parlamentares questionaram Meirelles se o pacote de reajuste seria prioridade ou se o governo teria outra posição.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,57, +2,84%; PETR4, R$ 9,50, +3,26%), seguiram em alta, acompanhando os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) subiu 3,34% a US$ 49,45, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 3,31% a US$ 50,89. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 JBSS3 JBS ON 9,95 +8,15 -15,65
 ESTC3 ESTACIO PARTON 16,87 +5,44 +24,90
 BRML3 BR MALLS PARON 12,72 +5,12 +48,97
 CCRO3 CCR SA ON 16,89 +4,26 +37,37
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 8,25 +4,17 +62,08

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes registraram ganhos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,61, +2,24%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,63, +1,60%; BBDC4, R$ 25,04, +2,41%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,49, +2,87%) avançaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 15,71, +1,62%; VALE5, R$ 12,87, +2,47%) também subiu beneficiada pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,45% a US$ 53,89.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 22,25 -14,26 +3,33
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 11,22 -2,26 -38,66
 BRKM5 BRASKEM PNA 19,05 -1,96 -27,07
 FIBR3 FIBRIA ON 22,08 -1,78 -56,70
 USIM5 USIMINAS PNA 2,02 -1,46 +30,32

Entre as quedas estiveram as exportadoras de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 22,14, -1,78%) e Suzano (SUZB5, R$ 11,22, -2,26%), que fecharam em baixa por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 22,25 -14,26 792,86M
 PETR4 PETROBRAS PN 9,50 +3,26 526,54M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 29,61 +2,24 394,43M
 VALE5 VALE PNA 12,87 +2,47 324,68M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 25,04 +2,41 267,73M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,02 +1,44 265,88M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 11,22 -2,26 236,14M
 BBAS3 BRASIL ON 16,49 +2,87 175,44M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,20 +0,29 146,51M
 BRFS3 BRF SA ON 44,86 +3,70 142,11M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Comissão do impeachment conclui depoimentos
Nesta quarta, a Comissão Especial de Impeachment do Senado prevê concluir os depoimentos das testemunhas no processo. Faltam quatro depoimentos, todos em defesa da presidente afastada Dilma Rousseff. Os próximos dias serão usados pelos membros do colegiado para análise do parecer apresentado na segunda-feira pela junta pericial. Após os questionamentos, o grupo terá até a sexta-feira, dia 1º, para prestar esclarecimentos. A equipe será ouvida em audiência na terça, 5.

Pnad Contínua
Saiu às 9h a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), que mostrou uma taxa de desemprego de 11,2% no trimestre encerrado em maio de 2016. As expectativas dos economistas da LCA Consultores eram de que houvesse um avanço para 11,4% na taxa. A Pnad Contínua investiga 211.344 domicílios particulares permanentes em aproximadamente 16.000 setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios.

Resultado fiscal
O setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 18,125 bilhões em maio, conforme informou nesta quarta-feira, 29, o Banco Central. Em abril, o resultado havia sido positivo em R$ 10,182 bilhões e, em maio de 2015, foi registrado déficit de R$ 6,900 bilhões.

O resultado primário consolidado do mês passado ficou acima das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções, que iam de déficit de R$ 17,5 bilhões a R$ 13,5 bilhões, com mediana negativa de R$ 15,2 bilhões.

 

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