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Ibovespa sobe seguindo exterior após "susto" com Oi; dólar zera após aprovação de MP das aéreas

Os índices globais hoje sobem diante das novas pesquisas sobre o referendo em que os britânicos decidirão se permanecem ou saem da União Europeia e de olho na fala de Janet Yellen

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SÃO PAULO - O Ibovespa ganha forças na tarde desta terça-feira (21) após chegar a cair 1,29% durante a amanhã, com o risco-Oi amedrontando os mercados após o pedido de recuperação judicial, com os bancos caindo forte. Agora à tarde, os ativos de bancos diminuíram as perdas.

Às 15h46 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa registrou alta de 0,79%, a 50.725 pontos, enquanto o dólar comercial registra queda de 0,27%, a R$ 3,3885 na compra e R$ 3,3899 na venda. O contrato de dólar futuro com vencimento para julho registra queda de 0,19%, acompanhando enfraquecimento da moeda americana no exterior e após aprovação da emenda que permite aumento da participação de estrangeiros em empresas aéreas até 100% do capital, partindo do atual limite de 20%.

Os índices globais hoje sobem diante das novas pesquisas sobre o referendo em que os britânicos decidirão se permanecem ou saem da União Europeia. Pesquisa da ORB mostrou o "não" ao "Brexit" com 53% das intenções de voto. Lá fora, a libra tem 3ª alta e o dólar cai contra a maioria das moedas. O mercado externo ainda monitora as falas da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que disse que o relatório de emprego de maio não foi tão importante, visto que outros dados do mercado de trabalho tem mostrado um desempenho bom. 

Também faz barulho por aqui a notícia da Folha de S. Paulo dizendo que o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht assumirá em acordo de delação premiada que controlava pessoalmente os recursos legais e ilegais que abasteceram as campanhas presidenciais de 2010 e 2014, vencidas por Dilma Rousseff.

Recuperação judicial da Oi

A companhia telefônica Oi (OIBR4) anunciou na noite da segunda-feira que entrou com pedido de recuperação judicial perante a Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, em caráter de urgência. De acordo com comunicado da empresa, "o total dos créditos com pessoas não controladas pela Oi listados nos documentos protocolados com o pedido de recuperação judicial soma aproximadamente R$ 65,4 bilhões". "A administração das Empresas Oi pretende tomar as providências e adotar os atos necessários à efetivação do pedido de recuperação, em todas as jurisdições nas quais tais medidas sejam necessárias", diz a nota.

O pedido feito já irá desencadear um pagamento de US$ 14 bilhões em swaps de crédito da Oi, os famosos CDS (Credit Defaults Swaps), segundo dados compilados pela Bloomberg. Além disso, ele impactará imediatamente o balanço dos grandes bancos brasileiros: Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil possuem juntos uma exposição máxima de R$ 13,5 bilhões, segundo análise feita pelo Credit Suisse nesta terça, sendo o BB o banco mais exposto, com R$ 5,9 bilhões. Vale lembrar que juntos, os três bancos têm uma participação de aproximadamente 20% na carteira teórica do Ibovespa. 

Discurso de Janet Yellen
A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, disse que o real impacto nos EUA do referendo para a saída do Reino Unido da União Europeia é que ele traria uma era de incerteza e que seria muito difícil prever, mas poderia haver um período de volatilidade nos mercados que afetaria negativamente as condições financeiras e as perspectivas para a economia norte-americana. "É algo que não é de forma alguma certo, mas que monitoraremos cautelosamente", disse. 

Ela também afirmou que um acompanhamento cauteloso das elevações dos juros continua sendo "apropriado" por causa da desaceleração recente no mercado de trabalho e porque daria tempo para que se avaliasse a retomada do crescimento econômico, a perspectiva para o mercado de trabalho e a inflação irão se recuperar. 

"Estou otimista sobre as perspectivas de longo prazo da atividade econômica dos EUA, mas o Fed não pode tirar de de vista uma continuidade da derrocada da produtividade", explica. 

Ações em destaque
As ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,96, -3,80%) desabam - figurando como a maior queda do Ibovespa - após pedido de recuperação judicial da Oi. Analistas estimam que a instituição pode ser a mais impactada pelo "default" da companhia. Projeções do Credit Suisse apontam exposição máxima de R$ 5,9 bilhões do BB à Oi. Já as ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,30, -0,34%), com exposição de R$ 5,7 bilhões, diminuíram fortemente as perdas; já os papéis do Bradesco (BBDC3, R$ 26,06, +0,77%; BBDC4, R$ 24,88, +1,10%), com exposição próxima a R$ 1,9 bilhão, viraram para alta. 


As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CPLE6 COPEL PNB 28,42 +3,72
 SMLE3 SMILES ON 47,49 +3,55
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 18,34 +2,65
 MRFG3 MARFRIG ON 5,85 +2,63
 LREN3 LOJAS RENNERON 23,65 +2,47

Por outro lado, sobem as ações da Kroton (KROT3, R$ 13,41, +2,13%), que elevou a sua proposta pela Estácio (ESTC3, R$ 15,35, -0,65%); a proposta anterior era de 0,977 ação KROT3 para cada ativo da Estácio. Agora, a companhia elevou a relação para 1,25, um prêmio de 27,9% em relação à proposta anterior. A Kroton afirmou estar empenhada em viabilizar a comercialização. A Estácio confirmou ter recebido a oferta, disse que analisará proposta e se manifestará. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, apesar da melhor proposta, a família Zaher, segunda maior acionista do grupo privado de ensino superior Estácio Participações, planeja votar contra. 

 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,00 -3,56
 EQTL3 EQUATORIAL ON 47,10 -2,04
 QUAL3 QUALICORP ON 17,98 -1,15
 ITSA4 ITAUSA PN 7,20 -0,83
 CPFE3 CPFL ENERGIAON 20,19 -0,74
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,90, +1,45%; PETR4, R$ 9,37, +2,18%), viram para alta, seguindo a recuperação dos preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate), que chegou a recuar 1,6%, mas nesta tarde registra baixa de 1,05%. Já o brent zera as perdas, com leve baixa de 0,12%, a US$ 50,59 o barril. 

Cenário externo
As bolsas mundiais registram um dia otimismo nesta terça-feira, mas com menor intensidade do que na véspera, em meio às pesquisas que mostram divisão ou divergência sobre se o Reino Unido sai ou continua na União Europeia. Na Europa, o DAX tem alta de 0,57%, o FTSE vira volta a subir 0,14% e o CAC 40 tem ganhos de 0,67%. Já a libra sobe ao maior nível desde que foi definido o referendo para decidir se Reino Unido saiu ou fica na UE, previsto para depois de amanhã; moeda britânica tem 3ª alta seguida.

Duas pesquisas no Reino Unido mostram resultados divergentes; uma, da YouGov, dá 44% ao “Leave” e 42% ao “Remain”; outra, da ORB, mostrou “sim” ao Brexit em desvantagem, com 46% x 53% do “não". 

O petróleo brent recua 2,05%, a US$ 50,23 o barril, após duas altas seguidas antes de dados de estoques nos EUA. Os metais também caem e o cobre é afetado por dado sobre aumento de exportação chinesa. Na Ásia, as bolsas tiveram um dia misto, com o Nikkei em alta de 1,28%, enquanto Hang Seng subiu 0,77% e Xangai teve queda de 0,34%. 

IPCA-15
Aqui no Brasil, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) colhido entre os dias 15 de maio e 15 de junho teve um aumento de 0,40%. A expectativa mediana dos economistas era de avanço de 0,50% na inflação na comparação mensal após o índice ter subido 0,86% no período anterior. Em 12 meses, a inflação ficou em 8,98%, contra 9,1% esperados. 

Cunha diz que não mentiu
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça para dar sua versão sobre os fatos que envolvem as acusações contra seu nome, que podem culminar na cassação de mandato, o presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou o pouco espaço oferecido pelos meios de comunicação para seu direito de defesa. Na avaliação do parlamentar, "há nítido cerceamento de defesa em muitos pontos".

Aos sons de buzinas de protestos que acontecem fora do recinto do pronunciamento, o peemedebista iniciou seu discurso com uma memória da relação PT-PMDB desde a gestão Lula. Diz o parlamentar que as principais acusações que pesam contra sua imagem se dão em momentos em que ele e uma parcela expressiva da bancada de seu partido fazia forte confronto ao governo.

Cunha voltou a defender que disse a verdade na CPI da Petrobras, quando alegou não manter contas no exterior. Na interpretação do parlamentar, os trusts não configuram contas controladas por ele, sobretudo por não haver comprovação de movimentação por ele realizada. O deputado afastado, no entanto, confirmou que sua esposa tinha conta no exterior, mas que não era declarada por respeitar os limites estabelecidos pelo Banco Central ao final de cada ano. "Estou absolutamente convicto que não menti", disse a jornalistas.

Confira o InfoMoney na Bolsa desta terça-feira:

 

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