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"Brexit" está virando "Bremain" e Bolsa caminha para seu 4º dia seguido de alta

Mercado reflete aumento do apetite por risco após pesquisas no Reino Unido; cenário doméstico fica indefinido com dívidas dos estados

Bandeira - Reino Unido - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (20) acompanhando a forte valorização das ações no mundo todo após pesquisas mostrarem a permanência do Reino Unido na União Europeia ganhando a dianteira a quatro dias do referendo. Ativos com perfil defensivo como dólar, ouro, iene e treasuries operam em baixa, com maior busca por ativos de risco. Por aqui, o presidente interino, Michel Temer, reúne-se com governadores para debater dívida em meio a incertezas após o Rio de Janeiro decretar estado de calamidade pública pela situação financeira.  

Às 11h58 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 2,29%, a 50.666 pontos. Já o dólar comercial recua 1,16% a R$ 3,3808 na venda, enquanto o dólar futuro para julho cai 1,05% a R$ 3,391. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 1 ponto-base a 13,77% ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem queda de 11 pontos-base a 12,53%. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao fechou estável, com leve variação positiva de 0,02% a US$ 51,06 a tonelada seca. 

Temer se reúne com governadores
Em meio ao cenário de crise econômica, os governadores dos estados se reúnem hoje, na residencia oficial de Águas Claras, com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg,  para tratar de uma pauta comum que possa ajudar os estados a recuperar a capacidade de investimento e a geração de renda. Eles vão debater a aprovação do projeto que altera as regras do Simples Nacional, a retomada das operações de crédito e defender questões específicas de cada estado para renegociar dívidas.

O encontro dos governadores vai ocorrer pela manhã e, à tarde, eles participam de reunião com o presidente interino, Michel Temer. Segundo o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, há um entendimento a respeito do tema. “A renegociação das dívidas é um passo muito importante para melhorar a condição econômica dos estados e isso pode contribuir para a retomada do desenvolvimento econômica e a criação de empregos”, disse Rollemberg, em entrevista ontem à Rádio Nacional.

No final de abril, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu por 60 dias o julgamento da ação que vai decidir que tipo de juros deve corrigir as dívidas dos estados com a União e determinou que os dois lados tentem chegar a um acordo. “Isso [um acordo] é o que vamos tentar amanhã [hoje] e estamos otimistas de buscar um entendimento com o presidente [interino, Michel Temer] o ministro da Fazenda [Henrique Meirelles]”, disse o governador.

Ações em destaque
Seguindo o bom humor externo, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,84, +3,95%; PETR4, R$ 9,24, +3,24%) disparam nesta segunda-feira, após pesquisas diminuírem as chances de Brexit - saída do Reino Unido da União Europeia, em votação prevista para a próxima quinta-feira (23). Os ativos de risco sobem com a notícia, levando os preços do petróleo para alta superior a 2% nesta manhã. Neste momento, o contrato Brent subia 1,77%, a US$ 50,63 o barril, enquanto o WTI avançava 1,92%, indo a US$ 48,90 o barril.

No radar da estatal, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, concedeu entrevista ao jornal Wall Street Journal na última sexta-feira, afirmando que está comprometido a devolver "a grandeza" à abatida estatal ao se livrar de ativos - e de ideologias obsoletas - que não servem mais para a companhia. Parente ainda confirmou que a companhia recebeu três ofertas de compra para uma fatia da BR Distribuidora, mas não deu mais detalhes sobre as negociações.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SMLE3 SMILES ON 46,77 +6,46
 CSNA3 SID NACIONALON 7,74 +5,59
 MRVE3 MRV ON 10,57 +5,07
 QUAL3 QUALICORP ON 18,72 +5,05
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,43 +4,72

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,60, +2,35%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,06, +2,24%; BBDC4, R$ 24,78, +2,35%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,70, +4,38%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 15,88, +3,93%; VALE5, R$ 12,71, +3,67%) também registram ganhos em dia de fechamento estável do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve leve variação positiva de 0,02% a US$ 51,06.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 JBSS3 JBS ON 9,38 -2,49 -20,48 17,21M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 15,70 -0,63 +16,24 11,07M
 SBSP3 SABESP ON 27,78 -0,22 +48,13 13,14M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,71 -0,17 -10,08 2,18M

 

A pior queda do dia é das ações da JBS (JBSS3, R$ 9,38, -2,49%). 

Rio de Janeiro decreta calamidade
Às vésperas da realização dos Jogos Olímpicos, o governo do Rio de Janeiro decretou na última sexta-feira (17) estado de calamidade pública em razão da crise financeira por que passa o Estado. Entre as razões apontadas pelo governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), estão os compromissos assumidos para bancar o evento, que começa em agosto.

O texto afirma que "as autoridades competentes editarão atos normativos necessários à regulamentação do estado de calamidade pública, com vistas à Olimpíada." O governo afirma no texto que a grave crise financeira "vem impedindo o Estado de honrar com seus compromissos para realização dos Jogos Olímpicos."

João Vaccari disposto a falar sobre PT
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari está mostrando cada vez mais disposição em revelar o que sabe sobre o PT e seus dirigentes. Conforme conta nota para a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo, Vaccari elevou as reclamações contra os nomes fortes da sigla nos últimos dias, alegando abandono profundo com o cerco da Operação Lava Jato.

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 subiu de uma contração de 3,60% para uma de 3,44%, para 2017 se manteve em  1,00%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,25% este ano, contra 7,19% projetados anteriormente.

Cenário externo
As bolsas mundiais têm um dia de forte alta com o menor temor sobre a votação do "Brexit" (saída do Reino Unido da União Europeia), em meio a duas pesquisas que dão vitória à permanência. Os últimos dias foram de tensão no mercado, com levantamentos que davam um cenário bem dividido ou vitória para a saída do Reino Unido na União Europeia. O referendo ocorrerá na próxima quinta-feira (23).

Na Europa, o alemão DAX tem ganhos de 3,42%, o FTSE sobe 2,74% e o CAC 40 dispara 3,32%, enquanto as bolsas asiáticas também registram fortes ganhos. O japonês Nikkei tem alta de 2,34%, e Hang Seng teve ganhos de 1,69%, enquanto Xangai teve alta menor, de 0,12%. Commodities avançam, enquanto dólar, iene, ouro e treasuries caem com menor busca por proteção. A libra tem o maior ganho diário ante o dólar em dois anos, com alta de 2%. O petróleo WTI registra ganhos de 1,69%, a US$ 48,79, enquanto o brent tem ganhos de 1,77%, a US$ 50,04. Os mercados futuros dos EUA também têm forte avanço, com o Dow Jones futuro, o S&P Futuro e o Nasdaq Futuro com ganhos de cerca de 1,3%.

Um levantamento feito pelo instituto Opinium e publicado no último domingo pelo The Observer mostra ambos os lados (Brexit e Bremain, como ficaram conhecidos os que defendem a permanência do Reino Unido no bloco) com 44% das intenções de voto. Já pesquisa realizada pelo BMG e divulgado pelo The Herald, coloca os que defendem o “Bremain” com 46% das preferências, contra 43% dos que defendem o Brexit. Um terceiro levantamento feito pelo ComRes para os jornais The Sunday People e The Independent mostrava os defensores da saída do país do bloco com 44% das intenções de voto, contra 28% dos adversários. Uma quarta pesquisa feita pelo Instituto Survation para o Mail on Sunday mostrou que o defensores da permanência lideravam a disputa por com 45% a 42%. Assim, apesar da vantagem do Bremain, as pesquisas seguem mostrando uma disputa acirrada.

O The Sunday Times também divulgou uma nova pesquisa, realizada pelo YouGov, que mostrou a campanha pró-UE com 44% das intenções de voto, apenas um ponto porcentual de vantagem sobre o lado adversário. As pesquisas ocorrem após assassinato da deputada pró UE Jo Fox; em 16 de junho, os levantamentos mostravam uma pequena vantagem a favor do Brexit. A campanha pela votação foi retomada no domingo após uma pausa de três dias.

Confira o InfoMoney na Bolsa desta segunda-feira: 

 

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