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Petrolífera preferida dos analistas dispara 11,5%; small cap salta até 26% e Oi afunda 27%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

Petróleo - Bloomberg
(Brittany Sowacke)

SÃO PAULO - Com a leve alta de 0,25% desta sexta-feira (17), o Ibovespa encerra a semana praticamente estável, aos 49.533 pontos, em um período onde 7 das 59 ações que fazem parte do índice registraram ganhos de mais de 4%, enquanto outros 6 papéis tiveram queda de pelo menos 4%.

Nas maiores altas do Ibovespa hoje, os papéis da Petrobras, que saltaram 5% ficaram entre os maiores ganhos do dia, atrás apenas das ações da Estácio e Cemig, que tiveram ganhos de 7% e 5,5%, respectivamente. Os papéis da Cemig subiram forte após notícia do Valor de que a empresa, Odebrecht e Andrade Gutierrez negociam na China a venda do controle da hidrelétrica Santo Antônio. 

Do lado oposto, as exportadoras recuaram puxadas pela terceira queda em quatro pregões do dólar frente ao real. Nas maiores quedas do índice, os papéis da Fibria e Suzano, com desvalorizações de cerca de 2%. 

Confira abaixo os principais destaques de ações nesta sexta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 11,39, +5,76%; PETR4, R$ 8,95, +5,29%)
As ações da Petrobras subiram forte puxadas pelos preços do petróleo. O contrato Brent registrou alta de 4,40%, a US$ 49,86 o barril, enquanto o WTI subia 4,11%, a US$ 48,11 o barril. 

No radar da companhia, a estatal recebeu oferta pela BR Distribuidora, disse o presidente da estatal, Pedro Parente, em entrevista à jornalista Miriam Leitão, da GloboNews, na noite de quinta-feira (16). O CEO, no entanto, não detalhou se a ideia é vender uma participação minoritária ou o controle da BR Distribuidora. Em relação à Braskem (BRKM5), disse que não há negociação nenhuma. 

Para resolver o problema do endividamento da estatal, que hoje equivale a cerca de 5 vezes a geração operacional de caixa da empresa, Parente citou o programa de desinvestimento e as parcerias, ressaltando as negociações da BR Distribuidora e da Liquigás.

Vale (VALE3, R$ 15,28, +0,33%; VALE5, R$ 12,26, +0,66%)
As ações da Vale ficaram tiveram leves ganhos seguindo também o desempenho do minério de ferro. A commodity fechou em alta de 0,69%, a US$ 51,05 a barril, no porto de Qingdao, na China. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 8,05, +2,55%) - holding que detém participação na Vale. 

Enquanto isso, as ações das siderúrgicas tiveram ganhos expressivos, como a CSN (CSNA3, R$ 7,33, +1,24%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,06, +2,49%). Por outro lado, a Gerdau (GGBR4, R$ 5,87, -1,68%) fechou o dia com perdas.

Exportadoras
As ações das exportadoras afundaram seguindo a terceira queda em quatro pregões do dólar frente ao real. O dólar comercial fechou com queda de 1,43%, a R$ 3,4196 na compra e R$ 3,4203 na venda. Entre as maiores quedas do Ibovespa apareceram as ações do setor de papel e celulose - Suzano (SUZB5, R$ 11,96, -2,29%) e Fibria (FIBR3, R$ 26,47, -2,86%) -, além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 17,96, -1,54%).

Na semana, a Fibria também aparece como a pior ação do Ibovespa, com queda de 7,4%, em meio às preocupações do mercado sobre o câmbio e preço da celulose, que viu sua expectativa piorar, principalmente para 2017, com a forte entrada de capacidade de produção da Fibria e da Eldorado prevista para o segundo semestre do ano que vem. 

QGEP (QGEP3, R$ 4,08, +11,48%)
As ações da Queiroz Galvão - que conquistou o posto de favorita dos analistas - fecharam na máxima da sessão com forte volume financeiro. O giro financeiro foi de R$ 4,8 milhões, contra média diária de R$ 2,3 milhões dos últimos 21 pregões. 

Na história da indústria petrolífera do Brasil, a QGEP Participações nunca esteve no radar da maioria dos investidores. Não é um peso-pesado como a Petrobras, nem foi tão elogiada quanto a OGX, a startup do ex-bilionário Eike Batista. Mas entre todas as produtoras, que venderam juntas mais de US$ 77 bilhões em ações após a descoberta do pré-sal, em 2007, a QGEP é a única que contabiliza mais boas histórias do que fracassos para contar. Uma década mais tarde, a petroleira tem a melhor chance de alcançar as suas metas de produção. 

A empresa é a preferida dos analistas de ações locais, sendo que nove entre 11 recomendam que os clientes adicionem a empresa às suas carteiras, segundo dados da Bloomberg. O analista Antonio Junqueira, do BTG, disse que a QGEP é a “única compra” em seu universo de cobertura de produtoras de petróleo e gás do Brasil.

“Depois de tanta frustração nos últimos anos, o setor de energia na bolsa brasileira está praticamente morto”, disse Marcos Peixoto, chefe da unidade de gestão de recursos da XP Investimentos, que está avaliando a possibilidade de comprar a ação. “A QGEP se destaca porque é mais conservadora do que as outras produtoras” (para conferir a matéria completa clique aqui).

Oi (OIBR3, R$ 1,34, -2,90%; OIBR4, R$ 1,10, -26,67%)
Em meio à crise que assola a Oi, intensificada após saída do seu presidente Bayard Gontijo na semana passada, a companhia informou nesta manhã que não alcançou nenhum acordo de renegociação de dívida. Ela ainda destacou que cerca de 60% dos recebíveis da Oi estão penhorados a bancos brasileiros.

A empresa de telecomunicações divulgou informações sobre a negociação com credores após o fim do período de confidencialidade. Os credores propuseram deter 95% das ações em renegociação; a empresa não respondeu à proposta feita pelos credores, no dia 11 de junho, segundo documentos sobre a renegociação de dívidas. A proposta também incluiu a postergação dos vencimentos por 6 anos, sem amortizações por 7 anos. O fluxo de caixa após pagamentos de juros, antes de amortização, deve ficar negativo em R$ 7 bi entre 2016 e 2018. 

Além disso, a companhia informou que um dos maiores fundos do mundo, o canadense Ontario Teachers' Pension Plan - que tem por característica proteção patrimonial - "desistiu" de parte de suas ações da Oi, após praticamente dois anos do investimento inicial na operadora. O fundo - que encerrou 2015 com US$ 171,4 bilhões em patrimônio líquido - entrou na companhia em 30 de junho de 2014, com aproximadamente 31 mil ações preferenciais. Cerca de quatro meses depois, ele decidiu "voluntariamente" converter suas ações PNs em ONs - totalizando um total de quase 39,4 mil ações ONs.

Na noite da última quinta-feira (16), a Oi comunicou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que o Fundo de Pensão dos Professores de Ontário decidiu vender parte de suas ações - ou 7.034.767 das ações ordinárias da companhia. Com a operação, ele passou a deter 32.332.099 de ações ONs da companhia, representando 4,84% do total das ações ONs da companhia. Anteriormente, sua posição correspondia a 5,89% do total das ações ONs. 

Assumindo que a operação foi realizada ao preço de fechamento de ontem (a R$1,38), o fundo perdeu 91% com venda das ações da companhia, ou R$ 97,5 milhões. Isso porque no dia 15 de outubro de 2014, um dia após o fundo informar que converteu "voluntariamente" suas ações preferenciais em ações ordinárias da Oi, os papéis da companhia fecharam cotados a R$ 15,20. Caso o fundo queira se desfazer do restante das ações, o tombo será de R$ 545,6 milhões - assumindo o preço de venda de R$ 1,38 por papel. 

Segundo Adeodato Volpi Netto, head de mercados de capitais da Eleven Financial, a sinalização da venda do Ontario é "péssima". "Quer dizer que mesmo um fundo com a característica de proteção de longo prazo desistiu da companhia. Eles preferiram sair agora do que perder tudo com a ação". Para ele, essa sinalização do Ontario foi a "cereja do bolo" da crise da Oi.  

Cemig (CMIG4, R$ 5,72, +5,93%)
A Odebrecht, a Cemig e a Andrade Gutierrez negociam Santo Antônio com chineses, segundo o Valor Econômico. O grupo de negociadores está na China negociando com estatais, entre elas China Three Gorges e State Grid, considerada a compradora mais provável, segundo o jornal, citando fontes não identificadas. O valor estimado da participação à venda é de R$ 9 bilhões. A Odebrecht, Cemig e Andrade têm 51% da Madeira Energia, que controla a hidrelétrica. A Odebrecht Energia confirmou haver negociações com alguns grupos empresariais, entre eles companhias chinesas, segundo o joenal. A Andrade Gutierrez não comentou e Cemig não respondeu a pedido de comentário do jornal. 

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 4,91, +18,89%)
As ações da small cap Brasil Pharma dispararam até 26,39% (a R$ 5,22) nesta sessão, após rumor sobre venda de ativos. Juntamente com a arrancada, o volume financeiro movimentado hoje com as ações também chamava atenção e atingia R$ 737,4 mil neste momento, contra média diária de R$ 135,7 mil dos últimos 21 pregões. 

Segundo informações de O Estado de S. Paulo, a Ultrapar (UGPA3, R$ 70,80, +0,60%) está em negociações para a compra da rede de farmácias Big Ben, que pertence à BR Pharma, do banco BTG Pactual, e ainda disputa a compra da Liquigás, de gás de cozinha, controlada pela Petrobras. O apetite do grupo Ultra, dona da rede Ipiranga, ocorre após anunciar a aquisição da distribuidora de combustíveis Ale, por R$ 2,17 bilhões no domingo passado. Nesta semana, as ações da Ultrapar acumulam alta de 6,05% na Bovespa. 

CSU CardSystem (CARD3, R$ 4,55, +4,36%)
Com alta de 13% nos últimos 3 pregões, as ações da CSU CardSystem vivem uma onda de otimismo na Bolsa este ano, após ter sido por anos abandonada pelo mercado. No acumulado de 2016, a alta é de 55%. 

Em reportagem do InfoMoney, divulgada ontem, a diretora de relações com investidores da CSU, Renata Oliva, explica que esse otimismo decorre de um longo processo de reestruturação da companhia, que viveu durante anos à sombra de um passado turbulento (clique aqui para conferir a matéria na íntegra). Na Bolsa, sua história passa por um IPO (Initial Public Offering) desastrado por conta de uma rusga com a Caixa Econômica Federal em 2006, que provocou um tombo de 90% de suas ações nos dois anos seguintes; e 4 anos depois, a perda de mais um importante cliente, o HSBC, que teve um impacto direto sobre os números do balanço no ano seguinte (em 2013), quando o lucro líquido despencou para apenas R$ 179 mil.

"Começamos então um trabalho de reposicionamento da CSU para que ela fosse conhecida como uma empresa completa de soluções tecnológicas, com a criação de novas frentes de negócio", explicou. Segundo ela, essa disparada das ações é decorrente também de um longo trabalho do RI para se reaproximar de fundos de investimentos que fazem sentido, o que tem ajudado a aumentar o giro financeiro da ação na Bolsa. Enquanto o giro financeiro diário do papel era, em média, de R$ 70 mil, em 2015; atualmente, esse volume saltou para R$ 690 mil por dia. 

Vigor (VIGR3, R$ 24,05, +2,34%)
A Vigor Alimentos informou hoje as condições para fechamento de capital. O leilão da oferta da companhia alimentícia, controlada pela holding J&F, será no dia 19 de julho e envolverá 13.385.622 ações ordinárias. O preço da oferta é de R$ 25,00 por ação. 

 

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