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Ibovespa cai 2% e tem 3ª queda em 4 pregões pressionado por "Brexit" e Fomc

Mercado tem dia de forte volatilidade e desaba sem freio por conta do medo dos investidores de grandes eventos não precificados

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SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em forte queda nesta terça-feira (14), a sua terceira em quatro pregões. O índice teve um dia bastante volátil, abrindo em baixa, virando para alta nos primeiros minutos da sessão e depois desabando novamente. 

 O principal motivo do forte desempenho negativo de hoje foi a aversão a risco nos mercados voltando a pesar depois que o tabloide sensacionalista britânico, The Sun, posicionou-se a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. Além disso, analistas também ficam mais cautelosos com a proximidade da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) de quarta-feira, por receio de que o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, indique um aumento de juros mais cedo do que o esperado. Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 caíram 0,33% e 0,18% respectivamente, enquanto as bolsas europeias fecharam o pregão em baixas de 2%. 

O benchmark da bolsa brasileira teve queda de 2,04%, a 48.648 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,141 bilhões. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,19% a R$ 3,4786 na compra e a R$ 3,4800 na venda, enquanto o dólar futuro para julho virou no final para queda de 0,06% a R$ 3,495. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera em alta de 4 pontos-base a 13,74%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 sobe 4 pontos-base a 12,62%. 

Por aqui, o mercado reagiu apenas timidamente à entrega das investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de volta para o juiz federal Sérgio Moro. O mercado ainda ficou de olho nas discussões sobre a entrega do novo teto de gastos do governo no Congresso. Segundo a Folha de S. Paulo, entre as propostas em estudo pelo presidente interino, Michel Temer, está a de que o teto vinculado à inflação do ano anterior vigore até 2022. 

Segundo o economista-chefe do home broker da Modalmais, Álvaro Bandeira, o que está fazendo mais preço é a saída do Reino Unido da União Europeia, junto com os dados mostrando a desaceleração da economia chinesa. Mas o mercado também repercute o noticiário interno, com destaque para a Lava Jato e os ajustes na economia. "Na hora em que há andamento de processos, os mercados reagem positivamente, uma vez que o Brasil está sendo passado a limpo".

O fato dos inquéritos contra Lula irem para as mãos de Sérgio Moro também está sendo levado em conta pelo mercado, uma vez que afasta a possibilidade de volta, em meio às últimas pesquisas que mostram o ex-presidente na frente das pesquisas.

Força-tarefa prepara denúncias contra Lula
Algumas horas depois da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki de devolver ao juiz federal Sergio Moro as investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba finaliza um pacote de até três denúncias contra o petista por crimes descobertos no "petrolão".

Conforme conta matéria publicada no portal da revista Época, os investigadores dizem já possuir provas para denunciar Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por favores recebidos das empreiteiras Odebrecht e OAS e do pecuarista José Carlos Bumlai pelo sítio em Atibaia, pelo aluguel de contêineres para o transporte de acervo do ex-presidente de Brasília para o sítio e pela reserva do apartamento tríplex do Guarujá.

Segundo o jornalista Daniel Haidar, a ideia é que seja apresenta uma acusação para cada ato, o que tende a mitigar os efeitos de uma maior lentidão no julgamento. Na hipótese mais otimista, diz a matéria, o Ministério Público pode pedir que Lula seja condenado a pelo menos 15 anos de prisão.

Moody's fala sobre recessão
A agência de classificação de risco Moody's afirmou que o impacto positivo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) do Brasil tem sido erodido, já que governos regionais e o federal minaram as intenções da legislação a fim de manter seus níveis de gastos durante a recessão. Segundo a agência, o governo federal brasileiro continua a gastar "pesadamente" durante a recessão, dependendo em alguns momentos da "contabilidade não ortodoxa" para ocultar o impacto disso em seus balanços primários e na dívida.

A Moody's diz que o governo brasileiro usou bancos estatais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e a Caixa, para pagar benefícios sociais, antes de reconhecer esses pagamentos como uma retirada de suas próprias contas. Vice-presidente sênior da Moody's e coautor de um relatório sobre o tema, Gersan Zurita afirma que a lei de responsabilidade fiscal não mais força uma disciplina fiscal do setor público no País, como ocorria na década seguinte à introdução da medida, em 2000. "Isso é negativo para o crédito", afirma Zurita, em comunicado da agência.

Vendas no varejo 
Aqui e nos Estados Unidos saíram os dados de consumo relativos aos meses de abril e maio respectivamente. No Brasil, a Pesquisa Mensal do Comércio, com os dados das vendas do varejo de abril mostrou um avanço de 0,5% na comparação com março, em linha com a expectativa mediana dos economistas. Na comparação anual, o indicador caiu 6,7%, contra 6,6% estimados. 

Já nos EUA, saíram às 9h30 as vendas no varejo, que tiveram uma expansão de 0,5%, contra expectativa mediana dos economistas de alta de 0,3% em maio. O dado mantém viva a possibilidade de aumento dos juros nos EUA em julho ou setembro deste ano.  

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,48, -3,14%; PETR4, R$ 8,30, -3,71%), caíram forte, acompanhando os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 0,92% a US$ 48,42, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha perdas de 1,25% a US$ 49,72. No radar, a estatal vai retomar as negociações com os empregados para implementar mudanças no acordo coletivo propostas no ano passado, ainda durante a presidência de Aldemir Bendine, segundo fonte da empresa ouvida pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A empresa quer reduzir a jornada de trabalho para 6 horas e os salários em 25%. Numa primeira tentativa, diante da resistência dos sindicatos, Bendine abandonou o plano. Mas seu substituto, Pedro Parente, dá como certo que conseguirá promover as mudanças, que integram o programa de ajuste das finanças. A redução da jornada de trabalho e dos salários faz parte das negociações do acordo coletivo que será implementado a partir de setembro. As conversas com os sindicatos começam em breve e devem ser concluídas até o início de agosto. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 USIM5 USIMINAS PNA 1,67 -5,65 +7,74
 CSNA3 SID NACIONALON 6,67 -4,71 +66,75
 QUAL3 QUALICORP ON 16,49 -4,41 +23,29
 SANB11 SANTANDER BRUNT 17,21 -4,07 +12,91
 CESP6 CESP PNB 11,45 -3,86 -14,03

Já a Vale (VALE3, R$ 14,63, -3,75%; VALE5, R$ 11,81, -2,48%) voltou a cair junto com a queda do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve um tombo de 4,42% a US$ 50,57. No noticiário corporativo, a mineradora informou que a ação Civil Pública de R$ 20 bilhões ajuizada pela Sohumana Sociedade Humanitária Nacional contra a Samarco Mineração e suas acionistas, BHP Billiton e Vale, na 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro, foi julgada extinta, sem resolução do mérito, por sentença transitada em julgado.

A ação Civil Pública ajuizada pela Sohumana, informada pela Vale em 7 de dezembro de 2015, solicitava pagamento de indenização por danos ambientais e patrimoniais supostamente causados em acidente na barragem de Fundão da Samarco, em Mariana (MG).

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes também fecharam em baixa. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,61, -1,45%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,23, -1,56%; BBDC4, R$ 23,96, -1,96%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,11, -2,79%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 SMLE3 SMILES ON 45,10 +0,65 +39,08

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 8,30 -3,71 554,24M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 28,61 -1,45 450,36M
 VALE5 VALE PNA 11,81 -2,48 340,27M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,57 -1,80 299,39M
 BBDC4 BRADESCO PN 23,96 -1,96 292,67M
 CIEL3 CIELO ON 32,31 -0,19 215,85M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 15,82 -0,50 197,73M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,09 -1,94 159,38M
 BRFS3 BRF SA ON 45,42 -2,89 159,24M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,11 -2,79 142,33M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Dados da Europa
De volta ao radar por conta do risco de "Brexit", uma saída do Reino Unido da União Europeia, a Europa divulgou dados importantes hoje. A produção industrial da zona do euro teve desempenho mais forte do que o esperado em abril, tanto na comparação mensal quanto no confronto anual, subindo pela primeira vez em três meses. Este é um sinal de que a recuperação econômica modesta continuou, apesar de uma demanda mais fraca em suas exportações para economias em desenvolvimento. Dados da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, mostram que a indústria do bloco avançou 1,1% em abril ante março. Em relação a igual mês do ano passado, a produção cresceu 2,0% em abril. Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam alta de +0,6% no resultado mensal e acréscimo anual de 1,2%.

Comissão do impeachment
Por aqui, hoje será mais um dia de trabalhos da Comissão Especial de Impeachment no Senado. Às 11h, a comissão ouvirá cinco testemunhas: o ex-secretário do Tesouro Nacional Marcelo Barbosa Saintive; o ex-coordenador-geral de Programação Financeira do Tesouro Nacional Marcelo Pereira de Amorim; o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, André Nassar; o ex-secretário adjunto da Casa Civil da Presidência da República, Gilson Alceu Bittencourt, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

Vale ressaltar que, na véspera, o presidente da Comissão Processante do Impeachment no Senado Federal, Raimundo Lira (PMDB-PB), designou um grupo de três técnicos legislativos da Casa para periciarem os documentos e relatórios do TCU (Tribunal de Contas da União) que servem de base para o processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff. A decisão atende a determinação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federa),  Ricardo Lewandowski, que acatou recurso da defesa de Dilma para a realização da perícia. Lewandowski, que é a última instância recursal do processo, considerou que a realização da perícia não resultará em custos adicionais e evitará arguição de nulidade do processo por parte da defesa futuramente.

Dilma e delações
Segundo o Estadão, Dilma vai se reunir nesta terça-feira com senadores e representantes de movimentos sociais para discutir a proposta de uma consulta popular sobre a realização de novas eleições. Ela quer aproveitar o ambiente de crise instalado pelos pedidos de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), para tentar ganhar votos de parlamentares indecisos ou favoráveis ao impeachment.

Ainda no campo político, vale destacar as notícias da Folha de S. Paulo de que em negociações para fechar delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro relatou a procuradores que representantes de Marina Silva lhe pediram contribuição para o caixa dois da campanha presidencial em 2010 porque ela não queria aparecer associada a empreiteiras, segundo informa o jornal Folha de S. Paulo. Ela foi candidata à Presidência pelo PV naquele ano e acabou a disputa, vencida por Dilma Rousseff, em terceiro lugar. 

O mesmo jornal aponta ainda que a OAS citou o senador e chanceler José Serra (PSDB-SP) nas negociações para firmar acordo de delação; ele integra lista de quase uma centena de políticos sobre os quais a empresa promete dar informações detalhadas de contribuições para campanhas eleitorais. Segundo a colunista Mônica Bergamo, Serra também pode integrar a delação de Odebrecht. 

 

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