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Ibovespa sobe 1% com "boas notícias" e virada do petróleo; dólar tem leve alta

Fusão de Estácio e Kroton, avanço surpreendente da indústria e aprovação da DRU voltam a fazer preço

Investidor Telefone Trader
(Shutter Stock)

SÃO PAULO - O Ibovespa abriu em alta, virou para queda e agora finalmente firma alta nesta quinta-feira (2), com dados positivos e noticiário político agora ajudados pela virada do petróleo. O desempenho da commodity era negativo mais cedo por causa da falta de um acordo para impor um teto na produção pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Contudo, os estoques de petróleo caíram em 1,37 milhão de barris, o que impulsionou a alta.

Às 13h57 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha alta de 1,29%, a 49.644 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 0,18% a R$ 3,5945 na venda, enquanto o dólar futuro para julho cai 0,38% a R$ 3,624. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 1 ponto-base a 13,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 16 pontos-base a 12,64%. 

Por aqui, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a DRU (Desvinculação das Receitas da União) em primeiro turno, ao mesmo tempo em que foi aprovado o reajuste do Judiciário, com aval de Temer, o que parece uma notícia ruim, mas é algo que já estava previsto no Orçamento com rombo de R$ 170 bilhões. 

Entre as commodities, o minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve queda de 0,45% a US$ 48,18 a tonelada seca. 

Lá fora, o BCE (Banco Central Europeu) anuncia novo estímulo e anima as bolsas.  

Produção industrial
Hoje saiu a Produção Industrial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que cresceu 0,1% entre março e abril. A expectativa mediana dos economistas era de um recuo de 0,9% na atividade do setor na comparação mensal, contra o avanço de 1,4% registrado em março. O número, que faz parte da Pesquisa Industrial Mensal, saiu às 9h. Na comparação anual, a produção industrial caiu 7,2%, ante a expectativa mediana de queda de 8,7%.  

Entre os setores, os principais impactos positivos foram em produtos alimentícios (4,6%), produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,0%), com o primeiro apontando a segunda alta consecutiva e acumulando nesse período crescimento de 10,9%; e o último eliminado parte do recuo de 6,7% verificado em março. Nesses ramos, o resultado desse mês foi influenciado, em grande parte, pela antecipação da moagem da cana-de-açúcar. Outras contribuições positivas importantes vieram de indústrias extrativas (1,3%), de celulose, papel e produtos de papel (2,7%), de máquinas e equipamentos (2,0%), de bebidas (2,4%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,9%).

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,72, +2,98%; PETR4, R$ 8,37, +2,32%), operam em alta, ganhando força junto com os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) sobe 0,55% a US$ 49,28, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 0,88% a US$ 50,16. O recuo do petróleo mais cedo tinha sido causado pela falta de acordo na última reunião da Opep. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 ESTC3 ESTACIO PARTON 13,40 +20,94
 KROT3 KROTON ON 12,94 +15,43
 CSNA3 SID NACIONALON 6,77 +6,28
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 56,79 +4,36
 USIM5 USIMINAS PNA 1,73 +4,22

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes sobem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,74, +0,92%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,30, +2,16%; BBDC4, R$ 23,76, +2,40%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,68, +0,66%) avançam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark. 

Ainda entre as altas, o melhor desempenho do índice fica com as ações da Estácio (ESTC3, R$ 13,40, +20,94%), que disparam após interesse da Kroton (KROT3, R$ 12,93, +15,34%) pela educacional. A Kroton, maior empresa de educação do mundo, contratou o banco de investimento Itaú BBA para assessorá-la numa oferta pela rede carioca Estácio, segundo informações da revista Exame. De acordo com a publicação, as negociações ainda não começaram — mas a Kroton pretende levar uma proposta formal aos conselheiros da Estácio nas próximas semanas. A revista ainda afirma que, caso o conselho da Estácio barre a proposta, é possível que Rodrigo Galindo, presidente da Kroton, faça uma oferta hostil pelo controle, ou seja, encaminhar uma proposta diretamente aos acionistas da empresa.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 WEGE3 WEG ON 14,63 -1,75
 JBSS3 JBS ON 10,15 -1,65
 TIMP3 TIM PART S/AON 6,91 -1,43
 SMLE3 SMILES ON 39,55 -1,10
 FIBR3 FIBRIA ON 33,03 -0,81

Entre as quedas, o pior desempenho do Ibovespa era da Weg (WEGE3, R$ 14,63, -1,75%). 

Votação da DRU e cenário político
Em uma vitória para o governo interino de Michel Temer, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno, na madrugada de hoje, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 31 de dezembro de 2023. Foram 334 votos a favor, 90 contrários e duas abstenções. A PEC eleva de 20% para 30% o percentual que pode ser remanejado da receita de todos os impostos e contribuições sociais federais. Também cria mecanismo semelhante para estados, municípios e o Distrito Federal.

Além disso, a Câmara aprovou aumento para 16 categorias do funcionalismo federal, com impacto de R$ 58 bilhões até 2019. No cenário político, os jornais de hoje apontam que os senadores estão reavaliando seus votos pelo impeachment e que a presidente Dilma Rousseff, caso consiga barrar sua saída, proporá novas eleições. Saiba mais clicando aqui. 

BCE
O BCE (Banco Central Europeu), decidiu manter as taxas de juros básicas em 0% na reunião desta quinta-feira. Já a taxa de depósitos ficou em -0,4%, em linha com a expectativa mediana dos economistas. A terceira taxa, de empréstimo marginal, também foi mantida, em 0,25%. Outra medida anunciada hoje é o início das compras de títulos corporativos a partir do dia 8 de junho. 

Fala de Meirelles
O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, foi convidado para falar hoje às 9h30 na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviço na Câmara dos Deputados. A audiência pública será realizada para debater sobre a conjuntura econômica, em especial sobre a crise fiscal e financeira sobre as perspectivas da economia nacional. 

 

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