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Ibovespa sobe 1% puxado por Petrobras e bancos com correção das perdas de ontem

Correção das empresas do setor financeiro ajuda mercado a sair do pessimismo que tomou conta no começo da sessão

Trader 1
(Shutter Stocks)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quarta-feira (1), mais um dia de forte volatilidade no índice. A Bolsa abriu estável, virou para queda e depois foi ganhando força até firmar um movimento positivo no começo da tarde, puxado principalmente pelas ações de bancos. Hoje, as empresas do setor financeiro corrigiram perdas depois de caírem forte ontem com o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. No cenário macro doméstico, a DRU (Desvinculação das Receitas da União) foi aprovada em comissão na Câmara dos Deputados.

O benchmark da bolsa brasileira registrou ganhos de 1,12%, a 49.014 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,697 bilhões. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,68% a R$ 3,5867 na compra e a R$ 3,5879 na venda, enquanto o dólar futuro para julho recuou 0,51% a R$ 3,625. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 5 pontos-base a 13,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para queda de 8 pontos-base a 12,77%. 

No radar hoje, o mercado chegou a ficar nervoso pela manhã com as especulações de que o PT já vê como mais que provável uma vitória da presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment por conta do "péssimo começo" da gestão Temer, que já teve a queda de dois ministros diante de gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. 

Votação da DRU
A comissão especial da Câmara que analisa a recriação Desvinculação de Receitas da União (DRU) aprovou, ressalvados os destaques, o parecer do relator, deputado Laudivio Carvalho (SD-MG). Foram votos 20 favoráveis e quatro contra.

O texto (PEC 4/15 e apensados) permite ao governo realocar livremente 30% das receitas obtidas com taxas, contribuições sociais e de intervenção sobre o domínio econômico (Cide), que hoje são destinadas, por determinação constitucional ou legal, a órgãos, fundos e despesas específicas.

Delação da OAS emperra
As negociações para uma delação premiada do sócio da empreiteira OAS, Léo Pinheiro, ficaram travadas desde que o empresário, condenado a 16 anos de prisão, inocentou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos casos do sítio em Atibaia e do triplex no Guarujá. Segundo a Folha de S. Paulo, Pinheiro teria dito que as obras que a OAS fez no apartamento de Lula foram uma forma da empresa agradar ao ex-presidente, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha recebido.  

PIB
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teve queda de 0,3% no primeiro trimestre de 2016 na comparação com o quarto trimestre de 2015, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta-feira. No acumulado de 12 meses, a queda foi de 4,7%. Analistas estimavam retração de 0,8% no primeiro trimestre de 2016 frente ao quarto trimestre, levando em conta a mediana das estimativas da pesquisa Bloomberg. Em 12 meses, era esperada queda de 5,9%.

Ações em destaque
As ações do Bradesco (BBDC3, R$ 23,22, +1,10%; BBDC4, R$ 24,78, +1,10%) subiram forte, corrigindo as fortes perdas do último pregão. Ontem, as ações despencaram 6% após o indiciamento do presidente da instituição Luiz Carlos Trabuco.

A notícia de que a Polícia Federal pediu o indiciamento do presidente do Bradesco, e de outros dois executivos do banco, no âmbito da Operação Zelotes, fez o banco perder cerca de R$ 6 bilhões em valor de mercado. Com a queda das ações, o valor do banco caiu de R$ 136 bilhões para R$ 130 bilhões. Um novo desdobramento da Zelotes envolvendo o Bradesco já era esperado, mas o envolvimento do nome de Trabuco causou surpresa, segundo fontes ligadas ao banco.

Em nota, o Bradesco negou a contratação de serviços do grupo investigado na Zelotes e que Trabuco tenha participado de conversas com os lobistas. O banco destacou que foi derrotado por seis votos a zero no julgamento do Carf. "O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente, por meio do seu corpo de advogados. O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e reafirma sua confiança na Justiça", acrescentou o banco, em nota.

Assim como ontem, as ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,47, +1,50%) seguiram o Bradesco e avançaram, corrigindo boa parte das quedas de ontem. 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,41, +2,26%; PETR4, R$ 8,18, +1,74%), terminaram o dia em alta, apesar do desempenho errático dos preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) subiu 0,18% a US$ 49,19, ao mesmo tempo em que o barril do Brent teve leve alta de 0,06% a US$ 49,92. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 QUAL3 QUALICORP ON 16,29 +6,82 +21,79
 NATU3 NATURA ON 23,82 +5,77 +2,49
 RADL3 RAIADROGASILON 59,81 +3,59 +69,05
 WEGE3 WEG ON 14,89 +3,47 +0,53
 JBSS3 JBS ON 10,32 +3,20 -12,51

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 14,43, +1,48%; VALE5, R$ 11,34, +0,89%), por outro lado, operaram entre perdas e ganhos em um dia de forte queda do minério de ferro e após os dados desanimadores da China. O minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em queda de 3,49%, a US$ 48,40. A cotação do minério é um importante balizador para o desempenho das ações da Vale, já que é o seu principal produto.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 CSNA3 SID NACIONALON 6,37 -2,60 +59,25
 TIMP3 TIM PART S/AON 6,98 -1,97 +4,47
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 14,38 -1,91 -21,39
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,81 -1,87 -23,56
 CESP6 CESP PNB 11,90 -1,73 -10,66

 

Entre as quedas, as ações da Suzano (SUZB5, R$ 14,38, -1,91%) caíram após incêndio em um dos centros de distribuição de papel. Na mínima do dia, os papéis caíram 3,48%. A companhia informou na noite de terça-feira que o foco de incêndio foi controlado por volta de 21h (horário de Brasília) o foco de incêndio. Ele atingiu a área de armazenagem de papel de um dos prédios de sua Unidade Suzano (SP).  

A companhia informou que a unidade de produção de celulose e as máquinas de papel não sofreram danos, mas que foram paralisadas por motivos de segurança e a produção está sendo retomada de acordo com a liberação da área. "Companhia possui flexibilidade de produção e estoques em outras unidades e está trabalhando para minimizar os impactos para os clientes", disse a Suzano em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 8,18 +1,74 364,16M
 BBDC4 BRADESCO PN 23,22 +1,84 329,00M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 29,47 +1,50 302,54M
 VALE5 VALE PNA 11,34 +0,89 233,72M
 ITSA4 ITAUSA PN ED 7,28 +2,18 225,19M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,34 +1,20 194,60M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,57 +0,61 175,24M
 CIEL3 CIELO ON 32,00 +0,79 157,10M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON EJ 16,04 +0,75 151,86M
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 27,14 -0,44 113,79M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Maioria dos estados está no vermelho
Dos 27 estados brasileiros, 18 já estão com as contas no vermelho nos últimos 12 meses encerrados em abril. A situação do Rio de Janeiro é a mais grave com déficit primário de R$ 4,2 bilhões em abril, seguido por Ceará com déficit de R$ 2,2 bilhões e Bahia com R$ 1,3 bilhões. Com o quadro se deteriorando cada vez mais, a equipe econômica pode conceder um alívio no pagamento das dívidas com a União. A ideia do governo é propor um desconto entre 60% e 80% das parcelas pagas mensalmente. Os secretários de Fazenda estaduais querem carência de até dois anos. 

PMIs da China
Ontem saíram os Purchasing Managers Index da indústria medidos pela Caixin/Markit e de serviços da China, medidos pela agência estatal NBS. Os dados de maio foram de 50,1 para a indústria e de 53,1 para os serviços. Em abril, o PMI da indústria ficou em 49,4 pontos e o de serviços bateu 53,5 pontos. Vale lembrar que resultados superiores a 50 pontos indicam aceleração, ao passo que números mais baixo refletem contração.

Livro Bege do Fed
O mercado de trabalho está melhorando na maioria das regiões dos Estados Unidos, o que tem levado os salários a crescer moderadamente para muitos trabalhadores, afirmou o Federal Reserve nesta quarta. A avaliação consta do Livro Bege, sumário das condições econômicas que embasa as decisões de política monetária do banco central norte-americano. Na maior parte dos EUA, o Livro Bege aponta que o crescimento econômico é "modesto".

O relatório aponta que as condições econômicas regionais mostraram que havia um mercado de trabalho com menos ociosidade na maioria dos distritos. O crescimento do emprego e dos salários foi descrito como modesto, com aumentos nos salários "concentrados em áreas de mercado de trabalho com menos ociosidade".

 

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