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Eletrobras desaba 20% em 3 dias, bancos sobem até 3% e Cielo cai com corte do Santander

Confira os destaques da Bovespa nesta quarta-feira (18)

Eletrobras
(Divulgação/Eletrobras)

Petrobras (PETR3, R$ 12,23, -1,37%; PETR4, R$ 9,38, -1,26%)
Acompanhando o cenário externo negativo com as chances maiores de alta de juros pelo Federal Reserve e seguindo a queda do preço do petróleo, as ações da Petrobras registram queda. O brent tem baixa de 0,49%, a US$ 49,04 o barril.

No noticiário da estatal, destaque para a notícia de que  Petrobras (PETR3;PETR4) captou nesta terça-feira 6,75 bilhões de dólares com o lançamento de bônus no mercado internacional de 5 e 10 anos, na primeira oferta global de uma empresa brasileira desde junho e a primeira desde o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Conforme destaca o BTG Pactual, enquanto o yield da emissão estabelece um custo bastante elevado da dívida para Petrobras, este é ofuscado pela reafirmação da capacidade de explorar os mercados de dívida. A LCA Consultores ressalta que a mudança de governo, a perspectiva de que haverá um encaminhamento aos problemas financeiros da Petrobras e a recuperação dos preços do petróleo contribuíram para a redução dos seus prêmios de risco e para o sucesso de emissão.

Veja mais: Petrobras está de volta! Estatal aproveita otimismo com Temer e surpreende no mercado externo

Destaque ainda para a notícia da Reuters de que o ex-ministro Pedro Parente deve ser anunciado presidente-executivo da Petrobras até sexta-feira. Ex-ministro da Casa Civil do governo de Fernando Henrique Cardoso, Parente está no exterior em viagem e a decisão será oficializada quando ele retornar ao Brasil. Para a Folha de S. Paulo, Parente afirmou que não houve convite formal para presidir a companhia. Por fim, a petroleira e a ANP assinaram a prorrogação de campos Marlim e Voador.

Bancos 
Depois de cair por 5 pregões seguidos, as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,69, +3,03%) têm fortes ganhos hoje, assim como as demais ações dos grandes bancos listados na Bovespa. O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,98, +2,38%), que acumulava 4 quedas nos últimos 5 pregões, também sobe hoje. Da mesma forma, a ação do Bradesco (BBDC4, R$ 25,48, +1,68%), que subia hoje após cair por três pregões seguidos. O movimento positivo do setor ajudava a puxar a alta do Ibovespa, que deixava terreno negativo atingido nesta manhã e operava em leve alta. 

Eletrobras (ELET3, R$ 6,33, -9,43%; ELET6, R$ 11,22, -6,50%)
A Eletrobras "jogou a toalha" e anunciou ontem que vai perder o prazo para divulgação dos formulários 20-F relativos aos exercícios sociais de 2014 e 2015. O prazo era até essa quarta-feira.
 Como consequência, a equipe da Nyse deu iniciou hoje ao procedimento para cancelar a listagem dos ADRs da estatal negociados na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), segundo comunicado da bolsa americana. A reação na Bovespa era mais uma dia de derrocada dos papéis. Nessa semana, as ações ordinárias da companhia acumulam queda de 20%, enquanto as preferenciais recuam 14%.  

O atraso na entrega das contas da estatal deve-se a investigações internas relativas a corrupção, que estão sendo conduzidas pelo escritório Hogan Lovells. Segundo fato relevante divulgado pela companhia, elas ainda não estão substancialmente completas.

"Nós entregamos todo o material de investigação interna ao auditor, mas foi bem em cima da hora e provavelmente o auditor contratado vai reprovar e pedir mais tempo", disse à Reuters uma fonte da empresa. "Isso porque a cada apuração feita se encontra possíveis novos indícios de irregularidades que estimulam novas investigações", acrescentou. De acordo com a estatal, não há chance de nova extensão de prazo pela Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), que deve suspender a autorização para negociação dos American Deposit Receipts(ADRs) da companhia, enquanto corre o processo de deslistagem. "Deixar de ter os ADRs negociados sem dúvida não é positivo para a imagem da empresa, mas queremos ir a fundo nos malfeitos", disse a fonte da estatal. Se acontecer a deslistagem, a Eletrobras disse que pretende apresentar recursos e está trabalhando para permitir que os ADRs possam ser negociados no mercado de balcão. Os donos dos títulos poderão pedir o cancelamento de papéis ou a migração para ações na BM&FBovespa. 

Ainda não existe um valor definitivo que deverá ser pago caso a Eletrobras acabe saindo da Bolsa de Nova York, mas uma coisa é certa: as contas públicas serão bastante prejudicadas. Jucá afirmou nesta semana que o passivo da companhia pode acabar tendo que ser incluído no resultado fiscal, aumentando o rombo previsto para o ano de 2016.

Segundo ele, no cenário mais pessimista, o impacto seria de R$ 40 bilhões, mas os técnicos da área econômica acreditam que o número mais provável seja em torno de R$ 15 bilhões. Caso isso ocorra, o déficit primário do governo central (que abrange os números do Tesouro, da Previdência e do Banco Central) vai superar as previsões mais pessimistas até agora, que apontam um rombo de R$ 125 bilhões.

Veja mais: A "bomba-relógio" de até R$ 40 bi que pode estourar nas mãos da Eletrobras a partir de hoje

Cemig (CMIG4, R$ 5,82, -2,02%)
Além da Eletrobras, outra companhia que está com problemas nos EUA é a estatal mineira Cemig. A empresa informou nesta quarta-feira que não arquivou o Formulário 20-F junto à SEC, órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos, porque ainda não foram concluídas investigações sobre suposta corrupção na Norte Energia, consórcio responsável pela hidrelétrica de Belo Monte.

A Cemig, que já havia informado um atraso no envio do 20-F, diz agora entender ser necessário aguardar a conclusão das investigações na Norte Energia para eliminar ressalvas no formulário, para só então realizar o arquivamento, cuja data prevista não foi informada.

Vale (VALE3, R$ 15,15, +0,13%; VALE5, R$ 12,40, 0,0%)
Seguindo o desempenho do mercado, as ações da Vale ganham força e deixam o terreno negativo após caírem 3% nesta manhã. Acompanham o desempenho as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 7,03, -2,63%) - holding que detém participação na Vale. 

Corrobora para a alta das ações hoje o desempenho do minério de ferro. A commodity fechou em alta de 1,8%, a US$ 56,78 a tonelada, segundo cotação do porto de Qingdao, na China.   

Siderúrgicas
As ações ligadas a commodities dão um salto nesta manhã, após início de pregão bem negativo. Com a retomada da alta do Ibovespa, os papéis da CSN (CSNA3, R$ 8,22, -0,36%) praticamente zeravam perdas, enquanto 
Gerdau (GGBR4, R$ 6,04, +0,67%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,19, 0,0%) já operavam no positivo. Divergia do desempenho as ações da Usiminas (USIM5, R$ 2,12, -1,85%), que ainda operavam em queda hoje. 

No radar do setor, o HSBC elevou hoje o preço-alvo das ações da CSN, de R$ 3,70 para R$ 5,10, em meio à expectativa de mais duas revisões para cima no preço do aço esse ano e após dados do 1° trimestre. Analistas do banco esperam que a companhia suba mais duas vezes - em cerca de 10% - os preços do aço. A revisão deve ocorrer em maio e junho, após elevação já realizada em abril. Eles, no entanto, mantiveram recomendação da ação em 'reduzir'. 

Cielo (CIEL3, R$ 32,76, -2,76%)
As ações da Cielo caem forte. A companhia teve a recomendação rebaixada de manutenção para venda pelo Santander, enquanto o preço-alvo foi elevado de R$ 30,00 para R$ 34,00.

Qualicorp (QUAL3, R$ 15,36, +0,59%)
O BTG Pactual elevou o preço-alvo das ações da Qualicorp - de R$ 20,00 para R$ 21,00 -, após conversas com diretores da companhia que, de maneira geral, mostraram o grande foco da companhia na política de corte de custos e despesas. Juntamente com o preço-alvo, os analistas do banco elevaram suas projeções para Ebitda e LPA (Lucro Por Ação) de 2016 em 5,5% e 3,5%, respectivamente. 

Os analistas ressaltaram que continuam gostando do case e, mesmo admitindo que o fluxo de notícias continue a ser um impeditivo de revisão mais forte do papel, seguem considerando o valuation da ação bem atrativo. A recomendação do banco é "compra".

BB Seguridade (BBSE3, R$ 26,48, +1,22%)
As ações da BB Seguridade têm dia de alívio, após derrocada de 22% do dia 22 de abril até o fechamento de ontem. Em relatório, analistas do BTG Pactual ressaltaram a preocupação dos investidores sobre o case, que vem mostrando fraca performance, mas que não viram nada de novo. Para eles, o movimento tem relação com o resultado fraco do Banco do Brasil e a volta do receio de uma potencial necessidade de capital no banco.

Além disso, eles comentam que notícias recentes de mudança na direção também pode ser uma justificativa, dado que existia por parte de alguns a expectativa da volta de Ivan Monteiro (grande entusiasta de BB Seguridade) para posição de CEO da instituição, mas que não parece ser o caso, como mostra o noticiário. Na véspera, o jornal O Globo que Gustavo do Vale era o mais cotado para substituir Alexandre de Abreu no comando da estatal.

Segundo analistas, preocupações sobre a receita líquida da seguradora e queda da taxa de juros também contribuem para a pressão que tem se visto nos papéis. Esses dois fatores indicam que "o lucro não pode crescer nada em 2017", comentam. Para eles, o "momentum" é ruim para a ação, embora gostem do valuation nesse nível (eles ressaltam bom carrego dado os dividendos e visibilidade razoável de resultados). "Se os dados da Susep de abril, que saem na próxima segunda-feira, vieram um pouco melhores (essa é a expectativa), o papel deve se recuperar um pouco na Bolsa", alertaram. 

Construtoras
As ações de empresas do setor de construção registram queda, com destaque para a MRV Engenharia (MRVE3, R$ 11,15, -2,36%) e para Direcional (DIRR3, R$ 6,16, -2,22%), que caem mais de 2%.  Vale ressaltar que, na véspera, o  ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), revogou uma portaria editada nos últimos dias do governo Dilma Rousseff (PT) que autorizava a Caixa Federal a contratar a construção de até 11.250 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.

As obras previstas seriam administradas por entidades escolhidas pelo governo e destinadas à faixa 1 do programa, que atende famílias com renda mensal de até R$ 1.800. No dia em que assumiu, Araújo afirmou que faria uma "auditoria em todos os números da pasta" para "libertar as amarras ideológicas e a burocracia que dificultam a execução das obras". 

JBS (JBSS3, R$ 11,86, +1,80%)
Após caírem na véspera, as ações da JBS são novamente destaque de alta na sessão desta quarta-feira, registrando ganhos superiores a 2%. Os papéis da companhia seguem em trajetória de alta na Bovespa desde o anúncio de que vai transferir ativos responsáveis por 80% de seu faturamento para uma nova empresa com sede na Irlanda, na semana passada. A companhia também vai abrir o capital na Bolsa de Nova York e, com as duas ações, ter mais acesso ao mercado financeiro internacional. 

Na semana passada, após o comunicado da empresa, o HSBC soltou um relatório ressaltando visão positiva para a empresa. "Esse passo pode promover uma importante geração de valor para a empresa, assim como outras no setor", destacou o banco. Os analistas citam que, com o novo conselho, a companhia elimina o maior risco de sua atividade de hedge e reduz os descontos gerados pela governança e risco País. Eles reiteraram compra para as ações. "A JBS deve aparecer para uma grupo maior de investidores se a proposta for executada corretamente", disseram. 

 

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