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Bancos afundam até 5%, Eletrobras desaba 7%, Vale sobe 3% e Lojas Americanas dispara 6%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Banco do Brasil - loja-conceito de Brasília
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa passou por forte correção nesta terça-feira, seguindo o humor externo com o mercado preocupado se o Federal Reserve irá elevar os juros na próxima reunião marcada para a metade de junho. Nem a alta das ações de peso da Vale ajudaram o índice hoje, que foi fortemente puxado pelos bancos, que caíram até 5% nesta sessão. Na ponta positiva, somente 11 das 59 ações que compõem o benchmark fecharam em alta. 

Entre as altas, o destaque ficou com a ação da Lojas Americanas, que subiu 6% nesta sessão na esteira de uma série de relatórios de bancos elevando sua recomendação. Na ponta negativa do índice, as ações da Rumo, Metalúrgica Gerdau, Localiza completaram o trio que registrou queda acima de 6%.

Fora do índice, chamou atenção as ações da Eletrobras. Os papéis ordinários da elétrica acumulam queda de 12% nos últimos 2 pregões, com investidores de olho em uma possível deslistagem da empresa da Bolsa de Nova York, que pode destravar uma antecipação de vencimentos da dívida da empresa, que, em um pior cenário, poderia chegar a R$ 40 bilhões, disse ontem o ministro do Planejamento, Romero Jucá. Técnicos da equipe econômica do governo, no entanto, estipulam um valor em torno de R$ 15 bilhões. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 12,40, -1,12%PETR4, R$ 9,50, -2,56%)
A Petrobras teve dia volátil nesta terça-feira. Depois de subir 2% nesta manhã, os papéis da companhia viraram para queda, descolando dos preços do petróleo no mercado internacional. Lá fora, o petróleo Brent subia 0,92%, a US$ 49,42 o barril.

No noticiário da estatal, Pedro Parente deve substituir Aldemir Bendine na Petrobras, diz O Globo. A escolha do substituto de Aldemir Bendine teria sido tomada na tarde de segunda-feira pelo presidente interino Michel Temer, diz o jornal, citando fontes não identificadas. A Folha de S. Paulo também destaca o nome de Pedro Parente para o comando da petroleira. 

A assessoria de Temer diz que não houve nenhuma definição, mas não descarta o nome, segundo o Globo. O assunto será discutido hoje às 16:00 em reunião entre Temer e o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, de acordo com o jornal. Segundo a publicação, Pedro Parente, se confirmado, terá missão de melhorar imagem da estatal no mercado.

No radar da companhia, segundo a Folha de S. Paulo, o aumento das importações de diesel por empresas privadas preocupa o conselho de administração da Petrobras e pode levar a empresa a rever o preço do combustível, que está 46% mais caro do que no mercado internacional.

Além disso, destaque para a notícia de que a estatal planeja vender títulos de cinco e dez anos denominados em dólares, junto com uma recompra de até 3 bilhões de dólares de dívida com vencimento em 2018, em um esforço da petroleira endividada para reduzir riscos de pagamento nos próximos anos. 

Por fim, fontes disseram à Bloomberg que a Petrobras colocou nesta terça-feira US$ 6,75 bilhões em títulos de dívida com vencimento de cinco e dez anos, com rendimentos abaixo do previsto. A estatal colocou US$ 5 bilhões com a venda do bônus de cinco anos com um rendimento de 8,625%, abaixo do previsto inicialmente de 9%. A emissão de títulos de 10 anos somou US$ 1,75 bilhão, a 9%, abaixo do rendimento sugerido anteriormente de 9,25%. 

Vale (VALE3, R$ 15,13, +1,34%; VALE5, R$ 12,40, +2,90%)
Também tiveram dia instável as ações da Vale. Depois de caírem mais de 2%, os papéis ganharam força na Bovespa, seguindo a disparada do minério. Acompanharam o movimento da mineradora as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 7,22, +3,88%), holding que detém participação na Vale. minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 2,65%, a US$ 55,78 a tonelada seca. O desempenho foi bem mais fraco que o dos futuros da commodity na China, que fecharam em alta de nada menos do que 4,9%.   

Cabe lembrar que, na véspera, novo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV), realizou uma agenda voltada para discutir as consequências da tragédia de Mariana (MG). Sarney Filho questionou o acordo fechado entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Já homologado pela Justiça, o acordo prevê o aporte de aproximadamente R$ 20 bilhões ao longo de 15 anos. O Ministério Público Federal, também crítico dos termos negociados entre o Poder Público e as mineradoras, apresentou no início do mês uma ação civil pública, na qual estipula os prejuízos em R$ 155 bilhões.  

Segundo o ministro, a sociedade civil não foi chamada a participar da elaboração do acordo. Sarney Filho descartou a anulação do acordo, mas defendeu ajustes pontuais. "Depois de homologado, mexer na essência do processo geraria insegurança jurídica e não traria benefícios aos atingidos".

Nesta tarde, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, disse que não há discussão nenhuma sobre a direção da Vale. A Vale é uma empresa importante no Brasil, mas não há nenhuma posição do governo quanto a Vale nesse momento, comentou Jucá a jornalistas em Brasília. 

Siderúrgicas
Além da CSN (CSNA3, R$ 8,25, -0,84%), que anunciou o terceiro aumento consecutivo para o início de junho em cerca de 10%, Usiminas (USIM5, R$ 2,16, -0,92%) e ArcelorMittal também acompanharam o movimento e anunciaram reajustes para a primeira semana de junho para a rede de distribuição, disse o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro. 

Com esse aumento, o prêmio do aço, que é a diferença do preço do aço nacional em relação ao importado, deverá ficar e torno de 5%, considerando os preços atuais do aço no mercado externo, nível considerado adequado pelo setor. Hoje mesmo após dois aumentos (março e abril) os prêmios estão negativos.

Em relação ao setor de longos, o presidente do Inda disse que a Gerdau anunciou este mês um aumento de 8%, mas lembrou que para os longos um reajuste neste momento é mais desafiador do que em planos por conta dos novos entrantes nesse mercado, como a CSN.

Gerdau (GGBR4, R$ 6,00, -2,60%)
Após despencar 7% na véspera com o indiciamento de seu presidente-executivo, André Gerdau Johannpeter, as ações da Gerdau voltaram a cair hoje. Na mínima do dia, os papéis registraram queda de 6,66%, a R$ 5,75. A Polícia Federal indiciou na segunda o CEO da empresa e mais 18 pessoas no âmbito da sexta fase da operação Zelotes, que investiga suspeitas de manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

A sexta fase foi deflagrada no final de fevereiro e André Gerdau foi alvo de um dos mandatos de condução coercitiva na ocasião, em meio a acusações de que a empresa tentou sonegar até 1,5 bilhão de reais. Em nota enviada na noite de ontem, a Gerdau afirmou ter recebido a notícia do indiciamento de executivos da companhia, incluindo o presidente, "com imensa surpresa e repúdio".

"Nenhum deles jamais prometeu, ofereceu ou deu vantagem indevida a funcionários públicos para que recursos em trâmite no Carf fossem ilegalmente julgados em seu favor, até mesmo porque estes ainda se encontram pendentes de julgamento", afirmou a siderúrgica, acrescentando que ainda não teve acesso ao relatório final da PF.

B2W (BTOW3, R$ 10,34, -0,10%e Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,06, +6,36%)
As ações da B2W tiveram alívio após derrocada nos primeiros dias do mês, quando na sexta-feira passada bateram seu menor patamar desde julho de 2003. O respiro veio ontem com a anúncio - após o fechamento do pregão - que a empresa faria um aumento de capital. Na segunda-feira, as ações da B2W subiram 9,4%. 

No mesmo sentido, as ações da sua controladora Lojas Americanas também têm mostrado forte movimento de alta nos últimos dias. Do fechamento do pregão do dia 9 de maio até agora, os papéis da companhia dispararam 18%. Foram cinco altas em seis pregões. 

Na esteira dessa arrancada aparece uma série de relatórios de bancos e corretoras. Hoje, o Citi elevou as ações da LAME4 de venda para compra; e a B2W, de venda para neutra. O Itaú BBA também elevou a recomendação dos papéis da Lojas Americanas para outperform (desempenho acima da média), enquanto o Santander passou a recomendação de manutenção para compra.

Em relatório, os analistas João Mamede e Jéssica Bessa, do Santander, comentam que a revisão da ação veio após recente desempenho abaixo do mercado (-8% nos últimos 30 pregões). Eles atualizaram o preço-alvo dos papéis de R$ 17,50 para R$ 17,00, com base em novas premissas macroeconômicas e o novo preço-alvo para o final de 2016 da B2W de R$ 10,50 por ação.

Segundo eles, o fraco desempenho operacional da B2W despertou preocupações dos investidores sobre o valor da divisão online da Lojas Americanas e o recente anúncio de um aumento de capital reforçou essas preocupações. Mas, pelos cálculos dos analistas, pelo preço atual, a ação LAME4 não precifica nenhum valor para B2W. O preço também já assume uma destruição adicional de valor em torno de R$ 1 bilhão no segmento online. Por conta disso, eles reiteraram a recomendação de compra para ação e ressaltaram que as ações ordinárias da Lojas Americanas (LAME3) são ainda mais atrativas apesar de sua menor liquidez.  

JBS (JBSS3, R$ 11,65, -4,66%)
Depois de subir 40% na esteira do anúncio de reorganização na semana passada, as ações da JBS caíram forte hoje, acompanhando o movimento de correção do mercado. No pacote da reestruturação anunciada pela JBS estão previstos: a reorganização da companhia, a mudança de domicílio para a Europa, um movimento para listagem na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York), um novo conjunto de leis corporativas para se enquadrar nos requisitos da Nyse, a troca de CEO, a entrada de novos diretores, a provável eliminação da maior parte das suas operações de hedge e a listagem terminando no fim do ano.   

Por conta do anúncio, o HSBC reiterou a recomendação de "compra" para a empresa, estabelecendo o seu preço-alvo em R$ 15,50, contra os R$ 12,00 atuais, fazendo um potencial de valorização de 29% para a ação. Isso depois de todas as altas recentes. 

Quem também analisou com bons olhos essa reestruturação foi o Itaú BBA. Relatório da corretora do Itaú Unibanco diz que a transformação que será promovida na empresa irá ofuscar os resultados negativos do primeiro trimestre. E o research vai além: segundo os analistas Antônio Barreto e Thomas Budoya, a listagem das ações da JBS na Nyse desbloquearia um potencial de upside (valorização) de 130% na época em que o relatório foi escrito, ou 66,94% hoje, para R$ 20,00. 

Eletrobras (ELET3, R$ 7,00, -6,67%; ELET6, R$ 12,00, -4,15%)
As ações ordinárias da Eletrobras desabaram 12% em dois dias, enquanto as preferenciais afundaram 7%, com investidores de olho em uma possível deslistagem da empresa da Bolsa de Nova York, que pode destravar uma antecipação de vencimentos da dívida da empresa, que, em um pior cenário, poderia chegar a R$ 40 bilhões, disse ontem o ministro do Planejamento, Romero Jucá. Técnicos da equipe econômica do governo, no entanto, estipulam um valor em torno de R$ 15 bilhões. 

A empresa precisa entregar seu balanço à SEC (Securities Exchange Commission, a CVM dos EUA) até o dia 18 de maio (próxima quarta-feira) ou terá seus ADRs (American Depositary Receipts) suspensos da Nyse. A deslistagem, no entanto, demandaria mais tempo.

O problema é que a KPMG (que audita o balanço da elétrica) não quer assinar o balanço, que tem pendências decorrentes da dificuldade da empresa de mensurar as perdas decorrentes do esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato. Ontem, o diretor financeiro da Eletrobras, Armando Casado, disse que o "risco é elevado" da empresa não conseguir entregar seu balanço até amanhã.  

Bancos
As ações dos bancos apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa, acompanhando o movimento de correção do mercado. No radar do setor, voltou a aparecer a possibilidade de ser aprovado o fim dos juros sobre o capital próprio (JCP). Segundo cálculos do BTG, bancos e seguradoras estariam entre as mais impactadas por essa medida.

Hoje, caíram forte as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,14, -4,83%), Itaúsa (ITSA4, R$ 7,38, -3,15%), Bradesco (BBDC4, R$ 25,06, -3,24%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,26, -2,13%). Também no setor financeiro apareceram as ações da BB Seguridade (BBSE3, R$ 26,16, -3,08%) e BM&FBovespa (BVMF3, R$ 16,70, -4,84%).  

Arteris (ARTR3)
A OPA (Oferta Pública de Aquisição) para cancelamento das ações da Arteris movimentou nesta tarde R$ 526,9 milhões na BM&FBovespa. A OPA ocorreu às 15h (horário de Brasília) e foram negociadas 52,4 milhões de ações ao preço de R$ 10,06 cada.  

Suzano (SUZB5, R$ 14,20, +0,07%) e Fibria (FIBR3, R$ 29,68, -0,87%)
Destaque para notícia positiva para o setor de papel e celulose. Dados do FOEX apontaram para mais uma melhora sequencial de preço na China, ressalta o BTG Pactual. "Depois de vermos Suzano e Eldorado anunciando aumento de preço para BEK na Asia levando o preço para US$ 540 a tonelada, continuamos vendo sinais claros que a China está recuperando. Os preços na Europa seguem corrigindo (já esperado dada a performance recente e a forte correlação com a China)", destacam os analistas; O BTG ressalta que a Suzano segue como top pick.

Cosan (CSAN3, R$ 35,25, +3,22%)
Destaque ainda para a notícia para a discussão da volta da Cide, que seria um plano B para a CPMF e poderia afetar as ações do setor de papel e celulose. Porém, em entrevista coletiva, Henrique Meirelles afirmou que não há ainda definição sobre o assunto. "Vamos trabalhar com os fatos na medida em que acontecem. Nao temos decisao sobre CPMF, muito menos sobre Cide", afirmou.

Segundo cálculos do BTG Pactual, a cada R$ 0,10 de aumento da Cide traria um impacto de 9% no NAV (Valor Líquido dos Ativos, na sigla em inglês) da Cosan (CSAN3), 15% da São Martinho (SMTO3) e 7% da BrasilAgro (AGRO3). Para os analistas do banco, aumentar a Cide seria a forma mais eficiente do governo aumentar a arrecadação e, ao mesmo tempo, endereçar a questão do setor de etanol. 

Veja mais: "Listão do BTG" traz as vencedoras e perdedoras da Bolsa com Temer presidente

Cemig (CMIG4, R$ 5,94, -3,26%)
A estatal mineira de energia Cemig decidiu que focará na venda de ativos para reduzir sua alavancagem, que quase dobrou desde o final de 2015 e tornou-se uma das principais preocupações da gestão da companhia, afirmou nesta terça-feira o diretor de Finanças, Fabiano Maia Pereira.

A relação entre a dívida líquida da elétrica e a geração de caixa, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), fechou março em 4,39 vezes, ante 2,4 vezes no final de 2015.

A marca, inclusive, está acima do limite de 4,12 vezes estabelecido no estatuto social da companhia, o que obrigou a convocação de uma assembleia de acionistas para 30 de maio para aprovar a ultrapassagem do teto.

"A Cemig está fazendo uma reavaliação do portfólio dela e isso permite que nós consigamos diminuir a dívida no médio prazo... a gente tem olhado fundamentalmente ativos que não temos o controle ou co-controle. O planejamento da companhia é voltar os olhos para eles e colocar à venda, obviamente com valores satisfatórios", disse Pereira.

Indusval (IDVL4, R$ 1,20, +4,35%)
O Banco Indusval vê suas ações dispararem após informar que o laudo de avaliação da KPMG indicou valor econômico das ações da instituição financeira no intervalo entre 1,28 e 1,40 real, no âmbito da oferta pública de aquisição de ações (OPA) para cancelar seu registro de companhia aberta.

Com isso, o Indusval decidiu que será dado prosseguimento à OPA. O preço por ação inicialmente proposto é de 1,27 real, ajustado pela taxa Selic até a data do leilão da OPA, e na segunda-feira correspondia a 1,35 real, disse o banco em fato relevante na noite da véspera. O registro da OPA está em análise na Comissão de Valores Mobiliários.

 

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