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Ibovespa se descola de exterior e zera ganhos apesar de alta das commodities; dólar cai

Mercado opera com forte volatilidade apesar da alta do petróleo puxar as bolsas internacionais

Henrique Meirelles
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a zerar ganhos nesta segunda-feira (16), mais um dia de forte volatilidade na Bovespa. No radar desta segunda, as bolsas dos Estados Unidos registram fortes ganhos com o avanço de 3% petróleo após o Goldman Sachs dizer que o mercado passou para deficitário mais cedo do que o previsto. O último número de estoques de petróleo mostrou uma queda no número de barris. No cenário doméstico, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, adiou o anúncio da equipe econômica do novo governo para amanhã às 11h (horário de Brasília). 

Às 13h54, o benchmark da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,09%, a 52.849 pontos. Já o dólar comercial recua 0,60% a R$ 3,5025 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tem queda de 0,99% a R$ 3,517. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem leve queda de 1 ponto-base a 13,58%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 6 pontos-base a 12,26%. 

Para João Pedro Brugger, economista da Leme Investimentos, o mercado está em compasso de espera pelos nomes da equipe econômica de Meirelles na Fazenda e por medidas efetivas do que vai ser feito para rebalancear as contas públicas. Na sua avaliação, os investidores se mantém pouco entusiasmados com a nova gestão até saber qual é o nível de apoio das medidas impopulares que terão de passar no Congresso para que o Brasil possa sair desta trajetória de aumento desenfreado do endividamento público. "Conseguindo implementar, a Bolsa deve fechar 2016 em 60 mil pontos, enquanto o dólar poderia tranquilamente estar abaixo de R$ 3,40, desde que o Banco Central novo permitisse", projeta.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,60, +3,96%; PETR4, R$ 9,62, +1,69%), têm alta, seguindo os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) sobe 2,73% a US$ 47,47, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 2,55% a US$ 49,05. 

Já a Vale (VALE3, R$ 15,05, +2,52%; VALE5, R$ 12,26, +1,57%) vai na contramão do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,37% a US$ 54,34 a tonelada seca.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 JBSS3 JBS ON 12,19 +16,10
 LAME4 LOJAS AMERICPN 15,06 +5,17
 PETR3 PETROBRAS ON 12,61 +4,04
 FIBR3 FIBRIA ON 29,97 +3,17
 VALE3 VALE ON 15,05 +2,52

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes voltam a operar em baixa. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,20, -0,64%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,63, -1,29%; BBDC4, R$ 25,89, -1,78%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 19,11, -1,29%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CESP6 CESP PNB 12,72 -5,29
 RUMO3 RUMO LOG ON 4,28 -4,46
 CPLE6 COPEL PNB 25,41 -4,44
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,40 -4,00
 BRML3 BR MALLS PARON 12,12 -3,66

 

Do lado das quedas, depois de subir até 6% nesta manhã, as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 6,46, -2,12%) descolam-se do setor e desabam na Bolsa, juntamente com os papéis da Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,39, -4,40%), com o mercado aparentemente demorando a digerir a notícia desta manhã. Na mínima do dia, esses papéis chegaram a cair 4% e 5%, respectivamente. 

Menos de 3 meses depois da deflagração da 6ª fase da Operação Zelotes, a Polícia Federal encaminhou, na tarde da última sexta-feira, o relatório final do inquérito que investiga a Gerdau por suspeitas de tentar sonegar R$ 1,5 bilhão. No total, foram indiciadas 19 pessoas, entre conselheiros e ex-conselheiros do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), advogados e membros da diretoria responsável da empresa investigada por sonegação.

Sindicatos e empresários pressionam Temer
De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, Temer já está sendo pressionado tanto pelos empresários como pelos sindicatos para rever algumas medidas de ajuste que Meirelles andou esboçando na semana passada. Os focos são a reforma da Previdência e a volta da CPMF.

O presidente convidou as centrais sindicais para uma reunião nesta segunda-feira para discutir as mudanças no sistema previdenciário, já atacadas pelo deputado Paulinho da Força na sexta-feira. A CUT não confirmou presença e é muito difícil que compareça.

Temer diz que não tentará reeleição
O presidente interino Michel Temer afirmou hoje que não tem a intenção de se candidatar à reeleição. Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, Temer disse também que, se for confirmado no cargo para cumprir o mandato até 31 de dezembro de 2018, pretende reduzir o desemprego e entregar à população um país pacificado. O presidente interino acrescentou que, caso cumpra essas tarefas, se dará por satisfeito. “Se cumprir essa tarefa, me darei por enormemente satisfeito.” 

Durante a entrevista, panelaços e protestos foram ouvidos em alguns bairros em pelo menos cinco cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Porto Alegre, enquanto em Belo Horizonte, foram ouvidos gritos contra o presidente interino.

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 recuou de uma contração de 3,86% para uma de 3,88%, mas foi mantida para 2017 em um avanço de 0,50%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,00% este ano.

 

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