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Ibovespa sobe 1000 pontos em 50 minutos e sobe mais de 1% puxado por bancos

Mercado fica entre queda internacional e "esperança" de mudança na política econômica brasileira

Investidor Telefone Trader
(Shutter Stock)

SÃO PAULO - O Ibovespa sobe forte nesta quinta-feira (12), mais um dia de forte volatilidade em meio ao cenário político. A Bolsa abriu em alta, virou para queda e depois disparou para a sua máxima do dia. Os bancos puxam o benchmark depois de caírem pela manhã. Às 13h42 (horário de Brasília), o índice subia 1,43% a 53.517 pontos. Da mínima do dia até agora, o Ibovespa já subiu mais de 1000 pontos. Já o dólar comercial avança 1,18% a R$ 3,4862, enquanto o dólar futuro para junho tem alta de 0,73% a R$ 3,501. 

Segundo Ari Santos, trader da H.Commcor, o setor elétrico e os bancos puxam a Bolsa em um dia de expectativas para o discurso do presidente interino Michel Temer. "Eu acho que é expectativa, a esperança de medidas para resolver os problemas da economia", afirma. 

Lá fora, as bolsas norte-americanas viram para forte queda, mesmo desempenho visto nas bolsas europeias, que despencaram 1% hoje. 

Afastamento
A presidente Dilma Rousseff foi afastada por 180 dias em votação no Senado. Foram 55 votos a favor e 22 contra. O placar representa um voto a mais do que os dois terços necessários para o impeachment definitivo passados os seis meses de afastamento. O apoio alto ao impedimento gera expectativas de que a gestão Temer também tenha apoio para aprovar medidas de ajuste da economia. As expectativas ficam agora para o discurso do presidente interino, Michel Temer, que ocorrerá às 16h (horário de Brasília). 

Dilma discursa após ser notificada do afastamento
A presidente Dilma Rousseff foi notificada às 11h no Palácio do Planalto pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO) de seu afastamento do cargo após a proclamação do resultado da votação da admissibilidade do processo de impeachment no Senado.

O Palácio do Planalto fez uma cerimônia no gabinete presidencial, no terceiro andar do prédio, onde Dilma recebeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, autoridades e personalidades aliadas para assinar a notificação, entregue pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado.

Governo Temer
Segundo o Estado de S. Paulo, o governo Temer vai focar em concessões, PPPs (Parcerias Público Privadas) e privatizações. Em sua gestão, o presidente interino terá provavelmente Henrique Meirelles como ministro da Fazenda, Mansueto de Almeida como secretário do Tesouro e Carlos Hamilton ocupando algum cargo de relevância na Fazenda, de acordo com a Folha de S. Paulo. Diversos jornais também divulgam que o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, será o presidente do Banco Central, o que derrubou os contratos futuros de DI na última sessão, já que Goldfajn é visto como alguém de perfil mais "dovish" (moderado, no sentido de cortar juros). 

Agenda do dia:

1) 15h: Este horário circula nos bastidores como o momento em que Michel Temer pretende assumir o Palácio do Planalto. Segundo a Folha de S. Paulo, ele só entrará no prédio após uma equipe de seguranças fazer uma inspeção no local. Temer não pretende subir a rampa principal do Palácio nem transformar sua chegada num ato simbólico.

2) Após 15h: Logo após "assumir" o Planalto, Temer deve fazer um discurso ao povo brasileiro e dar posse aos ministros já escolhidos nestes últimos dias.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,04, +1,01%; PETR4, R$ 10,26, +0,10%), têm alta, apesar dos preços do petróleo recuarem. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 0,50% a US$ 46,00, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha perdas de 0,95% a US$ 47,15. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 JBSS3 JBS ON 10,75 +23,42
 QUAL3 QUALICORP ON 15,98 +6,53
 CMIG4 CEMIG PN 6,72 +5,00
 CPLE6 COPEL PNB 28,74 +4,51
 EQTL3 EQUATORIAL ON 46,62 +4,04

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes viram para alta. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,90, +1,83%) e Bradesco (BBDC3, R$ 29,33, +2,91%; BBDC4, R$ 27,54, +2,42%) sobem, enquanto Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,41, -0,34%) recua. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que teve lucro líquido de 2,359 bilhões de reais no primeiro trimestre, queda de 59,5 por cento ante mesmo período de 2015. Na base ajustada, o lucro do maior banco do país em ativos somou 1,286 bilhão de reais no período, ante 3,025 bilhões de reais um ano antes, queda motivada por uma provisão relacionada ao segmento empresarial de óleo e gás, afirmou o banco. "Mesmo considerando a decisão de ontem à noite [aprovação da admissibilidade do impeachment], achamos difícil ficar muito animado com o nome depois do primeiro trimestre. Na nossa opinião, há outras opções no setor que podem se beneficiar da mudança de Governo de uma forma mais clara como BM&FBovespa e Banrisul, por exemplo", afirma o BTG. Já as ações do Itaú e do Bradesco sobem mais de 1%. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BRAP4 BRADESPAR PN 7,57 -2,32
 GGBR4 GERDAU PN 7,16 -2,32
 FIBR3 FIBRIA ON 30,46 -2,15
 VALE3 VALE ON 15,60 -2,13
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,12 -1,83

 

Já a Vale (VALE3, R$ 15,60, -2,13%; VALE5, R$ 12,89, -1,00%) opera em queda junto com o minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,94% a US$ 55,05.

 

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