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Ibovespa zera ganhos pressionado por bancos; Comissão aprova parecer do impeachment

No Brasil, os destaques ficam para o corte do rating pela Fitch na véspera e para a votação do impeachment na Comissão Especial do Senado

investidores
(Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa zera ganhos nesta sexta-feira (6) pressionado pelas ações de bancos, que ofuscam as altas de Petrobras e Vale, apesar da preocupação com commodities. Os mercados no exterior trazem pressão para a Bolsa em um dia de agenda econômica movimentada, sessão de forte baixa para as commodities, e uma bateria de resultados divulgada aqui no Brasil. O mercado não se mexeu com a aprovação do parecer favorável ao impeachment na Comissão Especial do Senado.

Às 15h31 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa registrava leve queda de 0,33%, a 51.501 pontos. Vale destacar ainda que, na véspera, a agência de classificação Fitch Ratings rebaixou o rating do Brasil de BB+ para BB.

Enquanto isso, o dólar comercial registra queda de 1,02%, a R$ 3,5038 na venda. Já o dólar futuro tem queda de 0,97%, a R$ 3,532. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 2 pontos-base a 13,69%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 avança 5 pontos-base a 12,57%. 

Segundo o analista da Appia, Luiz Felipe Mello, a Bolsa hoje opera seguindo os índices norte-americanos, que ficam entre perdas e ganhos após o relatório de emprego mostrar uma criação de novas vagas menor do que a esperada pelo mercado. "O mercado vai aguardar a votação definitiva no plenário do Senado. A Bolsa subiu muito em março e no começo de abril pelo impeachment e agora está em compasso de espera pela equipe econômica do [eventual presidente, Michel] Temer".

Relatório de Emprego
Hoje às 09h30 houve a divulgação do relatório de emprego nos EUA, que registrou a criação de 160 mil novos empregos em abril, abaixo do esperado pelo mercado, de cerca de 200 mil. 

Comissão do Impeachment
A Comissão Especial do Impeachment realizou nesta sexta-feira (6) a votação do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável à admissibilidade do processo contra a presidente Dilma Rousseff. Por 15 votos a 5, comissão do Senado aprovou parecer favorável ao impeachment de Dilma. 

Onze partidos votaram pelo "sim" à continuidade do impeachment: PP, PSC, PV, PSB, PMDB, PSD, DEM, PTB, PSDB, PR e PPS. Encaminharam pelo voto "não" o PCdoB, PT e PDT. Os blocos da oposição e da moderação encaminharam pelo sim e o bloco do governo pelo não. 

Votado o relatório do senador Anastasia, o voto em separado apresentado ontem pela base governista é automaticamente considerado rejeitado. Depois disso, a decisão será publicada no Diário do Senado. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já anunciou que fará a leitura da decisão da comissão, em plenário, na próxima segunda-feira (9). Renan terá 48 horas após a leitura para marcar a votação no plenário do Senado.

IPCA
Por aqui houve a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de abril, dado que pode ser importante para balizar as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária). O resultado ficou acima do esperado, em 0,61%, contra uma expectativa do mercado de 0,52%.

Cenário externo
Nesta sexta-feira, a maior parte das bolsas asiáticas fechou em leve queda, com os investidores à espera do relatório de emprego dos EUA. O Nikkei fechou em queda de 0,25%, enquanto Xangai caiu 2,82% e o Hang Seng tem queda de 1,66%. As bolsas chinesas tiveram a maior queda em dois meses com baixa das commodities; o petróleo brent vira para alta de 1,04%, a US$ 45,48 o barril. O minério de ferro negociado em Qingdao teve baixa de 3,25%, a US$ 58,29 a tonelada. O dia também foi de estabilidade para os principais índices europeus, com o FTSE em leve alta de 0,14%, o DAX em alta de 0,18% e o CAC 40 em desvalorização de 0,42%.

Fitch corta rating novamente
Após o fechamento do pregão de quinta-feira, a Fitch voltou a rebaixar o Brasil. A agência cortou desta vez o rating do País de "BB+" para "BB", aprofundando o perfil do País na categoria grau especulativo. A perspectiva foi mantida como negativa.

Em nota, a agência disse que a revisão reflete a contração econômica mais profunda do que o esperado, o fracasso do governo para estabilizar as finanças públicas, o impasse legislativo e a elevada incerteza política. Segundo a Fitch, esses fatores reduzem a confiança doméstica e prejudicam a governabilidade, assim como a efetividade das políticas públicas.

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caem. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,14, -0,82%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,15, -0,40%; BBDC4, R$ 25,02, -0,91%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,55, +0,15%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 EMBR3 EMBRAER ON 19,21 -3,56
 BRKM5 BRASKEM PNA 23,16 -3,30
 LAME4 LOJAS AMERICPN 14,41 -3,16
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN ED 48,50 -2,65
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 27,15 -2,58


 

Após abrir o dia com perdas, as ações da Vale (VALE3, R$ 16,95, +1,74%; VALE5, R$ 13,55, +2,11%) viraram para alta apesar da queda do minério de ferro e reação à multa de R$ 155,1 bilhões pedida pelo Ministério Público Federal por conta da tragédia em Mariana (MG) em novembro do ano passado. Hoje, o minério de ferro encerrou em queda de 3,25% no porto de Qingdao, na China, cotado a US$ 58,29 a tonelada.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SMLE3 SMILES ON ED 39,93 +5,08
 GGBR4 GERDAU PN 7,27 +3,71
 RENT3 LOCALIZA ON ED 34,98 +3,16
 BRAP4 BRADESPAR PN 7,66 +3,10
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,72 +2,26

 

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