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Ibovespa cai 0,4% corrigindo sequência de altas com pessimismo no exterior; DIs sobem

Mercado recuou em meio ao pessimismo no exterior, dominado por comentários de megainvestidor sobre a Apple

Trader
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (28), um dia de forte volatilidade desde a abertura. O índice abriu em queda, virou para alta com o desempenho forte das ações da Vale e depois afundou a partir das 16h (horário de Brasília), pressionado pela queda nas bolsas dos Estados Unidos. Os principais responsáveis para este último movimento são os papéis de Petrobras e de bancos, que passaram a registrar perdas fortes ao mesmo tempo em que as bolsas dos EUA despencavam puxadas pelas ações da Apple. A própria Vale, que chegou a subir 7% na máxima do dia, terminou a sessão com ganhos bem mais modestos, de 2%. 

O benchmark da bolsa brasileira caiu 0,30% a 54.312 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 7,769 bilhões. Ao mesmo tempo, o dólar comercial fechava em queda de 0,76% a R$ 3,4959 na compra e a R$ 3,4976 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem queda de 1,03% a R$ 3,494. 

Segundo o trader da Daycoval Investimentos, Daniel Ximenes Almeida, a Bolsa aqui seguiu o movimento dos mercados norte-americanos, que saíram de um movimento neutro para uma queda de 1% perto do fechamento. 

Nos EUA, as bolsas começaram a cair perto das 16h com os comentários do megainvestidor Carl Icahn, que zerou sua posição em Apple preocupado com a China. Para ele, o governo chinês pode fazer com que seja muito difícil para a empresa de tecnologia vender seus produtos. 

A fala de Icahn fecha uma semana de pesadelo para as empresas de tecnologia norte-americanas. Com a exceção do Facebook, quase todas tiveram retração após uma série de resultados decepcionantes. É o caso de Microsoft e Alphabet, por exemplo. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 12 pontos-base a 13,64%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 14 pontos-base a 12,68%. Os juros refletem o resultado da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) ontem, que manteve a Selic em 14,25%, como esperado pelos economistas. No entanto, os sinais do comunicado não foram tão "dovish" (moderados, no sentido de reduzir juros) quanto algumas casas de análise esperavam. 

Copom
Os sinais do comunicado foram mistos. Por um lado, a votação unânime mostrou que aumenta a chance de que a taxa básica de juros seja cortada. Nas últimas reuniões, o diretor de Liquidez, Sidnei Corrêa Marques, e o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, votaram por aumento de 0,5 ponto percentual na Selic e foram voto vencido. Por outro lado, o BC insistiu no discurso de que as estimativas de inflação "ainda estão distantes das metas". De acordo com analistas, os prêmios dos juros futuros estão mais ou menos ajustados para isso, mas o que realmente vai mexer nos contratos de DI são as especulações de quem estará na equipe econômica de um eventual governo do vice-presidente Michel Temer. 

Segundo o Goldman Sachs, o comunicado tem elementos "hawkish" e "dovish", mas no geral balanço é hawkish ao considerar expectativas distantes da meta de inflação. 

Resultado primário do Governo Central
Composto por Banco Central, Previdência e Tesouro Nacional, o Governo Central teve um déficit primário de R$ 7,9 bilhões em março. Em fevereiro, a entidade havia tido um déficit primário de R$ 25,10 bilhões. A estimativa mediana dos economistas era de um déficit de R$ 9,9 bilhões. 

Equipe Temer
Segundo os jornais desta quinta, os primeiros nomes para suceder Alexandre Tombini na presidência do Banco Central são o economista Carlos Kawall do Banco Safra, ex-secretário do Tesouro do governo Lula, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, Eduardo Loyo, economista do BTG Pactual e Mário Mesquita, economista da Brasil Plural. Segundo a coluna da jornalista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo, o provável ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, nutre uma preferência explícita por Loyo. 

Fim da reeleição em troca de PSDB
De acordo com a Folha de S. Paulo, Temer está barganhando o fim da reeleição em troca de uma aliança com o PSDB em sua eventual gestão. Na última quarta-feira (27), o vice-presidente esteve reunido com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que afirmou que a legenda dará a sua "contribuição ao País".  

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caíram forte. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,37, -0,68%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,75, -2,47%) e Bradesco (BBDC3, R$ 28,57, -1,62%; BBDC4, R$ 26,22, -2,05%) recuaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

No caso do Bradesco, o banco refletiu o seu resultado trimestral decepcionante. A instituição informou nesta quinta-feira que teve lucro ajustado de R$ 4,113 bilhões no primeiro trimestre, queda de 3,8% ante mesma etapa de 2015. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters para esta linha no período era de R$ 4,3 bilhões. O lucro líquido contábil do Bradesco ficou em R$ 4,121 bilhões entre janeiro e março, queda de 2,9% sobre igual período do ano passado.

O Índice de Inadimplência superior a 90 dias encerrou o período em 4,2%, 0,6 ponto percentual acima dos 3,6% do mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito expandida do Bradesco ficou praticamente estável, a R$ 463,208 bilhões. As operações com pessoas físicas subiram 4%, totalizando R$ 147,759 bilhões e com pessoas jurídicas caíram 1,8%, a R$ 315,449 bilhões. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 NATU3 NATURA ON 26,20 -6,09 +12,73
 USIM5 USIMINAS PNA ES 2,46 -4,65 +58,71
 FIBR3 FIBRIA ON 31,16 -4,51 -39,95
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 29,95 -4,34 +27,34
 GGBR4 GERDAU PN 7,76 -4,08 +66,88

 

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,57, +1,27%; PETR4, R$ 10,23, -0,20%) também registraram alta, acompanhando os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) teve valorização de 1,10% a US$ 45,83, ao mesmo tempo em que o barril do Brent registrou ganhos de 1,19% a US$ 47,49. 

Em comunicado, a companhia lembrou que, por conta disso, entre os dias 28 de abril e 12 de maio a empresa estará em período de silêncio, durante o qual a Petrobras estará impossibilitada de comentar ou prestar esclarecimentos relacionados aos seus resultados financeiros e perspectivas.

A Petrobras informou ainda que dificuldades criadas pelo rebaixamento de suas notas de crédito junto a agências de classificação de risco podem complicar a obtenção de financiamentos necessários para os investimentos da companhia, além de tornar mais difícil ou caro refinanciar dívidas que estão vencendo. Neste cenário de maiores dificuldades, a companhia pode ter que aumentar suas vendas de ativos, segundo um formulário enviado à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 OIBR4 OI PN 1,07 +4,90 -45,13
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,59 +4,12 +72,14
 SMLE3 SMILES ON 40,50 +2,66 +16,38
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 30,11 +2,55 +38,88
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,99 +1,93 +65,20

 

 

Já a Vale (VALE3, R$ 19,79, +1,75%; VALE5, R$ 15,55, +1,83%) contrariou o movimento geral e subiu beneficiada pelo seu resultado no primeiro trimestre e pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 2,96% a US$ 62,90.

Além disso, a mineradora teve lucro líquido R$ 6,311 bilhões no primeiro trimestre de 2016, superando estimativa de analistas e retornando ao lucro pela primeira vez em três trimestres, com a contribuição de uma recuperação dos preços do minério de ferro e da valorização do real frente ao dólar. No mesmo período de 2015, a empresa havia publicado um prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões.

"A Vale entregou um trimestre bastante forte com resultado bem acima do consenso. Praticamente todas divisões conseguiram entregar uma boa performance operacional", destaca o Credit Suisse.  O BTG Pactual destacou que o resultado veio muito forte com o Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, na sigla em inglês) 40% acima do consenso. O destaque negativo ficou por conta de fluxo de caixa livre, que veio negativo em US$ 2 bilhões, influenciado por perda em derivativos US$ 510 milhões (caixa) mais capital de giro.

Do lado das quedas, a Natura (NATU3, R$ 26,20, -6,09%) recuou após o seu resultado trimestral. "A companhia reportou o pior resultado que nós podemos lembrar", destaca o Credit Suisse em relatório. A companhia teve geração de caixa medida pelo Ebitda de R$ 217 milhões no período, queda de 24,1% sobre os três primeiros meses do ano passado. A margem Ebitda caiu 4,6 pontos percentuais, a 12,8%. Além da piora no resultado operacional, o prejuízo teve impacto do aumento de provisão para compra da parcela restante da australiana Aesop, pela marcação a mercado do hedge das dívidas em moeda estrangeira e outros fatores ligados ao câmbio.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 VALE5 VALE PNA 15,55 +1,83 779,14M
 PETR4 PETROBRAS PN 10,23 -0,20 592,15M
 BBDC4 BRADESCO PN EB 26,22 -2,05 546,44M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 33,37 -0,68 428,23M
 BBAS3 BRASIL ON 21,75 -2,47 240,09M
 VALE3 VALE ON 19,79 +1,75 235,47M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,46 +0,52 232,71M
 ITSA4 ITAUSA PN 8,69 -0,23 210,32M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,99 +1,93 190,47M
 PETR3 PETROBRAS ON 13,57 +1,27 178,03M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Comissão do impeachment
Hoje a Comissão Especial do Impeachment do Senado ouve os autores do pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff. São eles os juristas Miguel Reale Junior, Janaina Paschoal; o outro autor do pedido, Hélio Bicudo, não deverá comparecer. A audiência será realizada às 16h. Segundo o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), por dia, só serão permitidas, no máximo, quatro manifestações, que juntas não poderão ultrapassar o tempo de duas horas.

PIB dos EUA
No primeiro trimestre de 2016, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 0,5%, na comparação anual, de acordo com a primeira prévia divulgada nesta quinta-feira (28). O crescimento foi, portanto, abaixo dos 1,4% de avanço registrados no quarto trimestre, e também menor do que a mediana das expectativas do mercado, que eram de que o crescimento fosse de 0,7% segundo o consenso da pesquisa Bloomberg.

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