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Queda de bancos volta a pesar e Ibovespa zera ganhos apesar de disparada da Vale

Mercado se volta às decisões de política monetária de ontem e também à temporada de resultados do primeiro trimestre

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a zerar ganhos nesta quinta-feira (28) entre a disparada da Vale e outros papéis ligados a commodities e a queda de ações de bancos. As altas do minério de ferro e do petróleo são ofuscadas lá fora pela decepção global com a decisão do BoJ (Bank of Japan) de não oferecer novos estímulos à economia japonesa apesar da deterioração do cenário econômico do país. 

Às 15h10 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,15%, a 54.559 pontos. Já o dólar comercial registra perdas de 1,03% a R$ 3,4879 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para maio tem queda de 1,13% a R$ 3,491. 

O economista-chefe do home broker da Modalmais, Álvaro Bandeira, disse que o principal fator para a alta que a Bolsa registrava hoje é o desempenho da Vale após resultado e forte valorização do minério de ferro. "Vale e Petrobras seguram a Bolsa impulsionados pelo minério e pelo petróleo", afirma. Segundo ele, o movimento das commodities se conjuga à percepção de que o Federal Reserve não elevará os juros este semestre, como foi sinalizado pelo comunicado do Fomc (Federal Open Market Committee) de ontem, para influenciar positivamente o mercado brasileiro.  

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 8 pontos-base a 13,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 4 pontos-base a 12,58%. Os juros refletem o resultado da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) ontem, que manteve a Selic em 14,25%, como esperado pelos economistas. No entanto, os sinais do comunicado não foram tão "dovish" (moderados, no sentido de reduzir juros) quanto algumas casas de análise esperavam. 

Copom
Os sinais do comunicado foram mistos. Por um lado, a votação unânime mostrou que aumenta a chance de que a taxa básica de juros seja cortada. Nas últimas reuniões, o diretor de Liquidez, Sidnei Corrêa Marques, e o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, votaram por aumento de 0,5 ponto percentual na Selic e foram voto vencido. Por outro lado, o BC insistiu no discurso de que as estimativas de inflação "ainda estão distantes das metas". De acordo com analistas, os prêmios dos juros futuros estão mais ou menos ajustados para isso, mas o que realmente vai mexer nos contratos de DI são as especulações de quem estará na equipe econômica de um eventual governo do vice-presidente Michel Temer. 

Segundo o Goldman Sachs, o comunicado tem elementos "hawkish" e "dovish", mas no geral balanço é hawkish ao considerar expectativas distantes da meta de inflação. 

Resultado primário do Governo Central
Composto por Banco Central, Previdência e Tesouro Nacional, o Governo Central teve um déficit primário de R$ 7,9 bilhões em março. Em fevereiro, a entidade havia tido um déficit primário de R$ 25,10 bilhões. A estimativa mediana dos economistas era de um déficit de R$ 9,9 bilhões. 

Equipe Temer
Segundo os jornais desta quinta, os primeiros nomes para suceder Alexandre Tombini na presidência do Banco Central são o economista Carlos Kawall do Banco Safra, ex-secretário do Tesouro do governo Lula, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, Eduardo Loyo, economista do BTG Pactual e Mário Mesquita, economista da Brasil Plural. Segundo a coluna da jornalista Sonia Racy, do Estado de S. Paulo, o provável ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, nutre uma preferência explícita por Loyo. 

Fim da reeleição em troca de PSDB
De acordo com a Folha de S. Paulo, Temer está barganhando o fim da reeleição em troca de uma aliança com o PSDB em sua eventual gestão. Na última quarta-feira (27), o vice-presidente esteve reunido com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que afirmou que a legenda dará a sua "contribuição ao País".  

Ações em destaque
Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes operam em diferentes sentidos. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,64, +0,12%) sobe, enquanto Banco do Brasil e (BBAS3, R$ 21,85, -2,02%), enquanto Bradesco (BBDC3, R$ 28,59, -1,55%; BBDC4, R$ 26,40, -1,38%) recua. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

No caso do Bradesco, o banco reflete o seu resultado trimestral decepcionante. O banco informou nesta quinta-feira que teve lucro ajustado de R$ 4,113 bilhões no primeiro trimestre, queda de 3,8% ante mesma etapa de 2015. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters para esta linha no período era de R$ 4,3 bilhões. O lucro líquido contábil do Bradesco ficou em R$ 4,121 bilhões entre janeiro e março, queda de 2,9% sobre igual período do ano passado.

O Índice de Inadimplência superior a 90 dias encerrou o período em 4,2%, 0,6 ponto percentual acima dos 3,6% do mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito expandida do Bradesco ficou praticamente estável, a R$ 463,208 bilhões. As operações com pessoas físicas subiram 4%, totalizando R$ 147,759 bilhões e com pessoas jurídicas caíram 1,8%, a R$ 315,449 bilhões. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,69 +5,33
 OIBR4 OI PN 1,07 +4,90
 VALE5 VALE PNA 15,96 +4,52
 VALE3 VALE ON 20,24 +4,06
 CSNA3 SID NACIONALON 13,41 +3,55

 

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,78, +2,84%; PETR4, R$ 10,43, +1,76%) também registram alta, acompanhando os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) tem valorização de 1,48% a US$ 46,00, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tinha ganhos de 1,62% a US$ 47,69. 

Em comunicado, a companhia lembrou que, por conta disso, entre os dias 28 de abril e 12 de maio a empresa estará em período de silêncio, durante o qual a Petrobras estará impossibilitada de comentar ou prestar esclarecimentos relacionados aos seus resultados financeiros e perspectivas.

A Petrobras informou ainda que dificuldades criadas pelo rebaixamento de suas notas de crédito junto a agências de classificação de risco podem complicar a obtenção de financiamentos necessários para os investimentos da companhia, além de tornar mais difícil ou caro refinanciar dívidas que estão vencendo. Neste cenário de maiores dificuldades, a companhia pode ter que aumentar suas vendas de ativos, segundo um formulário enviado à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.

Já a Vale (VALE3, R$ 20,22, +3,96%; VALE5, R$ 15,94, +4,39%) vai na mesma direção e sobe beneficiada pelo seu resultado no primeiro trimestre e pela alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 2,96% a US$ 62,90.

A mineradora teve lucro líquido R$ 6,311 bilhões no primeiro trimestre de 2016, superando estimativa de analistas e retornando ao lucro pela primeira vez em três trimestres, com a contribuição de uma recuperação dos preços do minério de ferro e da valorização do real frente ao dólar. No mesmo período de 2015, a empresa havia publicado um prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões.

"A Vale entregou um trimestre bastante forte com resultado bem acima do consenso. Praticamente todas divisões conseguiram entregar uma boa performance operacional", destaca o Credit Suisse.  O BTG Pactual destacou que o resultado veio muito forte com o Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, na sigla em inglês) 40% acima do consenso. O destaque negativo ficou por conta de fluxo de caixa livre, que veio negativo em US$ 2 bilhões, influenciado por perda em derivativos US$ 510 milhões (caixa) mais capital de giro.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 NATU3 NATURA ON 26,31 -5,70
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 17,82 -4,81
 ESTC3 ESTACIO PARTON ED 10,97 -3,90
 FIBR3 FIBRIA ON 31,43 -3,68
 TIMP3 TIM PART S/AON 7,60 -3,43
* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Do lado das quedas, a Natura (NATU3, R$ 26,31, -5,70%) recua após o seu resultado trimestral. "A companhia reportou o pior resultado que nós podemos lembrar", destaca o Credit Suisse em relatório. A companhia teve geração de caixa medida pelo Ebitda de R$ 217 milhões no período, queda de 24,1% sobre os três primeiros meses do ano passado. A margem Ebitda caiu 4,6 pontos percentuais, a 12,8%. Além da piora no resultado operacional, o prejuízo teve impacto do aumento de provisão para compra da parcela restante da australiana Aesop, pela marcação a mercado do hedge das dívidas em moeda estrangeira e outros fatores ligados ao câmbio.

Comissão do impeachment
Hoje a Comissão Especial do Impeachment do Senado ouve os autores do pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff. São eles os juristas Miguel Reale Junior, Janaina Paschoal; o outro autor do pedido, Hélio Bicudo, não deverá comparecer. A audiência será realizada às 16h. Segundo o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), por dia, só serão permitidas, no máximo, quatro manifestações, que juntas não poderão ultrapassar o tempo de duas horas.

PIB dos EUA
No primeiro trimestre de 2016, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 0,5%, na comparação anual, de acordo com a primeira prévia divulgada nesta quinta-feira (28). O crescimento foi, portanto, abaixo dos 1,4% de avanço registrados no quarto trimestre, e também menor do que a mediana das expectativas do mercado, que eram de que o crescimento fosse de 0,7% segundo o consenso da pesquisa Bloomberg.

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