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Ibovespa sobe 3,7% com investidores de olho em impeachment, mas cai na semana

Bolsa cai em semana de muita indefinição política e investidores ficam à espera da votação do impeachment na próxima semana

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Ibovespa fechou esta semana em leve queda de 0,53% com o mercado de olho nos próximos dias, que serão decisivos para a definição do cenário político em termos de impeachment. A votação na Comissão da Câmara dos Deputados deve ocorrer na segunda-feira (11) e o pleito no plenário deve ocorrer no domingo (17). 

Na segunda-feira a Bolsa caiu 3,52% em meio às articulações do ex-presidente Lula para ganhar apoio dos deputados da base contra o impeachment. Já na terça, o índice teve uma alta de 1% impulsionada pelo desempenho do minério de ferro e pela correção das ações da Petrobras, que tinham despencado 9% no pregão anterior por rumores de que a estatal iria cortar os preços da gasolina. Na quarta, o Ibovespa mergulhou depois de uma abertura em alta, após o presidente do PP, que tem uma bancada de 51 deputados, orientar votos do partido em defesa da presidente Dilma Rousseff. Por fim, na quinta-feira, o Ibovespa subiu com o cenário político, mas amenizou no fim da sessão em meio às quedas nas bolsas internacionais. 

Nesta sexta
O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (8) seguindo o desempenho das bolsas internacionais, que corrigiram as perdas recentes e refletiram a forte alta do petróleo em meio à queda da produção da commodity pelos Estados Unidos. No cenário doméstico, o parecer revisto do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contrário à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Civil e acusando a presidente Dilma Rousseff de tentar "obstruir a justiça", atrapalha os planos do governo de tentar conter o impeachment. 

O benchmark da bolsa brasileira subiu 3,67%, a 50.293 pontos, fazendo seu melhor desempenho diário desde o dia 17 de março, quando subiu 6,60%. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 8,015 bilhões. Já o dólar comercial caiu 2,63% a R$ 3,5951 na compra e a R$ 3,5965 na venda, enquanto o dólar futuro para maio tem queda de 2,57% a R$ 3,621. No caso do câmbio, o dólar reflete o leilão de swaps reversos do governo, que rolou apenas 3.000 dos 11.500 contratos colocados à venda. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 8 pontos-base a 13,80%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuava 42 pontos-base a 13,79%. 

Ainda no cenário político, o novo presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), negocia cargos com partidos que ainda não desembarcaram da base do governo para um futuro governo do vice-presidente Michel Temer. Ele falou com PP, PR, PSD e PTB, justamente os partidos que foram cobiçados pelo Planalto nos últimos dias com Lula prometendo cargos em troca de votos contrários ao impedimento. Jucá teria até tentado convencer o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI) a mudar de ideia depois dele anunciar que o partido continuaria ao lado de Dilma. 

Tudo isso se somou a outras notícias consideradas vitórias da oposição, como é o caso da confirmação do ministro Gilmar Mendes como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mendes é o ministro mais crítico ao governo Dilma dentro do tribunal, que analisa o processo de cassação da chapa Dilma-Temer por conta de supostas irregularidades na campanha de 2014. 

“O mercado continua comprado com a ideia do impeachment. O noticiário ficou favorável, com Gilmar no TSE e placar do Estadão”, diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora

Janot é contra o Lula ministro
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reviu seu entendimento anterior e enviou ontem novo parecer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contrário à nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil. Janot acusa Dilma de ter cometido “desvio de finalidade” e tentativa de “obstrução da justiça”. Diz ainda que a nomeação de Lula para o ministério teve o objetivo de “afetar a competência do juiz Moro”. O documento foi enviado ao Supremo para instruir duas ações que estão sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes. Com o parecer da PGR, Mendes poderá levar o caso para uma decisão definitiva do plenário da corte constitucional e tribunal de última instância. O julgamento deve ocorrer no dia 20 deste mês. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,44, +5,03%; PETR4, R$ 8,26, +7,27%) subiram forte seguindo os preços do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) disparou 6,09% a US$ 39,53, enquanto o barril do Brent avançou 5,86% a US$ 41,74. No radar da estatal, segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o governo segue pressionando a diretoria da empresa para que ela reduza o preço da gasolina e do diesel, como uma forma de reduzir a inflação. Analistas acreditam que a medida seria extremamente prejudicial à companhia, que precisa de caixa para fazer frente aos seus quase R$ 500 bilhões de dívida.

Além disso, a Petrobras se posicionou para tentar evitar o pedido de recuperação judicial de uma de suas fornecedoras, a Sete Brasil. Para isso, a estatal propõe a contratação de um mediador externo para negociar um acordo entre os sócios. Parte dos acionistas da Petrobras defende o pedido de recuperação judicial da Sete.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,15 +16,67 -49,52
 USIM5 USIMINAS PNA 1,68 +14,29 +8,39
 BBAS3 BRASIL ON 20,90 +11,53 +42,64
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,46 +11,31 +48,19
 GGBR4 GERDAU PN 6,81 +11,09 +46,45

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes tiveram alta, beneficiados pelo cenário político, que aumenta a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,70, +6,30%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,70, +4,32%; BBDC4, R$ 27,41, +4,94%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,90, +11,53%) avançaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

Já a Vale (VALE3, R$ 16,24, +8,19%; VALE5, R$ 12,19, +8,36%) foi na contramão do minério de ferro e registrou ganhos. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve baixa de 0,33% a US$ 54,57.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 FIBR3 FIBRIA ON 28,30 -6,38 -45,46
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 16,50 -5,71 -29,64
 JBSS3 JBS ON 9,62 -5,69 -22,11
 MRFG3 MARFRIG ON 6,44 -3,01 +1,42
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,96 -3,01 -41,36

 

 

Entre as quedas estiveram as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 28,29, -6,42%) e Suzano (SUZB5, R$ 10,96, -3,01%) terminaram o dia em fortes quedas por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 8,26 +7,27 644,14M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 31,70 +6,30 481,62M
 VALE5 VALE PNA 12,19 +8,36 385,70M
 BBAS3 BRASIL ON 20,90 +11,53 362,60M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,57 0,00 322,59M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,96 -3,01 300,67M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 27,41 +4,94 291,65M
 CIEL3 CIELO ON 38,10 +5,31 243,51M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 15,90 +4,95 200,41M
 ITSA4 ITAUSA PN 8,22 +5,93 194,65M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

IPCA
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,43% em março, frente à alta de 0,90% no mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira. O resultado ficou levemente abaixo do esperado pelo mercado -- 0,46%, segundo compilação da Bloomberg. Em março do ano passado, o indicador mostrou aumento de 1,32%. Com isso, no acumulado de 12 meses, o IPCA tem alta de 9,39%, bem acima do teto da meta do governo de 6,5%. No ano, a inflação oficial do país soma elevação de 2,62%.

Placar do impeachment
Elaborado pelo jornal Estado de S. Paulo, o placar do impeachment já mostra 274 deputados a favor da destituição da presidente Dilma e 114 contra a saída dela. Ontem, o PV declarou que votaria em bloco pelo impeachment. Segundo a Folha de S. Paulo, a TV Globo prometeu que irá transmitir a votação do processo no plenário da Câmara dos Deputados seja qual for o dia e o horário. 

Governo trabalha com rombo em 2017
A situação das contas públicas continua  tão crítica que o governo já imagina que terá mais um déficit fiscal em 2017. Segundo informações do Estado de S. Paulo, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do ano que vem deve vir com a combinação de uma meta fiscal com o limite de gasto, permitindo que haja o abatimento de despesas na meta. O projeto de lei terá que ser encaminhado ao Congresso até o próximo dia 15. Se for confirmado o déficit de 2017, será o quarto consecutivo.

Fala do Fed
O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse que os riscos de piora na economia e nos mercados diminuiu desde o começo do ano, mas o cenário, principalmente para inflação e crescimento requer cuidados. "Embora os dados recentes mostrem que a inflação está firme, ainda há motivo para preocupação porque muitas medidas ainda estão baixas", afirma. 

Cenário externo
Os índices norte-americanos e as bolsas europeias subiram, seguindo a recuperação forte dos preços do petróleo e uma correção das perdas dos últimos pregões. Já na Ásia, as ações chinesas caíram nesta sexta-feira antes da divulgação de uma série de dados econômicos, com alguns investidores realizando lucros após a recuperação de um mês do mercado que refletiu as expectativas de um primeiro trimestre forte. Os investidores que aguardam indicadores econômicos de março, incluindo novos empréstimos e inflação, a serem divulgados na próxima semana, evitaram operar ativamente. No restante do continente, os mercados não apresentaram direção comum, sendo que o índice acionário do Japão avançou após seu ministro das Finanças, Taro Aso, prometer proteger o iene de movimentos abruptos em qualquer direção.

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