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Ibovespa despenca quase 4% com impeachment mais distante e petróleo em queda forte

Mercado indica dia negativo em meio às articulações do governo com partidos da base e notícias de sacrifício do ajuste fiscal

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelera perdas nesta segunda-feira (4) com o cenário político se conjugando às perdas das bolsas norte-americanas. Por aqui, o impeachment entra em fase decisiva com hoje sendo o último dia para que a presidente Dilma Rousseff entregue a sua defesa à Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados. A Folha de S. Paulo destaca que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ganhar apoio de deputados do chamado "baixo clero", com base eleitoral distante das grandes cidades. Lá fora, as bolsas norte-americanas operam em baixa em meio à derrocada do petróleo. 

Às 15h41 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 3,45%, a 48.819 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,41% a R$ 3,6128 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 sobe 19 pontos-base a 13,91%. 

Segundo o sócio-gestor da Queluz, Rodrigo Otávio Marques, os movimentos da Bovespa estão sincronizados com os das bolsas mundiais, mas são amplificados pelo ambiente político. "Uma parte da alta das commodities já passou e aqui começou a ceder pela coincidência deste cenário com a ideia de que o processo de impeachment tende a se desenvolver de forma mais difícil", explica. Segundo ele, a 50.000 pontos o mercado já começa a questionar como será a vida após o impeachment, de modo que a fase de euforia de março fica para trás.

"Com o Lula provavelmente virando ministro na quinta-feira, os investidores fazem a leitura de que ele pode segurar Dilma no cargo em troca de favores aos partidos da base aliada", afirma. 

Lula 
A Folha de S. Paulo destaca que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ganhar apoio de deputados do chamado "baixo clero", com base eleitoral distante das grandes cidades. A investida é sobre deputados menos suscetíveis às pressões das grandes cidades, onde ecoa o movimento pelo impeachment. No sábado (2), Lula se reuniu em Fortaleza com dez deputados do Ceará filiados a siglas como Pros, PDT e PTN. O ex-presidente também almoçou com governadores do Nordeste. Na semana passada, Lula reuniu parlamentares de Estados como Alagoas, Pernambuco e Pará. Nas conversas, ele promete assumir as rédeas do governo assim que tomar posse na Casa Civil, o que acredita acontecer na próxima quinta (7).

STF decide sobre impeachment de Temer
Nesta segunda, os investidores esperam pela decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, sobre recurso contra arquivamento de impeachment do vice-presidente Michel Temer.  

Ações em destaque
Em destaque, a Petrobras (PETR3, R$ 9,67, -8,17%; PETR4, R$ 7,63, -8,73%) pode anunciar a queda do preço de combustível hoje, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Essa queda teria como base o recuo do consumo deste combustível neste ano e em 2015. No ano passado, o consumo da gasolina recuou 9,0%. Em janeiro, a queda chegou a 11% na comparação anual.

"Do ponto de vista dos preços dos internacionais, a cotação externa em reais está 22,5% abaixo do preço doméstico na refinaria, na média dos últimos 21 dias úteis. Nos últimos doze meses, o preço interno da gasolina está em torno de 10,0% acima de sua cotação no mercado internacional", avalia a LCA Consultores.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CSAN3 COSAN ON 28,97 -9,04
 PETR4 PETROBRAS PN 7,63 -8,73
 PETR3 PETROBRAS ON 9,67 -8,17
 CPLE6 COPEL PNB 27,32 -7,86
 USIM5 USIMINAS PNA 1,65 -7,82

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes caem, prejudicados pelo cenário político, que diminui a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,41, -3,18%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,81, -2,92%; BBDC4, R$ 26,70, -3,20%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,81, -4,86%) recuam. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,58 +3,17
 FIBR3 FIBRIA ON 31,26 +2,16

 

Entre as altas estavam as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 31,26, +2,16%) e Suzano (SUZB5, R$ 12,32, -0,81%) operam com fortes ganhos por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real.

Ajuste fiscal em xeque
A equipe econômica sacrificou o ajuste fiscal no curto prazo para conter a crise política, segundo o Estado de S. Paulo. Além das medidas de crédito e redução de taxas de juros em operações do BNDES e de fundos constitucionais, o governo pediu um abatimento da meta em até R$ 120 bilhões para acomodar mais despesas, inclusive na área de defesa, e recursos não previstos para os Estados de R$ 1,95 bilhão como compensação pela Lei Kandir que desonerou as exportações. 

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 caiu de uma contração de 3,66% para uma de 3,73%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,28% este ano, contra 7,31% projetados anteriormente.

Enquanto isso, a estimativa da taxa Selic foi reduzida de 14,25% para 13,75% esta semana, de modo que os economistas, pela primeira vez em 2016, esperam um corte dos juros este ano. Para 2017, as expectativas são de que a Selic chegue a 12,50%.

Fed pode elevar juros
O presidente da regional do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Boston, Eric Rosengren, afirmou hoje esperar que as elevações de juros nos Estados Unidos aconteçam de formam mais rápida e em quantidade maior do que estima atualmente o mercado.

O dirigente, que vota nas reuniões de política monetária deste ano, afirmou que a economia continua a melhorar apesar dos ventos contrários do exterior. Além disso, ele notou que a volatilidade dos mercados financeiros dos últimos meses cedeu de certa forma.

Petróleo
O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 2,85% a US$ 35,74 e o barril do Brent recua 2,48% a US$ 37,71. A queda da commodity segue às declarações de líderes da Arábia Saudita de que acordo entre os principais produtores para cortar a produção pode não sair.  

Cenário externo
As bolsas asiáticas registraram um dia misto, com Nikkei em queda de 0,25%, o Xangai tem alta de 0,17% e HangSeng teve queda mais forte, de 1,34%, de olho nos sóldios dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, assim como os números da indústria na maior economia mundial e também na China.

As ações norte-americanas subiram na sexta-feira, com o índice S&P 500 ganhando 0,63%, à máxima de três meses, após dados melhores do que os esperados do emprego e da indústria nos EUA. O índice Nikkei do Japão recuou pressionado pela queda das montadoras na sequência de dados fracos de vendas nos EUA.

Já a Europa fechou em alta, com o FTSE subindo 0,30%, o DAX em alta de 0,28% e o CAC 40 em alta de 0,53%.

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