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Ibovespa sobe 2,4% com rompimento do PMDB com o governo mais próximo; dólar e DIs caem

Mercado teve alta em meio a notícias de PMDB do Rio e de MG já declarando o rompimento com a presidente Dilma; lá fora, mercados refletiram PIB dos EUA

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (28) seguindo o noticiário político em meio à expectativa de que o PMDB rompa com o governo amanhã na reunião da cúpula do partido. No fim de semana, o PMDB do Rio de Janeiro, que tem Leonardo Picciani como o maior bastião de defesa do governo dentro da sigla, decidiu retirar o apoio à presidente Dilma Rousseff. Hoje à tarde, saiu a notícia de que o PMDB de Minas Gerais foi o segundo a romper com o Planalto. Lá fora, os índices norte-americanos fecharam com alta após o PIB (Produto Interno Bruto) do país vir melhor que o esperado. 

O benchmark da bolsa brasileira subiu 2,38%, a 50.838 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,364 bilhões. Já o dólar comercial terminou a sessão com perdas de 1,51% a R$ 3,6250 na compra e a R$ 3,6257 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro tem queda de 1,47% a R$ 3,628. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 8 pontos-base a 13,74%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 37 pontos-base a 13,70%. 

Rompimento do PMDB
A batalha para impedir o desembarque do maior partido da base aliada é dada como perdida até pelo Palácio do Planalto. Calcula-se que o desembarque peemedebista, depois da adesão da secção do Rio de Janeiro - do deputado Jorge Picianni (pai do líder do PMDB na Câmara), do governador Pezão, do ex-governador Sérgio Cabral, e do prefeito Eduardo Paes, a mais dilmista do partido – deverá ser aprovado por cerca de 80% dos membros da direção partidária. Apenas os grupos ligados a alguns dos sete ministros peemedebistas e ao senador Renan Calheiros (AL) podem dar votos pelo não rompimento. 

Outra ala que poderia representar um foco de resistência governista frente à tendência de debandada peemedebista, a bancada do partido em Minas Gerais também deve romper com o governo Dilma Rousseff, em decisão que deve ser ratificada nesta terça-feira (29). Segundo informações do portal O Tempo, a decisão será confirmada pelo diretório da sigla no estado, em reunião convocada para esta tarde por Antônio Andrade, presidente do PMDB-MG e vice-governador do estado. 

Embora ainda haja necessidade dos dois encontros para a definição de uma posição formal, a reportagem diz que um parlamentar peemedebista garantiu que neste momento todos no partido apoiam o rompimento. Atualmente, a ala mineira da sigla possui o ministério da Aviação Civil, comandado por Mauro Lopes, decisão tomada poucos dias após a convenção do partido e que provocou desconforto no partido.

Movimentos sociais "jogam a toalha"
O cenário está cada vez mais difícil para a presidente Dilma Rousseff se manter no comando do país. Parece que essa avaliação já começa a marcar presença até em grupos ainda dispostos a defender a petista no poder. Segundo informações da coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo, alguns dos principais líderes de movimentos sociais admitem reservadamente que a queda da presidente parece inevitável. Dizem essas lideranças sociais que as manifestações continuarão, mas terão efeito de "marcar posição" da esquerda para os dias que provavelmente virão em um governo sob comando de Michel Temer. Outros, ainda acreditam na força dos protestos para barrar a derrocada da petista. De todo modo, desistir não está nos planos de nenhuma das alas.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,63, +6,41%; PETR4, R$ 8,44, +8,07%) dispararam, refletindo o cenário político. Além disso, no radar da estatal, a companhia realizará AGE (Assembleia Geral Extraordinária) e AGO (Assembleia Geral Ordinária) no dia 28 de abril. Na AGE será votada reforma do estatuto social, com 43 propostas de modificação, conforme o edital de convocação. Dentre as principais alterações estão o novo prazo de gestão dos conselheiros de administração, de um para dois anos. Há ainda inclusão de parágrafo com limites de reeleição dos conselheiros e que veda a ocupação da função de presidente do órgão e de presidente da companhia pela mesma pessoa.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 PETR4 PETROBRAS PN 8,44 +8,07 +25,97
 PETR3 PETROBRAS ON 10,63 +6,41 +24,04
 CYRE3 CYRELA REALTON 10,50 +5,95 +40,00
 BBAS3 BRASIL ON 20,10 +5,85 +37,18
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,20 +5,77 +32,53

 

 

Dentro do setor mais pesado no Ibovespa, o financeiro, bancos grandes subiram, beneficiados pelo cenário político, que aumenta a probabilidade de uma troca de governo que significasse uma mudança na condução da política econômica rumo à ortodoxia. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,76, +2,48%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,48, +3,29%; BBDC4, R$ 27,54, +4,87%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,10, +5,85%) avançaram. Juntas, as quatro ações respondem por pouco mais de 20% da participação na carteira teórica do nosso benchmark. 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 ESTC3 ESTACIO PARTON 11,24 -7,11 -19,43
 FIBR3 FIBRIA ON 32,30 -6,65 -37,75
 KROT3 KROTON ON ED 11,19 -4,52 +17,89
 SMLE3 SMILES ON 38,25 -2,67 +9,91
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 13,72 -2,63 -26,59

 

 

 

Entre as quedas estiveram as exportadoras de papel e celulose. Fibria (FIBR3, R$ 32,30, -6,65%) e Suzano (SUZB5, R$ 11,24, -7,11%) terminaram o pregão em fortes quedas por conta do desempenho negativo do dólar. Por possuírem suas receitas na moeda norte-americana, essas empresas têm as suas rentabilidades reduzidas quando há desvalorização da divisa dos EUA ante o real. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 8,44 +8,07 567,73M
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 31,76 +2,48 472,37M
 BBDC4 BRADESCO PN 27,54 +4,87 377,24M
 BBAS3 BRASIL ON 20,10 +5,85 321,55M
 VALE5 VALE PNA 11,39 +0,18 301,76M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,30 +1,58 235,67M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 15,75 +2,74 183,64M
 CIEL3 CIELO ON 34,92 +4,24 173,98M
 SBSP3 SABESP ON 23,75 +2,81 147,32M
 PETR3 PETROBRAS ON 10,63 +6,41 134,78M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Relatório Focus
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2016 caiu de uma contração de 3,60% para uma de 3,66%, e também foi cortada para 2017 de um avanço de 0,44% para um de 0,35%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 7,31% este ano, contra 7,43% projetados anteriormente.

Cenário externo
As bolsas chinesas devolveram os ganhos vistos mais cedo, com a queda do setor imobiliário ofuscando o bom humor desencadeado por dados positivos sobre os lucros da indústria divulgados no fim de semana. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,88%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,72%.

Na Europa, os mercados continuam fechados por conta do feriado de Páscoa. Já as bolsas americanas tiveram leves ganhos - o S&P fechou a sessão com alta de 0,05%; o mercado segue na expectativa pelo discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, e repercutindo o PIB americano divulgado na sexta, que cresceu mais que previamente estimado no quarto trimestre, com alta de 1,4%, ante estimativa de 1%.

Na Ásia, à tarde, os índices foram pressionados por ações do setor imobiliário após a mídia noticiar que reguladores financeiros na província de Zhejiang começaram a monitorar de perto financiamento imobiliário, alertando para os riscos financeiros associados ao rápido aumento dos preços das propriedades em cidades como Nanjing e Suzhou. Outros mercados asiáticos também anularam os avanços vistos na primeira parte do pregão, com investidores adotando cautela antes da divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos e declarações de de autoridades do Federal Reserve, banco central norte-americano, nesta semana.

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