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Petrobras afunda 8% com Lula e exportadoras disparam até 6%; small cap salta 25%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - Notícia sobre Lula na reta final do pregão desta segunda-feira (14) puxou para baixo o Ibovespa, que já operava praticamente durante todo o pregão no negativo. Papéis da Petrobras chegaram a cair 8%, enquanto Vale afundou 5%. Segundo coluna da Folha de S. Paulo, um integrante da equipe de Dilma disse que o ex-presidente pode ser anunciado ministro "muito em breve". Um dirigente do PT disse à coluna que há uma chance de 70% dele aceitar o convite. 

Com a notícia, o dólar registrava alta de 1,5%, a R$ 3,6406, após atingir ganhos de 1,8% na máxima, a R$ 3,6516. O movimento impulsionava as ações das exportadoras, que subiam até 6%. No caso, a Braskem subia motivada tanto pelo câmbio como por notícia sobre interessados na compra da participação da Petrobras na companhia. Entre os maiores ganhos do Ibovespa, apareciam ainda as ações das empresas do setor de papel e celulose Fibria e Suzano (confira as maiores altas e baixas da Bolsa, clicando aqui). 

Apesar da agitação do mercado, uma reportagem da Época desta tarde apontava que Lula resiste aceitar o ministério por ver um desembarque do PMDB como irreversível. Segundo interlocutores, Lula considera que Dilma só se salvará se evitar uma debandada do PMDB do Senado. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 9,70, -3,87%; PETR4, R$ 7,46, -7,79%)
As ações da Petrobras afundaram nos minutos finais de pregão, em meio à notícia de que Lula estaria próximo de aceitar o convite de Dilma para assumir um ministério, segundo coluna da Folha. O movimento distanciou as ações da estatal da cotação do petróleo lá fora, que recuou 1,96%, a US$ 39,60 o barril. A commodity reagiu à declaração do ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, de que o país pretende continuar a aumentar a produção até recuperar os níveis anteriores às sanções internacionais e, depois, poderá cogitar um acordo de controle com outros países. 

No radar da companhia ainda, segundo uma reportagem do Valor, o  prêmio que a Petrobras tem na venda de combustíveis no mercado doméstico tem ajudado a companhia a melhorar seu fluxo de caixa. Graças à variação do dólar e os sucessivos reajustes nos preços internos, a gasolina vendida nas refinarias brasileiras custava, até 7 de março, 36,5% mais que no Golfo do México, ao passo que a diferença no diesel era favorável à estatal brasileira em 46,4%. As informações são do CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura) e foram divulgadas no jornal Valor Econômico.

Ainda de acordo com a reportagem, um estudo do JPMorgan estima que cada apreciação de 10% do real, aumenta em US$ 3 bilhões a geração de caixa da Petrobras. O CBIE calcula que, de novembro de 2014 a janeiro de 2016, a Petrobras conseguiu recuperar R$ 16,6 bilhões com a venda de gasolina e diesel acima dos preços internacionais, mas ainda não teria recuperado as perdas de 2011 a 2014.

Além disso, a força-tarefa da operação Lava Jato propôs no sábado ação de improbidade administrativa contra as empresas e executivos do grupo Odebrecht e de ex-funcionários da Petrobras, que pede o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 7,3 bilhões.

A ação tem como base acusações de que as empresas do grupo Odebrecht pagaram propinas para serem favorecidas em licitações da estatal. Entre os citados estão os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque da Petrobras, e Marcelo Bahia Odebrecht e Marcio Faria da Silva do grupo Odebrecht.

Por outro lado, o impasse continua sendo a palavra que resume o momento da Sete Brasil. Após três reuniões inconclusivas entre cotistas, outro encontro foi marcado para 28 de março. Conforme conta o jornal Valor Econômico, enquanto os sócios privados querem levar a companhia à recuperação judicial, a maioria dos acionistas ligados à União é contra. Os bancos credores assumiram conversas com a Petrobras na tentativa de uma solução que possibilite ao menos a recuperação parcial dos valores envolvidos.

 Enquanto isso, o Ultra, dono da rede de postos Ipiranga, Ultragaz e outras companhias, está interessado em uma fatia da BR Distribuidora, líder em distribuição de combustíveis do Brasil. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a Liquigás também interessa a concorrentes como o Ultra e a Copagaz. Inicialmente, o interesse da estatal seria abrir o capital da BR Distribuidora, mas o cenário adverso para o ingresso no mercado de capitais tem forçado novas alternativas, como a busca por investidores minoritários. Já a Brookfield, conta o jornal, estaria interessada em todos os negócios da área de distribuição da estatal, assim como a fatia da Braskem.

Braskem (BRKM5, R$ 25,56, +6,23%)
De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a chinesa CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) também estaria interessada na compra da participação da Petrobras na Braskem, que também poderá contar com duas americanas na disputa: Dow e ExxonMobil. A lista de interessados na fatia também conta com Brookfield e Saudi Arabian Oil Company. Apesar do cenário que aponta para uma grande disputa de tubarões do mercado pela participação na Braskem, espera-se demora para o negócio por conta dos direitos garantidos à controladora Odebrecht em um acordo de acionistas. 

Fibria e Suzano
Com a disparada do dólar nesta sessão, que bateu próximo ao fechamento sua máxima do dia, as ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 32,00, +5,37%) e Suzano (SUZB5, R$ 12,69, +4,53%) figuraram entre as maiores altas do Ibovespa. Na semana passada, com o movimento de queda da moeda, essas ações encerraram como uma das maiores quedas do índice, renovando mínimas de mais de 12 meses na Bolsa.  

Cemig (CMIG4, R$ 7,30, -5,19%)
As ações da Cemig caíram forte hoje, com o peso extra de um relatório do UBS. O banco suíço cortou a recomendação das ações da elétrica de neutra para venda, assim com o preço-alvo, que passou para R$ 6,50 por papel.  

Vale (VALE3, R$ 13,44, -3,10%; VALE5, R$ 9,70, -4,43%)
Com o peso da notícia sobre Lula, os papéis da Vale intensificaram perdas no fim do pregão, embora tenham operado no negativo praticamente durante todo o pregão, seguindo a queda do preço do minério de ferro lá fora. O minério caiu 1,54% nesta sessão, a US$ 55,55 a tonelada, no porto de Qingdao, na China. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 5,05, -2,71%), holding que detém participação na mineradora. 

A Samarco, joint venture entre a Vale e a BHP Billiton informou que tem  caixa para cobrir retomada da operação e multas e afirmou que  espera ter recursos necessários para pagar os desastres ambientais e multas e para a retomada de suas operações até o quarto trimestre, disse o presidente Roberto Carvalho. Mesmo com patamares reduzidos de produção, companhia terá condições de atender todos os compromissos financeiros, disse ele em entrevista por telefone para a Bloomberg.

Bancos
Os papéis dos bancos viraram para queda nesta tarde, sentindo o peso do mercado. As ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,20, -2,49%), que chegaram a subir 3,69% na máxima do dia, fecharam em queda superior a 2%. Acompanharam o movimento os papéis do Bradesco (BBDC4, R$ 26,60, -0,64%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,18, -0,46%). Apesar da queda, o Bank of America Merrill Lynch elevou a recomendação do Bradesco de neutra para compra. 

Contax (CTAX11, R$ 0,85, +25,00%)
As units da Contax dispararam após a companhia informar que obteve todas as autorizações formais de seus credores financeiros e debenturistas para alongamento de sua dívida, como parte de um plano maior de reestruturação da companhia. A dívida líquida da Contax estava em R$ 1,03 bilhão em setembro do ano passado, enquanto a dívida bruta da empresa chegava a R$ 1,54 bilhão. 

Siderúrgicas 
Os papéis das siderúrgicas operaram sem direção hoje. As ações da Gerdau (GGBR4, R$ 5,36, +4,48%) minimizaram ganhos no final do pregão depois de subirem 7,02%, a R$ 5,49, enquanto Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,01, -2,43%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,85, -8,42%) viraram para queda. A Usiminas saiu de alta de 9,9% para queda de 11,8% na mínima do dia. Já CSN (CSNA3, R$ 6,92, -1,98%) teve uma oscilação menor hoje, encerrando em queda de 2%. 

Sobre a Usiminas, o Conselho de Administração da companhia aprovou proposta de aumento de capital no valor de R$ 1 bilhão mediante a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias, ao preço de emissão de R$ 5 por papel, de acordo com fato relevante divulgado pela empresa na noite de sexta-feira. O aumento de capital é considerado essencial para evitar que a maior produtora de aços planos do Brasil seja forçada a pedir recuperação judicial diante de sua frágil situação financeira. 

Durante reunião do conselho da siderúrgica na sexta-feira, foram discutidas duas propostas de aumento de capital: a vencedora, apresentada pela japonesa Nippon Steel, e outra sugerida pela ítalo-argentina Techint. Os dois grupos dividem o controle da siderúrgica brasileira.

O compromisso do grupo Nippon Steel de subscrever até 1 bilhão de reais na operação também está condicionado à celebração de acordos com credores que devem prever o alongamento da dívida e a concessão de prazo de carência.

A proposta da Techint ainda voltará a ser apresentada na assembleia para discutir o aumento de capital. A proposta prevê aumento de capital de até 563 milhões de reais, mediante emissão de até 100 milhões de ações ordinárias e até 100 milhões de ações preferenciais classe "A", ao preço de 4,35 reais por ação ordinária e 1,28 real por ação preferencial classe A.

Nova reunião do conselho será realizada em 18 de março para deliberar sobre a convocação da Assembleia Geral Extraordinária e sobre o pedido apresentado pela Techint.

De acordo com o Itaú BBAo aumento de capital não resolve principal problema da Usiminas, o fato de sua dívida ser imcompatível com a perspectiva de geração de caixa, segundo relatório de analistas do Itaú BBA. Com o aumento de capital de R$ 1 bilhão, Usiminas vai reduzir sua dívida líquida para R$ 4,9 bilhões, “o que ainda não é compatível com uma companhia que gerou R$ 500 milhões em Ebitda em 2015 e deve gerar Ebitda de R$ 600 milhões em 2016”.

 “Um aumento de capital adicional pode ser necessário se as perspectivas para o aço não mudarem substancialmente”, afirmam. “Acreditamos que as perspectivas para o setor de aço continuarão desafiadoras nos próximos trimestres, com preços pressionados (dadas as baixas taxas de utilização) e fraca demanda doméstica no Brasil”. A emissão provavelmente aumentará em 25% número de ações da Usiminas e reduzirá a dívida total em 12%, segundo o Itaú BBA. “Aconselhamos aos investidores que fiquem longe das ações, dado que qualquer solução para os problemas de curto prazo da empresa será de diluição aos acionistas minoritários da Usiminas, sem mencionar o momento operacional claramente desafiador que as siderúrgicas enfrentam no Brasil”.

BR Properties (BRPR3, R$ 8,49, -1,85%)
A GP Investments confirmou a intenção de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) de até 70% do capital social da BR Properties ao preço de R$ 10,00 por ação ordinária, de acordo com comunicado divulgado na noite de domingo. Segundo cronograma indicativo divulgado pela GP, a publicação do edital deve ocorrer em 28 de março e a realização do leilão da oferta em 11 de maio.

Duratex (DTEX3, R$ 7,11, -2,20%)
As ações da Duratex viraram para queda, apesar da elevação de recomendação pelo Bank of America Merrill Lynch para compra, vendo um cenário macroeconômico melhor para o Brasil. Para a analista Karel Luketic, que assina o relatório, a Duratex parece que vai conseguir recuperar seu poder de preços em 2017. 

CCR (CCRO3, R$ 14,42, -0,41%)
Segundo o Valor, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) inicia hoje a audiência pública que vai discutir os parâmetros do aditivo contratual da NovaDutra, concessionária controlada pela CCR que administra a Rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Durante a audiência pública, serão apresentados cinco cenários diferentes, com investimentos que vão de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,4 bilhões, a depender do volume de obras incluído no aditivo.  

Prumo (PRML3, R$ 7,50, -4,09%) 
Acionistas controladores da Prumo decidiram cancelar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) de ações da companhia. "Nesse momento, considerando a impossibilidade de prever, e as incertezas relacionadas ao prazo da negociação com os Bancos para a obtenção da aprovação necessária para a OPA, nem a companhia ou seus acionistas Controladores conseguem dar uma previsão concreta quanto ao prazo solicitado pela CVM", disse a companhia em comunicado. 

Os acionistas controladores também informaram à companhia que irão reembolsar "todos os custos e despesas por ela incorridos relacionados com a tentativa de OPA, nos termos da regulamentação existente". 

Linx (LINX3, R$ 48,60, -0,25%) 
A Linx foi rebaixada de outperform (desempenho acima da média) para market perform (desempenho em linha com a média) pelo Itaú BBA.

Lupatech (LUPA3, R$ 1,99, -26,30%)
Depois de disparar 150% na última sexta-feira, as ações da Lupatech caíram forte hoje. No último pregão, os papéis da companhia reagiram ao 
fato relevante informando que o diretor presidente e diretor de relações com investidores da empresa, Ricardo Doebeli, e o seu consultor, Rafael Gorenstein, confirmaram a aquisição, individualmente, de créditos contra a companhia e de algumas de suas subsidiárias, nos valores respectivos de R$ 15.653.955,97 e R$ 12.807.782,16. De acordo com o comunicado, os dois também comunicaram a escolha de recebimento dos créditos adquiridos por meio da sua conversão em capital da companhia.

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