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Ibovespa salta 5% e tem melhor pregão da década com possível delação de Delcídio

Mercado deixa fundamentos econômicos e falta de direcionamento do cenário externo para se voltar a mais uma notícia negativa para o governo

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelerou ganhos em um ritmo impressionante depois das 16h30 (horário de Brasília) e fechou com alta de 5,12% a 47.193 pontos. O movimento ocorreu mesmo após o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) dizer que "não confirma" o conteúdo da matéria da revista IstoÉ, que afirma que o ex-líder do governo no Senado fez um acordo de delação premiada na Lava Jato acusando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentarem barrar as investigações da Operação Lava Jato. O volume movimentado hoje ficou muito acima da média, atingindo R$ 13,008 bilhões.

A última vez que a Bolsa subiu tanto foi em 4 de março de 2009, quando disparou 5,31%. Já o dólar comercial fechou em queda 2,20% a R$ 3,8022 na venda - sua menor cotação do ano -, enquanto o dólar futuro para janeiro de 2016 recuou 2,37% a R$ 3,832. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 2 pontos-base a 14,04%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recuou 19 pontos-base a 15,07%. 

Para o sócio-gestor da Queluz, Rodrigo Otávio Marques, a alta de hoje, apesar de ser a quarta consecutiva, é um movimento de curtíssimo prazo. "Basicamente, o mercado está otimista, atingindo resistências acima de 45 mil pontos e fazendo um catch up com o exterior graças ao impeachment ganhar força", afirma. Na sua avaliação, o mercado está subestimando o imbróglio político que é a destituição de uma presidente da República. 

Em um caso de impedimento via Congresso, com o vice-presidente da República, Michel Temer assumindo, ele acredita que o impacto não seria tão forte, mas caso haja uma cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a tensão é muito maior. "Serão pelo menos seis meses de vazio institucional e quem assume interinamente antes da convocação de novas eleições é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também está ameaçado de cassação", lembra. 

Delação de Delcídio
A presidente Dilma Rousseff tentou interferir na Operação Lava Jato, segundo delação do senador Delcídio do Amaral, publicada pela revista IstoÉ desta quinta. O jornalista Ricardo Boechat, da Bandeirantes e também colunista da revista, adiantou a informação. De acordo com a revista, a presidente conversou com auxiliares e nomeou ministros para tribunais superiores – principalmente o STJ (Superior Tribunal de Justiça) – favoráveis às teses das defesas de acusados, em uma tentativa de ajudar empreiteiras e políticos alvos da Operação, segundo o senador. 

Em entrevista ao Valor Pro, contudo, Delcídio disse não reconhecer a autenticidade da reportagem, sem no entanto, negar que fez delação premiada. 

Ações em destaque 
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,11, +12,47%; PETR4, R$ 6,57, +16,28%) fecahram em forte alta de com vazamento de delação premiada do ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), citando Dilma. Ná máxima do dia, as ações chegaram a subir 20%. Os papéis PNs da estatal chegaram a bater os R$ 6,00 (patamar que não viam desde 12 de janeiro), registrando na máxima do dia uma alta de 6,19%. Nos últimos 4 pregões, as ações da petroleira disparam mais de 20%.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 1,27 +35,11 -18,06 64,31M
 PETR4 PETROBRAS PN 6,57 +16,28 -1,94 1,18B
 GOAU4 GERDAU MET PN 1,44 +15,20 -13,25 57,12M
 CSNA3 SID NACIONALON 6,50 +15,04 +62,50 61,06M
 CMIG4 CEMIG PN 7,01 +14,73 +17,40 69,40M

Também registraram ganhos os papéis de bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,89, +9,89%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,11, +6,57%; BBDC4, R$ 24,40, +8,93%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,61, +13,04%). Somando-se o peso das três ações, elas compõem 20,92% da carteira teórica do Ibovespa.

Por outro lado, fecharam em queda as ações de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 35,69, -10,66%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,93, -9,78%). Ambas são prejudicadas pela baixa do dólar, que faz com que elas percam lucratividade, uma vez que suas receitas são denominadas na moeda norte-americana.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON 25,03 -13,99 -17,09 237,76M
 FIBR3 FIBRIA ON 35,69 -10,66 -31,22 292,13M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 13,93 -9,78 -25,47 221,32M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 20,50 -3,94 -12,58 91,62M
 RUMO3 RUMO LOG ON 2,88 -3,68 -53,85 12,03M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 29,89 +9,89 1,20B 423,79M 79.515 
 PETR4 PETROBRAS PN 6,57 +16,28 1,18B 324,41M 139.293 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 24,40 +8,93 648,72M 318,70M 61.954 
 VALE5 VALE PNA 10,96 +9,71 638,27M 279,89M 65.125 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 13,44 +7,09 490,82M 104,21M 55.356 
 PETR3 PETROBRAS ON 9,11 +12,47 453,08M 108,67M 70.462 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 7,80 +8,18 451,31M 130,88M 70.561 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,61 +13,04 414,60M 123,23M 46.377 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,44 +1,65 394,62M 228,30M 43.754 
 KROT3 KROTON ON 10,73 +7,95 323,51M 104,77M 31.290 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

PIB
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teve queda de 1,4% no quarto trimestre de 2015 na comparação com o terceiro trimestre do mesmo ano, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta. Na base de comparação anual, a queda foi de 5,9%. Analistas estimavam retração de 1,6% no quarto trimestre de 2015 frente ao terceiro trimestre, levando em conta a mediana das estimativas da pesquisa Bloomberg. Na base de comparação anual, era esperada queda de 6%. No acumulado de 2015 o PIB recuou 3,8%. O IBGE informa ainda que, em valores correntes, o PIB alcançou R$ 5,904 trilhões.

Copom
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta noite de quarta-feira, 2, manter pela quinta vez consecutiva a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Assim como nas últimas duas reuniões, a decisão não foi unânime: os diretores Sidnei Marques e Tony Volpon votaram para que a Selic subisse 0,5 ponto porcentual. Desde novembro, esses dois membros insistem para que a taxa suba para 14,75% ao ano, o que dá mais indicações de que o BC deva manter os juros em um futuro próximo. O voto dos dois diretores estava sendo considerado pelos analistas do mercado com um importante sinalizador dos próximos passos da política de juros do BC. 

Cunha e o STF
Faltando ainda o voto de 5 ministros, o STF (Supremo Tribunal Federal) já atingiu maioria nesta quarta para aceitar o recebimento parcial de uma denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelo suposto recebimento de US$ 5 milhões de propina da Petrobras. Dos 11 ministros da Corte, 6 votaram em favor da abertura da ação penal contra o deputado, sendo que o resto votará nesta quinta-feira. O ministro Teori Zavascki, relator do caso, votou para aceitar somente uma parte da denúncia, por entender que a Procuradoria Geral da República não conseguiu provas mínimas de que Cunha e a ex-deputada Solange Almeida, prefeita de Rio Bonita, participaram de irregularidades na celebração dos contratos de navios-sonda da Petrobras em 2006 e 2007.

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