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Dos ADRs ao noticiário corporativo; veja o que você precisa saber na volta do Carnaval

Queda nas bolsas mundiais, novidades na Lava Jato e na sucessão de Dilma, decisão da Gol e muito mais nesta quarta-feira pós-Carnaval

gráfico queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Depois de ter leve alta na semana passada, o Ibovespa deve começar a curta semana pós-Carnaval com o pé esquerdo. Enquanto os blocos de rua desfilavam nas ruas e as escolas de samba nos sambódromos, as bolsas mundiais caíam em meio a preocupações com os dados de emprego dos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa. Por aqui, o mercado ficará atento ao Relatório Focus do Banco Central, com as previsões de economistas para os principais indicadores macroeconômicos do País. O dado sai às 12h (horário de Brasília). 

Para você que está voltando de feriado agora, veja o que de mais importante saiu e que você precisa saber antes de operar nesta quarta-feira (10). 

Dias de queda
A Bovespa ficará fechada até às 13h (horário de Brasília) de quarta-feira (10), mas o mercado já pode esperar uma sessão negativa para o benchmark da bolsa brasileira, o Ibovespa. Isso por conta do comportamento dos ADRs (American Depositary Receipts) negociados na Bolsa de Nova York nos dias de folia, em que a Bolsa brasileira ficou fechada.

Em dois dias, entre segunda e terça, o índice Brazil Titans 20, que reúne os principais e mais líquidos ADRs brasileiros, teve queda acumulada de 3,51%, com baixa de 2,26% na segunda e de 1,28% na terça, chegando aos 10.514 pontos. As grandes preocupações se centraram na economia dos EUA após os dados de emprego, na desaceleração econômica da China e também na saúde financeira dos bancos europeus. O índice do setor bancário STOXX Europe 600 caiu 5,6% na segunda, acumulando perdas de quase 24% este ano por preocupações com a lucratividade dos bancos e com a força de capital em um ambiente em que os estímulos monetários continuam pressionando margens destas instituições.

Na segunda-feira, como destaques negativos, esteve mais uma vez os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4), por conta da queda do petróleo. Os ativos equivalentes aos ordinários, os PBR, fecharam em baixa de 3,5% naquele dia, enquanto os correspondentes aos preferenciais, os PBR.A, tiveram queda ainda maior, de 5,2%. Os papéis da mineradora Vale (VALE3;VALE5) também fecharam em baixa: de 2,3% para os ativos correspondentes aos ON e de 2,8% para os papéis PNA. Já a CSN (CSNA3) viu seus ADRs caírem 6%. Bancos também tiveram baixa, caso de Itaú Unibanco (ITUB4; -2,6%) e Bradesco (BBDC4;-3,2%). 

Na terça, os ADRs da Petrobras tiveram mais um dia de expressiva baixa, com os recibos de Petrobras PN em baixa de 5,50%, a US$ 2,06, e os ADRs de Petrobras ON em queda de 4,17%, a US$ 2,99. Já os ADRs da Vale tiveram queda de 1,98%, a US$ 2,47. Ambev (ABEV3) viu seus ativos caírem 2,48%, enquanto Itaú viu seus papéis terem queda de 0,98%, enquanto o Bradesco teve baixa menor, de 0,21%. Já Fibria (FIBR3) subiu 0,88%.

Mercados na quarta-feira
A quarta-feira é bastante movimentada para os mercados mundiais. Após dois dias de expressiva queda, as bolsas europeias têm um repique, com o alemão DAX em alta de 2,31% e o francês CAC 40 em alta de 2,21%, com todos os olhos voltados para o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, às 13h, dando a interpreteção da autoridade monetária sobre os dados recentes.

Por outro lado, as bolsas asiáticas caíram nesta quarta-feira devido às crescentes preocupações com a saúde dos bancos mundiais, particularmente na Europa, levando os investidores a procurar ativos seguros como o iene, que chegou à máxima de 15 meses ante o dólar.

O índice Nikkei, do Japão, que tombou mais de 5% na terça-feira, recuou 2,31% nesta quarta-feira. O índice chegou a recuar 4% durante a sessão e tocou a mínima de 16 meses com a queda das ações bancárias e o fortalecimento do iene dando um golpe na confiança.

Europa pede a ministros ação
Os ministros das Finanças europeus vão pedir às economias do G20 no fim de fevereiro que impulsionem o crescimento global, em um momento em que a desaceleração da China está causando turbulências nos mercados financeiros.

Os ministros das Finanças do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo, vão se encontrar no fim de fevereiro em Xangai, na China, que ocupa a presidência rotativa do grupo, para avaliar a perspectiva econômica mundial com estes riscos.

"Apesar do moderado aumento do crescimento econômico mundial esperado para 2016 na comparação com o ano passado, a economia global ainda enfrenta riscos consideráveis, com o crescimento global continuando abaixo das expectativas", disseram os ministros da União Europeia na versão preliminar de um documento delineando sua mensagem principal para a reunião em Xangai.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou sua previsão de crescimento econômico mundial no mês passado para este e para o próximo ano, citando a desaceleração e o rebalanceamento da economia chinesa, preços mais baixos das commodities e tensões nas economias emergentes.

Reforma na Previdência
Na tentativa de reorganizar as contas públicas, a equipe econômica do governo e a presidente Dilma Rousseff passaram a defender a necessidade de uma reforma na Previdência. Com pouca margem de manobra para cortar gastos, as mudanças no sistema previdenciário são encaradas como uma forma de o governo reconquistar a credibilidade na política fiscal de longo prazo.

A Previdência brasileira sempre foi considerada generosa para um país de renda média, como o Brasil, e a conta parece ter chegado. No ano passado, o déficit da Previdência foi de R$ 89,5 bilhões, bem acima dos R$ 56,7 bilhões de 2014. "O País foi tentando fazer reformas para mitigar o déficit previdenciário e ainda temos um problema para resolver", afirma Fabio Klein, analista de contas públicas da Tendências Consultoria Integrada.

Por ora, a equipe econômica não apresentou nenhuma proposta concreta para reformar a Previdência, mas, ao longo dos últimos anos, os analistas têm apontado uma série de distorções no sistema brasileiro. O País está ficando mais velho, com o aumento da expectativa de vida, o que significa que haverá menos brasileiros trabalhando para sustentar cada vez mais trabalhadores aposentados.

Janet Yellen fala
Presidente do Fed, Janet Yellen, fala no Congresso hoje às 13:00 e amanhã e será monitorada pelo mercado em meio à redução das apostas em alta dos juros após indicadores recentes frustrarem expectativas. No noticiário econômico do país, destaque para os estoques de petróleo às 13h30 (horário de Brasília). 

PIB menor, meta menor
Além da fixação de um limite para a expansão dos gastos públicos, o governo federal discute a possibilidade de descontar da meta fiscal parte da queda da arrecadação de impostos em anos de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Dessa forma, a meta poderá ser ajustada ao ciclo econômico. A mudança em fase de elaboração faz parte da reforma fiscal que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, quer deixar pronta entre março e abril deste ano a ser enviada ao Congresso Nacional.

A ideia é ter um limite de gasto, segundo um integrante da equipe econômica, e a cada ano fixar uma meta de economia para o pagamento dos juros da dívida pública, o chamado superávit primário das contas públicas. Na prática, as mudanças introduzem na política fiscal brasileira um sistema de banda de flutuação para o esforço fiscal do governo, que poderá inclusive permitir déficits por conta de frustração de receita projetada.

A meta fiscal será uma só para cada ano. "Mas se tiver frustração de receita, poderá ser abatida da meta uma parte sem que haja aumento de gasto", explicou a fonte. A mudança é para acomodar eventual perda de receita, cenário que vem ocorrendo nos últimos anos e que contribuiu para o rombo histórico de R$ 115 bilhões das contas públicas em 2015. "Teremos um limite de gasto intertemporal e a cada ano teremos uma meta, como é hoje", disse o integrante da equipe econômica. O modelo está sendo desenhado também com mecanismos que evitem que excessos de arrecadação, além do projetado, funcionem como um gatilho para a elevação dos gastos.

A proposta visa a criar uma regra que evite que o governo expanda os gastos em anos de boa arrecadação sem que isso seja sustentável ao longo do tempo. Foi justamente esse problema que agravou o quadro das contas da União, Estados e municípios nos últimos anos. "O importante é o limite de gasto", destacou a fonte. Com a introdução desse limite, o ministro Nelson Barbosa pretende afastar as resistências à mudança na política fiscal, justamente num momento de forte deterioração e de um rombo estrutural nas contas públicas. O déficit foi agravado pelo engessamento orçamentário das despesas obrigatórias, aquelas que não podem deixar de ser feitas ao longo do ano.

Sem um avanço do crescimento, o déficit estrutural demorará para ser revertido, já que o governo não tem muita margem para diminuir os seus gastos sem mudanças em regras que exigem alteração legislativa, como a reforma da Previdência.

FT: analistas veem dólar a R$ 5,00
O jornal britânico Financial Times publica reportagem na edição impressa desta terça-feira em que discute o valor da moeda brasileira. A matéria destaca a avaliação de alguns analistas que entendem que o real deveria se desvalorizar ainda mais e citam como referência o preço de R$ 5 por dólar.

Diante da frágil situação econômica e com o segundo maior déficit público entre os grandes emergentes - atrás apenas da Arábia Saudita, a reportagem cita que parte do mercado entende que o dólar deveria "estar mais perto de R$ 5 do que de R$ 4". O dólar fechou a sexta-feira a R$ 3,91. Para os ouvidos pelo FT, o elevado juro oferecido pela renda fixa brasileira e as intervenções do Banco Central mantêm a moeda nesse patamar.

Moro autoriza inquérito para investigar sítio de Atibaia
O juiz Sérgio Moro autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito exclusivo para a investigação do sítio de Atibaia, frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família. A decisão atende a pedido da Polícia Federal como parte de inquérito que investiga supostos crimes praticados por executivos da empreiteira OAS.

Os agentes pediram uma investigação exclusiva uma vez que as provas que envolvem outras companhias e pessoas físicas passaram a ser analisadas.

O documento com a autorização da abertura do inquérito é sigiloso e foi assinado pelo juiz no último dia 4, mas entrou no sistema da Justiça Federal do Paraná apenas nesta terça-feira (9). O novo inquérito também deve tramitar sob sigilo.

Delação premiada da Andrade Gutierrez
Ainda no âmbito político, vale destacar o acordo de delação premiada de dois executivos da Andrade Gutierrez, entre eles o presidente da empresa, Otávio Azevedo, aceito pelo juiz Sérgio Moro, que já mandou soltar os dois na sexta-feira. Eles prometeram revelar, entre outras coisas, os negócios do esquema de corrupção da Petrobras, da construção de Angra-3 e Belo Monte e o financiamento da campanha da presidente Dilma em 2014. 

Lula vê novas opções para 2018
Pensando objetivamente na impossibilidade de candidatar-se à presidência da República em 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já passou a tratar as alternativas que o PT possui para o pleito

E, segundo informações do jornal Valor Econômico, em conversa há uma semana com um amigo não político, ele incluiu um novo nome na sucessão: o governador de Minas Gerais Fernando Pimentel. 

Entre outros nomes que seguem no jogo, segundo Lula, estão: o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, se vier a ser reeleito; o ministro da Educação, Aloizio Mercadante; e o ministro chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. O último é o que vem se preparando há mais tempo e quem tem melhor posição de lançamento. Contudo, Lula afirmou que o governador mineiro  é o melhor candidato neste momento. “Não tem cara nem discurso do batido do PT”, teria dito. Por outro lado, o Valor destaca: a presidente Dilma Rousseff pode até apoiar Pimentel, a quem foi ligada no início do governo, mas teria preferência por Mercadante.

Noticiário Corporativo
Gol
A companhia aérea Gol (GOLL4) anunciou na terça-feira (9) a suspensão temporária das suas operações em Caracas, capital da Venezuela. O motivo da paralisação é que a Gol espera uma resolução da questão da remessa dos recursos da companhia no país. Vale lembrar que vigora há mais de 10 anos no país bolivariano um controle cambial que obriga a espera por um aval do Estado para que haja repasses de faturas em moeda estrangeira.  

Grupo X
A 9 West Finance, subsidiária integral do grupo Mubadala, comprou fatias nas empresas do conglomerado criado por Eike Batista, OSX (OSXB3), CCX (CCXC3), Companhia Industrial de Grandes Hotéis, Rex Sul Empreedimentos e Rex Empreendimentos Imobiliários. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a operação sem restrições por entender que as atividades do grupo Mubadala não guardam relação horizontal com as atividades das empresas adquiridas. Ainda dentro do noticiário corporativo do grupo, a OSX foi autorizada a operar um estaleiro no Rio de Janeiro até 4 de março. 

Claro
A Claro divulgou o seu resultado do quarto trimestre de 2015 mostrando um prejuízo de R$ 444,5 milhões, pior do que o do mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo da operadora de telefonia foi de R$ 366,4 milhões. O Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações, na sigla em inglês) da companhia foi de R$ 2,388 bilhões, um crescimento de 152,8% em relação ao quarto trimestre de 2014, quando a geração de caixa da Claro ficou em R$ 944,9 milhões. Já a receita líquida foi de R$ 8,530 bilhões, um avanço de 132,2% na comparação anual contra os R$ 3,673 bilhões do último trimestre do ano retrasado.  

Paranapanema
A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating da Paranapanema (PMAM3) de B3 para B1 com perspectiva negativa. A decisão reflete a expectativa de que os fundamentos fracos para o mercado no Brasil peristam por um longo período, o que levaria a uma contração maior do das principais indústrias consumidoras dos produtos da empresa.  

Rumo
A Rumo (RUMO3) apresentou em comunicado as propostas de aumentar o capital da companhia em até R$ 3 bilhões, a eleição de um novo membro titular para o Conselho Fiscal e a alteração da sede social da companhia para a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1327, 2° andar, em São Paulo. Estas questões serão deliberadas em Assembleia Geral Extraordinária no dia 23 de fevereiro de 2016. 

Telefônica Brasil
A Telefônica (VIVT4) aprovou a indicação de David Melcon Sanchez-Friera para o cargo de diretor de Finanças, Recursos Corporativos e Relações com Investidores da operadora de telefonia. Ele substituirá Alberto Manuel Horcajo Aguirre. 

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