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Ibovespa cai em dia de pânico por commodities e com desconfiança em torno do Copom

Mercado tem dia de queda em meio a mais fraqueza no petróleo; Copom fica no radar no cenário doméstico

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em forte baixa nesta quarta-feira (20), seguindo a tensão global e rumores de perda da credibilidade do Banco Central. Lá fora, o "sell-off" foi desencadeado por resultados decepcionantes de empresas como a Shell e também em meio a relatório da Agência Internacional de Energia falando que o mercado vai se "afogar" em oferta de petróleo. Mineradoras como a BHP também despencam e lideram perdas nas bolsas mundiais, enquanto os bonds de 10 anos da Alemanha disparam 8%. Por aqui, os investidores ficarão de olho na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), após o ato inédito do presidente da autoridade monetária. 

Às 12h34 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 1,47%, a 37.497 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 0,63% a R$ 4,0806, enquanto o dólar futuro para fevereiro tem alta de 0,17% a R$ 4,086. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 8 pontos-base a 15,34%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 dispara 18 pontos-base a 16,85%. As bolsas norte-americanas abriram a sessão em quedas de aproximadamente 1,7%.  

Hoje, as notícias foram de que o movimento feito ontem pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, agradou ao Palácio do Planalto. A avaliação de auxiliares da presidente Dilma Rousseff foi a de que Tombini fez um aceno para a "ancoragem" do mercado ao divulgar uma nota alertando para mudanças "significativas" das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), com previsão de retração de 3,5% neste ano no Brasil.

Para um analista que não quis ser identificado, a interferência política no BC, além de fazer os DIs subir, ainda é responsável também por parte da queda da Bolsa. "É uma mostra clara de falta de confiança na autoridade monetária", disse. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 5,93, -3,58%; PETR4, R$ 4,41, -5,36%) voltam a despencar em meio a mais uma queda do petróleo. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 2,18% a US$ 27,87, ao mesmo tempo em que o barril do Brent tem queda de 2,23% a US$ 28,12. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 2,27 -6,97
 PETR4 PETROBRAS PN 4,41 -5,36
 FIBR3 FIBRIA ON 41,83 -5,06
 OIBR4 OI PN 1,43 -4,67
 VALE5 VALE PNA 6,73 -4,40

 

 

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 8,85, -3,59%; VALE5, R$ 6,73, -4,40%) acompanham outras mineradoras e desabam nesta manhã, puxadas pela apreensão dos mercados quanto à demanda por minério de ferro e corte de recomendação e preço-alvo pelo HSBC.   

A mineradora e sua holding Bradespar (BRAP4, R$ 3,25, -3,85%) tiveram suas recomendações cortadas de compra para hold pelo HSBC. O preço-alvo do ADR da Vale foi cortado de US$ 5 para US$ 2,20, enquanto o das ações PNA foi cortado de R$ 16,90 para R$ 7,30. Já o preço-alvo da Bradespar foi cortado de R$ 9,40 para R$ 3,30.  

Segundo o analista Leonardo Shinohara, a qualidade do produto e a resiliência não são suficientes para suportar a queda dos preços do minério de ferro. Eles revisaram a previsão para o Ebitda, de queda de 33%. 

Também caem as ações da Suzano (SUZB5, R$ 14,86, -3,38%), que seguem derrocada na Bolsa, voltando para o menor patamar desde julho do ano passado, após cair 20,7% este ano. Desempenho um pouco mais ameno do que seu par na Bolsa Fibria (FIBR3, R$ 41,83, -5,06%), que recuaram 19% este ano, voltando também para os níveis de julho do ano passado.   

 

Um descolamento que ficou mais nítido no pregão passado: enquanto as ações da Suzano recuaram 3%, as ações da Fibria subiram. Uma performance que sugere que o mercado está precificando um resultado mais fraco de Suzano no 4° trimestre, apontou o BTG Pactual, em nota a clientes nesta quarta-feira.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 24,82 +1,31
 EQTL3 EQUATORIAL ON 33,68 +1,29
 HGTX3 CIA HERING ON 12,37 +1,06
 CTIP3 CETIP ON 37,20 +0,79
 BBDC3 BRADESCO ON 18,34 +0,55

 

Entre as altas ficam os papéis da Braskem (BRKM5, R$ 24,82, +1,31%). Apesar disso, as ações seguem em queda no ano. 

Copom
Em meio a muita indefinição sobre a decisão do Copom , o presidente do Banco Central Alexandre Tombini confundiu os mercados ontem, ao divulgar nota em que afirmou que as revisões das projeções do PIB brasileiro pelo FMI para baixo foram "significativas”, seguindo-se à notícia de que o presidente do BC teve um encontro não-oficial com a presidente Dilma Rousseff. A notícia, da Agência Estado, destacava que o governo contava como uma alta de 0,25 ponto percentual da Selic. As possibilidades de decisão do Copom hoje são três: uma alta de 0,5 p.p., uma de 0,25 p.p. e uma manutenção dos juros no patamar atual. A não ser que o comitê opte pela primeira opção, o mercado deve reagir negativamente, já que mostrará uma interferência do governo e na cúpula do PT em uma decisão da autoridade monetária. 

Pauta política
A defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenta adiar a análise da denúncia contra o deputado feita pela PGR (Procuradoria-geral da República). O pedido, feito ao STF (Supremo Tribunal Federal) faz parte da resposta de Cunha à denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o suposto recebimento de propina de US$ 5 milhões em contrato da Petrobras. Ainda na pauta política, hoje a presidente Dilma Rousseff reúne-se hoje, pela primeira vez neste ano, com o vice-presidente Michel Temer. Desde o dia 9 de dezembro, Dilma não se encontra com Temer. Por ocasião do Natal, a presidente telefonou ao vice-presidente, e, no réveillon, ele retribuiu o gesto. O assunto da conversa não foi divulgado pelas assessorias da Presidência da República, nem da Vice-Presidência.

Cenário externo
A tensão domina os mercados externos na sessão desta quarta-feira. As ações europeias caem mais de 3%, com Shell e mineradoras puxando perdas. O petróleo recua e o brent é negociado por volta dos US$ 28 o barril após a AIE dizer que mercado pode se “afogar” em oferta, enquanto o dólar sobe contra moedas ligadas a commodities.

Na Europa, o DAX cai 2,14% e o CAC 40 opera em baixa de 2,67%. Ontem, o FMI cortou a projeção de crescimento mundial de 3,6% para 3,4% este ano.

O japonês Nikkei entrou em bear market, fechando em queda de 3,71%, enquanto Xangai fechou em baixa de 1,04% e Hang Seng teve baixa de 3,82%, em meio às preocupações com o crescimento global, China e queda dos preços do petróleo.

As ações chinesas caíram nesta quarta-feira, devolvendo parte dos ganhos de 3% da sessão anterior, após o regulador do mercado aprovar uma nova onda de ofertas públicas iniciais de ações (IPO), enquanto no restante do continente as ações recuaram para uma nova mínima de quatro anos com a queda implacável do petróleo desferindo um novo golpe no apetite por risco dos investidores.

 

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