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Petrobras vira para queda e Ibovespa reduz alta; DIs curtos caem forte à espera de Copom

Mercado aponta para primeiro dia de alta da Bolsa após uma sequência de oito quedas em nove pregões

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira (19), mas ameniza os ganhos após os papéis da Petrobras virarem para queda, refletindo uma alta menor do petróleo (o barril do WTI já virou para leve queda). Lá fora, as bolsas europeias e os índices norte-americanos Dow Jones e S&P 500 sobem. Os dados abaixo do esperado que foram divulgados hoje na China fazem com que o mercado espere por estímulos na segunda maior economia do mundo, o que trouxe uma alta de mais de 3% para a bolsa de Xangai. Por aqui, ficam as notícias de que o governo espera que o Banco Central eleve a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e não 0,5 como espera a maior parte dos economistas. Vale lembrar que hoje é o primeiro dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que vai definir a Selic amanhã. 

Às 12h58 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 0,77%, a 38.228 pontos. Já o dólar comercial vira para alta de 0,47% a R$ 4,0530 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro tem leves ganhos de 0,27% a R$ 4,065.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 26 pontos-base a 15,34%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para alta de 14 pbs a 16,60%. Segundo a Bloomberg, a precificação de alta da Selic caiu de 45,5 pbs para 35,9 pbs, sendo que agora, a curva mostra uma chance maior de 25 pbs de alta. Isso em meio a rumores de que a cúpula do PT promete reagir e fazer duras críticas ao governo, caso os juros subam. As notícias são de que a presidente Dilma Rousseff conversou ontem com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini em uma reunião que não constou da agenda oficial.

No entanto, segundo o sócio-presidente da Canepa Asset, Alexandre Póvoa, uma elevação de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom amanhã teria o mesmo efeito de "enxugar gelo". "A decisão mais correta tecnicamente seria subir muito juros, para gerar um choque de expectativas ou não subir nada, mas com um discurso forte. Hoje em dia, subir 0,25 não tem nenhum impacto prático", afirma, lembrando que a demanda agregada da economia já está muito pressionada e um grande componente da inflação atual é inercial. 

Petróleo
Hoje é dia de recuperação do petróleo, mas este repique vai ficando cada vez mais modesto. Após a commodity voltar a cair ontem diante do levantamento das sanções que caíam sobre o Irã por conta do seu programa nuclear, o petróleo volta a ter uma sensível valorização, corrigindo parte das perdas das últimas sessões. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 0,31% a US$ 29,32, enquanto o barril do Brent se mantém em alta de 2,66% a US$ 29,31.

FMI e Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avalia como “significativas as revisões das projeções de crescimento para o Brasil em 2016 e 2017”, feitas hoje pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). “Todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado”, disse o presidente do BC.

O FMI prevê contração maior do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2016, de -1,0% para -3,5%. A instituição revisou também projeção PIB 2017 de +2,3% para um cenário estagnação. O cenário apresentado hoje pelo FMI mostrou um pessimismo maior do que a pesquisa Focus divulgada ontem, que trouxe expectativa para o PIB em -2,99% em 2016 e em +1% em 2017.

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Ações em destaque
Os papéis da Vale (VALE3, R$ 9,31, +4,72%; VALE5, R$ 7,17, +3,17%) sobem forte nesta sessão. A presidente Dilma recebeu o presidente da Vale, Murilo Ferreira. Segundo o jornal O Globo, o governo se dispôs a negociar um acordo com a mineradora, que ao lado da BHP é dona da Samarco, para a recuperação do Rio Doce. Conforme ressalta o Valor Econômico, um eventual acordo para a recuperação do rio, onde toda a lama da tragédia de Mariana (MG) foi despejada em novembro, é uma alternativa à ação civil que pede R$ 20 bilhões das mineradoras em razão do acidente. Por decisão liminar da Justiça, a Samarco terá de pagar até o final de janeiro R$ 2 bilhões.

Também impacta a mineradora a terceira alta seguida do minério de ferro. Hoje, a commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve alta de 0,28% a US$ 42,78 a tonelada.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 OIBR4 OI PN 1,50 +5,63
 VALE3 VALE ON 9,31 +4,72
 CCRO3 CCR SA ON 11,51 +3,69
 VALE5 VALE PNA 7,17 +3,17
 TIMP3 TIM PART S/A ON 5,94 +3,13

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,26, -0,63%; PETR4, R$ 4,73, -1,46%) viram para queda após tentarem um alívio pela manhã. Os papéis terminaram ontem atingindo a incômoda marca do primeiro fechamento abaixo dos R$ 5,00 desde 2003. No radar, a estatal teria duas propostas para compra de sua operação na Argentina - a Petrobras Energía. Conforme conta a colunista Maria Cristina Frias, da Folha de S. Paulo, a Pampa - maior companhia do setor elétrico argentino - já ofereceu US$ 1,2 bilhões e a estatal YPF, US$ 1,5 bilhões. As expectativas são de que o negócio seja fechado ainda no primeiro trimestre deste ano.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 2,81 -6,33
 HGTX3 CIA HERING ON 12,41 -5,05
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 15,55 -2,20
 JBSS3 JBS ON 10,50 -2,05
 QUAL3 QUALICORP ON 12,75 -1,92


Entre as nove das 61 ações que da carteira teórica do Ibovespa que caem hoje está a ação da Hering (
HGTX3, R$ 12,42, -4,97%). A receita bruta da companhia foi de R$ 607,9 milhões no quarto trimestre, queda anual de 0,7%, informou a varejista nesta segunda-feira, acrescentando que o desempenho foi pressionado pelo canal multimarcas.

Na Hering Store, principal rede de lojas da companhia, as vendas caíram 3,3%. Considerando o critério mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses), as vendas diminuíram 5,1%. A empresa abriu 38 lojas e encerrou 25 unidades em 2015, contabilizando 840 pontos de venda ao final de 2015. Segundo o Santander, a companhia teve vendas fracas no quarto trimestre, embora em linha com estimativas. Os dados confirmam “nossa expectativa de uma temporada de resultados fracos para Hering e destacamos que a ação continua a perder
ímpeto”, destacam os analistas. 

China
O PIB (Produto Interno Bruto) da China mostrou crescimento de 6,8% no 4º trimestre de 2015, revelou o governo do país na madrugada de segunda para terça. O resultado veio levemente abaixo do que esperavam os economistas, cuja média das projeções apontava expansão de 6,9%, segundo pesquisa da Bloomberg. No acumulado em 2015, a segunda maior economia do mundo mostrou expansão de 6,9%, desacelerando em relação ao resultado de 2014 (+7,3%), além de também ter sido seu pior resultado desde 1990, revelam os dados oficiais. O resultado, no entanto, ficou praticamente em linha com os 7% estimados pelo governo chinês.

Outro indicador aguardado na madrugada desta terça-feira, a produção industrial mostrou alta de 5,9% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2014, abaixo das estimativas dos analistas (+6,0%) e do resultado de novembro (+6,2%). As vendas de varejo também ficaram aquém do esperado: 11,1% na mesma base comparativa, contra estimativa de 11,3%. 

Barbosa diz que governo não precisa socorrer a Petrobras
O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que a política econômica do governo está focada em melhorar a situação fiscal para estimular o crescimento do PIB. Ele disse também que o governo não vê necessidade de socorrer financeiramente a Petrobras este ano. Barbosa chega hoje à Suíça e se reúne com o representante permanente do Brasil junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), o embaixador Marcos Bezerra Abbott Galvão.

Governo limita em R$ 135,6 bilhões as despesas até fevereiro
Até 12 de fevereiro, o governo federal poderá gastar R$ 135,6 bilhões. O montante consta de decreto publicado hoje em edição extraordinária do Diário Oficial da União limitando os gastos federais até a definição da programação orçamentária para este ano. De acordo com o Ministério do Planejamento, que publicou nota explicando os cortes orçamentários, o montante equivale a um doze avos do orçamento de cada ministério e órgão do Poder Executivo. O limite valerá tanto para despesas discricionárias (não obrigatórias) quanto para gastos obrigatórios. Em relação aos gastos discricionários, o decreto limita o total a R$ 11,02 bilhões. Desse total, R$ 2,560 bilhões são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 753,6 milhões relativos a emendas parlamentares impositivas e R$ 7,703 bilhões de demais despesas discricionárias. 

 

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