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Ibovespa "acalma", dólar sobe e DI longo dispara à espera de reunião de Barbosa e Coutinho

Mercado aponta para dia completamente indefinido em pregão de agenda fraca no Brasil; Dilma aprova com vetos o projeto da repatriação

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera estável nesta quinta-feira (14), enquanto as bolsas europeias e asiáticas caem e os futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 operam entre perdas e ganhos. Mesmo com as preocupações no exterior, hoje o dia pelo menos começou como sendo de repique para o petróleo, com o barril registrando valorização de 1% apesar das notícias de que o Irã está perto de aumentar a produção. No cenário doméstico, a presidente Dilma Rousseff aprovou, com vetos, o projeto da repatriação. O ministro da Fazenda Nelson Barbosa se reúne com o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho às 17h (horário de Brasília).

Às 10h30, o benchmark da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,05%, a 39.963 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,29% a R$ 4,0227 na venda, enquanto o dólar futuro para fevereiro zera ganhos a R$ 4,035. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 3 pontos-base a 15,52%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 11 pontos-base a 16,46%.

Segundo o Estado de S. Paulo, a reunião entre Barbosa e Coutinho será para discutir medidas de estímulo ao crédito com recursos das pedaladas fiscais. A consultoria Eurasia afirmou em e-mail para a Bloomberg, que apesar da postura dura do ministro da Fazenda em relação a gastos, na qual se aproxima do seu antecessor, Joaquim Levy, sua postura mais flexível em políticas quasi fiscais - que são atividades de caráter fiscal de bancos centrais e outras instituições financeiras ou não financeiras públicas fora do governo propriamente dito - revela outro tipo de sinalização.

Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, afirmou à Bloomberg que o governo está em negociação com BNDES, Caixa e Banco do Brasil para ativar o crédito para habitação, exportação, pequenas e médias empresas e que elas começam a sair em fevereiro.

Ações em destaque
As ações de gigantes da Bolsa como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 24,25, +0,17%), Bradesco (BBDC3, R$ 19,03, +0,21%; BBDC4, R$ 17,24, +0,35%) e Ambev (ABEV3, R$ 16,88, +0,30%) registram leves altas e puxam o índice. Com relação ao Bradesco, seus papéis sobem mais do que os de seus pares após o Barclays ter elevado a recomendação do papel para "overweight" (similar a compra), com preço-alvo de R$ 21,00.

No caso específico da cervejaria, ontem a empresa firmou uma parceria com a Craft Brew Alliance para aumentar a distribuição da cerveja da marca Kona aqui no Brasil. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 1,05 +1,94
 LAME4 LOJAS AMERIC PN EJ 18,44 +1,88
 CSNA3 SID NACIONAL ON 3,26 +1,88
 GOAU4 GERDAU MET PN 1,11 +1,83
 BRKM5 BRASKEM PNA 26,42 +1,65

 

 

Já entre as quedas estão os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 6,74, -0,88%; PETR4, R$ 5,25, --0,38%). No radar da estatal, reportagem da Folha de S. Paulo aponta que a companhia decidiu vender sua participação na Braskem (BRKM5, R$ 26,43, +1,69%) depois que o governo não aprovou uma operação de capitalização da estatal por meio do Tesouro. Para a XP Investimentos, a venda da Braskem tende a ajudar o problema da Petrobras - alto endividamento -, porém, não resolve o problema da empresa, relacionado à alta do dólar, que pressiona seu endividamento, e queda no preço do barril do petróleo.

Ontem, o UBS cortou os preços-alvos das ações ordinárias e preferencias da Petrobras em 33% e 29%, respectivamente. Além dele, o Société Générale rebaixou sua perspectiva de preço para os ADRs (American Depositary Receipt) da estatal de US$ 5,50 para US$ 4,00.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 3,10 -6,91
 TIMP3 TIM PART S/A ON 5,91 -2,31
 LREN3 LOJAS RENNER ON 16,62 -1,31
 CIEL3 CIELO ON 32,43 -1,25
 SANB11 SANTANDER BR UNT 13,61 -1,23

 

Mundo pode enfrentar crise financeira
O conselheiro de Estado Yang Jiechi, o responsável máximo pelos negócios estrangeiros da China, advertiu hoje para a possibilidade de uma nova crise financeira global. “Não é possível descartar por completo a possibilidade de vermos acontecer uma nova crise econômica, e o problema não devia ser negligenciado”, afirmou Jiechi.

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Repatriação
A presidente Dilma Rousseff sancionou, na quarta-feira, com vetos, a Lei da Repatriação, que regulariza os recursos enviados por brasileiros ao exterior sem o conhecimento da Receita Federal. Pelo menos três dispositivos foram vetados. Um deles é o que permitia a regularização de objetos enviados de forma lícita, mas não declarada, como joias, metais preciosos e obras de arte. Outro dispositivo vetado é o que permitia a repatriação de recursos em nome de terceiros ou laranjas, fazendo com que o dinheiro esteja em nome da pessoa realmente beneficiada para que possa voltar ao Brasil. Aprovada pela Câmara dos Deputados em novembro e pelo Senado em dezembro, a Lei da Repatriação é uma das medidas do governo para tentar reequilibrar as contas públicas neste ano e financiar a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

PSDB quer colocar delação de Cerveró no TSE
Os advogados do PSDB querem pedir no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a inclusão do depoimento do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró no julgamento da ação que prevê a cassação da chapa Dilma-Temer. O ex-executivo disse que ouviu do senador Fernando Collor de Mello (PMDB-AL), que a presidente Dilma Rousseff teria autorizado diretamente as suas negociações para indicar cargos de chefia na BR Distribuidora. 

Cenário externo
O mercado externo tem desempenho misto, com viés negativo, enquanto as ações europeias ajustam-se à baixa de Wall Street de ontem. Já o petróleo tem um dia de alta, com o brent cotado a US$ 30,49, com alta de 0,69% e o WTI com ganhos de 1,15%, a US$ 30,83 o barril.

Enquanto Xangai subiu 1,98%, o japonês Nikkei fechou em queda de 2,68% e Hang Seng teve baixa de 0,59%. A cautela dos mercados ganhou um componente adicional, após militantes realizaram um ataque com armas de fogo e bombas no centro da capital indonésia, Jacarta, nesta quinta-feira, matando pelo menos seis pessoas, informou a polícia, em um ataque em um país ameaçado pelo Estado Islâmico.

Com isso, o dólar se fortalece, com moedas asiáticas como won e rúpias da Indonésia e Índia liderando perdas entre divisas emergentes. Na Europa, o dia também é de quedas, com o DAX em baixa de 2,62% e o CAC 40 em queda de 2,71%. Ao meio-dia, Mario Draghi, presidente do BCE, participa de reunião com ministros de finanças da Zona do Euro em Bruxelas.

PIB da Alemanha
A maior economia da zona do euro divulgou nesta quinta o seu PIB (Produto Interno Bruto) relativo ao quarto trimestre de 2015. O PIB alemão cresceu 1,7% em 2015, uma leve melhora ante o ano anterior e a taxa mais forte em quatro anos, de acordo com estimativa preliminar da Agência Federal de Estatísticas divulgada nesta quinta-feira e um pouco acima das expectativas de 1,6%. No terceiro trimestre do ano passado, os alemães viram a atividade econômica do seu país crescer 1,6%.   

 

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