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Ibovespa cai pela 3ª vez seguida em meio a preocupação com Levy e impeachment

Medo de uma paralisia econômica e preocupação com a possibilidade de que o ministro da Fazenda saia caso seja alterada a meta fiscal derrubam o mercado

ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em queda pela terceira vez consecutiva nesta segunda-feira (14). Desde a disparada de 3,75% na última quarta-feira (9) com aumento das perspectivas de impeachment, o índice já recuou 3%, devolvendo quase todos os ganhos daquela sessão. No radar, os investidores se preocupam com a possibilidade da economia ficar paralisada durante o processo de impedimento, o que se soma ao medo de uma saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, caso haja alteração da meta de superávit primário de 2016. Grande responsável pela queda pela manhã, o petróleo virou para alta e ajudou os papéis da Petrobras a reduzirem as perdas. Nos Estados Unidos, as bolsas operam entre perdas e ganhos. 

O benchmark da Bolsa brasileira recuou 1,14%, a 44.747 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 4,354 bilhões. Já o dólar comercial fechou em alta de 0,32% a R$ 3,8841 na compra e a R$ 3,8862 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para janeiro de 2016 tinha alta de 0,28% a R$ 3,905. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 sobe 2 pontos-base a 16,05%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 3 pontos-base a 16,08%. 

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Segundo a Folha de S. Paulo, o governo vê paralisia completa da economia até a definição do impeachment. Ao mesmo tempo, as notícias desta segunda são de que a oposição quer atrasar ao máximo o início do processo.

Tudo isso ocorre em um contexto no qual o mercado espera que rebaixamento do Brasil ocorra a qualquer momento. A agência de classificação de risco Moody's cortou a perspectiva do rating do País na semana passada e a Fitch já tem o Brasil apenas um grau acima do investment grade e com outlook negativo. 

Um alívio para o Planalto, no entanto, veio das manifestações deste domingo, que foram bem menores que as de março e as de agosto. Com isso, o PT deve tentar mostrar que está mais forte em atos em defesa do governo marcados para quarta. Segundo Lucas de Aragão, analista da consultoria política Arko Advice ouvido pela Bloomberg, o movimento pode crescer em 2016, já que ainda não teria havido tempo para uma maior organização desde que o processo de impeachment foi de fato aceito por Cunha.

Levy vai sair?
O líder do governo na CMO (Comissão Mista do Orçamento), deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que irá apresentar proposta para reduzir a meta de superávit para 2016 e que evitará corte do Bolsa Família, mas sugerirá abatimento de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento. Ele reforçou a necessidade de se defender o equilíbrio, mas que os objetivos precisam ser exequíveis. 

Na avaliação de Paulo Pimenta, a meta de 0,7% do Produto Interno Bruto no ano que vem pode aprofundar a depressão econômica brasileira. A posição do parlamentar vai de encontro com as defesas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que chegou a deixar o cargo à disposição caso haja uma redução do percentual previamente estabelecido.

Indicadores
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,6 bilhão na segunda semana de dezembro (07 a 13). De acordo com dados divulgados nesta segunda, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o valor é resultado de exportações que somaram US$ 4,256 bilhões no período, e de importações de US$ 2,656 bilhões. Em dezembro, o superávit acumulado é de US$ 2,369 bilhões. Dessa forma, o resultado no ano chegou a US$ 15,810 bilhões, ultrapassando a previsão do governo, que esperava saldo comercial de US$ 15 bilhões neste ano.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 3,5% para uma de 3,62%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 10,61% este ano.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,77, -0,90%; PETR4, R$ 7,21, -0,55%) registraram queda, apesar da alta do barril do brent, que sobe 0,16%, a US$ 38,39. No noticiário da estatal, o Plano de Negócios da Petrobras deve alcançar US$ 83 bilhões em 2016-2020, uma redução de 37% em relação ao plano do período 2015-2019, segundo relatório dos analistas do Itaú BBA, Diego Mendes e Pablo Castelo Branco.

“Esperamos que a Petrobras invista cerca de US$ 1 bilhão ao ano em exploração, enquanto a produção doméstica provavelmente vai parar de crescer e se estabilizará em cerca de 2,2 mi bpd em 2017 (Petrobras poderá precisar instalar dois sistemas de produção por ano para manter produção estabilizada). Para outros negócios, esperamos apenas gastos em manutenção e investimento limitado em ativos que devem ser vendidos (principalmente no segmento internacional)”. “Independentemente do mercado internacional, reajustes nos preços do diesel e da gasolina são necessários”, afirmam.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 CMIG4 CEMIG PN 5,76 -5,57 -54,76
 CPLE6 COPEL PNB 24,39 -5,43 -30,23
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 5,35 -4,63 -47,21
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,64 -4,46 -22,38
 ESTC3 ESTACIO PART ON 14,09 -4,15 -39,80

 

 

Já as ações das educacionais têm um dia misto em meio à publicação pelo Ministério da Educação da portaria com as normas e datas de candidaturas para o processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referente ao primeiro semestre de 2016. O MEC continuará priorizando qualidade (cursos notas 4 e 5), cursos prioritários (área de Saúde, Engenharias e Pedagogia) e distribuição regional, com análise detalhada de cada microrregião do país. Nesse último critério, MEC analisará 1) demanda por educação superior, medido pelo ENEM, 2) demanda por financiamento estudantil: olhando p/ figura de 2015 como referência e 3) IDH – MEC faria ranking dos municípios, identificando áreas aonde necessitam melhores índices de educação e aplicaria um peso por faixa.

Com isso, Kroton (KROT3, R$ 10,25, -1,35%) teve leve queda e Estácio (ESTC3, R$ 14,09, -4,15%) recuou com mais força. Segundo um analista, que não quis se identificar, o mercado acabou ficando com dois questionamentos em relação ao Fies: qual é o tamanho do financiamento se haverá regularização dos recebíveis. "A portaria não responde as perguntas que o mercado gostaria que ela respondesse", disse. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 VALE5 VALE PNA 9,87 +2,92 -45,33
 BRAP4 BRADESPAR PN 5,11 +2,61 -60,45
 QUAL3 QUALICORP ON 15,04 +2,10 -39,77
 VALE3 VALE ON 12,46 +2,05 -40,06
 FIBR3 FIBRIA ON 50,27 +2,01 +66,09

 

 

Em alta, por outro lado, estiveram os papéis da Vale (VALE3, R$ 12,46, +2,05%; VALE5, R$ 9,87, +2,92%). O minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 2% hoje, a US$ 39,06 a tonelada. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EJ 28,12 -2,36 339,97M
 BBDC4 BRADESCO PN 20,45 -1,78 274,58M
 PETR4 PETROBRAS PN 7,21 -0,55 234,18M
 VALE5 VALE PNA 9,87 +2,92 165,32M
 CIEL3 CIELO ON 35,90 -0,91 160,65M
 BRFS3 BRF SA ON 57,10 -0,71 157,05M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 16,64 -4,46 136,63M
 PETR3 PETROBRAS ON 8,77 -0,90 107,99M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,05 -1,26 100,97M
 ITSA4 ITAUSA PN EJ 7,34 -3,04 97,90M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
Na Europa, o dia foi de queda após um começo de pregão em alta. Vale destacar que os mercados em geral ficam de olho na decisão do Federal Reserve esta semana. O Fed anuncia decisão de política monetária nesta quarta às 17h e pesquisas da Bloomberg apontam para 76% de chances de alta de juros.

Já nas bolsas asiáticas, o dia foi misto. As ações listadas em Xangai subiram 2,52% hoje, em sua melhor sessão em um mês, com dados da atividade industrial mais fortes do que o esperado levantando a confiança sem frustrar as esperanças de novos estímulos. Já as mineradoras se valorizaram também diante da perspectiva de cortes de produção. 

As ações ligadas ao conglomerado chinês Fosun Group despencaram, com a primeira chance de reação dos investidores às notícias de que o bilionário presidente do grupo está ajudando as autoridades em uma investigação. Após "sumiço" entre quinta e sexta-feira, o presidente do grupo, Guo Guangchang, presidiu nesta segunda-feira a assembleia anual de acionistas da Fosun, de acordo com fotos publicadas pela revista financeira chinesa Caijing. "Apesar dos investimentos em todo o mundo, o crescimento do Fosun está enraizado na China", afirmou Guo, que participou hoje na reunião anual da empresa, citado pelo jornal oficial China Daily.

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