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Petrobras sobe 2,5%, frigoríficos disparam e Tereos avança 22% "sem motivo"

Confira os principais destaques de ações da sessão desta quarta-feira (2)

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (2) em uma sessão onde a tensão política e o noticiário nos Estados Unidos acabaram dominando o radar, com os investidores atentos a fala da presidente do Fed Janet Yellen, que mais uma vez mostrou sua vontade de elevar os juros este mês. Por aqui, o cenário político segue como principal destaque, com a votação sobre a abertura de investigação contra Eduardo Cunha e a discussão sobre a meta fiscal.

Na Bolsa, destaque positivo para os frigoríficos, com os papéis da Marfrig e JBS subindo mais de 5% após passarem por fortes quedas nos últimos dias com as suspeitas envolvendo as aquisições da JBS com apoio do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Ainda na ponta positiva, a Smiles também chamou atenção com ganhos que chegaram a 8%.

Já entre as perdas, as ações da Metalúrgica Gerdau voltaram a liderar as perdas - nos últimos 30 dias as perdas são de 30%. Fora do índice chamaram atenção os papéis da Tereos, que entraram em leilão no fim do pregão após dispararem 50%.

Confira os principais destaques de ações do pregão desta quarta-feira (2):

Petrobras (PETR3, R$ 9,47, +2,49%; PETR4, R$ 7,52, +0,40%)
As ações da Petrobras ganharam força na última hora de pregão apesar da forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Lá fora, o brent caía 3,85%, a US$ 42,76 o barril.

No radar da companhia, ela obteve aval do Cade para vender fatia da Gaspetro para a Mitsui. A operação foi aprovada sem restrições, segundo despacho do Cade publicado no Diário Oficial. A Operação envolve compra, por parte da Mitsui Gás e Energia do Brasil, de participação minoritária no capital social da Gaspetro. Em outubro, a Petrobras autorizou venda de 49% da Gaspetro para a  Mitsui por R$ 1,9 bilhão.

Tereos (TERI3, R$ 22,54, +12,20%)
Com forte alta desde cedo, as ações da Tereos ganharam força nesta tarde e chegaram a disparar 50% até entrar em leilão na Bovespa, cotadas a R$ 30,00. Procurados pelo InfoMoney, operadores de mercado não souberam justificar o movimento da ação, que sobe com forte volume financeiro hoje, bem acima da média dos últimos 21 pregões.

Efeito MSCI
Algumas companhias chegaram ao terceiro dia impactadas pelas mudanças anunciadas para o MSCI (Morgan Stanley Capital International). Em destaque, a Helbor (HBOR3, R$ 1,67, -2,91%) chega a 14,36% de perdas na semana, enquanto a Mills (MILS3, R$ 2,95, -6,05%) já se desvalorizou 18,06% desde segunda-feira. Por outro lado, a PDG Realty (PDGR3, R$ 1,74, +16,00%) disparou hoje e recuperou as perdas dos pregões anteriores, passando a subir 2,96% na semana. Os três papéis saíram do índice de small caps.

Vale e siderúrgicas
Em meio à forte queda dos preços do minério de ferro, com a commodity negociada no porto de Qingdao fechando em queda de 2,63%, a US$ 41,13 a tonelada, as ações de Vale (VALE3, R$ 12,94, +0,78%; VALE5, R$ 10,39, +0,19%) e siderúrgicas ficaram entre perdas e ganhos nesta sessão: Gerdau (GGBR4, R$ 5,92, 0,00%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,86, -3,13%), CSN (CSNA3, R$ 4,98, -3,11%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,05, +0,99%). 

No caso da Vale, essa queda marca a quinta vez em seis pregões que ações PNs da mineradora ficam no negativo, acumulando no período queda de quase 16%. Já desde o dia 5 de novembro, quando ocorreu a tragédia da Samarco, em Mariana, os papéis da companhia já afundam 26%, renovando menor patamar desde agosto de 2005. 

No radar da Vale, a companhia e a Samarco convidaram ontem a Advocacia-Geral da União (AGU) e as Procuradorias de Minas e Espírito Santo para uma reunião nesta quarta-feira, às 14h, em Belo Horizonte. As empresas vão se posicionar sobre a ação judicial de cobrança de R$ 20 bilhões de indenização pelo desastre em Mariana, Minas Gerais.

Além disso, o Ministério Público já trabalha com a possibilidade de falência da Samarco por conta das despesas com reparação ambiental pelo rompimento da barragem da empresa no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais, e estuda cobrar participação das duas controladoras da mineradora, Vale e BHP Billiton, na cobertura dos prejuízos.

BRF (BRFS3, R$ 56,22, -0,14%)
As ações da BRF tiveram leve queda após a companhia anunciar aquisições na Argentina, Reino Unido e Tailândia por US$ 496 milhões, dando prosseguimento a estratégia de globalizar suas operações. Apesar do movimento, a leitura dos analistas Pedro Galdi e Flávio Conde, da consultoria Whatscall, foi positiva. "A BRF continua sua estratégia de fortalecimento de operações no exterior, o que será importante para minimizar a redução de seus negócios no Brasil com a crise econômica e esta na formação de seu resultado consolidado", comentaram.

A maior exportadora de carne de frango do mundo adquiriu totalidade das ações ordinárias da tailandesa Golden Foods Siam por US$ 360 milhões de dólares, incluindo os ativos da companhia na Tailândia e na Europa; a totalidade das ações da Eclipse Holding Cooperatief UA, sociedade holandesa que controla a Campo Austral, na Argentina, por US$ 85 milhões; e, por fim, a Universal Meats por 34 milhões de libras esterlinas (US$ 51,2 milhões), no Reino Unido.

BTG Pactual (BBTG11, R$ 20,00, -1,48%)
Depois de 4 horas e 30 minutos suspensas, as units do BTG Pactual iniciaram a negociação em queda na Bolsa, em meio à saída do banqueiro André Esteves do controle do grupo e dois rebaixamentos de ratings. Nesta manhã, o banco informou que Esteves deixou o controle do grupo em uma operação de troca de ações com os outros sete sócios do banco de investimentos. 

Fora isso, o banco é impactado por dois cortes de ratings. Depois da Moody's retirar o grau de investimento do banco ontem à noite, nesta tarde a Standard & Poor's cortou a nota do BTG de "BB" para "BB-", por conta da pressão sobre a liquidez do banco após prisão de Esteves, no âmbito da Lava Jato, na quarta-feira passada.

JBS (JBSS3, R$ 12,20, +4,45%) e Marfrig (MRFG3, R$ 6,14, +5,14%)
As ações da JBS subiram forte após cair 13% nos últimos 2 dias e ir para o menor patamar desde fevereiro deste ano. Os papéis da Marfrig também acompanham o movimento de alta. Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, a JBS parece estar corrigindo a queda recente já que não apareceu nenhum fato novo no radar da empresa. 

No começo da semana, as ações da companhia caíram em meio a escândalo envolvendo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico). O TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou indícios de que o apoio do BNDES ao frigorífico pode ter lesado o banco estatal em pelo menos R$ 847,7 milhões em empréstimos feitos entre 2006 e 2014.  

Segundo coluna do Lauro Jardim, do jornal O Globo, da última terça-feira, o deputado Alexandre Baldy pediu ao TCU a íntegra da auditoria nos empréstimos do BNDES ao grupo JBS. Baldy acredita que ali pode haver fermento para estender a CPI do BNDES, já que sem isso a comissão termina essa semana.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 5,50, -1,43%)
As ações da Ecorodovias recuaram após registrarem ganhos de 7% da véspera, em meio a rumores de que estrangeiros estariam interessados em uma participação na brasileira. Segundo fontes disseram à Reuters, a italiana Gavio e a francesa Vinci estariam numa lista reduzida para apresentar ofertas pelos 63,99% que a família Almeida possui na Ecorodovias através da holding de investimentos Primav. 

Smiles
Dentro do Ibovespa, as ações da Smiles (SMLE3, R$ 36,89, +3,74%) foram destaque de alta, enquanto a Porto Seguro (PSSA3, R$ 34,67, -0,37%) teve uma sessão instável fora do índice. A Smiles teve sua recomendação elevada de manutenção para compra pelo Santander, enquanto a Porto Seguro teve a recomendação elevada de underperform para manutenção pelo mesmo banco.

Os analistas da instituição destacam que possuem uma visão construtiva sobre as instituições finanças não-bancárias e que, embora as perspectivas para a economia do país continuem a ser negativas, esperam que a maioria das empresas do setor tenha um crescimento do lucro por ação de um dígito em 2016, o que seria um ponto positivo definitivo no clima atual. O Santander mantém preferência por ações defensivas, tais como: BB Seguridade e Cielo.

BR Properties  (BRPR3, R$ 10,44, +1,85%)
As ações da BR Properties avançaram hoje após queda mais cedo. A companhia informou que recebeu nesta terça-feira, 1, a renúncia de André Esteves, datada de 29 de novembro, ao cargo de membro do conselho de administração da companhia. O executivo ocupava o cargo de presidente do colegiado. Será realizada reunião do conselho nesta quarta-feira, 2, para eleição de um conselheiro substituto.

Além disso, ontem a companhia concluiu a alienação de ativos de R$ 1,95 bilhão.

Ainda na terça-feira ocorreu na BM&FBovespa um leilão para venda em bloco de ações da companhia, correspondente a uma fatia de 5,96% do seu capital, que movimentou R$ 223,6 milhões, em uma operação intermediada pelo BTG Pactual. A companhia informou hoje que a Eminence Capital passou a deter 17,57% das ações ON e que a fatia pode subir para 17,57%.

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