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Ibovespa tem 1ª alta mensal do semestre e dólar cai 2,6% em outubro, voltando a R$ 3,86

Mercado teve um mês de alta apesar da instabilidade por conta de preocupações com Joaquim Levy, o cenário político e as decisões dos bancos centrais daqui e dos Estados Unidos

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Fechando em leve alta nesta sexta-feira (30), o Ibovespa conseguiu terminar o mês de outubro apresentando ganhos de 1,80%, o primeiro desempenho positivo mensal do índice no semestre. O contrário ocorreu com o dólar, que mesmo subindo hoje, dia de formação da ptax, acabou caindo no mês de outubro, algo que ainda não tinha acontecido neste segundo semestre de 2015. O desempenho mensal do dólar foi uma queda de 2,59%. 

Vale lembrar que este mês começou com um forte rali que durou 9 pregões seguidos de alta na esteira do anúncio da reforma política do governo. As discussões de impeachment e as especulações sobre uma saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, até causaram uma volatilidade, mas não impediram que a alta se mantivesse no restante do mês. Preocupante mesmo foram as decisões de juros do Fomc (Federal Open Market Committee) e do Copom (Comitê de Política Monetária), que acabaram trazendo uma grande incerteza no mercado nos últimos dias de outubro, já que o Federal Reserve deixou em aberto um aumento de juros em dezembro, que o mercado inteiro já precifica como improvável.  

Hoje
O Ibovespa sofreu, mas conseguiu ficar no azul pela primeira vez após uma sequência de 5 quedas. Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 operaram entre perdas e ganhos, assim como ocorreu com as bolsas asiáticas e europeias, que ficaram estáveis após o Bank of Japan decidir não ampliar o seu programa de estímulos. Por aqui, o nosso Banco Central anunciou ontem que iniciará rolagem de swaps de dezembro após o feriado desta segunda (2). Além disso, a meta fiscal e os resultados corporativos ficaram no radar.

O benchmark da Bolsa brasileira teve alta de 0,53%, a 45.868 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,818 bilhões. Já o dólar comercial subiu 0,23% a R$ 3,8628 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tinha alta de 0,17% a R$ 3,858. Com relação ao câmbio, a oferta do BC será de 12.120 contratos em leilão no dia 3 de novembro. O total de contratos com vencimento em 1º de dezembro é de US$ 10,9 bilhões. Normalmente, o início da rolagem é anunciado após fechamento do último dia útil do mês, mas o BC antecipou o dado, assim como fez com o resultado primário ontem, diante do ponto facultativo do servidor público nesta sexta.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 8 pontos-base a 15,47%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 caía 4 pontos-base a 15,94%.

No noticiário político, segundo a Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidirá sobre os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff em novembro. Cunha, contudo, tem que se preocupar com a própria possível saída. A renúncia do presidente da Câmara é defendida por 45% dos deputados, de acordo com Datafolha realizado com congressistas. Segundo o jornal, 35% disseram que votariam pela cassação do deputado, 52% não se posicionaram e 13% votariam contra. Já sobre o pedido de impeachment de Dilma, 39% disseram que votariam a favor, 32% contra e 29% não se posicionaram.

No âmbito fiscal, o relator do projeto que altera a meta de superávit, deputado Hugo Leal (Pros), propõe que o Congresso autorize déficit primário de até R$ 117,9 bilhões em 2015, o equivalente a 2,05% do PIB (Produto Interno Bruto). O número inclui R$ 55 bilhões das pedaladas e R$ 11 bilhões da frustração com leilões de hidrelétricas. Ontem, secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, disse que o governo já pagou um terço das pedaladas e que faltam R$ 50 bilhões.

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,38, +0,86%; PETR4, R$ 7,71, +1,31%) subiram em meio a notícias de que a estatal prevê que a promissora área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, deverá atingir produção de 1 milhão de barris/dia de petróleo na próxima década, segundo informações apresentadas pelo coordenador de projetos da empresa, Bruno Moczydlower, durante palestra em um evento no Rio de Janeiro.

Esse volume de produção diária esperado na fase 1 (2021/2030) para a reserva, considerada a maior já descoberta no Brasil, representa cerca de metade do que a Petrobras produz atualmente no país. O início da produção em Libra está marcado para 2020, segundo o atual Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2015-2019.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 TIMP3 TIM PART S/A ON 8,45 +6,69 -27,04
 OIBR4 OI PN 2,12 +6,00 -75,38
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,25 +5,77 -39,31
 VALE3 VALE ON 17,06 +5,70 -17,94
 CSAN3 COSAN ON 24,71 +5,37 -11,75

 

Assim como ela, os papéis da Vale (VALE3, R$ 17,06, +5,70%; VALE5, R$ 14,03, +5,25%) dispararam depois de cair forte nos últimos dias por conta do recuo do minério de ferro, que ficou abaixo dos US$ 50 pela primeira vez desde 9 de julho. A commodity spot com 62% de pureza fechou em alta de 0,32% a US$ 49,83.

A ação da Ambev (ABEV3, R$ 19,09, +0,47%), virou para alta durante a sessão e conseguiu fechar no positivo. No radar, a companhia anunciou aumento de 6,3% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, para R$ 3,086 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.

A receita líquida da companhia cresceu 24,6%, para R$ 10,74 bilhões, impulsionada por iniciativas de gestão da receita, um benefício de "mix premium" em todas as operações e pelo maior peso da distribuição direta no Brasil. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado fechou o terceiro trimestre em R$ 4,99 bilhões, alta de 21,9%. 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BRFS3 BRF SA ON 60,10 -9,56 -3,82
 CYRE3 CYRELA REALT ON 8,96 -3,14 -16,19
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 16,55 -2,65 +48,38
 MRFG3 MARFRIG ON 6,37 -2,45 +4,43
 JBSS3 JBS ON 14,25 -2,40 +28,62

 

Entre as quedas, a BRF (BRFS3, R$ 60,10, -9,56%) mergulhou depois de informar um lucro líquido de R$ 877 milhões no terceiro trimestre, alta de 53,3% frente ao mesmo período de 2014. O Ebitda foi de R$ 1,52 bilhão, crescimento de 34,8% ano contra ano. Para o Bradesco BBI, o resultado foi fraco, com as vendas domésticas desapontando. O volume doméstico subiu 3% na comparação anual, mas caiu 9% quando comparado ao segundo trimestre. Nesta manhã, o Bank of America Merrill Lynch rebaixou a recomendação das ações da companhia de compra para underperform (desempenho abaixo da média).

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 BRFS3 BRF SA ON 60,10 -9,56 902,57M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 26,47 +1,81 312,26M
 CIEL3 CIELO ON 36,61 -1,85 288,07M
 BBDC4 BRADESCO PN 21,00 -0,19 283,07M
 VALE5 VALE PNA 14,03 +5,25 280,55M
 PETR4 PETROBRAS PN 7,71 +1,31 280,02M
 JBSS3 JBS ON 14,25 -2,40 278,23M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,09 +0,47 225,08M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 26,60 +0,11 198,09M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT ED N2 21,93 +0,18 170,64M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
A Europa teve um dia misto, com os investidores digerindo a temporada de resultados. Entre os dados econômicos, a economia espanhola cresceu 0,8% no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Na comparação anual, o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 3,4% no terceiro trimestre, mantendo um ritmo forte de expansão e dando mais um passo para registrar seu melhor ano desde 2007, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Já os índices acionários chineses fecharam a sexta praticamente estáveis, com as ações de alimentos e bebidas subindo com as reformas anunciadas para a política de filho único do país, mas com os papéis de manufatura recuando. Xangai teve leve queda de 0,13% e a Hang Seng terá queda de 0,79%, enquanto o japonês Nikkei teve alta de 0,78%.

Destaque para a decisão de política monetária do BC do Japão, que decidiu não ampliar nesta sexta-feira seu maciço programa de estímulos, preferindo preservar suas opções diante de esperanças de que a economia consiga superar os ventos contrários vindos da desaceleração da China sem apoio monetário adicional.

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