Em mercados / acoes-e-indices

Bolsa firma queda puxada por Petrobras depois de abertura dos EUA; dólar fica estável

Dia é de incertezas com relação de Lula e Dilma estremecida, expectativas com relação a Fomc e indefinição sobre pagamento das pedaladas

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em um dia indefinido, o Ibovespa volta a cair nesta terça-feira (27), perdendo força depois da abertura das bolsas dos Estados Unidos. No radar, o dia é de incertezas com os investidores à espera do anúncio do déficit fiscal do governo de 2015 com o pagamento das pedaladas e em meio à queda das bolsas internacionais e do ambiente político. Lá fora, o mercado fica no aguardo das reuniões dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Japão. Às 10h30 (horário de Brasília) foi divulgada pesquisa eleitoral CNT/MDA, com a popularidade do governo Dilma. 

Às 12h34, o benchmark da Bolsa brasileira tinha queda de 0,45%, a 46.998 pontos. Já o dólar comercial zera perdas e passa a ter leve baixa de 0,12% a R$ 3,9121 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tinha leve baixa de 0,05% a R$ 3,914. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 recuava 3 pontos-base, a 15,31%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 cai 9 pontos-base, a 15,84%. 

O ambiente político da semana, que prometia ser de uma certa calmaria, revirou de cabeça para baixo logo cedo na segunda-feira com o desencadear de mais uma fase da Operação Zelotes pela Polícia Federal, com a prisão de cinco pessoas, entre eles um diretor da Anfavea, entidade das montadoras de automóvel e um dos mais “prestigiados” lobistas de Brasília, e a execução de uma série de mandatos e busca e apreensão, atingindo um escritório em São Paulo de Luís Cláudio da Silva.

Segundo relatos ouvidos por amigos do ex-presidente, ele culpou a presidente Dilma pelo que ocorreu, disse que a situação passou dos limites e chamou a delação premiada de “mentirão premiado”.

Aprovação de Dilma oscila
Na pesquisa CNT, a aprovação pessoal da presidente Dilma oscilou para cima de 15,3% para 15,9%, enquanto a avaliação positiva do governo da presidente oscilou para cima, de 7,7% para 8,8%. Já a avaliação negativa do governo foi para 70% ante 70,9% em julho, enquanto 20,4% consideram o governo regular.

Em relação à presidente, oscilou para cima também o percentual dos que desaprovam Dilma, que passou de 79,9% para 80,7%. Assim, diminuiu o percentual dos que não sabem ou dos que não responderam, de 4,8% para 3,4%.

Para a pesquisa, foram ouvidas 2.002 pessoas, em 136 municípios de 24 unidades federativas, das cinco regiões. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.

Preocupação com Levy e déficit
Ainda na política, segundo o Valor Econômico, Antonio Palocci pode ir para o Ministério da Fazenda se o atual ministro, Joaquim Levy, sair do cargo. Após encontro entre Dilma e Palocci na sexta feira na Granja do Torto, assessores arriscam palpite de que o ex-ministro poderia voltar a conduzir a economia na eventualidade de uma saída de Levy, diz Claudia Safatle, no Valor

Já na questão das contas públicas, de acordo com a Folha, a Fazenda quer superávit maior em 2016 para pagar a dívida. De acordo com o Broadcast, o projeto de lei que revisa a meta fiscal de 2015 só deve ir à votação no colegiado após o governo apresentar informações adicionais à proposta. "Depende das informações que o governo vai mandar", disse a presidente da Comissão Mista de Orçamento Rose de Freitas. O governo ainda não decidiu se vai contabilizar, no adendo ao projeto de revisão das metas, apenas o déficit fiscal estimado de R$ 50 bilhões a R$ 57 bilhões ou se também vai acrescentar o passivo, no todo ou em parte, das chamadas pedaladas fiscais, que pode chegar a R$ 40 bilhões.

Destaques de ações
Chama atenção também que algumas empresas estão apresentando um desempenho muito volátil. É o caso de companhias de telecomunicação, Petrobras, Vale, Suzano e JBS. 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,34, -2,81%; PETR4, R$ 7,61, -3,06%) recuam em meio a notícias de que a estatal foi condenada a pagar R$ 566,7 milhões por indenização pela prestação de serviços de gás canalizado à Fafen (Fábrica de Fertilizantes), no Polo Petroquímico de Camaçari (BA), uma prática considerada "inconstitucional". A decisão é resultado de uma Ação Civil Pública protocolada pela Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte e Comunicação do Estado da Bahia), em junho de 2006, cuja sentença foi publicada no dia 22 de outubro. A Petrobras pode recorrer.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 TIMP3 TIM PART S/A ON 7,98 -6,88
 OIBR4 OI PN 2,02 -4,72
 PETR4 PETROBRAS PN 7,62 -2,93
 PETR3 PETROBRAS ON 9,34 -2,81
 VALE3 VALE ON ED 17,42 -2,46

 

 

Quem também recua é a Vale (VALE3, R$ 17,42, -2,46%; VALE5, R$ 14,08, -1,88%), que vai na contramão da cotação do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 0,92% a US$ 51,50.  

As exportadoras de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 55,46, +0,84%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,09, -2,06%) se descolam nesta terça-feira (27) com a primeira subindo forte na esteira do se resultado, considerado como positivo por analistas, enquanto a segunda cai. No radar da Suzano, a companhia tem desempenho negativo depois de antecipar uma parada programada na linha 1 da fábrica de Mucuri, na Bahia, segundo o trader da H. Commcor, Ari Santos.

A parada foi por causa da seca que reduziu a vazão do rio que abastece a unidade ao pior nível já registrado na região.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 EMBR3 EMBRAER ON 27,42 +3,16
 RUMO3 RUMO LOG ON 7,35 +2,65
 BRML3 BR MALLS PAR ON 12,10 +2,54
 EQTL3 EQUATORIAL ON 35,50 +2,34
 JBSS3 JBS ON 15,51 +2,24

 

Cenário externo
O dia é de leves quedas para os mercados europeus, seguindo a queda dos preços do petróleo, com o brent em baixa de 0,53% e dados fracos na China. Já as bolsas asiáticas recuaram em sua maioria nesta terça-feira, interrompendo quatro semanas de alta com investidores se protegendo antes de reuniões dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Japão esta semana. 

O sentimento de risco tem sido sustentado pelo corte de juros na China na semana passada e pela perspectiva de mais afrouxamento do Banco Central Europeu (BCE).

Tem havido especulação de que o banco central do Japão pode ampliar sua campanha de compra de ativos ao final da reunião de política monetária na sexta-feira, embora relatos recentes mostrem que isso é menos provável.

Operadores disseram que não há notícia óbvia por trás da fraqueza nas ações asiáticas nesta terça-feira. Assim, alguns estão provavelmente se ajustando antes da reunião de dois dias do Federal Reserve, banco central norte-americano, que começa nesta terça-feiras.

Entre os dados econômicos da Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido teve crescimento de 0,5% no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior, segundo o resultado preliminar divulgado nesta terça-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) do país. Analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires esperavam avanço um pouco maior, de 0,6%.

Dilma completa 1 ano de mandato: como foi o desempenho de Bolsa dólar e mais 36 ativos? Deixe o email abaixo e confira:


 

Contato