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Ibovespa cai 1% puxado por derrocadas de Petrobras e Vale; dólar vira para alta

Índice perde força perto do fim do pregão e semana começa negativa por recuos do petróleo e do minério

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa segue em queda depois de abrir em alta e virar para o negativo no fim da manhã desta segunda-feira (26). O índice virou após a abertura das bolsas norte-americanas, ficando pressionando também pela queda acentuada da Vale e pela virada da Petrobras para queda de 1%. Às 16h28 (horário de Brasília), o índice tinha queda de 0,88%, aos 47.177 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial virava para alta de 0,26%, cotado a R$ 3,9002 na compra e R$ 3,9009 na venda.

O desempenho da Bolsa foi puxado principalmente pelos papéis da Petrobras, que passaram a cair após a abertura em Wall Street, que acabou levando à virada no preço do petróleo. O barril do Brent para dezembro recua 0,54% a US$ 47,72. Enquanto isso, a mineradora Vale tinha perdas mais acentuadas desde a abertura por conta da queda de 2,5% do minério de ferro na China.

O dia é de agenda mais fraca de indicadores e com poucas novidades políticas, deixando o mercado de olho no déficit fiscal que o governo divulgará esta semana. Segundo informações do jornal O Globo, o governo enviará até amanhã ao Congresso uma mensagem sobre a meta fiscal. 

O que os investidores também observam com cuidado é o cenário externo, de olho na reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) e sobre possíveis novidades do BCE (Banco Central Europeu) após fala de Mario Draghi nos últimos dias aumentar as chances de um prolongamento no programa de estímulo monetário conhecido como Quantitative Easing.

Indicadores
Por aqui, economistas ouvidos no Boletim Focus do Banco Central pioraram suas expectativas para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional este ano, passando de -3,00% para -3,02%. Já para 2016, a projeção ficou em -1,43%. Enquanto isso, a aposta para a Selic em 2015 ficou em 14,25%, e para 2016, a taxa avançou para 13,00%. Já a estimativa de inflação medidas pelo IPCA este ano avançou para 9,85%, ante 9,75%, enquanto para 2016, a taxa ficou em 6,22%, contra 6,12% na projeção anterior.

Em outro dado apresentado nesta segunda, a Dívida Pública Federal registrou alta de 1,8% em termos nominais na passagem de agosto para setembro, somando R$ 2,734 trilhões. Pelas metas do Plano Anual de Financiamento, alteradas há dois meses, o endividamento deve oscilar entre R$ 2,65 trilhões e R$ 2,8 trilhões em 2015.

O Tesouro Nacional apontou ainda que a Dívida Pública Mobiliária Interna teve seu estoque ampliado em 1,44%, ao passar de R$ 2,551 trilhões em agosto para R$ 2,588 trilhões em setembro. No caso da Dívida Federal Externa, o montante foi de R$ 145,89 bilhões (US$ 36,72 bilhões) no nono mês deste ano, o que representa um aumento de 8,62% na comparação com agosto.

Destaques de ações
As ações da Oi (OIBR4, R$ 2,14, +9,74%) iniciam o dia com os maiores ganhos após o grupo de investidores russos Letter One, liderado por Mikhail Fridman, enviar uma proposta para fazer aporte de até US$ 4 bilhões na Oi, sob a condição da companhia brasileira de telecomunicações promover consolidação de negócios com a TIM Participações (TIMP3, R$ 8,57, +5,93%), segundo comunicado enviado ao mercado.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 7,18 -6,75
 CPLE6 COPEL PNB 31,66 -6,16
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,31 -5,11
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,19 -4,21
 VALE5 VALE PNA ED 14,39 -3,94

 

 

Já a Petrobras (PETR3, R$ 9,58, -1,14%; PETR4, R$ 7,82, -2,13%) virou após subir quase 2%, seguindo a mudança de rumo do preço do petróleo, que passou a recuar 1%. No radar da companhia, o conselho de administração aprovou na sexta-feira a venda de 49% da subsidiária Gaspetro por R$ 1,9 bilhão para a Mitsui Gás e Energia do Brasil, subsidiária integral da japonesa Mitsui, com fechamento do negócio previsto para dezembro de 2015, segundo fato relevante. 

Além disso, em uma reunião que durou mais de 10 horas, segundo a fonte da Reuters, foi apresentada na sexta-feira ao Conselho uma lista de empresas interessadas em adquirir a BR Distribuidora, dentre chinesas, companhias do setor de petróleo e da área financeira. "Tem muitas empresas interessadas, a lista é surpreendente", afirmou a fonte, que falou na condição de anonimato.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 OIBR4 OI PN 2,14 +9,74
 TIMP3 TIM PART S/A ON 8,55 +5,69
 HGTX3 CIA HERING ON 15,65 +3,64
 VIVT4 TELEF BRASIL PN 39,89 +3,61
 NATU3 NATURA ON 22,69 +2,95

 

Entre as perdas, destaque para a Vale (VALE3, R$ 17,88, -3,87%; VALE5, R$ 14,40, -3,87%), que cai mais de 2% e pressiona o índice após o minério de ferro recuar 2,5% na china, cotado a US$ 46,50.

Mercado internacional
Na Europa o dia é de movimentos mistos. O corte de juros inesperado da China na sexta-feira levantou os ativos de risco que já haviam sido impulsionados com a mensagem de quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE) de que está pronto para aumentar as medidas de estímulo e cortar a taxa de juros para níveis ainda mais negativos.

Já na Ásia, as ações voltaram a avançar nesta segunda, chegando perto de reverter todas as perdas desde a desvalorização do câmbio chinês em agosto, com as ações globais em alta após o banco central da China cortar a taxa de juros.

"Esses movimentos do BCE e da China estão levantando especulações de que o banco central do Japão vai agir esta semana também", disse o estrategista sênior no Sumitomo Asset Management Masahiro Ichikawa. O banco central do Japão realizará sua próxima revisão de política monetária na sexta-feira.

A entrevista concedida na última semana pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, deixou claro que a caixa de ferramentas da instituição está preparada para ser usada, provavelmente já em dezembro. Analistas dizem que Draghi tem uma série de opções à disposição: da ampliação do programa de relaxamento quantitativo à chance de redução da taxa de depósitos, passando até pela hipótese de intervenção no câmbio.

Draghi conseguiu injetar ânimo novo no mercado europeu. Após a afirmação de que o BCE cogitou novas medidas para apoiar a economia, cresceu o apetite por risco com a perspectiva de que mais ações podem ser anunciadas na reunião do BCE que acontece no início de dezembro. Agora, analistas tentam estimar quais medidas poderiam ser adotadas pelo BCE.

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