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Ibovespa sobe 2% em meio a corte de juros na China e rali do BCE; dólar cai a R$ 3,897

A Bolsa opera em alta impulsionada pelos estímulos no exterior; déficit fiscal aqui fica de lado em meio a otimismo generalizado

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira (23), depois da China cortar juros em 0,25 ponto percentual e reduzir os compulsórios em 0,5 p.p.. Com isso, o benchmark deixa de lado quaisquer preocupações com as notícias de que o governo pode anunciar meta de déficit fiscal acima de R$ 70 bilhões incluindo o pagamento das "pedaladas fiscais". Lá fora, as bolsas europeias sobem mais de 2% e os futuros dos índices norte-americanos tinham alta de 1%.

Às 10h43 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 2,12%, a 48.786 pontos. No pré-market, o Ibovespa Futuro subia perto de 0,3% antes da notícia dos estímulos chineses, disparando nada menos do que 600 pontos em 10 minutos depois do anúncio dos cortes nos juros na segunda maior economia do mundo. Já o dólar comercial recua 0,25% a R$ 3,8978 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para novembro tem queda de 0,31% a R$ 3,908. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 virava para alta de 6 pontos-base a 15,34%, enquanto o DI para janeiro de 2021 registrava ganhos de 2 pontos-base a 15,90%. 

Na novela das contas públicas, que ganha novos capítulos dramáticos nesta sexta, de acordo com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, a estimativa de déficit fiscal para 2015 sem as pedaladas seria de R$ 50 bilhões. Contudo, com o pagamento destas irregularidades, o déficit pode ir para R$ 70 bilhões ou mais. De acordo com o Estado de S. Paulo, a previsão vai para R$ 76 bilhões. A nova meta enviada por decreto para o Congresso Nacional sairia hoje, mas na agenda oficial dos membros da equipe econômica do governo nada consta neste sentido. 

Ainda com relação às contas públicas, segundo reportagem do Valor Econômico, a Previdência Social custará quase 8% do PIB (Produto Interno Bruto) e exige reforma.

Na agenda de indicadores ficam no radar as contas externas e o número de vagas de trabalho criadas ou destruídas em setembro segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que sai às 15h.

Cenário político
Em entrevista ao Estadão, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez duras declarações com a presidente Dilma Rousseff. “Eu acho graça de alguns que vêm aqui falar da minha renúncia, mas não pedem da presidente Dilma. Se for pelo mesmo parâmetro, você teria muitas e iguais motivações”, afirmou. 

Cunha ainda elogiou a entrada de Jaques Wagner na Casa Civil, e quando questionado sobre a passagem do vice-presidente, Michel Temer, disse achar que ele foi sabotado e se insurgiu contra isso. "A partir daí, o governo se articulou com o Senado e, de certa forma, achou que estava resolvido o problema.”.

Destaques da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,28, +4,16%; VALE5, R$ 15,47, +4,32%) registram alta após o anúncio surpresa feito nesta manhã pelo Banco Central da China, com o corte de juros para estimular a economia. Esta é a sexta vez que a autoridade chinesa corta os juros desde novembro.

A Petrobras (PETR3, R$ 10,02, +2,45%; PETR4, R$ 8,24, +2,74%) também sobe em meio a notícia de que a companhia deve assinar contrato com a Sete Brasil para construção de 18 sondas do pré-sal no início de 2016, segundo informações do jornal O Globo.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CSNA3 SID NACIONAL ON 5,05 +5,21
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 17,06 +4,47
 VALE5 VALE PNA ED 15,47 +4,32
 RENT3 LOCALIZA ON 25,52 +4,16
 VALE3 VALE ON ED 19,27 +4,11

 

 

Destaque também para a Fibria (FIBR3, R$ 57,02, +2,70%), que teve um resultado considerado positivo. A companhia informou prejuízo líquido de R$ 601 milhões no terceiro trimestre, uma piora frente ao prejuízo de R$ 359 milhões no mesmo período do ano passado. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 1,55 bilhão, forte aumento frente aos R$ 613 milhões do período de junho a setembro de 2014.

Para o BTG Pactual, o resultado da companhia foi "muito forte", com Ebitda 6% acima das estimativas, enquanto a alavancagem da empresa - medida pelo dívida líquida/Ebtida - caiu de 2 vezes para 1,5 vez, gerando um caixa de R$ 1 bilhões no trimestre. O banco espera reação positiva das ações da companhia hoje, aliado ainda ao dividendo extraordinário proposto pela empresa, mesmo que esse não tenha sido uma grande surpresa. O banco reforçou recomendação de compra para as ações da empresa, em meio à combinação de crescimento, dividendos e desalavancagem. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 OIBR4 OI PN 2,00 -3,85
 LREN3 LOJAS RENNER ON 20,20 -0,49

 

Das 64 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, apenas duas registram queda no momento. Encontram-se entre elas a Oi preferencial (OIBR4, R$ 2,01, -3,37%) e a ordinária das Lojas Renner (LREN3, R$ 20,19, -0,54%).

Cenário externo
O dia segue de alta para as bolsas europeias, de olho no BCE (Banco Central Europeu), depois que o presidente da autoridade monetária, Mário Draghi, acenou para mais estímulos no programa conhecido como "Quantitative Easing". As notícias de corte de juros na China também ajudou as bolsas do continente a acelerar ganhos. Os principais índices acionários do continente têm alta de mais de 1%, caso do alemão DAX e o francês CAC 40. 

Destaque ainda para os dados econômicos do continente: a atividade empresarial da zona do euro acelerou mais do que o esperado em outubro com novos trabalhos para as empresas de serviços atingindo o ritmo mais rápido desde abril, mas ainda não há sinais de pressões inflacionárias, mostrou pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI Composto do Markit preliminar, com base em pesquisas junto a milhares de empresas e considerado um bom guia do crescimento, atingiu 54,0 este mês, contra 53,6 em setembro e acima até mesmo da expectativa mais otimista em pesquisa da Reuters.

Já as bolsas asiáticas subiram nesta sexta-feira após o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar que está pronto para injetar mais estímulos na economia.

O índice de Xangai avançou 1,3% nesta sexta-feira e fechou a semana com valorização de 0,6%. Na China, vale destacar ainda a fala do presidente Xi Jinping, que afirmou que a economia não vai sofrer um pouso forçado, e com os dados de preços da moradia sugerindo uma leve recuperação nos mercado imobiliário. Xi disse na quarta-feira durante uma visita de Estado à Grã-Bretanha que a China vai evitar uma desaceleração mais aguda, embora reconhecesse a existência de pressões negativas.

"Os investidores e operadores estão comprando a ideia de esperar por ação do banco central do Japão e do BCE", disse Ben Le Brun, analista de mercado na provedora de plataforma de operações optionsXpress.

Após o BCE deixar inalterada sua política monetária na reunião de quinta-feira, como era esperado, o presidente do banco, Mario Draghi, disse que as autoridades do BCE estão "abertas a todo um menu de política monetária" para impulsionar a economia da zona do euro o quanto for necessário.

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