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Bancos "salvam" e Ibovespa fecha no azul pela 3ª vez seguida apesar de exterior

Mercado oscilou perto da estabilidade durante toda a sessão em meio a preocupações com Levy e com o exterior; dólar perdeu força no fim do pregão e fechou estável

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em leve alta nesta segunda-feira (19) com o cenário político dando trégua depois de uma sexta-feira pesada para os investidores. Com isso, a Bolsa já faz uma sequência de três dias positivos apesar de toda a volatilidade nos últimos pregões, principalmente em meio às notícias que saíram na sexta de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediria demissão. Rumor que foi amenizado quando a presidente Dilma Rousseff saiu em defesa de Levy no fim de semana contra o presidente do PT, Rui Falcão. Lá fora, as bolsas dos Estados Unidos fecharam entre perdas e ganhos, pressionadas por dados da economia chinesa como o PIB (Produto Interno Bruto). 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou em alta de 0,45%, a 47.447 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,519 bilhões. Já o dólar comercial fechou com leves ganhos de 0,08%, a R$ 3,8768 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tem queda de 1,08% a R$ 3,895. A divergência entre os derivativos e seus ativos à vista se explica pelo movimento de forte volatilidade pela notícia não confirmada da demissão de Levy na sexta, que faz com que haja uma correção hoje. Vale lembrar também, que o pregão de hoje tem o vencimento de opções sobre ações.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 recua 16 pontos-base, a 15,40%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem queda de 24 pontos-base, a 15,80%.

Segundo o trader da H. Commcor, Ari Santos, a queda do petróleo nos mercados internacionais pressionou a Bolsa aqui por afetar diretamente as ações da Petrobras. Da mesma forma, o minério de ferro caiu 2,87% e afeta os papéis da Vale. Por outro lado, os bancos registraram ganhos e garantiram o desempenho positivo do Ibovespa. "O que segura um pouco são os bancos, que se recuperam da pressão pós-Levy", explica.

Cenário político
No fim de semana, Dilma falou que Levy fica e que o Brasil trabalha para fortalecer a solidez fiscal. Ela defendeu o ministro das falas de Rui Falcão, que disse que se o governo decidisse mudar a política econômica e Levy fosse contra, ele seria obrigado a sair. Segundo Dilma, a opinião do presidente do PT não é a do governo.

Ainda no cenário político, parece ter ficado mais distante a possibilidade de um acordo de mútuo interesse ser firmado entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Irritado com as palavras da presidente Dilma, que “lamentou que seja um brasileiro” envolvido em denúncias de corrupção, Cunha pode alterar sua estratégia e deferir o novo pedido de impeachment que deve ser apresentado amanhã pela oposição, segundo reportagem do jornal O Globo. Painel da Folha de S. Paulo também diz que Cunha não descarta aceitar o pedido assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

Indicadores
Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,97% para uma de 3,00%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,75% este ano.

Já a balança comercial semanal brasileira, divulgada às 15h (horário de Brasília), registrou déficit de US$ 250 milhões na 3ª semana de outubro (12 a 18). O número é resultado de US$ 2,932 bilhões em exportações e US$ 3,183 bilhões em importações, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O resultado rompe uma sequência de dados positivos que foram registrados desde a quinta semana de agosto, quando o número foi negativo em US$ 42 milhões.

Destaques da Bolsa
Quem segurou a alta da Bolsa hoje foram as ações de grandes bancos, que fazem parte do setor mais pesado da Bovespa. Registraram ganhos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,48, +2,38%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,67, -0,14%; BBDC4, R$ 22,12, +0,32%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,83, +3,38%). Juntas, essas três instituições financeiras respondem por 20% da carteira teórica do Ibovespa. 

Assim como os bancos, as ações da CSN (CSNA3, R$ 5,13, +2,19%) subiram hoje. O desempenho dos papéis foi na contramão do que ocorreu com o minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao teve queda de 2,87%, a US$ 53,54.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 BRKM5 BRASKEM PNA 20,84 +5,20 +25,39
 BBAS3 BRASIL ON 17,00 +4,42 -22,72
 BRML3 BR MALLS PAR ON 11,40 +4,40 -28,62
 MRVE3 MRV ON 7,54 +3,86 +5,49
 KROT3 KROTON ON 10,37 +3,70 -32,33

 

A Vale (VALE3, R$ 17,80, -3,37%, VALE5, R$ 14,65, -3,55%) caiu mesmo após atingir a produção de 88,2 milhões de toneladas de produção de minério de ferro no terceiro trimestre de 2015, representando a maior produção trimestral da história da companhia. Como parte da estratégia previamente anunciada, operações menos eficientes, incluindo plantas de beneficiamento nas operações de Feijão, Jangada, Pico, Fábrica e Brucutu e totalizando capacidade anualizada de 13 milhões de toneladas, foram paralisadas no trimestre. 

A XP Investimentos destaca que houve desaceleração no ritmo de produção de minério de ferro, devido a parada de operações menos eficientes. Mesmo assim, produção atinge o maior nível trimestral. "Seguimos não recomendando exposição ao setor", afirma o relatório da corretora.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 GOLL4 GOL PN N2 3,66 -5,43 -75,89
 USIM5 USIMINAS PNA 3,21 -3,60 -36,08
 VALE5 VALE PNA ED 14,65 -3,56 -18,85
 VALE3 VALE ON ED 17,80 -3,37 -14,38
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,46 -3,20 -37,76

 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,67, -0,31%; PETR4, R$ 7,95, 0,00%) também caíram. A produção de petróleo da Petrobras no Brasil em setembro caiu 6,7% ante agosto, para 2,06 milhões de barris por dia (bpd), devido, principalmente, a paradas programadas de grandes plataformas, com destaque à parada da plataforma P-52, para manutenção, conforme comunicado divulgado na sexta-feira.

Além disso, tem impacto o preço do petróleo. O barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) recua 2,67%, a US$ 46,10. Já o barril do Brent cai 3,35% a US$ 48,77. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 27,48 +2,38 401,23M
 BBDC4 BRADESCO PN 22,02 -0,14 314,19M
 PETR4 PETROBRAS PN 7,95 0,00 310,32M
 VALE5 VALE PNA ED 14,65 -3,56 271,05M
 JBSS3 JBS ON 14,75 -2,45 235,93M
 KROT3 KROTON ON 10,37 +3,70 161,51M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,47 +0,93 147,34M
 CIEL3 CIELO ON 39,22 +0,95 128,75M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,52 +1,90 120,46M
 VALE3 VALE ON ED 17,80 -3,37 119,35M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
As bolsas chinesas terminaram praticamente estáveis nesta segunda-feira com a realização de lucros revertendo os ganhos de mais cedo devido aos dados do crescimento do terceiro trimestre na China, que mostraram desaceleração econômica gradual mas sem sinais de um pouso forçado. Enquanto isso, a Europa teve um dia entre leves ganhos e perdas, também de olho nos dados chineses, assim como os índices dos EUA. O mercado americano também fica de olho na tempora de resultados corporativos.

No terceiro trimestre, o crescimento da China desacelerou para 6,9%, um pouco melhor do que o esperado mas ainda o ritmo mais fraco desde a crise financeira global, reforçando as visões de que as autoridades do país vão adotar mais medidas de estímulo. Nenhum pânico foi visto entre os investidores chineses já que a desaceleração havia sido precificada há tempos, disseram analistas.

Entre os outros dados do país, a produção industrial chinesa cresceu 5,7% em setembro ante setembro de 2014, abaixo dos 5,9% esperados pelo mercado. Por outro lado, as vendas no varejo do país avançaram 10,9% na comparação anual como aguardado por analistas. Outros indicadores com menor relevância também foram divulgados, os investimentos em ativos fixos urbanos, cresceram 10,3% abaixo da expectativa de 10,8%, e as vendas de moradias cresceram 18,2% entre janeiro e setembro, na comparação interanual, o que representa uma desaceleração em relação ao aumento de 18,7% registrado nos primeiros oito meses deste ano.

Operadores disseram que a realização de lucros desta segunda-feira foi natural após os principais índices saltarem quase 6% na semana passada, em meio a sinais de que alguns investidores voltaram ao mercado após a queda brusca de 40%.

O dia também foi de falas de membros do Federal Reserve. O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse que é muito cedo para considerar um aumento de taxa de juros. "A situação mudou nos últimos meses. É verdade que pensávamos que poderíamos elevar as taxas no fim de 2015, mas a turbulência nos mercados globais, o crescimento global modesto, os preços de combustíveis e os desequilíbrios macroeconômicos estão desacelerando o processo", disse. 

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