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Ibovespa tem queda com preocupação por revisão fiscal e Levy; dólar tem alta

Mercado cai com preocupações com as contas públicas após o rebaixamento do rating brasileiro pela Fitch ontem; dólar sobe, mas DIs viram para queda

Operador da Bolsa (Bloomberg)
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a cair nesta sexta-feira (16), depois de zerar perdas graças às altas de algumas blue chips. No entanto, fica no radar a provável nova revisão da meta fiscal de 2015 pelo governo, já prevendo um déficit nas contas públicas, o que traz pessimismo. Além disso, a permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no cargo, parece cada vez mais difícil, com o pessoas dentro do PT dizendo que ele falhou em sua missão de manter a nota de crédito do Brasil nas agências de classificação de risco. Lá fora, o dia é de alta nas bolsas europeias e asiáticas com a percepção de que estas regiões devem manter seus estímulos econômicos. 

Às 13h02 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira recuava 0,19% a 47.069 pontos. Já o dólar comercial tem alta de 1,39% a R$ 3,8535 na venda, ao passo que o dólar futuro para novembro registra ganhos de 1,31%, a R$ 3,877. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 vira para alta de 1 ponto-base, a 15,37%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 registra leve alta de 10 pontos-base, para 15,78%.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o governo deve rever a meta fiscal de 2015 hoje. A frustração de receita e o pagamento de todas as dívidas do governo com bancos públicos, nas chamadas pedaladas, devem levar a revisão da meta, sendo que as medidas levariam a rombo de R$ 60 bilhões no ano. O governo espera convencer o TCU (Tribunal de Contas da União) a parcelar os pagamentos pelos próximos anos. Ainda assim, o Planalto assumirá compromisso de fazer o possível para cumprir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2016. O relator do Orçamento para 2016, o deputado federal, Ricardo Barros (PP-PR), disse que vai tirar a CPMF das previsões de receitas para o ano que vem.

Ainda no noticiário político, o PT já dá como certa a saída de Joaquim Levy, segundo informações do Valor Econômico. A troca é esperada para depois que Congresso ratificar vetos de Dilma. No partido, afirma-se que ministro foi nomeado para impedir a perda do grau de investimento, missão que não cumpriu. Lula defendeu a demissão de Levy e a política de não agressão ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em reunião com deputados do PT em Brasília, de acordo com a Folha de S. Paulo.

Indicadores e agenda
Já entre os indicadores, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB, foi divulgado nesta quinta às 8h30. O índice mostrou uma retração de 4,47% em agosto na comparação anual, contra uma expectativa mediana do mercado segundo a pesquisa Bloomberg de 4,3% de contração. Em comparação com maio, o recuo da atividade econômica foi de 0,76%, contra estimativas de 0,61% de queda.

Às 12h, a agência de classificação de risco, Fitch, fez teleconferência para explicar a decisão de rebaixar a nota do Brasil de BBB para BBB- com perspectiva negativa. A agência destacou as incertezas politicas como um fator de instabilidade e também comentou sobre um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff que, segundo a analista Shelly Shetty, pode ter implicações negativas. Shetty afirmou que avaliará as implicações negativas caso o impeachment aconteça.

Em meio às pressões cada vez maiores para que o ministro da Fazenda Joaquim Levy saia, a analista destacou que ele tem exercido um importante papel no ajuste fiscal e que deu credibilidade à agenda fiscal. "Se Levy sair, vamos avaliar o novo ambiente político", afirmou. "Nos próximos meses, vamos continuar a monitorar os acontecimentos de perto".

A aprovação da CPMF não está no cenário-base da Fitch.  

Destaques da Bolsa
Entre as quedas, destaque para as ações do Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 50,03, -5,28%). No radar da companhia, a varejista teve sua recomendação cortada pelo Bank of America Merrill Lynch para underperform (desempenho abaixo da média). 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 50,01 -5,32
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,66 -2,06
 LAME4 LOJAS AMERIC PN 17,23 -2,05
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,74 -2,02
 RUMO3 RUMO LOG ON 7,38 -1,99

 

 

Já os papéis da Vale (VALE3, R$ 18,42, -0,95%; VALE5, R$ 14,93, -0,84%) viram para queda. No radar, o conselho de administração da mineradora aprovar a segunda parcela de dividendos aos acionistas no valor de US$ 500 milhões. A diretoria da companhia havia anunciado o valor, que representa metade da proposta inicial, no dia 28 de setembro. Assim, a mineradora distribuirá no total US$ 1,5 bilhão em dividendos em 2015. O valor, segundo comunicado da companhia, equivale a R$ 1.925.350.000,00, o que corresponde a R$ 0,373609533 por ação ordinária ou preferencial. O pagamento será efetuado a partir do dia 30 de outubro de 2015.

No mês passado, ao anunciar o novo valor, a companhia disse que esta redução no valor proposto reflete "um cenário mais incerto para os preços das commodities minerais e o foco da Companhia na preservação de seu balanço".

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,68, +0,21%; PETR4, R$ 7,97, -0,38%) operam entre perdas e ganhos.  

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 20,08 +7,49
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,94 +5,33
 CYRE3 CYRELA REALT ON 9,08 +2,71
 BRFS3 BRF SA ON 67,63 +2,53
 MRFG3 MARFRIG ON 6,57 +2,18

 

Entre as altas, a Cyrela (CYRE3, R$ 9,08, +2,71%) sobe forte após prévia operacional e marca sua primeira alta após quatro dias de quedas. A companhia informou que seus lançamentos caíram 22% na comparação anual, enquanto as vendas subiram 1,7% no período. Das vendas líquidas de R$ 1,009 bilhão no trimestre, 72% foram de estoques e 28% de lançamentos. No ano, as vendas caíram 33%, a R$ 2,55 bilhões. Os lançamentos alcançaram R$ 2,14 bilhões no ano até setembro, uma queda de 40,4% na comparação com o mesmo período de 2014. Durante o trimestre, a companhia lançou apenas seis projetos (sendo três em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e um no Sul). 

Segundo o BTG Pactual, o resultado do terceiro trimestre foi "decente", principalmente quando ajustado para o cenário desafiador de construção no Brasil, mas não parece ser um trigger para a ação, cuja recomendação segue neutra.

Cenário externo
As ações europeias e asiáticas estendem rali hoje após uma bateria de dados abaixo do esperado na China, Europa e nos EUA reforçar a percepção de que países vão manter seus estímulos. No entanto, os investidores continuaram cautelosos antes dos próximos dados do crescimento econômico da China, agendados para serem divulgados na segunda-feira.

"A recuperação parece estar sendo retomada novamente e, creio, tem mais espaço para acontecer agora que os riscos relativos à China parecem estar diminuindo", disse o chefe de estratégia de investimento do AMP Capital, Shane Oliver.

Mas os investidores continuaram cautelosos antes dos próximos dados do crescimento econômico da China, agendados para serem divulgados na segunda-feira.

No noticiário econômico europeu, o índice de preços ao consumidor da zona do euro caiu 0,1% em setembro ante igual mês do ano passado, segundo dados finais publicados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado confirmou a leitura preliminar de setembro e veio em linha com a previsão de analistas consultados pela Dow Jones Newswires. O bloco também teve superávit comercial de 11,2 bilhões de euros em agosto, maior que o saldo positivo de 7,4 bilhões de euros registrado em igual mês do ano passado.

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