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Ibovespa tem maior alta diária do ano e melhor semana desde março com reforma ministerial

Bolsa sobe 3,8% puxada principalmente pela disparada da Petrobras, que teve alta de mais de 10%

Ações em alta
(ShutterStock)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve sua maior alta diária do ano nesta sexta-feira (2) com investidores animados por conta da reforma ministerial anunciada hoje, que trouxe o corte de 8 ministérios e a redução de 10% no salário dos ministros. Com isso, o índice já faz uma disparada de 7% desde segunda-feira, quando o benchmark bateu 44.131 pontos, no menor patamar de fechamento em 77 meses (desde 7 de abril de 2009). Desde então, a Bolsa foi só alegria para os comprados, com quatro altas importantes consecutivas e, com isso, teve sua melhor semana desde março, quando subiu 6,25% a partir do dia 30. 

Hoje, o índice fechou em alta de 3,80% a 46.960 pontos. Na última vez que subiu tanto, a Bolsa registrou ganhos de 5,02% no dia 21 de novembro de 2014, quando o Joaquim Levy tornou-se o principal cotado para o cargo de ministro da Fazenda. Foi também a maior sequência de altas desde fevereiro, quando o índice só subiu entre os dias 12 e 19. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,439 bilhões. Já o dólar comercial caiu 1,42% a R$ 3,9457 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro tem baixa de 1,87%, a R$ 3,972. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 32 pontos-base, a 15,44%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 cai 43 pbs a 15,21%. 

Além da questão dos ministérios, também foram divulgados os quatro importantes indicadores que constituem o relatório de emprego dos Estados Unidos. Os nonfarm payrolls (pesquisa realizada em cerca de 375 mil empresas que produz um índice que mostra o número de empregos gerados na economia, excetuando-se agricultura e pecuária) mostraram a criação de 142 mil novas vagas em setembro, ante 201 mil esperadas e 173 mil que foram geradas em agosto. O desemprego se manteve em 5,1%. Por fim, o ganho por horas trabalhadas ficou estável ante projeções de alta de 0,2%. 

A principal alta do pregão, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,15, +9,32%; PETR4, R$ 7,77, +10,68%) dispararam fortemente. O barril do WTI (West Texas Intermediate) teve alta de 2,82% a US$ 45,73, enquanto o barril do Brent para dezembro registra ganhos de 1,22% a US$ 48,97. Depois de provocar a queda das bolsas internacionais no último pregão, o petróleo sobe hoje em meio a bombardeios russos contra o grupo terrorista Estado Islâmico na Síria, o que eleva a tensão no Oriente Médio. O investidor Jim Rogers, co-fundador do Quantum Fund, disse que o fato de petróleo vir resistindo a cair abaixo de US$ 45, mesmo com notícias econômicas ruins, é sinal de que uma alta dos preços está perto.

Reforma ministerial
A presidente Dilma Rousseff anunciou a reforma ministerial nesta manhã, com o corte de oito ministérios e a criação da comissão permanente da reforma do Estado. Foi extinguido o Ministério dos Assuntos Estratégicos eforam criados o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e o Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Ela ainda disse que 30 secretarias serão extintas em vários ministérios e haverá a redução de 20% nos gastos de custeio e a definição de metas de eficiência. Dilma diz que haverá um corte de 10% na remuneração de ministros. Ela anuncia a revisão de contratos de prestação de serviço, buscando tornar o governo mais eficientes.

Dilma começou o seu anúncio afirmando que "todos os países que atingiram o desenvolvimento construíram estados modernos: ágeis, eficientes, baseados no profissionalismo e na meritocracia." "Nós também temos de ter esse objetivo. O Estado brasileiro deve assumir uma dupla função: parceria com a iniciativa privada; e assegurar os direitos de todos os cidadãos e cidadãs", destacou. A ação do Estado, afirmou, não pode ser empecilho ao investimento, mas suporte para a atuação do setor privado e também para o cidadão. A  presidente Dilma disse que é absolutamente necessário que o Estado seja democrático, aberto e transparente à sociedade.

Para Lucas de Aragão, sócio da consultoria política, Arko Advice, a grande boa notícia na reforma ministerial é a mudança de postura do governo, mostrando-se menos teimoso e mais adaptável aos anseios do mundo político e empresarial. Para ele, o anúncio foi melhor do que o esperado. “Dilma foi esperta em criar fatos novos, como corte de 3.000 cargos comissionados, quando se esperava redução de 1.000; corte de 30 secretarias, de ministérios e de 10% dos salários de ministros”, explica. 

Destaques da Bolsa
Entre as altas, as educacionais Kroton (KROT3, R$ 8,53, +10,35%) e Estácio (ESTC3, R$ 15,67, +8,37%) ficaram entre os melhores desempenhos. No radar das companhias, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro será trocado por Aloizio Mercadante. 

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 PETR4 PETROBRAS PN 7,77 +10,68 -22,46
 KROT3 KROTON ON 8,53 +10,35 -44,34
 SMLE3 SMILES ON 33,55 +10,00 -24,35
 PETR3 PETROBRAS ON 9,15 +9,32 -4,59
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,65 +9,20 -34,38

Já as ações do setor bancário passaram a subir forte após o anúncio da reforma ministerial feito por Dilma Rousseff. Os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,92, +6,77%) foram os que mais subiram depois do anúncio, sendo que em apenas 1h as ações subiram 4%. Os demais bancos grandes sobem forte na Bolsa: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,97, +4,06%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,01, +4,23%BBDC4, R$ 22,51, +3,76%) e Santander (SANB11, R$ 13,45, +4,18%).  

O movimento positivo atingiu também as ações da mineradora Vale (VALE3, R$ 17,82, +3,48%; VALE5, R$ 14,46, +3,88%), Bradespar (BRAP4, R$ 8,80, +4,39%), holding que detém participação na Vale, e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 3,16, +1,28%), CSN (CSNA3, R$ 3,78, +2,44%) e Gerdau (GGBR4, R$ 5,66, +3,85%) - todas que operavam no sentido negativo pela manhã. 

As ações da Oi (OIBR4, R$ 2,94, +6,14%) dispararam nesta tarde em meio à euforia demonstrada pelo mercado com a reforma ministerial anunciada por Dilma. No radar da companhia, a Oi comunicou nesta manhã que foi atingida adesão mínima de dois terços dos acionistas para a conversão de ações preferenciais em ordinárias. A empresa informou que divulgará comunicado fornecendo o resultado final e das datas previstas para os próximos passos relativos à conversão voluntária de ações. 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 18,92 -3,27 +69,63
 FIBR3 FIBRIA ON 54,23 -2,64 +67,86
 EMBR3 EMBRAER ON 25,30 -0,20 +4,14

Quem caiu hoje foram principalmente as exportadoras como Fibria (FIBR3, R$ 54,23, -2,64%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,92, -3,27%), impactadas pela queda do dólar, já que estas empresas possuem as suas receitas denominadas na moeda norte-americana. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 7,77 +10,68 653,30M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 27,97 +4,06 542,81M
 VALE5 VALE PNA 14,46 +3,88 368,77M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 22,51 +3,76 284,68M
 JBSS3 JBS ON 16,82 +2,00 264,51M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 20,06 +1,83 202,48M
 PETR3 PETROBRAS ON 9,15 +9,32 192,29M
 BRFS3 BRF SA ON 71,45 +2,03 180,47M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,42 +2,77 169,07M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 26,67 +6,42 158,04M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

A semana na Bolsa
Na segunda-feira (28), em sua 7ª queda seguida, o Ibovespa atingiu seu menor fechamento desde 7 de abril de 2009. O principal índice de ações da bolsa brasileira caiu 1,95%, a 43.956 pontos. O principal vetor de queda foi a aversão ao risco após dados negativos da indústria chinesa e sinais mais evidentes de que os EUA devem subir juros ainda este ano, contaminando também as bolsas internacionais. 

Depois de registrar esses sete pregões de queda, o Ibovespa conseguiu se livrar da maré ruim e fechou em leve alta na terça-feira (29), ganhando forças depois do Governo Central registrar um déficit bem mais modesto do que o esperado pelos analistas. O benchmark da Bolsa brasileira teve alta de 0,40%, a 44.131 pontos. O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de R$ 5,081 bilhões em agosto, segundo informou o Tesouro Nacional. A mediana das expectativas da pesquisa Bloomberg era de que o déficit aumentaria de R$ 7,2 bilhões para R$ 10,7 bilhões. 

Já o último pregão de setembro foi de euforia, repercutindo o reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras, os "bons ventos" no noticiário político brasileiro com a antecipação de algumas das mudanças na reforma ministerial e os estímulos da China, rendendo mais do que um dia positivo para a bolsa: ela foi capaz de salvar o Ibovespa do amargo recorde de pior desempenho trimestral desde 2008. O principal índice de ações da bolsa brasileira subiu 2,10%, para 45.059 pontos - maior alta desde 16 de setembro. 

Por fim, a quinta-feira (01) terminou com o Ibovespa fazendo a sua terceira alta consecutiva puxado pelo bom desempenho da Vale e do setor financeiro. Com isso, o índice se descolou do movimento das bolsas internacionais, que tiveram um dia de queda graças ao mergulho das cotações do petróleo e com discurso do presidente do Federal Reserve de Richmond, Jeffrey Lacker, indicando que não há motivo para que o Fed não suba juros este ano. O índice brasileiro, que chegou a cair 0,6% na mínima do dia pressionado pelo exterior, fechou em alta de 0,56%, a 45,313 pontos.

Na semana que vem
Na próxima semana, o radar político ditará o rumo do mercado, com votação dos vetos presidenciais a questões como a correção das aposentadorias pelo salário mínimo e o reajuste dos servidores do setor judiciário na terça-feira (6). Para Cláudio Gonçalves, economista da Trevisan e Planning Consulting, a votação mostrará se as concessões que o governo fez ao PMDB hoje terão efeito na governabilidade. "Esperamos que o PMDB aceite os vetos já que houve tantas concessões. Espera-se que o cenário de crise política seja minimizado e Câmara e Senado passem a trabalhar com o governo pelo Brasil, para a não perda do grau de investimento", explica. 

Na terça também terá o julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer das eleições de 2014. Caso haja decisão pela impugnação, podem ser convocadas novas eleições. 

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